Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Nem todos os filmes de Natal são populados por duendes e renas do nariz vermelho. Há alguns, acredite, que não seguem o esquema Esqueceram de Mim ou Felicidade não se Compra. Se você não suporta os filmes fofinhos que tomam a televisão perto do Natal, BLOGIE preparou uma lista infalível de filmes natalinos que chutam rabos. Bom Natal Infernal!

5- Batman II - O Retorno (1992)










O hit natalino de 1992: Michelle Pfiffer embrulhada em pacote sado-masô.

O Natal na Gotham City de Tim Burton não podia ser mesmo muito agradável. O Pingüim de Danny DeVito e, principalmente, a Mulher Gato de Michelle Pfiffer não estão exatamente tomados pelo espírito natalino. Cabe a Michael Keaton dar um trato na vilã.


4. Trocando as Bolas (1983)











Especulação: Dan Aykroyd enfrenta os altos e baixos do mercado com dignidade.


Dois milionários fazem uma aposta de fim de ano: um acredita que pode fazer de Eddie Murphy (um mendigo malandro) um valioso operador da Bolsa de Valores; o outro paga um dólar pra ver o plano dar certo.

Dan Aykroyd é o operador que, tendo perdido seu lugar para Murphy, acaba na sarjeta. Arruma uma prostituta como namorada (Jamie Lee Curtis, em ótima forma) e arruma um bico como Papai Noel. Um Papai Noel bêbado e violento, diga-se. Muitos falam do Papai Noel bebum de Billy Bob Thornton no mais recente Bad Santa, mas fique com o original. Um velhinho bêbado e armado que invade a Bolsa é algo no mínimo apropriado para este Natal.


3- Os Fantasmas Contra-Atacam (1988)












O Fantasma do Natal Passado dá uma dura em Bill Murray.


Bill Murray é um executivo de TV implacável. Como não se sensibiliza com a época de Festas, nem mesmo ao produzir uma encenação do Conto de Natal de Charles Dickens, ele é visitado pelos três fantasmas do Natal - os fantasmas do Natal Passado (um taxista bêbado e imundo), do Natal Presente e do Natal Futuro.

No fim, o cara é regenerado e tudo mais, mas o caminho é tortuoso e divertido. Muito humor negro no segundo filme de Natal mais sinistro daquele ano...


2- Duro de Matar (1988)










Frase natalina na camiseta do traficante morto: "Ganhei uma metralhadora. Ho Ho Ho!" Presente de John McClane.


John McClane (Bruce Willis) chega a Los Angeles para passar o Natal com sua esposa. Esta se vê presa em uma confraternização de fim de ano da empresa Nakatomi, em um prédio de 40 andares. Prédio que é seqüestrado por um grupo de terroristas. McClane resolve a parada sozinho.

Nada de "Ho Ho Ho" por aqui. O bordão do Natal de 1988 era "Yippee-ki-yay, motherfucker!"


1- Gremlins (1984)

O presente de Natal perfeito: um bichinho exótico, fofo e inteligente. Gizmo.












Fofura natalina: Gizmo vai puxar um Depeche Mode no teclado...

Mas três regras devem ser respeitadas: 1) não dar água para o bichinho; 2) não deixá-lo exposto à luz do dia; 3) não alimentá-lo depois da meia-noite. Como o dono de Gizmo é meio relaxado, ele abre as portas do inferno. O bichinho transforma-se em um monstrengo gosmento que semultiplica em um exército que praticamente destrói a cidadezinha.










Gizmo, não exatamente nos seus melhores dias...

Entre a destruição de uma loja de brinquedos e assassinatos com requintes de crueldade, há vários outros atrativos, como Phoebe Cates, a primeira musa juvenil dos anos 80.













Phoebe Cates: lugar cativo no imaginário da moçada que crescia nos anos 80.


Com essa enxurrada de tiras, fantasmas, terroristas, bêbados, monstrengos e gostosas tomando o lugar do Bom Velhinho, BLOGIE deseja um feliz Natal para os leitores!

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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Sábado, às 22:00, no Telecine Premium: Antes só do que mal casado, com Ben Stiller. Mais uma comédia indigesta dos irmãos Farrelly.

Ben Stiller é o cara simples e bacana (afinal, só um cara simples e bacana é dono de uma loja de artigos esportivos simples e bacana) que descola a mulher dos sonhos. Ela é loira, alta, linda e se apaixona por ele imediatamente. Eles se casam.

Na saída para a lua-de-mel, euforia: o rádio toca Rosalita, clássico do Bruce Springsteen, e ela canta a complicada e comprida letra do Boss a plenos pulmões. Stiller pira.

