terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 - 2 Comentários

Clint Eastwood chega aos 80 anos vivendo o auge da sua carreira. Hoje, é considerado um dos grandes cineastas em atividade, alguém no nível de Scorsese, Allen, Spielberg. Durante os últimos dez anos, Eastwood enfileirou Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, Cartas de Iwo Jima, A Troca, Gran Torino. Dramas que buscam o que há lá no fundo de pessoas que passam por situações muito além do insuportável.

Comparado a essa série, seu filme atual, Invictus (em cartaz nos cinemas brasileiros), pode ser considerado leve e revigorante: seus personagens não enfrentam questões de vida ou morte; são pessoas em pleno domínio de suas competências e cujo maior desafio é como fazer o melhor uso delas. É um filme sobre esporte, sobre política, sobre amizade e liderança. Mas, no fundo, inspiração é o assunto central da história de como Nelson Mandela, o primeiro presidente sul-africano depois do fim do apartheid, enxergou na seleção sul-africana de rugby - os Springbocks, uma instituição nacional, pelo menos da parte branca que endossava o racismo oficial - uma promissora bandeira de integração nacional.



















Clint Eastwood dirige Morgan Freeman e Matt Damon em Invictus



Morgan Freeeman empresta seu carisma e sua simpatia natural a um personagem contemporâneo e ainda mais carismático e simpático. O resultado, apesar da indicação ao Oscar, não arrebata: é solene, contido, respeitoso demais. Mais interessante é notar o olhar humano e astuto de Mandela/Freeman/Eastwood, enxergando em cada atitude do presidente a possibilidade de mandar o recado certo, exato. Nada do que o personagem faz (certamente, há uma boa correspondência ao Mandela real) é espontâneo ou egoísta - tudo serve a um propósito maior.

O grande "projeto" de Mandela no filme - provavelmente, em meio a dezenas de outras grandes sacadas concomitantes - é arregimentar o capitão dos Springbocks para sua causa. Inspira o rapaz, bota responsabilidade sobre seus ombros fortes e insufla nele a ânsia de liderar e inspirar outras pessoas. O capitão, vivido com grande competência por Matt Damon (indicado ao Oscar de ator coadjuvante), se enche de motivação a partir do magnetismo pessoal do presidente e, aos poucos, vai transformando o bando de brutamontes (talvez ingenuamente) racistas em pessoas tolerantes e integradoras.

Um ano separa a sacada de Mandela da Copa do Mundo de rugby, que seria sediada na própria África do Sul. Ao saber, por um assessor, que a final da Copa seria assistida na TV por mais de 1 bilhão de pessoas, Mandela tem uma visão e se põe a tocar o projeto de transformar o medíocre time nacional em um futuro campeão. Isso dá trabalho, muito trabalho, mas mais difícil é fazer a enorme e paupérrima massa de negros adotar o esporte e sua seleção - um exercício de perdão, de inclusão, de unificação. Trabalho para um grande líder.


Veja o trailer de Invictus!

O clímax do filme, claro, vem na final da Copa do Mundo, jogo a que os Springbocks se qualificam após uma campanha irretocável e suada. Os oponentes são os All-Blacks - a seleção da Nova Zelândia, um ícone do esporte mundial, o equivalente ao que é a seleção brasileira no mundo do futebol -, uma máquina de furar muralhas de marmanjos e de botar a bola oval no chão adversário. A câmera de Eastwood faz um trabalho fantástico, no nível do que Oliver Stone fez com o futebol americano em Um Domingo Qualquer - e muito melhor do que tudo que já foi feito com o nosso futebol. Os jogos são vistos de dentro, acompanhamos cada músculo se retesando, cada arranhão acontecendo, cada ombrada explode no nosso peito. Que Avatar, que nada: isso é que é ação.

