quinta-feira, 9 de outubro de 2008 - 0 Comentários


Perdendo dinheiro na bolsa? Preocupado com a crise da economia mundial? É hora de ver um filme. Só o cinema salva. BLOGIE mostra os melhores filmes para encarar os tempos difíceis...

Durante a década de 30, sob a maior crise econômica dos nossos tempos, os americanos se refugiavam no cinema, onde se entorpeciam de filmes cheios de gente rica e bem nutrida. Mas, para entender a Grande Depressão - e como sobreviver a uma nova versão dela -, o melhor mesmo é revisitar os melhores filmes contemporâneos feitos sobre aquela época.

Basicamente, o cinema nos mostra que havia três maneiras de driblar a crise:

a) Esportes:

Deposite toda sua esperança (e, talvez, o que restaram de suas economias) no seu esporte preferido. É o que fizeram os fãs de boxe ao testemunharem a ressurreição de Jim Braddock, um ex-lutador amador que, da maior pindaíba, foi parar no Madison Square Garden dando porrada no campeão do mundo. Essa é a história real em que se baseou A Luta Pela Esperança (Cinderella Man, de 2005), estrelado por Russell Crowe. É um belo exemplar de um tipo de filme comum nos EUA: o filme da redenção através do esporte, especialmente na época da crise.
























Russel Crowe vive um conto-de-fadas de macho em A Luta pela Esperança.



Um esporte que costuma carregar uma mitologia de "salvador" é o baseball. Entre os muitos filmes feitos sobre o tema, o melhor é Um Homem Fora de Série (The Natural, de 1984), com o Robert Redford. Ele é Roy Hobbs, um jovem arremessador que, por uma tragédia, não consegue se profissionalizar no esporte. Muitos anos mais tarde, já aos 30 e poucos anos, ele ressurge do nada e levanta um timinho modorrento de Nova Iorque, tornando-se um Pelé tardio do baseball - e como rebatedor! É mais fantasioso do que Luta pela Esperança, mas é de lavar a alma.















Redford esquenta o banco antes de entrar e mostrar para os meninos como se joga.


Por fim, outro esporte que ajudou os americanos a enfrentarem a Depressão foi o turfe. É o que mostra Seabiscuit (2003), filme baseado na história real do cavalo (e do jóquei, e do treinador, e do dono) que, pequeno demais para as corridas, tornou-se uma lenda e uma inspiração para a massa de pobretões. O filme é bacana, e o DVD traz imagens reais da principal corrida vencida por Seabiscuit (recriada na cena que é o clímax do filme).

Ou seja, amigo, o esporte é uma boa maneira de afogar as mágoas. Vamos pra reta final do Brasileirão, séries A e B. Pros corintianos, não há crise: o que interessa é que estamos subindo pra série A.

E, no ano que vem, será lançado o filme sobre o calvário do Timão na segundona. Aguarde a versão hollywoodiana.

2) Quando o crime compensa:

Nos anos 30, emprego era artigo de luxo. Comida também. Num cenário desses, abraçar a carreira de criminoso não era mal negócio - é o que nos dizem os filmes. Golpe de Mestre (The Sting, vencedor do Oscar de melhor filme em 1973) pega relativamente leve ao retratar um bando de trapaceiros que, liderados por Paul Newman e Robert Redford, passam a perna em policiais, homens comuns e, principalmente, em um banqueiro ainda mais ladrão do que eles. O filme, genial, pinta a Chicago da Grande Depressão da maneira mais desoladora possível.
















Durante a Grande Depressão, para Paul Newman, só tomando uma. Robert Redford tenta ajudar o amigo a se recompor.

Quem também entrou nessa vida foi o casal central de Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967), vividos por Warren Beaty e Faye Dunaway. Eles se tornam uma lenda pelos seus roubos a bancos (bancos, os vilões de toda crise...) e pela boa aparência de casal classe média. Mas o filme é da década de 60, foi feito pra chocar, e não para oferecer catarse a ninguém; o final é um marco do cinema, pelo seu impacto.

Judeus novaiorquinos, ora vejam só, também entraram na vida do crime. Em Era Uma Vez na América (1984), obra-prima de Sergio Leone, acompanhamos moleques da comunidade judaica de NYC se metendo em confusões e servindo de leva-e-traz para o gângster local, durante os anos 20. Mais tarde, jovens (e já transformados em uma trupe liderada por Robert DeNiro e James Woods), eles se tornam os donos do pedaço durante os anos da Lei Sêca. Mas o filme vai bem mais longe do que retratar o período de crise. Em suas quase quatro horas de duração, Era uma Vez na América vai fundo no personagem de DeNiro, uma tragédia pessoal acompanhada por quase quarenta anos. Um filme espetacular e um tanto subestimado.
























A parada dura quase quatro horas, mas Era uma Vez na América é um filmaço. Obrigatório.



3) Só o cinema salva:

A melhor saída para a crise, no entanto, era mesmo o cinema. Durante a década de 30, o cinema escapista era o remédio geral. Era a época de musicais grandiosos e grandes aventuras (Fred Astaire, Errol Flynn). A década foi fechada por ... E O Vento Levou (p