... mas, a partir daí, os defeitos da moça começam a aparecer. Ela não pára de cantar, e de cantar alto, inclusive hip-hops de gosto duvidoso. Ela é cheia das manias. Ela faz sexo de maneira de maneira, digamos, pouco agradável. Ela é um pesadelo.



E, ali, vivendo o inferno de uma lua-de-mel com um monstro no Cabo San Lucas, Stiller acha uma mulher simples e bacana (e atraente) - e passa a conviver com as duas.

Aí o filme se perde um pouco, mas ainda assim é engraçado. Não chega a ser Quem vai ficar com Mary?, mas vale uma olhada... Ben Stiller está bem, a trilha é ótima, as participações especiais que vão pintando são espertas.

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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008 - 3 Comentários

Semana fraca de estréias no cinema? Salas cheias de cópias dubladas de Madagascar 2? Calma, amigo, não desista. Talvez valha a pena dar uma chance ao velho Ridley Scott.

Faz tempo que o diretor de Blade Runner só leva pau da crítica. Seu filme vencedor do Oscar, Gladiador, nunca foi levado a sério. Outros filmes, como Falcão Negro em Perigo, viraram piada. Sua última obra, Rede de Mentiras, está nos cinemas brasileiros há quase um mês, sem causar grande comoção - e isso, apesar de ter Leonardo DiCaprio e Russel Crowe como protagonistas! Falaram que o filme é confuso, fraco, todas essas coisas... mas este blogueiro resolveu ignorar as críticas e foi presenteado com duas horas de ótimo cinema.

Rede de Mentiras é cinema à moda antiga: roteiro baseado em trama, bons personagens, antagonismo, tensão, torcida pelo herói... e aquela sensação positiva de que você foi enganado no final. E a vontade de voltar ao cinema para ser enganado novamente.

A trama: DiCaprio (sempre com atuações cheias de personalidade e energia) é o agente da CIA que encara um corpo-a-corpo no Oriente Médio. Seu chefe (Crowe) é um burocrata que vive em Washington, dando ordens e pitacos - às vezes, desastrados e desastrosos - em meios às suas atividades comezinhas (levar a filha na escola, tomar um drink à beira da piscina...). Os dois lideram uma missão do tipo "salvar o mundo": encontrar o terrorista responsável por atentados de grande porte pela Europa (um Bin Laden da vida).


Veja o trailer de Rede de Mentiras, com Leonardo DiCaprio e Russel Crowe.

Noves fora, não me interessa muito (e não deve interessar ao leitor também) se a visão de Ridley Scott sobre a atuação americana no Oriente Médio é ácida ou amarga ou politicamente inclinada pra este lado ou aquele. O que interessa é que a história é atual, é urgente, está bem escrita e te deixa colado na poltrona. A edição é competente, como se espera de um diretor tão experiente e comprovadamente competente.

E a última meia hora do filme é, no mínimo, angustiante.

Além disso tudo, pelo menos um pensamento sério sai do filme, que é mais ou menos sua assinatura: os americanos não podem ganhar esse conflito apoiados na tecnologia, porque seus oponentes ignoram o mundo da tecnologia. Logo, são impossíveis de serem rastreados.

Belo filme, não decepciona. Rede de Mentiras, ótima opção entre os filmes em cartaz!

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Domingo, 14 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Com a definição dos indicados ao Globo de Ouro (nesta quinta, 11/12), foi dado início à temporada de corrida ao Oscar. Isso significa que começamos a ouvir e a criar expectativa sobre os melhores filmes do ano - filmes que estão estreando agora nos EUA, e que chegarão no Brasil entre o fim do ano e fevereiro.

Entre os indicados ao Globo de Ouro, algumas considerações são importantes:

1- Heath Ledger vai mesmo ganhar uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante pela sua assombrosa atuação como Coringa, em Batman - o Cavaleiro das Trevas. Mais um passo numa carreira póstuma que caminha para virar uma lenda, estilo James Dean.
















Heath Ledger, o cara com maior potencial para James Dean ou Jim Morrison do novo milênio.


2- Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, levou quatro indicações ao Globo de Ouro, e deve ganhar o prêmio de melhor filme comédia ou musical. Rebecca Hall foi indicada para melhor atriz; Javier Bardem, melhor ator; e Penélope Cruz, atriz coadjuvante. Provavelmente, para o Oscar só essa última vingará. Uma pena!

3- O Curioso Caso de Benjamin Button desponta como favorito ao Oscar. O filme, baseado num conto fantástico do escritor americano F. Scott Fitzgerald (o preferido deste blogueiro), traz Brad Pitt como o homem que nasce velho e vai rejuvenescendo até morrer bebê. Pitt deve entrar forte na concorrência pela estatueta de melhor ator. E a coisa toda é dirigida pelo David Fincher (Clube da Luta)... Alta expectativa!

