Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009 - 0 Comentários

Na tentativa de deixar a festa mais ágil e menos chata, os organizadores do Oscar andam com a mania de empacotar as 5 músicas indicadas a melhor canção em um blocão de seis minutos, onde cada uma é apresentada rapidinho por seus intérpretes, na linha "se vira nos trinta".

Por esse motivo, Peter Gabriel, indicado por sua contribuição na animação Wall-E, anunciou nesta semana que não se apresentará na festa da Academia. Com isso (e com a não indicação de The Wrestler, do Bruce Springsteen, por O Lutador), o que já se anunciava meio chocho fica completamente chato. Não haverá nenhum grande nome da música na festa do cinema. Uma pena.

Na verdade, o Oscar nutre a tradição de esnobar as melhores canções, e especialmente as populares. Veja a lista das melhores canções originais que foram indicadas, mas NÃO ganharam o Oscar:



Live and Let Die, de Paul McCartney (1973):












Após o fim dos Beatles, Paul resolveu compor sua primeira trilha para um filme, e fez uma obra-prima de encomenda: Live and Let Die, música-tema de Com 007, Viva e Deixe Morrer. A canção se tornou um clássico do repertória de Macca, que sempre a executa com o devido estrondo e fogos de artifício em seus shows...

... Mas a Academia preferiu premiar a melada The Way We Were, da Barbra Streisand, trilha do romântico Nosso Amor de Ontem, com a própria e com o Robert Redford. Lamentável.


Cheek to Cheek, de Irving Berlin (1935):

Heaven, I'm in heaven... hoje, é inacreditável que essa música, que virou praticamente sinônimo de cinema, não tenha vencido o Oscar de melhor canção. Cantada por Fred Astaire em O Picolino, é uma das melhores músicas do século 20, e foi homenageada dezenas de vezes em outros filmes. A mais famosa está em A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen, que começa e termina ao som da voz de Astaire seduzindo Ginger Rogers enquanto canta Cheek to Cheek.


Veja cena de O Picolino, com direito a legenda mostrando a letra de Cheek to Cheek.



Against All Odds (Take a Look at Me Now), de Phill Collins (1984):

OK, você pode odiar Phill Collins. Mas Against All Odds (trilha do filme homônimo) é uma bela música, foi um enorme sucesso e é de arrepiar. Mas a canção foi derrotada por outro enorme sucesso: a insuportável I've Just Called to Say I Love You, do Stevie Wonder.



That Thing You Do, trilha de The Wonders - O Sonho Não Acabou (1996):

O primeiro filme dirigido por Tom Hanks é sensacional: a história de uma bandinha americana que, na cola do sucesso dos Beatles, emplaca seu único sucesso e se dissolve. Teve relativo sucesso, mas mais sucesso fez a música da banda: That Thing You Do (composta pelo profissional A. Schlesinger, com toques na letra dados pelo próprio Tom Hanks) arrebentou de tocar nas rádios e nas baladas da época, e era o espírito do filme. Um erro imperdoável da Academia.


Gonna Fly Now, trilha de Rocky, o Lutador (1976):

Uma das cenas mais conhecidas de todos os tempos trazia Rocky Balboa (Silvester Stallone) correndo pelas ruas da Philadelphia, preparando-se para a grande luta contra Apollo, o Doutrinador. Qual a graça de ver um brutamontes correndo na rua?

A resposta: a música Gonna Fly Now, de Bill Comte e C. Connors. Cheia de metais e arranjada em uma verdadeira muralha sonora, a canção dá o tom épico que era necessário à jornada de Rocky. É uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, talvez a melhor.
Mas ficou sem o Oscar daquele ano.


A Patacoada: Mrs. Robinson, de Simon & Garfunkel (1967):

Essa foi triste: Paul Simon emprestou os sucessos de sua dupla folk, Simon & Garfunkel, para o diretor Mike Nichols enfeitar sua pequena obra-prima, A Primeira Noite de um Homem. Melhor ainda, ele compôs uma canção especialmente para a ocasião: Mrs. Robinson, que virou um clássico absoluto do cancioneiro americano.


Veja e ouça Mrs. Robinson, em cena de A Primeira Noite de um Homem.


Mas aí, lá vai Paul Simon se esquecer de preencher o formulário da Academia. Com isso, Mrs. Robinson não pôde concorrer a um Oscar certo. A Primeira Noite de um Homem ganhou o Oscar de melhor direção, e a história fez justiça à canção. Mas Paul Simon ficou sem seu Oscar. Sobre o episódio, ele declarou: "eram os anos 60, a gente não estava prestando atenção."

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