Filme VIP da semana: "A Última Sessão de Cinema"
quinta-feira, 16 de julho de 2009 - 8 Comentários
Um tesouro meio escondido: A Última Sessão de Cinema, de Peter Bodganovich. É um dos menos badalados dos grandes filmes dos anos 70 mas, ao mesmo tempo, um dos mais importantes. Ele permanece como uma das obras mais sensíveis sobre o que era ser jovem nos EUA do pós-guerra.
Alugue. Compre o DVD. Faça alguma coisa, mas não deixe de ver esta obra-prima.
Trailer de A Última Sessão de Cinema.
Estamos, adequadamente em branco-e-preto e ao som de vitrolas cheias de ruído que tocam o country de Hank Williams, em uma cidadezinha do Texas, em 1951. Jovens aproveitam os meses finais de colégio, jogando no time de futebol americano, vagando pela rua, indo ao cinema e tentando transar com suas namoradas.
Daí até o final do filme, exatamente um ano depois, veremos que não havia direito à adolescência ou juventude na geração que precedeu os baby-boomers: os ritos de passagem acabavam passando pela constatação da falta de perspectivas e da entrada em um ciclo de repetição e sufocamento dentro da cidadezinha empoeirada. O sexo, que deveria ser algo libertário e novo, apresenta-se como algo frustrante e sujo, trazido por intermediários adultos - o sócio do pai da menina, a prostituta gorda, a esposa do treinador do rapaz...
Os dois principais personagens são dois rapazes, Sonny e Duane (Thimothy Buttons e Jeff Bridges, perfeitos), que têm a amizade abalada pelo fato de que ambos estão apaixonados pela mesma garota - Jacy, a menina rica e linda, tão desorientada e sem perspectivas quanto os outros. Cybill Shepherd interpreta Jacy, numa escolha inacreditavelmente feliz - pois só ela mesmo, com sua beleza fria e irretocável, conseguiria fazer contraponto a tanta feiúra e mesmice.

Cybill Chepherd: mais de dez anos antes de A Gata e o Rato, ela já dava show no cinema. Você não quer perder isso. Mesmo.
Mais sobre o filme, não vale a pena falar. Basta dizer que é um filme triste e bonito, que injeta a angústia de ser jovem em quem o assiste. E que se deve comemorar o Big Bang da adolescência, que viria alguns anos depois, com a invenção do rock'n'roll e dos filmes do James Dean, com a chegada dos Beatles, e com a popularização da universidade. Todos ganhamos mais uns anos pra errar por aí, mas a principal mudança foi outra: ao contrário dos jovens de A Última Sessão de Cinema, que queriam queimar logo as etapas juvenis e entender logo o papel que lhes caberia no mundo, adquirimos o gosto por curtir os anos de transição, cumprindo os ritos com gente da mesma idade, celebrando nossa cabeça vazia ou nossas dúvidas.
E, se nada disso lhe interessar e se o filme não lhe servir para mais nada, pelo menos servirá pela visão de Cybill Shepherd, novinha, ora com roupa, ora sem roupa, se empenhando para perder a virgindade ao longo de duas horas.
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Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!





8 Comentários:
Esse filme realmente é um barat
alias Bogdanivic e um diretor mui
to subestimado.Filmaço.
30 de julho de 2009 20:00
Meu caro,
Obrigado pelo comentário! Esse diretor é mesmo subestimado. Quando falam nos grandes dos anos 70 (DePalma, Spielberg, Coppola, Scorsese, Altman...), deveriam sempre lembrar dele.
O último trabalho dele - no qual fiquei viciado, revendo e revendo por uns dois meses - é um documentário de quatro horas sobre o Tom Petty & The Heartbreakers. Pra quem gosta de rock, é sensacional!
Um abraço,
Ricardo
30 de julho de 2009 20:27
Caro Ricardo,
Já faz algumas semanas que eu venho alugando e comprando filmes sugeridos por você no seu blog e não me decepcionei com nenhum deles. O único problema é que em alguns casos parece ser impossível achar alguns desses filmes. 'O Verão de Sam' por exemplo, foi uma sacanagem! depois que eu li a sua matéria, fui correndo atrás do filme e quem disse que eu achei? Existe alguma loja online específica onde eu possa encontrar esses filmes?
31 de julho de 2009 22:41
Pablo,
"O Verão de Sam" foi regularmente lançado em DVD, mas já faz tempo... não lançaram outras versões e ficou difícil de achar mesmo.
Se você for de São Paulo, a melhor locadora (e que também vende DVDs) é a 2001 Vídeo. Se você estiver a fim de comprar um importado, a DVD World (loja online) tem bastante coisa, assim como a Laserland (a loja da av. Rebouças é a Disneylândia dos compradores compulsivos de filmes!).
Se vc for de fora de SP, saiba que todas essas lojas têm web-sites onde vc pode comprar!
Obrigado por ler o blog! Fico feliz e honrado em ter audiência tão qualificada!
Vamos nos falando...
Abração,
Ricardo
1 de agosto de 2009 12:31
Obrigado pela informação. Infelizmente as lojas mais populares sofrem de falta de variedades, pérolas como os filmes que você indica aqui infelizmente não são encontrados nessas lojas. E saiba que toda semana algum amigo meu me pergunta: 'E aí, aquele blog da VIP indicou mais algum filme pra gente assistir?' Já vimos Trainspotting (e já comprei), Obrigado por Fumar e Butch Cassidy. Tudo filmaço.
1 de agosto de 2009 13:36
E me desculpe por eu ter esquecido de informar qual é a minha cidade. Uma informação indispensável para uma pergunta como essa. Sou de Hortolândia e compro dvds em Campinas e, mais frequentemente, pela internet.
1 de agosto de 2009 13:38
Opa, obrigado, Pablo!
Então, por coincidência, assisti "O Verão de Sam" em Campinas, há uns 8 anos (minha esposa estudava lá)... alugamos na 100% Vídeo do Cambuí. Vai que ainda está lá!
Abração,
Ricardo
1 de agosto de 2009 14:17
Não sei porque, mas eu tenho uma certa afinidade por filmes que retratam a juventude de determinadas épocas. É preciso ser um grande diretor para saber retratar esse tipo de filme sem parecer ridiculo para nós jovens. Na escola, eu fui obrigado a assistir O Diário de um Adolescente e fazer uma redação dizendo o porque o filme 'mudou a minha vida'. Enquanto eu assistia o filme, tinha umas garotas fofocando, alguns estavam acendendo um cigarrinho num canto mais escuro. E não posso deixar de citar os outros 90% que durmiram logo na terceira cena. Quem me dera se o professor estivesse escolhido Traispotting naquele dia!
1 de agosto de 2009 15:28
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