4- Outro filme forte parece ser Foi Apenas um Sonho. Dirigido por Sam Mendes (Beleza Americana), é um filme sobre relacionamento adulto, e traz a reedição do casal mais manjado da história do cinema (feito conquistado em apenas um filme): Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Ambos foram indicados ao Globo de Ouro, assim como o filme. Coisa que deve se repetir no Oscar. Expectativa!

5- The Reader, do Stephen Daldry (As Horas e Billy Elliot), é o outro forte concorrente para melhor filme. Com Ralph Fiennes e Kate Winslet (novamente indicada, desta vez na categoria de coadjuvante). Não parece ser um dos filmes mais viris do ano mas, enfim, um pouco de delicadeza não faz mal a ninguém...

6- Sean Penn será indicado mais uma vez para melhor ator, mas o seu filme, Milk, que traz a história real de um político militante gay, parece ter perdido fôlego: levou só essa indicação - a de ator - para o Globo de Ouro.

7- Angelina Jolie é favorita para melhor atriz, pela sua atuação no novo filme de Clint Eastwood (a boa fase do velho não acaba!), A Troca. Não li muito sobre o filme, mas parece se tratar da história real de uma mãe dos anos 20 cujo filho fora raptado e devolvido anos mais tarde - mas aí ela percebe que a criança que recebeu não é seu filho verdadeiro. É a grande estrela de Hollywood do momento, em uma atuação forte, em um filme de grife (Eastwood). Aposto que nem a Meryl Streep bate.



















Angelina e Eastwood: combinação difícil de ser batida.


8- Mas Meryl ampliará seu recorde de indicações por sua atuação em Doubt. Do mesmo filme, outra indicação: Amy Adams (na opinião deste BLOGIE, a melhor e mais bonita atriz da nova geração de Hollywood), para atriz coadjuvante.

Resumindo: tem um monte de filme bom pra estrear nos próximos dois meses. BLOGIE assistirá a todos antes da estréia e trará os comentários para ajudar o leitor a programar a ida ao cinema!

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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

No cinema, a estréia mais interessante da semana é Rebobine, Por Favor, filme esquisitíssimo do diretor Michael Gondry, que já fez pelo menos uma obra-prima (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças). De quebra, o novo filme traz Jack Black em seu melhor: disparando citações pop em sua metralhadora giratória, sempre histérico e engraçado.

Mas é importante avisar: a coisa toda é bem estranha. Black é um maluco que vive enfiado na locadora do Sr. Fletcher (Danny Glover, construindo uma bela carreira na terceira idade). A locadora está quebrada, pois o dono não acredita na "novidade" dos DVDs. Pra piorar, Jack Black é eletrocutado e magnetiza todas as fitas da espelunca.

Para não perder os clientes, ele e o funcionário Mike (Mos Def) começam a refilmar os clássicos em versões toscas, tosquérrimas, absurdas. Os Caça-Fantasmas, Robocop, O Rei Leão, Conduzindo Miss Daisy... as versões caseiras dos amigos viram um grande sucesso e a vizinhança começa a fazer fila para obter as novas fitas.







































Os Caça-Fantasmas, Robocop, Conduzindo Miss Daisy: Jack Black e Mos Def produzem cinema trash em Rebobine, Por Favor...


Essa é a grande graça do filme e, pra quem é tarado pop, dá vontade de assistir a mais "versões" dos camaradas. De resto, Rebobine, Por Favor não é grande coisa. E exige bastante boa vontade do espectador que quer só uma comédia OK prum programa de fim-de-semana. É candidato a uma meia dúzia de pessoas deixando a sessão na metade.

Mas, enfim, não dá pra esperar que todos os filmes acertem na mosca. Vale ser visto pela boa idéia, por Jack Black e pela Mia Farrow, que hoje em dia raramente dá as caras na tela grande, mas, quando aparece, sempre impressiona.

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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Sempre nutri uma paixão pelo Flamengo. Começou meio sem querer: eu idolatrava o Zico, o craque da minha infância, e fui me acostumando às paredes do meu quarto decoradas com o Galinho de Quintino e seus companheiros da Gávea misturados ao pôsteres do meu Corinthians. Mais tarde, em 1987, na semi-final da Copa União, me peguei torcendo loucamente pelo Mengão. 3 a 2 em cima do Atlético Mineiro, gols de Zico, Bebeto e Renato Gaúcho. O maior jogo da história, segundo minhas próprias reminiscências.

Passei a conviver com essa estranha paixão. Paulista, corintiano roxo, resolvi assumir depois de um tempo: sou flamenguista também. Tem tudo a ver, é claro, são os dois times do povo, cujas torcidas gostam de atribuir qualidades mágicas a si mesmas e à capacidade de recuperação dos seus times.




















