Sábado, 21 de Fevereiro de 2009 - 3 Comentários
Passamos o ano todo revirando nossa Vejinhas e Cadernos 2, à procura de um filme decente para assistir. Daí chegam as semanas que antecedem o Oscar, e não damos conta de ver tantos filmes bons.
Se o leitor estiver na dúvida cruel sobre o que assistir antes da cerimônia, que acontece neste domingo à noite, aqui vão as dicas sobre os filmes essenciais, aqueles que realmente estão concorrendo a alguma coisa - e que valem mesmo a ida ao cinema:
As estatuetas mais cobiçadas do cinema, polidas para serem entregues a mãos milionárias.
Quem Quer Ser um Milionário?
Imagine Cidade de Deus misturado com Uma Linda Mulher. Parece absurdo, mas é disso que se trata: de uma fábula de terceiro mundo, ao mesmo tempo forte e acessível, revelador e inebriante.
A história: um jovem favelado indiano, após ter passado por todas as provações possíveis de um menino pobre de Mumbai, chegar à idade adulta como um improvável participante de um Show do Milhão local, a um passo de ficar milionário. Tudo isso, motivado por um único objetivo na vida: reencontrar o seu amor de infância e viver feliz para sempre.
Quem Quer Ser um Milionário? consegue oferecer, no meio da lama que é a vida real, uma opção de fantasia, um escape bacana, uma redenção barata. É disso que o cinema é feito, e o filme deve ganhar o Oscar principal.
O Lutador:
Filme de macho que comove, O Lutador é o melhor filme do ano, arte em estado bruto, brutal. Não foi indicado para melhor filme, mas é o favorito para melhor ator, devido à atuação da vida de Mickey Rourke. Ele é Randy The Ram Robinson, um lutador de telecatch que viveu seu auge nos anos 80. De lá para cá, perde os movimentos, o dinheiro, a saúde e a clareza de pensamento. Está com problemas cardíacos e sobrevive às custas de um subemprego e de lutas em ginásios vagabundos pelas quebradas dos EUA.Enquanto tenta repensar sua vida, enxerga duas tênues oportunidades de futuro: reatar com sua filha, negligenciada nos tempos de loucura e que não quer vê-lo nem pintado de ouro; ou se aproximar da stripper vivida por Marisa Tomei, que gosta dele, mas não a ponto de deixar de receber seus trocados por uma lap dance.
O Lutador é sobre aqueles sonhos meio vergonhosos que temos na juventude, e aquela sensação incômoda de "estraguei tudo" que fica pingando ao longo da idade adulta. Todos temos isso. Até o Mickey Rourke tem, e é sorte nossa que ele tenha dividido seu sofrimento conosco.
O Leitor:
O ser humano in natura é despido de qualquer senso de moral ou justiça. É pura matéria, um pedaço de carne atendendo aos seus próprios instintos. Esse é o ponto central do ótimo O Leitor.
A cobaia escolhida pelo autor para comprovar sua tese é a personagem Hanna Schmitz, uma cobradora de bonde alemã que tem um caso com um rapaz de 15 anos durante a década de 50 -e que, anos antes, trabalhara para a SS como guarda de campo de concentração. Kate Winslet, favorita ao Oscar de melhor atriz, faz de Hanna uma pessoa dura, aparentemente estanque a qualquer sentimento, mas, ainda assim, uma mulher - ou melhor, uma fêmea. Seus instintos elegem um rapaz cheio de hormônios e boas intenções, e os dois se entregam a sessões de sexo sem papo mole ou quebra-gelo. Nesses encontros, Hanna também se deleita ao ouvir o menino lendo clássicos da literatura em voz alta.
O Leitor é um dos filmes mais corajosos, ao brincar com o senso de moral e justiça de quem o assiste, fazendo-nos adotar o ponto de vista de uma criminosa de guerra.
Plano B:
Se você já viu os três filmes acima, então vamos para o segundo escalão, mas ainda de alta qualidade!
Entre os outros principais indicados, o mais interessante é Dúvida, com a Meryl Streep, Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis - todos indicados a Oscars!
Milk - A Voz da Igualdade é um ótimo filme de Gus Van Sant, com Sean Penn arrebentando no papel do político militante da causa gay. Vale pelo desempenho do ator.
E O Curioso Caso de Benjamin Button é um bom filme, mas decepciona, pois a promessa era de algo histórico: David Fincher na direção, roteiro baseado em um conto de Fitzgerald, Brad Pitt como protagonista e inovadores efeitos especiais. Mas a coisa ficou como um sub-Forrest Gump. Mas, em se tratando da Academia, tudo pode acontecer. Até a premiação deste filme.
Agora, é dar uma última corrida ao cinema, voltar pra casa, agradecer aos céus pela TNT (pois a Globo, que tem os direitos exclusivos de transmissão do Oscar na TV aberta, preferiu exibir os desfiles das escolas de samba) e assistir à maior festa do cinema.
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Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!





3 Comentários:
Ótimos filmes este indicados.Agora,a globo deixar de transmitir o Oscar, pra transmitir escola de samba??????? Sem comentários....
26 de Fevereiro de 2009 10:34
A Globo é brincadeira... pior é ficar acordado até as 2 da manhã e ver um flashzinho sem vergonha de 1 minuto...
Um abraço,
Garrido
26 de Fevereiro de 2009 17:05
Pena que o melhor filme não foi O Leitor... Pode ter sido uma boa diversão, mas ficou a impressão de que daqui a alguns anos teremos esquecido este "Quem quer ser..." . E olha que eu sou super simpatizante da Índia...
Fiquei super feliz com o Oscar de Kate Winslet, super merecido.
E estou doida para conferir Milk.
26 de Fevereiro de 2009 23:13
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