Terça-feira, 11 de Novembro de 2008 - 3 Comentários
É muito chato, mas muito chato, ler todas as críticas que foram feitas ao novo filme da série 007, Quantum of Solace. Segundo elas, James Bond é agora um clone mal acabado de Jason Bourne, além de não ter mais a classe dos tempos de Sean Connery, e de ter ficado loiro demais, baixo demais, sarado demais. Na melhor das hipóteses, falam dessas novidades como algo positivo.
O que ninguém fala é: Quantum of Solace é um tesão de filme, proporciona duas horas muito agradáveis no cinema, nas quais visitamos seis países diferentes, encaramos no mínimo três seqüências de ação antológicas e somamos mais alguns momentos especiais à mitologia do agente secreto britânico.
O filme é iniciado, como sempre, com uma seqüência de ação meio independente do filme. Desta vez, no belo litoral da Toscana, na Itália. Daí vem a abertura, sempre musicada por alguma estrela de primeiro time (desta vez, Jackie White e Alicia Keys, que infelizmente não se entrosam muito bem). E voltamos ao filme, no meio da festa do Palio, em Siena. Coisa compatível com os grandes filmes da série.
Enquanto o povo se diverte no Palio de Siena, Bond conhece um pedaço da Toscana um pouco mais escondido...
Daí, a trama de organizações poderosas que querem dominar o mundo ou seus recursos naturais se descortinam aos poucos, enquanto passeamos pela miséria do Haiti, por montagens de ópera grandiosas em Viena, pela miséria boliviana e por passagens rápidas em Londres e na Rússia.
Bond dirige carrões, tem suas bebidas preparadas com cuidado, recusa hospedagens vagabundas e traça as melhores mulheres que pintam em seu caminho. E, claro, dá porrada em muita gente.
Ou seja, para quem gosta dos filmes antigos (Dr. No, Goldfinger); para quem tem saudades dos passeios de Roger Moore por cartões postais do mundo, como a Torre Eiffel ou o Pão-de-Acúcar; pra quem curtia a classe high-tech de Pierce Brosnam; e pra quem gosta de filmes bacanas... pra toda essa gente, e espero que essa gente inclua o amigo leitor, Quantum of Solace é um bom programa.
Esqueça o papo cabeça que ficam criando em torno de 007 e aproveite! Bond ainda é uma celebração da inteligência e da boa vida, revestida de virilidade e circundada por mulheres, máquinas e locações maravilhosas.
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Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!





3 Comentários:
O filme é literalmente um porre.
22 de Novembro de 2008 01:11
Discordo. Não é nem de longe bom como Casino Royale, mas funciona bem para Bond se acertar consigo mesmo depois da morte da Vesper. Há seqüências de ação muito boas (a de abertura e a do barco no Haiti), algumas bem assistíveis (avião, a do final) e, aí sim, uma briga que tem cara de Ultimato Bourne. Além disso, o destino da agente Fields evoca Goldfinger de uma forma inesperada.
Pontos fracos? Alguns: vilão mais ou menos; momentos de pancadaria gratuita demais; ausência de vários clichês; pouco desenvolvimento da subtrama da Quantum (uma espécie de SPectre século 21).
Com tudo isso, Quantum of Solace ainda é muito mais filme do que os da era Pierce Brosnan (salvo Goldeneye) e do que mais da metade dos de Roger Moore. Não é pouca coisa...
6 de Janeiro de 2009 23:24
Perfeito, Renato. Concordo 100%, inclusive nas falhas (que são poucas). O filme é melhor do que a maioria da era Roger Moore.
Um abraço e obrigado pelos comentários,
Ricardo Garrido
7 de Janeiro de 2009 09:57
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