Zico arrebenta na final de 83, contra o Santos: coisa de cinema.


Mas neste ano em que o Timão passeava pela Série B, eu depositava todas minhas fichas no Flamengo. O time começou o campeonato como favorito, tinha ótimos jogadores, vinha de uma campanha inesquecível no ano passado e a torcida vinha fervendo, inventando novas músicas a cada jogo, aquela história toda...

... Até que o Mengão cansou e foi entregando os pontos na reta final: empatou com a Portuguesa no Maracanã, mesmo palco da vergonhosa apresentação em que um 3 a 0 virou um empate com o Goiás... e acabou perdendo não só o título, como mesmo uma vaguinha na Libertadores, com uma derrota para o rebaixável Atlético Paranaense. Um fiasco!

A campanha medrosa do meu segundo time me fez lembrar de vários filmes sobre esporte. São filmes redentores, em que não faltam superação, viradas retumbantes e música épica. Coisas que, comparada a campanhas anteriores do rubro-negro, são mais próximas da realidade do que da ficção, mas que, depois de um final de ano melancólico como este, vêm bem a calhar.

Portanto, segue uma dieta cinematográfica para os irmãos flamenguistas, para respirar fundo, se preparar e sonhar com um 2009 bem melhor! (E ainda serve para a galera vascaína, palmeirense, santista, atleticana, cruzeirense, gremista, colorada - e corintiana, claro!)


Duelo de Titãs: com Denzel Washington, no papel do treinador negro que chega para dar jeito no time de futebol americano colegial de uma cidadezinha. Ele promove a integração racial, angariando ódio dos conservadores e desconfiança de todos. Monta um timaço, que se supera e atropela todo mundo na reta final. E a história é real!!!


Um Domingo Qualquer: com Al Pacino, Jamie Foxx e Dennis Quaid. Pacino é o treinador veterano que se vê obrigado a dar uma chance ao quarter-back novato (e arrogante) vivido por Jamie Foxx. Quaid, o capitão contundido, dá saudades daquele tempo do amor à camisa. Muita violência em estado bruto, muito cinismo ameaçando a essência do esporte - mas no fim este último vence. Dirigido pelo Oliver Stone, tem as melhores cenas de ação esportiva do cinema.


Um Homem Fora de Série: o melhor e mais mitológico filme de baseball. Robert Redford é o fenômeno juvenil que se perde na vida e nunca realiza seu verdadeiro talento. Até que ressurge, já velho demais para o esporte profissional, num timeco de Nova Iorque e se torna o improvável Pelé dos rebatedores. Há quem diga que o filme é brega, mas quem gosta de esporte, vai se amarrar.


Carruagens de Fogo: aquela abertura ao som do Vangelis, a moçada correndo na praia... é um filme corajoso, pois não teve medo do ridículo. A história real da delegação inglesa de Atletismo nas Olimpíadas de Paris (1920) ganhou Oscar de melhor filme e continua emocionando, especialmente nas vitórias pessoais e esportivas do judeu Harold Abrahams (100 metros rasos) e do missionário cristão Eric Liddle (400 metros rasos).


Rocky: Silvester Stalonne era um pé-rapado que vivia num cubículo em Los Angeles. Tinha escrito o roteiro de um filme que, acreditava ele, o tiraria do buraco. Camelou um bocado, rodou todos os estúdios, até que alguém se interessou. Ofereceram uma grana boa pela história do boxeador de meia-tigela que, de repente, se via às voltas com a oportunidade de sua vida. Mas ele preferiu entregar o roteiro de graça - desde que ele, Stalonne, fosse o protagonista. Só Deus sabe por que aceitaram um troço desses, mas o fato é que Rocky é um filme de lavar a alma, cheio de cenas antológicas (Rocky correndo pelas ruas da Filadelphia é ícone, assim como sua preparação sui generis, que inclui copos de ovos crus e sessões de pancadaria na câmara frigorífica de um açougue). E ganhou o Oscar de melhor filme. Atire a primeira pedra quem nunca gritou "Adriaaaaaan!" ao marcar um gol durante a aula de educação física...


Lendas da Vida: dirigido por Robert Redford, traz Matt Damon como o grande golfista que perde seu "swing" após voltar da guerra. Ganha um mentor/treinador/amigo imaginário em Will Smith (atuação inspirada). Belo filme, Charlize Theron está um arraso, dá até vontade de jogar golfe.


Sorte no Amor: com Kevin Costner, em papel claramente inspirado no de Redford em Um Homem Fora de Série. Aqui, Costner é o jogador veterano que chega para tentar uma última chance antes de se aposentar. Tim Robbins é o jovem arremessador que não sabe de nada e que precisa de uma lição. Esta é dada pelo colega veterano e, principalmente, por Susan Sarandon, que vive um momento especial como a tiete oficial do time (ela traça todo mundo). Todos ganham no final.