De resto, fica a forte impressão que causa a direção calma, equilibrada, elegante de Clint Eastwood. Fica a qualidade que ele arranca de todo o seu elenco. A música delicada que recheia os silêncios de um roteiro competente e de fluência contínua. Uma aula de como se faz um filme convencional, mas que, nas mãos de alguém genial, resulta sempre em algo único.

E fica a inspiração, pois bons filmes esportivos - Carruagens de Fogo, Um Homem Fora de Série, Um Domingo Qualquer, Lendas da Vida... - são sempre inspiradores. Esse é o golpe final de Eastwood, pois seu filme procura justamente o que inspira as pessoas. Nelson Mandela, durante os muitos anos em que ficou preso, buscou inspiração na poesia Invictus, do poeta inglês William Ernest Henley ("sou dono e senhor do meu destino / sou comandante da minha alma"); sua trajetória inspirou o capitão dos Springbocks; e estes, misturando suas velhas cores a um novo hino, acabaram inspirando um país a começar a vencer - sabemos que o processo será lento e dolorido - seus tabus e seus ressentimentos.

A nossa crença na capacidade humana de se reinventar se renova pelas mãos octagenárias de Clint. Mãos que já mataram índios e caubóis, que já deram cabo de delinquentes de toda espécie, mas que foram se amaciando com os anos e que, hoje, só moldam singelas obras-de-arte.

P.S.: pra quem já viu o filme, vale dar uma olhada nas imagens reais da final da Copa do Mundo de rugby de 1995. Demais!


(Como era possível viver antes do You Tube?)

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 - 1 Comentários

Pra começar a semana, vamos de uma banda que tocou em Woodstock, que atravessou os anos 70 como grande atração do rock de arena, que inspirou o punk rock e que viu seu vocalista arriscar umas incursões no cinema, como ator. Com dois sobreviventes, essa banda fez o show do intervalo de ontem do Super Bowl, o grande evento dos EUA (é a final do campeonato de futebol americano).

Falo do The Who, claro.

Aqui, no auge, num show de 1977, em Killburn. A melhor gravação do Who ao vivo, e um dos melhores shows já filmados da história (há um DVD e uma versão importada em Blu-Ray desse show, chamado The Kids Are Allright). Curta:



A música é Baba O'Riley, do melhor disco do Who, Who's Next?. Canção que já foi usada em vários filmes, graças ao seu refrão irado, que brada repetidamente "Teenage wasteland! Teenage wasteland!"...

Já foi mostrada aqui no BLOGIE a cena de O Verão de Sam, do Spike Lee, em que Adrian Brody faz um punk ítalo-americano que incomoda sua vizinhança de machões. Outros usos famosos da música: Slackers, Febre de Bola (a versão inglesa do livro de Nick Hornby, uma raridade!) e, mais recentemente, a genial comédia juvenil Show de Vizinha. Baba O'Riley é usada como trilha do preenchimento do álbum de formatura que o nerd Emile Hirsch encara, após um ano de descobertas em companhia da sua romântica namoradinha que escapou da indústria da pornografia.

Mas bacana mesmo é ver o Super Bowl, sempre com atrações do primeiro escalão. O Who continua mandando bem, hoje e sempre.

Boa semana!

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 - 0 Comentários

Uma das coisas que mais me agradam no cinema dos anos 70 é o apetite com que se caía de pau em instituições. A geração de cineastas jovens, barbudos e rebeldes atacava geral. Subversão. Sobrava pra todo mundo nos três poderes.

No executivo, por exemplo, era alvo todo mundo desde a polícia (Serpico) até o presidente dos EUA (Todos os Homens do Presidente). Bureaus de informação não tinham nada de heroicos ao perseguir gente bacana como o personagem de Robert Redford em Três Dias do Côndor. Já o exército começou a década sendo ridicularizado por Robert Altman em MASH e terminou retratado como o horror nos olhos de Marlon Brando em Apocalipse Now.

O legislativo ganhou, num exercício de fantasia - e ao mesmo tempo numa crítica feroz -, um candidato a senador que tentava se colocar à margem da corrupção e das sacanagens de campanha, em O Candidato.

