segunda-feira, 29 de setembro de 2008 - 2 Comentários

Boxeador, piloto de corridas, ex-jogador de futebol americano, trapaceiro, ladrão de bancos, exímio jogador de snooker e cartas; mulherengo incorrigível; amigo leal; um cara que faz as coisas do seu próprio jeito.




















Este era o Paul Newman que apareceu em quase sessenta filmes, muitos deles considerados clássicos, alguns premiados com o Oscar, outros sucessos de público atemporais. Surgiu na mesma fornada que deu ao mundo James Dean e Marlon Brando, formando, com esses dois, a trinca dos grandes atores que enterraram o galã à moda antiga. A partir da metade da década de 50, o protagonista deveria trazer uma certa amargura, uma qualidade de não saber direito o que quer, algo mais humano.

James Dean morreu muito cedo, ficando como uma promessa. Brando se tornou, em meio às suas manias e excentricidades, o maior ator de todos os tempos. Já Paul Newman resolveu ser simplesmente"o cara".

Manteve-se casado por toda a vida com a mesma mulher. Nunca fez concessões ao cinema moderninho ou a frescuras: seus papéis, descritos no primeiro parágrafo deste post, são de uma coerência incrível, além de encontrarem ressonância na vida real - Newman foi piloto de stock cars, depois foi dono de escuderia da Formula Indy, e ao mesmo tempo inaugurou sua própria marca de molhos para saladas (a Newman's Own), só porque não gostava do que as outras marcas ofereciam...

Especializou-se em papéis onde ele era o tutor, o irmão mais velho, o cara sábio que passa as manhas do seu jogo para um cara mais jovem - seja o Robert Redford em Golpe de Mestre, seja o Tom Cruise em A Cor do Dinheiro, seja o Tom Hanks em A Estrada da Perdição. E note: cada um desses filmes está distante dos outros em mais de 10 anos. O fato é que todos temos sempre muito o que aprender com Paul Newman.

Se o leitor não conhecer ou quiser ter uma aula de como ser macho, ponta-firme e inspirador, não deixe de conhecer as obras essenciais do mestre:


- Gata em Teto de Zinco Quente (1958): como o ex-jogador de futebol americano (e bêbado em tempo integral) Brick, Newman é assediado o tempo todo pela Elizabeth Taylor.




















É essa mulher que se joga em cima de Brick durante todo o filme.

- Rebeldia Indomável (1967): personagem ícone de Newman. Cool Hand Luke é o prisioneiro que não se submete às regras do presídio. Suas fugas são lendárias. É o herói dos detentos, dos anos 60 em geral e de umas três gerações de atores, como John Cusack, Edward Norton e outros fãs inveterados. A famosa fala "what we've got here is... failure to comunicate!" é uma das citações mais famosas do cinema e já foi usada para abrir o disco Use Your Illusion 2, do Guns'n'Roses, na introdução chuvosa de Civil War.





















É este cartaz que você vê na parede do apê do traficante vivido por Edward Norton, em A Última Noite, do Spike Lee, quando ele está prestes a ser pego pela polícia.

- Butch Cassidy e Sundance Kid (1969): um verdadeiro blockbuster da contracultura. Trazia os dois maiores astros da época (Newman e Robert Redford) atuando como comparsas em roubos de banco - e brigando pela mesma mulher (Katherine Ross, de professorinha nada ingênua). Duas cenas memoráveis: Cassidy e Sundance se jogando do alto de um penhasco (uma das minhas primeiras lembranças de Sessão da Tarde); e Newman se exibindo para a professorinha, andando de bicicleta ao som de Raindrops Fallin' on my Head.

- Golpe de Mestre (1973): vencedor do Oscar de Melhor Filme, traz a volta de Newman e Redford, desta vez como trapaceiros profissionais. Outra trilha sonora memorável, muita camaradagem e esperteza. Filmaço.

- A Cor do Dinheiro (1986): o filme que deu a Paul Newman seu Oscar de melhor ator (depois de 9 indicações). Aqui, ele retoma o mestre do snooker Eddie Felson (personagem de Desafio a Corrupção, de 1961), e ensina os truques do jogo e da vida para um Tom Cruise muito bobinho.


Tem muito mais, é só procurar. Paul Newman foi o macho em estado bruto, sem concessões ao metrossexualismo, à geração saúde ou outros modismos. Quando seu câncer atingiu estado terminal, desenganado pelos médicos, deu baixa do hospital e foi morrer em casa. Seus filmes são um curso de doutorado em vida para homens de todo o mundo.


Blogie acende um charuto em homenagem ao mestre.

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2 Comentários:
Blogger Celso disse...

Para mim, a cena clássica -- e macha pra caralho -- é em butch cassidy e se dá na hora que ele e sundance voltam da cidade e aquele tremendo mexicano resolve desafiar o butch para uma briga pelo comando do bando. Espantado com a coragem, ousadia e audácia do bigodudo, Butch se diz surpreso: "Mas que porra é essa?" Você disse que todos podiam desafiá-lo a qualquer hora, respondeu o cabra. "Disse, porque duvidei que vocês tivessem coragem", respondeu. Depois de ver que não tinha jeito, o negócio ia pro pau mesmo, e já diante da aproximação do gigante mexicano, Butch diz, peraí, peraí, vamos comibanr as regras... "Regras, que regras", pergunta o cara... "ah, não tem regras..." diz Butch e chuta o saco dele aproveitando o descuido do cara. Então é só contar até 3. E Sundance de cima do cavalo, bem rapidinho: 1,2,3. E o Butch soca o bigodão do cara ainda caído. E todo o grupo que antes apoiava o mexicano vai dar tapinhas nas costas do Butch dizendo, boa chefe, estávamos torcendo por você...é isso aí...hehehe. Moral da história: briga não tem regra.

30 de Setembro de 2008 19:14

 
Blogger Redação VIP disse...

Essa cena é coisa bruta, mesmo... minha cena preferida é a do penhasco: o Sundance não sabe nadar, e o Paul Newman racha o bico ? "a queda já vai matar a gente mesmo!"

E a cena final, da morte dos caras em um fim de mundo (Bolívia?), é genial. Poesia de amizade masculina acima de qualquer suspeita. Coisa de macho.

Abraço!

30 de Setembro de 2008 23:13

 

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