Esta foi a pequena seleção de BLOGIE para ajudar a nação rubro-negra - e todas as outras - a levantar a moral. Gostou da seleção? Falta algum filme? Mande seu comentário!

Em tempo: aos são-paulinos, reservo aquele ar de enfado. Parabéns e tal, mas faltou um clima de Hollywood no seu merecido sexto título brasileiro... bons tempos das grandes finais!

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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008 - 5 Comentários

A revista inglesa Empire publicou uma lista com os 100 melhores personagens de cinema de todos os tempos. A lista foi montada através de votação dos leitores da revista.

A lista, como qualquer lista que carrega o peso de "melhores de todos os tempos" - e que, portanto, precisam parecer algo sério -, é até previsível, mas o que causou impacto e polêmica foi justamente o primeiro colocado...

Don Corleone? Darth Vader? Indiana Jones? Carlitos?

Nada disso. O primeiro colocado na eleição foi Tyler Durden, o personagem de Brad Pitt em O Clube da Luta, de David Fincher.



















Brad Pitt/Tyler Durden, o maior personagem de cinema de todos os tempos? Fala sério!


Este blogueiro confessa que, ao saber disso, resolveu assistir O Clube da Luta novamente. E conclui que o fã-clube de Pitt e, principalmente, do filme, é forte. Embora seja um filme marcante e influente, não há nada nele ou na atuação de Pitt que o qualifique para bater, por exemplo, um Travis Bickle (o personagem de Robert DeNiro em Taxi Driver). Ou o James Bond de Sean Connery. Ou um monte de personagens femininos que foram solenemente ignorados pela votação (Scarlett O'Hara, Holly Golightly, Annie Hall, há muitos ícones entre as mulheres!).

Veja os 25 primeiros da lista, aí embaixo:

1. Tyler Durden - Clube da luta
2. Darth Vader - Star Wars
3. Coringa - O cavaleiro das trevas
4. Han Solo - Star Wars
5. Hannibal Lecter - O silêncio dos inocentes
6. Indiana Jones
7. Jeffrey Lebowski - O grande Lebowski
8. Capitão Jack Sparrow - Piratas do Caribe
9. Ellen Ripley - Alien
10. Vito Corleone - O poderoso chefão
11. James Bond
12. John McClane - Duro de matar
13. Gollum - O senhor dos anéis
14. Exterminador - O exterminador do futuro
15. Ferris Bueller - Curtindo a vida adoidado
16. Neo - Matrix
17. Hans Gruber - Duro de matar
18. Travis Bickle - Taxi Driver
19. Jules Winnfield - Pulp Fiction
20. Forrest Gump - Forrest Gump
21. Michael Corleone - O poderoso chefão
22. Ellis 'Red' Redding - Um sonho de liberdade
23. Harry Callahan - Perseguidor implacável (Dirty Harry)
24. Ash - A morte do demônio
25. Yoda - O império contra-ataca

Outras observações:

1) É curioso o Gollum aparecer na lista, e à frente do Yoda, que é o pai desse tipo de personagem. O Yoda foi tão importante que o próprio E.T. foi inventado a partir do baixinho verde. Aliás, E.T. faz falta.

2) Quem merece aparecer e aparece é Ferris Bueller, o jovem mais admirado do cinema. Em Curtindo a Vida Adoidado, proferiu duas horas de falas que foram incorporadas no jargão básico dos adolescentes dos anos 80.




















Ferris Bueller pára meia Chicago ao simplesmente dublar Twist and Shout, dos Beatles. Histórico.


3) A curiosidade máxima é encontrar Ash, o protagonista da série de terror Uma Noite Alucinante (ou A Morte do Demônio), objeto de culto da moçada esperta e apaixonada pela sétima arte descompromissada. Ash é o cara que encontra o Livro dos Mortos, enfrenta as "criaturas do limbo" personificadas em uma floresta e que serra a própria mão fora, por esta estar possuída pelo demônio. Depois de tantos gritos, tanto sangue de mentira e tantas risadas, é um prazer ver Ash na lista da Empire.






















A mão boba de Ash não dá mole em Uma Noite Alucinante 2, o melhor da série Evil Dead.

E você? O que achou da lista? Quem faz falta nela? Quem não merecia ter aparecido?

Mande seus comentários. Ao final, BLOGIE vai montar sua própria lista dos melhores personagens do cinema.

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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Estreou, nesta sexta-feira, A Lista - Você Está Livre Hoje?, com Ewan McGregor e Hugh Jackman. É um suspense com ótima premissa, boas atuações, boas cenas de sexo e final bem bolado. Mas que nunca apresenta aquele algo a mais que valeria três estrelas em qualquer jornal. É um filme OK.