Não por acaso, três dos filmes citados acima - Todos os Homens do Presidente, Três Dias do Côndor e  O Candidato - foram estrelados por Robert Reford. Além de engajado e comprometido com valores liberais, o cara era o grande galã de Hollywood, o maior astro da década.

Mas o grande ator da década foi outro cara - uma rapaz franzino, que veio do teatro, meio feioso e com um nome nada atrativo - Alfredo.

Al Pacino (nunca se perguntou de onde vinha esse "Al"?) ganhou a chance de sua vida ao pegar o papel de Michael Corleone em O Poderoso Chefão (os executivos do estúdio, adivinhem só, queriam Robert Redford para o papel), e enfileirou uma série de trabalhos antológicos, que o colocam à frente de colegas que também viveram o auge nos anos 70 (Jack Nicholson em Estranho no Ninho e Chinatown; Robert DeNiro em Taxi Driver e Touro Indomável). Pacino partiu do primeiro Chefão para o segundo, e dali para Serpico, e então para Um Dia de Cão...

... e finalmente chegou a 1979, como o advogado íntegro até a medula, Arthur Kirkland, em ...E Justiça Para Todos, um dos melhores filmes de tribunal de todos os tempos (só lhe fazem frente Doze Homens e Uma Sentença e O Sol é para Todos). Aqui, o alvo é o poder judiciário, e a artilharia é elegante e de alta precisão.

















Al Pacino como Arthur Kirkland: um advogado honesto sozinho num mundo corrupto.

Kirkland é um advogado de ética inabalável, mergulhado no seu trabalho, dotado de uma energia inesgotável e uma devoção absoluta. Sua atuação em tribunal e sua dedicação aos seus clientes é vibrante. No entanto, dentro do pequeno universo que se encerra nos tribunais de sua cidade, ele é obrigado e enfrentar "o sistema". "O sistema", você sabe, é tudo aquilo que impedia que pessoas do bem - presumivelmente, aquelas identificadas com os democratas, ou com simpatia por valores socialistas, ou simplesmente jovens... o mundo era fácil de entender antes da queda do muro de Berlim - se dessem bem. No caso de Kirkland, "o sistema" era um juiz durão que lhe pegava no pé com seu legalismo intransigente.

Este é um ponto central do cinema dos anos 70: nenhuma instituição é boa. Nem a bandeira americana, cujo juramento promete "uma nação vigiada por Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos". No caso, a aplicação a ferro e fogo de uma minúcia da lei acabou mandando um inocente para a cadeia. O juiz era o cara durão. O advogado de defesa, Al Pacino. E aí, você já imagina, o bicho vai pegar.

E pega mesmo. Pacino, fazendo o cara sedutor e boa praça mais improvável da história do cinema, traça a advogada mais interessante da casa, descola dela informações quentes, troca favores com seus advogados brothers e se vê no meio de uma confusão (o tal juiz durão foi acusado de estupro e  ele, Pacino, é obrigado a defendê-lo).


Veja o trailer de ...E Justiça Para Todos!

A luta do advogado para tirar seu cliente inocente da cadeira - e para se livrar do cliente culpado, que é o juiz safado - se mostrará complexa, pesada, inglória. Ele acabará enxergando a possibilidade de usar o sistema contra o próprio sistema. Defenderá o juiz, com a condição de que este tire o tal rapaz do xilindró.

Após muitas negociações e demonstrações de que o judiciário americano é capaz de deixar qualquer um louco, o filme culmina numa sensacional cena de julgamento. Ao gosto subversivo do seu tempo, vemos o juiz caxias e arrogante no banco dos réus. Vemos um juiz de tendências suicidas comandando o espetáculo. E vemos Al Pacino, descabelado e desalinhado, com a pinta de maluco que lhe é peculiar, tomando o centro do palco e dando seu show.

O resultado é de lavar a alma.

