Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009 - 1 Comentários

Para quem aprecia o trabalho de atrizes talentosas, o final-de-semana promete. Estreiam dois filmes que trazem quatro atrizes indicadas ao Oscar: O Leitor, com Kate Winslet, e Dúvida, com todo o elenco indicado ao prêmio.

O Leitor, pra começo de conversa, tem sido um pouco subestimado: é um "filme de Holocausto", e o excesso de filmes recentes com temas relativos ao nazismo (O Homem Bom, O Menino do Pijama Listrado, Operação Valquíria) pode prejudicar sua campanha ao prêmio de melhor filme - afinal, seus concorrentes tratam de caras que nascem velhos e rejuvenescem, de favelados indianos que se tornam celebridades da TV e de temas políticos que servem aos dias de hoje (Frost Nixon e Milk).

Nada disso, no entanto, impediu que sua protagonista, Kate Winslet, tenha sido indicada ao Oscar. No papel de uma mulher comum que trabalhou em serviços menores para o nazismo durante a guerra, ela é encontrada tempos depois, lidando com o passado e com a vida como qualquer um de nós faz ou fará um dia. Ralph Fiennes aparece no filme, como o homem que, anos antes, ainda garoto, tivera um caso com a personagem de Kate.














Kate Winslet: talento à prova d'água.


O ponto de vista escolhido pelo diretor Stephen Daldry é assumidamente feminino, como é tradição em seus filmes (As Horas, Billy Eliot). E isso é reforçado pela atuação de Kate Winslet, tão forte e sensual e humana que acabou barrando outra grande atuação dela mesma - a de Foi Apenas Um Sonho - para a disputa do Oscar de melhor atriz. É a sexta indicação de Kate ao Oscar e, provavelmente, a mais próxima de se transformar em vitória...


... Isso se Meryl Streep não interromper o jejum de Oscars que vem "sofrendo" há 26 anos (ela ganhou seu segundo e último por A Escolha de Sofia; de lá para cá, foi indicada mais uma dúzia de vezes, mas nada de prêmio). Meryl está em Dúvida, uma peça de teatro adaptada para o cinema pelo seu próprio autor, John Patrick Shanley.

Algum dos grandes atores brasileiros (Paulo Autran? Raul Cortez?), certa vez, apontou as diferenças entre TV, cinema e teatro: a TV seria o veículo do escritor (a velocidade das filmagens e a falta de tempo para gestar o "produto" fariam com que o sucesso da coisa dependa essencialmente da trama - por isso, a novela é da Janete Clair, da Gloria Perez, etc); o cinema seria o veículo do diretor (com efeito, o caráter artesanal da confecção de um filme é coisa para obsessivos, como Fernando Meirelles e Walter Salles); e o teatro seria o ambiente dos atores: ali eles repetem, a cada dia, o mesmo texto... o diretor já encerrou seu trabalho... e os atores vão burilando seus papéis à perfeição - por isso, tal peça era "a última do Paulo Autran".

Fecha parêntesis.

Dúvida comprova a teoria acima: é um campo aberto para o grande trabalho do seu elenco: Meryl Streep, como a freira manda-chuva de um colégio linha-dura, domina o ambiente e as atenções para o Oscar, mas Philip Seymour Hoffman também arrebata como o padre progressista que é acusado pela "chefe" de pedofilia.


Veja o trailer de Dúvida, e confira o show do elenco!


E ainda tem Amy Adams, a melhor atriz da nova geração (e linda), como a freirinha bem intencionada que é manipulada pela personagem de Streep. Amy, que nunca escolheu um papel ou filme ruim na vida, vai construindo sua carreira com cuidado e sem alarde. Não se assuste se ela "de repente" aparecer como "a grande atriz do momento" nos próximos dois ou três anos. Por ora, indicação de melhor atriz coadjuvante para ela.

Por fim, Viola Davis, no papel da mãe do menino negro que teria sido objeto de assédio por parte do padre. Sua atuação é a clássica indicação ao troféu de melhor atriz coadjuvante: ela aparece por pouco tempo, rouba a cena e perpetra um personagem marcante. É a favorita ao prêmio.













O elenco de Dúvida ri sozinho no lançamento. No detalhe, Amy Adams: você procura, procura, e não acha defeito na moça...


Enfim, bons filmes pro sabadão, aproveite!


(Agora, se nada disso lhe interessou, guarde energia para o próximo final-de-semana, quando estreia O Lutador, com o Mickey Rourke: filme de macho com sensibilidade de Oscar, coisa fina!)

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1 Comentários:
Anonymous Thays disse...

A mãe do Donald (Viola) dá um banho, não?
Como já falei em um outro comentário, sim, Meryl Streep está ótima mas o papel não me fez pensar em 'será que eu faria isto?'.
Acho até que a 'irmã', com sua rigidez e apego às regras, se assemelha ao não questionamento das regras de Hana Schmitt. Mas faltava compaixão a ela, que só pareceu ser humana no final.

SPOILER:

Mas até nisto fiquei na dúvida: será que as dúvidas surgiram naquela cabecinha só porque o Monsenhor disse que não acreditava nas acusações?
Provavelmente...

16 de Fevereiro de 2009 22:58

 

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