Ewan McGregor é o contador sem graça que, por acidente, acaba entrando numa lista de gente bem apessoada e enriquecida que marca sessões de sexo descompromissado. As regras, ele vai aprendendo aos poucos, são rígidas: 1) não se pergunta o nome do parceiro de cama; 2) quem convida paga o hotel; 3) o sigilo é mais obrigatório do que na maçonaria (e a sua quebra, mais arriscada). Ele vacila ao se apaixonar por uma das envolvidas na lista e acaba se metendo num caso de assassinato, polícia, quem matou a loira?, todas essas coisas...

Hugh Jackman é o bon vivant que, de maneira absolutamente improvável, nutre amizade pelo personagem de McGregor e lhe introduz na lista. Fica claro, logo de início, que ele é o vilão por trás de tudo. Os dois fazem um ótimo trabalho, usando e abusando do seu carisma.



Veja o trailer de A Lista - Você Está Livre Hoje?


Algumas reviravoltas pintam naquela meia hora final em que as coisas se resolvem mas, no fim das contas, A Lista - Você Está Livre Hoje? é só mais um filme de whodunit (ou "quem fez?", expressão criada por Hitchcock para designar filmes cujo enredo consiste em apresentar um crime e buscar o seu autor).

Vale mais esperar pelo lançamento em DVD, ou mesmo na TV por assinatura.

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Domingo, 7 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Hoje, no TC Cult, às 22:00: Crepúsculo dos Deuses, obra-prima de Billy Wilder - este que é, simplesmente, o maior diretor de Hollywood de todos os tempos.

Os superlativos acima entregam: o autor deste texto é fã incondicional do diretor austríaco que se tornou ícone em Hollywood. Wilder se serviu dos maiores astros americanos dos anos 40 e 50: usou Audrey Hepburn e Humphrey Bogart em Sabrina; Jack Lemmon e Shirley McLaine em Se Meu Apartamento Falasse e Irma LaDouce; Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado e naquela que é considerada a maior comédia do cinema, Quanto Mais Quente, Melhor.


Mas o melhor de tantos filmes geniais é mesmo Crepúsculo dos Deuses, uma dissecação impiedosa da vida em Hollywood e da crueldade da carreira em cinema. Gloria Swanson, uma ex-estrela do cinema mudo que vivia no ostracismo, ganhou o papel principal do longa: uma ex-estrela do cinema mudo que vive no ostracismo. Seu mordomo, mais tarde é revelado, era um diretor renomado do cinema mudo - e o ator que o vive, de fato, foi um grande diretor dos primórdios do cinema.
























Gloria Swanson está piradinha, coitada, em Crepúsculo dos Deuses.


E temos William Holden, o alter-ego favorito de Wilder, no papel do jovem roteirista que topa qualquer negócio pra se montar na cidade dos sonhos. Ele é, basicamente, um fanfarrão: vagabundo, desprovido dos valores mais básicos e de talento questionável.

No conteúdo, Crepúsculo dos Deuses se aproxima muito de Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Este é, na verdade, quase uma atualização do primeiro, retratando Hollywood como uma cidade onde as pessoas chegam para viver um sonho e acabam tragadas pra dentro de um pesadelo de aparências e egos.

Na forma, o filme de Wilder é tão especial que não dialoga com nenhum outro filme, mas sim com literatura de peso: a cena de abertura deixa claro que o protagonista é o defunto que aparece enorme na tela, e é ele o narrador da história. É o narrador-defunto que Machado de Assis lançou em Memórias Póstumas de Brás Cubas, e Wilder soube usá-lo como ninguém.

Wilder era especialmente habilidoso para criar cenas iniciais e cenas finais. Em Quanto Mais Quente Melhor, botou o Jack Lemmon travestido se revelando um homem para um milionário enamorado, que responde, olhando para a frente, a anárquica última frase: "ninguém é perfeito!"

Em Crepúsculo dos Deuses, a última cena também é clássica. Mas não vou comentá-la. Convido o leitor a ficar em casa, fechar as janelas para não ouvir o foguetório são-paulino e assistir a este filmaço.

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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008 - 0 Comentários

Neste sábado, dia 06, no Fox Life: Garota da Vitrine, com Steve Martin e Claire Danes. Um filmaço.

O nome do filme não promete muita coisa - uma comédia romântica boba, talvez. A presença no cartaz de Claire Danes, a Julieta que ainda não tinha entregado um papel adulto convincente, indica irrelevância. E o nome de Steve Martin pode, enfim, reduzir bastante o interesse, uma vez que o público cativo do comediante não deve ir muito com a "cara" desse filme.

