Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008 - 6 Comentários

Depois de terem ganhado o Oscar de melhor filme com o pesadão Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen resolveram fugir da pressão e voltar às comédias ácidas que lhe deram fama no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Reuniram o time de astros-brothers (George Clooney, Brad Pitt), empregaram a família (Frances McDormand, esposa de um deles) e ganharam o reforço do gênio John Malkovich. E entregaram um ótimo filme: Queime Depois de Ler, em cartaz nos cinemas brasileiros.

Queime Depois de Ler é a tal "comédia de humor negro", pecha dada aos filmes que fazem a gente rir e se sentir mal por rir, enquanto pessoas morrem e/ou desfilam sua burrice incorrigível.


















Os caras se dão mal e a gente ri: é o humor negro dos irmãos Coen.


E este é o ponto central do filme: a humanidade é patologicamente idiota, e cada tentativa de dar uma de esperto faz a coisa piorar mais e mais. Todos mentem, todos trapaceiam, todos são imbecis completos.

Nessa nada honrosa galeria, Brad Pitt está engraçado como o instrutor de academia que acha um CD com supostas informações confidenciais da CIA. Ele resolve chantagear o dono das informações (Malkovich, em interpretação desequilibrada e memorável), com a "ajuda" da sua colega Linda (McDormand, sempre engraçada e comovente). Esta, ignorando o fim da guerra fria - e obcecada pela idéia de fazer quatro operações plásticas -, tem a brilhante idéia de vender as informações para os russos.
















John Malkovitch não está pra brincadeiras em Queime Depois de Ler.


Movendo a história, outros idiotas vão aparecendo, como o policial viciado em sexo e corrida de George Clooney, sua amante (e esposa do personagem de Malkovich) Tilda Swilton e outros. E um chefão da CIA vai monitorando a ação dos imbecis, ficando tão estupefato quanto nós com o toque de Midas ao contrário dessa turma.

Queime Depois de Ler segue a mesma premissa de Jackie Brown, de Quentin Tarantino. Ambos tratam de trapaceiros de meia-tigela que chafurdam na própria burrice, rumando a uma situação cada vez mais complicada. A principal diferença entre os dois filmes (e entre seus diretores) é que, enquanto Tarantino é vaidoso demais para fazer um filme sobre a burrice humana com falas burras, os irmãos Coen ousam em entregar uma filme inteligente sem uma única fala esperta.

Tarantino se sente obrigado a rechear as falas de seus personagens com citações pop e outras espertezas. Já os personagens dos Coen não encontram a palavra certa, não são verborrágicos ou astutos - são simplesmente idiotas, e falam como tal. Desta maneira, o filme é cheio dos "what the fuck?" do irado Malkovich e dos "shit" que Pitt usa para preencher cada palavra que lhe falta em seu limitadíssimo vocabulário.
























"I think this is the real shit!", afirma Pitt, em sua onisciência...


E, ainda assim, Queime Depois de Ler é um belo estudo sobre a burrice humana. É engraçado e incômodo em medidas iguais, e é a melhor opção entre as estréias desta semana.

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6 Comentários:
Blogger clorofila disse...

Eu cheguei na fila do cinema pra ver Penélope e Scarlett. Troquei por Pitt e Clooney e não me arrependi

1 de Dezembro de 2008 10:43

 
Blogger Redação VIP disse...

Obrigado pelo comentário... mas não deixe de ver o filme do Woody Allen também!!!

Um abraço,
Ricardo Garrido

1 de Dezembro de 2008 17:59

 
Blogger Goya disse...

Pra mim, assim como "Onde os fracos não tem vez" trata-se de um trabalho fraco e supervalorizado do irmãos Coen.

2 de Dezembro de 2008 18:58

 
Blogger Redação VIP disse...

Cara, concordo um pouco, eu também sempre achei os Coen supervalorizados, mas acho que o melhor deles aparece em filmes despretensiosos como este "Queime depois de ler" ou "E aí, meu irmão..."

Mas, enfim, é melhor que a média, não é não?

Um abraço,
Ricardo Garrido

2 de Dezembro de 2008 21:45

 
Anonymous Thays disse...

Fui ver meio que com medo... Humor negro pode errar nas tintas. Mas não me arrependi: a burrice despretensiosa das personagens me arrancou gargalhadas, mesmo frente a situações que, se a gente pensar bem, são trágicas.

E muito bom o seu comentário de que a personagem Linda "ignorava" o fim da Guerra Fria. Totalmente alienada, rsrsrs

Um ponto forte é o elenco, todo bom, inclusive o de apoio.

5 de Janeiro de 2009 22:43

 
Blogger Redação VIP disse...

E pense que a Linda é a "inteligente" da quadrilha... o personagem do Brad Pitt é o completo acéfalo! Muito engraçado...

Thays, obrigado pelo comentário!

Abraços,
Ricardo

6 de Janeiro de 2009 10:36

 

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