Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009 - 0 Comentários
Se o leitor é cinéfilo mesmo, daqueles que frequentam mostras de cinema e que gostam de, sei lá, Ingmar Bergman ou aqueles dinamarqueses do Dogma 95, está liberado: O Casamento de Rachel, em cartaz nos cinemas brasileiros, é pra você.
Agora, se você for do tipo que acha que cinema é, antes de tudo, um passatempo que deve ser no mínimo agradável, esqueça: nem a presença de Anne Hathaway, indicada ao Oscar de melhor atriz, vai fazer a coisa valer a pena.
Isso porque o diretor Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, Filadelphia) quis fazer um filme incômodo e desagradável sobre a imbecilidade humana e sobre o estorvo que uns causam aos outros. E, com seu enorme talento de direção de atores, teve sucesso em sua missão. O filme, em vários momentos, beira o insuportável.
Anne Hathaway: despida do glamour e daquele sorriso que lhe fizeram a fama. Valeu uma indicação ao Oscar...
A história: em uma família marcada por uma tragédia, Rachel vai casar. Sua irmã, Kim (Hathaway), tem permissão para sair do rehab e comparecer ao casório. Tudo se passa em dois dias, enquanto um bando de gente vai chegando, e preparativos constrangedores vão sendo feitos, e Kim vai acertando as contas, do seu próprio jeito, com o pai, a mãe e a irmã.
O ponto forte do filme está mesmo na atuação de Hathaway, que empresta sofrimento real à sua Kim - uma mulher egoísta, narcisista e, digamos, incompatível com o que chamamos de sociedade. Nas mãos de um ator menos talentoso, teríamos simplesmente raiva da personagem (lembra do Jim Carrey em O Pentelho?). Mas Anne Hathaway nos coloca dentro da bagunça mental de Kim, abrindo pequenas "janelas" por onde entendemos onde ela se fragiliza.
Veja o trailer de O Casamento de Rachel. Acredite, é bem mais agradável do que o filme, em boa parte graças a essa música do Buddy Holly - que não aparece no filme...
O resto do elenco também entrega atuações fortes, com destaque para Debra Winger, como a mãe torturada e distante de Kim e Rachel.
Mas, no fim das contas, não vale fazer como eu, que estraguei minha noite de sábado com um filme pesado e intencionalmente desagradável. É uma boa obra de arte, é intelectualmente honesto, mas não é cinema como cinema deve ser. Cinema é escape.
Vamos logo a Quem quer ser um milionário?, o favorito ao Oscar de melhor filme. Esse, sim, é de lavar a alma. Não perca a crítica, aqui, no BLOGIE.
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Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!





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