No entanto, A Garota da Vitrine surpreende todas as expectativas e entrega uma história de relacionamentos em que falta tudo - comunicação, reciprocidade, cumplicidade. Como reflexo da cidade em que vivem os personagens (Los Angeles, onde qualquer ida à padaria é uma viagem de carro), há distância entre todos, há solidão em todos, há uma enorme carência de afeto que consome a balconista que veio do interior, o executivo que vive numa redoma sem vida, o freak que marca passo na vida.
















Claire Danes é uma balconista entediada, mas linda.



O roteiro, baseado em um romance do próprio Steve Martin, é de uma delicadeza exemplar, alternando reflexões narradas em off - o que confere uma certa aura de fábula ao filme - com cenas repletas de silêncios e olhares - momentos que aproximam A Garota da Vitrine de Encontros e Desencontros, outro filme que junta uma garota entediada e um homem de meia-idade frustrado através (ou apesar) de uma metrópole sufocante. As discussões apresentadas são as mesmas do outro projeto autoral de Martin, L.A. Story, mas aqui o tratamento é mais profundo e faz uso infinitamente menor do humor e do cinismo. A Garota da Vitrine transpira verdade e uma certa ingenuidade, o que pode comover o espectador, especialmente se se considerar que esta é a obra de um comediante milionário que é um escritor elegante, tentando conferir a humanidade e a delicadeza de seu texto à sua já desgastada figura pública de ator cômico.


Veja o trailer de Garota da Vitrine, baseado no romance do próprio Steve Martin.



No mais, Claire Danes acerta em cheio e, enfim, faz um belo trabalho adulto (já ensaiado, como coadjuvante, no recente Tudo em Família) - e está bem desejável, por assim dizer. Steve Martin está ótimo em sua atuação comedida e um tanto entediada (lembrando, mais uma vez, Encontros e Desencontros, onde outro grande comediante faz um papel melancólico e cheio de hesitações). E o que parecia ser mais um sábado sem nada que preste na TV, ganhou um bom programa, graças à agradável surpresa que é este conto de Steve Martin.


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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008 - 8 Comentários


Há algum tempo, fez sucesso na VIP um pequeno texto em que apareciam as principais prostitutas da TV brasileira (Bebel, Hilda Furacão, todas essas beldades). BLOGIE ficou devendo uma lista similar com as mulheres da vida do cinema.

No cinema americano, as "primas" recebem tratamento variado: em alguns casos, a coisa é meio tácita, não fica claro se a moça é do ramo ou não; em outros, chega a dar dó da condição sub-humana a que são submetidas as adeptas da profissão mais antiga do mundo. Já no cinema europeu, como era de se esperar do berço do cabecismo de cabaré, elas são vistas com reverência e compaixão. De qualquer modo, podemos juntá-las em grupos, da mais rampeira à mais requintada, e entregá-las para o deleite do leitor.


Fim de carreira: as putas de rua

Elisabeth Shue está linda em Despedida em Las Vegas, mas seu fardo é pesado: rodar pela noite de Vegas, entregar-se a bandos de moleques bêbados e escrotos, apanhar do cafetão... é papo pesado. Já Julia Roberts recebe um tratamento bem mais light no seu papel clássico: Uma Linda Mulher. Ela começa a rodar bolsinha nas ruas de Los Angeles, mas o primeiro cliente que aparece é logo o Richard Gere, um milionário que só quer conversar e que topa torrar uma grana e tempo para transformar a ruiva em uma lady. São as mais baratas do cinema. Outras putas de rua: Jodie Foster em Taxi Driver, Shirley McLaine em Irma LaDoulce, Heather Graham em Do Inferno.






















Elisabeth Shue como Sera, dando duro nas ruas de Vegas.


Miséria: as sem opção

Em Pretty Baby, de 1978, Brooke Shields é a menina de doze anos que cresce no prostíbulo. Está sendo criada para exercer o não tão nobre ofício. Mas destino muito mais desgraçado é de Monica Bellucci no filme italiano Malena. Em tempo de guerra e hiperinflação, e enquanto seu marido está servindo no front, Malena Scordia trava uma batalha mais dura pela sobrevivência: tem que se prostituir pra garantir o pão de cada dia. No fim, ainda apanha de meia população da cidadezinha e traumatiza a criançada obcecada por ela. Nós, entre eles.

















Monica Bellucci é a alegria da garotada em Malena.



Classe Média: call girls e puteiros de sofá

Manja aqueles estabelecimentos sem nome, mas que todo mundo no bairro conhece pelo número? E dos quais só se fala à boca pequena? Pois é, o puteiro de sofá é a casa de Catherine Deneuve em A Bela da Tarde. Ela é a dona-de-casa entediada que resolve preencher o tempo com alguma atividade remunerada - fazendo a alegria da moçada. Já a Linda Ash vivida por Mira Sorvino em Poderosa Afrodite é mais moderninha: atende em seu próprio apê, mediante ligações. Desbocada e com senso de humor afiado, rouba o filme de Woody Allen e ganha seu Oscar.



















