Domingo, 8 de Fevereiro de 2009 - 2 Comentários

O ser humano in natura é despido de qualquer senso de moral ou justiça. É pura matéria, um pedaço de carne atendendo aos seus próprios instintos. Esse é o ponto central do ótimo O Leitor, de Stephen Daldry, indicado a um monte de Oscars, que estreou nesta última sexta-feira no Brasil.

A cobaia escolhida pelo autor para comprovar sua tese é a personagem Hanna Schmitz, uma cobradora de bonde alemã que tem um caso com um rapaz de 15 anos durante a década de 50 -e que, anos antes, trabalhara para a SS como guarda de campo de concentração. Para interpretá-la, nada menos do que Kate Winslet, em um trabalho que a coloca como favorita ao Oscar de melhor atriz.

Winslet faz de Hanna uma pessoa dura, aparentemente estanque a qualquer sentimento, alguém sem planos ou objetivos. Mas, ainda assim, uma mulher - ou melhor, uma fêmea. Seus instintos elegem Michael Berg (o ator alemão David Kross, excelente), um rapaz cheio de hormônios e boas intenções, e os dois se entregam a sessões de sexo sem papo mole ou quebra-gelo.

Nesses encontros, Hanna também se deleita ao ouvir o menino lendo seus livros (clássicos da literatura, de Homero a Mark Twain) em voz alta.
















Kate Winslet nua e crua: exposição física, olhar duro e dúvidas interiores que valem um Oscar.


O tempo passa, o caso acaba, Michael entra para a faculdade de direito e, na qualidade de estudante, tem a oportunidade de acompanhar os Julgamentos de Nuremberg (onde nazistas foram julgados por seus crimes de guerra). Lá, dá de cara com Hanna, esta como ré e a um passo de ir para a cadeia.

A partir daí, passamos a entender os porquês: de tanta angústia no Michael Berg adulto (Ralph Fiennes), do prazer de Hanna em ouvir livros (ao invés de lê-los) e, até mesmo, de tanta nudez ao longo do filme. E o final ainda guarda um nó na garganta do espectador.


Veja o trailer de O Leitor, a melhor opção nos cinemas...


O Leitor é um dos melhores filmes do ano, e é um dos mais corajosos, ao brincar com o senso de moral e justiça de quem o assiste, fazendo-nos adotar o ponto de vista de uma criminosa de guerra. Mostra como ficamos confusos com as mudanças de maré das leis e da História, e nos faz pensar no quão dependentes somos da cultura e dos livros para nos diferenciarmos de outros primatas.

Poderia se consagrar como o melhor roteiro adaptado (o favorito, no entanto, é O Curioso Caso de Benjamin Button), mas é mais provável que dê a Kate Winslet seu primeiro Oscar, após seis indicações. Um filme obrigatório.

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2 Comentários:
Anonymous Thays disse...

Amei "O leitor"! Gostaria de saber se os homens mais velhos se sentem tocados pelo tema da iniciação sexual? Inacreditavelmente, tinha um roncando no cinema!!!

Adoro filmes que consigam despertar, ao menos em mim, compaixão por quem não tem compaixão alguma...

Kate Winslet escolhe a dedo seus papéis e estou torcendo por ela, que merece desde sempre, um Oscar.

Mas certamente vou conferir a Dúvida.

8 de Fevereiro de 2009 14:07

 
Blogger Redação VIP disse...

Thays,

O tema da iniciação sexual é um dos mais populares junto à moçada, sem dúvida. Mas, de um modo geral, a abordagem à la "American Pie" ou "Porky's" é mais bem recebida, hahaha...

Um abraço,
Ricardo Garrido

9 de Fevereiro de 2009 13:28

 

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