Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009 - 4 Comentários
No próximo dia 20, estreia Milk, de Gus Van Sant, indicado ao Oscar de melhor filme e favorito ao prêmio de melhor ator, com Sean Penn. O filme, que foi inicialmente encarado com um pouco de má vontade por este blogueiro, acabou virando o jogo e provou-se muito, mas muito bom.
E a principal razão está na sua relevância nos tempos atuais. O que faz pensar em outro filme em cartaz, que também recebeu indicações ao Oscar. O filme é A Troca, de Clint Eastwood, com Angelina Jolie despontando como favorita ao prêmio de melhor atriz.
São dois filmes diferentes em tudo e iguais em propósito. Veja só:
Penn e Jolie: favoritos ao Oscr, e com mais algo em comum.
A Troca é obra madura de um diretor regular, que nunca erra: Clint Eastwood, conhecido pelo sobriedade e pelo estilo econômico. À primeira vista, é um dramalhão sobre uma mãe que, após meses de desaparecimento do filho, "ganha" da polícia um menino postiço, que tem que aceitar como verdadeiro. Muito choro e sofrimento depois - e bem no momento em que você pensa "não aguento mais tanta angústia" -, a verdade aparece.
Milk é fruto da obsessão do irregular Gus Van Sant, capaz de gerar ótimos filmes (Elefante, Gênio Indomável, Garotos de Programa, Um Sonho sem Limites) e coisas mais fraquinhas (a refilmagem de Psicose, Encontrando Forrester). Van Sant é um cara obcecado por recriações quase documentais. E por tensão sexual (consumada ou não) entre seus personagens masculinos. As duas coisas se encontram em Milk, a história real do político americano Harvey Milk, notório por ter liderado a causa gay em San Francisco, nos anos 70. O filme é colorido, cheio de vida e abertamente gay.
Portanto, coisas completamente diferentes, não?
No entanto, eles têm algo em comum: ambos são filmes de época (o primeiro, nos anos 30; o segundo, nos anos 70) que mostram a luta incansável de seus protagonistas para combater o modus operandi do Governo vigente e estabelecer um mínimo de justiça. São dois filmes honestos e libertários. E ambos se prestam a botar um botar um bem-vindo ponto final na era Bush, ao mesmo tempo em que celebram os novos ares soprados por Barack Obama.
Harvey Milk sai do armário e muda o jeito de se fazer política
Nesta luta, Milk se sai bem melhor: está apoiado em um elenco sensacional, começando por Sean Penn, que, no papel-título, mostra-se imbatível como ator. Hoje, não tem pra ninguém: o melhor cara do ramo é mesmo Penn. Em Milk, ele mostra que está no topo e dificilmente alguém tira dele o terceiro Oscar.
Além dele, James Franco (o amigo do Peter Parker nos atuais filmes do Homem-Aranha), Josh Brolin (o irmão mais velho dos Goonies, que tem se provado grande ator a partir de Onde os Fracos Não Tem Vez) e Emile Hirsh (Show de Vizinha, Na Natureza Selvagem), todos estão ótimos e dão show.
Se houvesse Oscar para trailer, o de Milk já tinha o seu garantido!
Milk é, claramente, um labour of love de Gus Van Sant, coisa que pode ser verificada até em seu trailer, cuidadosamente tratado como uma obra de arte, ao invés de um anúncio publicitário. De tão convencional, pode ser considerado zebra no Oscar. Mas o que importa é que é um ótimo filme. Não perca.
Angelina Jolie sofre e faz sofrer - mas John Malkovitch redime a todos
Já A Troca, se não chega a decepcionar, fica bem abaixo da recente safra do grande Clint Eastwood. A "culpa" cai nos ombros cada vez mais estreitos de Angelina Jolie, que agarrou essa oportunidade como o "papel definidor de carreira". Infelizmente, Jolie não arrebata. Ela se esforça bastante, mas seu sofrimento remete mais a Camila Morgado em Olga do que a uma Meryl Streep. Assim, a primeira metade do filme (que deveria ganhar o título de "It's not my son!", coisa que ela berra várias vezes) chega a irritar um pouco.
Mas a coisa melhora na segunda metade, quando John Malkovitch passa a dar as cartas e a coisa se transforma em um filme de tribunal. Aí, temos Clint Eastwood em seu melhor, e a discreta catarse do final serve para evitar que saiamos por aí destruindo a coisa pública ou virando o próprio Dirty Harry. Uma medida piedosa do velho Clint.
Veja o trailer de A Troca. Infelizmente, ele dá mais foco na estrela e menos na parte mais bacana do filme...
Resumo da ópera: ó filme imperdível é Milk. Mas, se você já tiver visto tudo que está em cartaz, vale dar uma olhada em A Troca também. (E são os dois favoritos aos Oscars de melhor ator e atriz - você não vai querer ficar sem opinião na segundona depois da cerimônia...)
Marcadores: Angelina Jolie, cinema, estreias, Oscar
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Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!





4 Comentários:
engraçado, tinha visto o trailler de A troca e nem estava interessada... mas agora acho que vou dar uma conferida! e certamente em Milk também!
Mas antes, na lista, está o Foi apenas um sonho.
Comento em breve!
4 de Fevereiro de 2009 20:32
Dos três, acho que gostei mais de "Milk"... mas "Foi Apenas um Sonho" deve ser o melhor.
Enfim, é só coisa boa!
Um abraço,
Ricardo
5 de Fevereiro de 2009 00:26
hahahaha, Angelina tá mesmo a Camila Morgado! Boa, Garrido, eu sabia que aquele chororô mala dela lembrava alguém
5 de Fevereiro de 2009 11:01
Troféu Camila Morgado pra ela!
Pra quem quer ver boas atrizes, o dia é hoje: estreiam "O Leitor", com a Kate Winslet, e "Dúvida", com a Meryl Streep, Amy Adams e Viola Davis - todas indicadas ao Oscar, e merecidamente!
Abraços,
Ricardo Garrido
6 de Fevereiro de 2009 08:52
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