Catherine Deneuve, a eterna Bela da Tarde.



Acompanhantes de luxo: fora do seu orçamento

Outra garota de programa oscarizada é Kim Basinger, que faz uma loira fatal vendida como sósia de estrela de cinema (Lana Turner) em uma lista top, no filme Los Angeles, Cidade Proibida.

Menos escancarada é a situação da puta mais famosa do cinema. Nunca fica claro se a protagonista de Bonequinha de Luxo é ou não é. Mas, apesar da discrição do diretor Blake Edwards e da elegância de Audrey Hepburn, sua Holly é prima sim. Recebe 50 dólares "para ir ao banheiro". Dá festas de arromba em Nova Iorque. Tem um "agente" que afirma tê-la descoberto, dado aulas de francês, etc. Toma champanhe no café-da-manhã e tem um gato sem nome.

Mais chique ainda é a Satine de Nicole Kidman em Moulin Rouge, a "casa de espetáculos" mais famosa do mundo. Satine é a principal estrela da companhia, destinada a duques e milionários em geral. Está totalmente fora do budget de gente normal, como eu ou você ou o escritor de meia-tigela vivido por Ewan McGregor. Satine é coisa fina, e não poderia haver escolha melhor para vivê-la do que Nicole.
























Satine está claramente out of your league, amigo.




E você? Se lembra de outra "prima" famosa? Deixe seu comentário!

E, em breve, aguarde: as maiores prostitutas do cinema brasileiro. Aqui no BLOGIE...

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008 - 6 Comentários

Depois de terem ganhado o Oscar de melhor filme com o pesadão Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen resolveram fugir da pressão e voltar às comédias ácidas que lhe deram fama no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Reuniram o time de astros-brothers (George Clooney, Brad Pitt), empregaram a família (Frances McDormand, esposa de um deles) e ganharam o reforço do gênio John Malkovich. E entregaram um ótimo filme: Queime Depois de Ler, em cartaz nos cinemas brasileiros.

Queime Depois de Ler é a tal "comédia de humor negro", pecha dada aos filmes que fazem a gente rir e se sentir mal por rir, enquanto pessoas morrem e/ou desfilam sua burrice incorrigível.


















Os caras se dão mal e a gente ri: é o humor negro dos irmãos Coen.


E este é o ponto central do filme: a humanidade é patologicamente idiota, e cada tentativa de dar uma de esperto faz a coisa piorar mais e mais. Todos mentem, todos trapaceiam, todos são imbecis completos.

Nessa nada honrosa galeria, Brad Pitt está engraçado como o instrutor de academia que acha um CD com supostas informações confidenciais da CIA. Ele resolve chantagear o dono das informações (Malkovich, em interpretação desequilibrada e memorável), com a "ajuda" da sua colega Linda (McDormand, sempre engraçada e comovente). Esta, ignorando o fim da guerra fria - e obcecada pela idéia de fazer quatro operações plásticas -, tem a brilhante idéia de vender as informações para os russos.
















John Malkovitch não está pra brincadeiras em Queime Depois de Ler.


Movendo a história, outros idiotas vão aparecendo, como o policial viciado em sexo e corrida de George Clooney, sua amante (e esposa do personagem de Malkovich) Tilda Swilton e outros. E um chefão da CIA vai monitorando a ação dos imbecis, ficando tão estupefato quanto nós com o toque de Midas ao contrário dessa turma.

Queime Depois de Ler segue a mesma premissa de Jackie Brown, de Quentin Tarantino. Ambos tratam de trapaceiros de meia-tigela que chafurdam na própria burrice, rumando a uma situação cada vez mais complicada. A principal diferença entre os dois filmes (e entre seus diretores) é que, enquanto Tarantino é vaidoso demais para fazer um filme sobre a burrice humana com falas burras, os irmãos Coen ousam em entregar uma filme inteligente sem uma única fala esperta.

Tarantino se sente obrigado a rechear as falas de seus personagens com citações pop e outras espertezas. Já os personagens dos Coen não encontram a palavra certa, não são verborrágicos ou astutos - são simplesmente idiotas, e falam como tal. Desta maneira, o filme é cheio dos "what the fuck?" do irado Malkovich e dos "shit" que Pitt usa para preencher cada palavra que lhe falta em seu limitadíssimo vocabulário.
























"I think this is the real shit!", afirma Pitt, em sua onisciência...


E, ainda assim, Queime Depois de Ler é um belo estudo sobre a burrice humana. É engraçado e incômodo em medidas iguais, e é a melhor opção entre as estréias desta semana.

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