O filme foi indicado a dois Oscars, melhor roteiro e melhor ator. Foi a quinta indicação de Al Pacino à estatueta durante aquela década, e a quinta esnobada da Academia. Quatro anos depois, ele ainda entregaria seu melhor trabalho, o antológico Tonny Montana de Scarface, para então rarear suas aparições no cinema por alguns anos - e voltar para finalmente buscar seu Oscar por Perfume de Mulher, já na década de 90.

É um tanto difícil encontrar ... E Justiça para Todos em DVD, mas é possível. Pelo menos o filme foi lançado. Serpico não teve a mesma sorte. Para vê-lo, só pescando nas madrugadas da TV a cabo.

... E Justiça Para Todos é daqueles filmes que nos restituem um pouco da pureza de intenções original, que nos lembram de como pensávamos em enfrentar o mundo e transformá-lo. E convida a mudar um pouquinho, ao dar um gostinho da satisfação de enfrentar e derrubar "o sistema".

Ou pelo menos arranhá-lo.

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Bom, da lista do Oscar extraímos duas certezas: 1) Avatar é acolhido pela indústria cinematográfica, por seu caráter de salvador da pátria (quero ver alguém piratear um filme desses - é coisa pra comprar ingresso e ver no cinema, e ponto final); 2) Guerra ao Terror, filme que saiu direto em DVD no Brasil, vai acabar com a sina de filmes de guerra dos anos Bush, que sempre foram furo n'água.

Quem vai levar a melhor entre os dois... difícil de dizer. Avatar parecia imbatível, mas aí o filme da ex-mulher de James Cameron, Kathryn Bigelow (aliás, que outra mulher já fez um filme de guerra?), começou a ganhar todos os prêmios - e o jogo ficou embolado.

Por fora, ainda correm Bastardos Inglórios e Amor Sem Escalas, os dois favoritos deste blogueiro. Sinceramente, meio por espírito de porco e meio por amor ao cinema, torço pela vitória do filme de Tarantino.

Bastardos, aliás, muito provavelmente levará dois prêmios: o de melhor ator coadjuvante para o genial Christoff Waltz, e o de roteiro original.

Já o prêmio de roteiro adaptado deve ir para Amor Sem Escalas (dando sequência à tradição de premiar o filme independente e inusitado do ano com um Oscar de roteiro - prêmio de consolação que já foi dado a Cameron Crowe, Sofia Coppola, Diablo Cody e tantos outros).

O mais interessante, no entanto, será o embate nas categorias dos astros: aparentemente, temos um grande trabalho de Sandra Bulock (BLOGIE quebrará um dos seus tabus de estimação e verá um filme de Sandra Bulock), uma revelação com Carey Mulingan (Educação) e um papel coroador de carreira para Jeff Bridges, como um cantor de country decadente em Coração Louco. George Clooney, Morgan Freeman, Meryl Streep e Helen Mirren estão lá, fazendo figuração de luxo que só dará mais valor às conquistas dos outros. (Ou acontecerão surpresas?)

No mais, bacana esse negócio de dez indicados para melhor filme. Acaba promovendo a justiça, ao dar o devido lugar de destaque a obras-primas como UP - Altas Aventuras, e Distrito 9, numa categoria que raramente dá espaço para animações e ficções científicas.

Agora, é correr atrás dos filmes (as estreias acontecem às pencas), e aguardar ansiosamente pelo dia 7 de março. Até lá, darei minhas preferências e meus palpites.

P.S.: mas bacana, bacana mesmo, seria a vitória do escritor inglês Nick Hornby pelo seu roteiro adaptado de Educação. Hornby é um dos heróis de BLOGIE, e de sua pena só sai coisa boa.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 - 3 Comentários

Outro dia, falei de Obrigado por Fumar, primeiro filme de Jason Reitman, provável indicado a alguns Oscars por Amor sem Escalas. Pensando em prestar um serviço de utilidade pública para o leitor da VIP, estudei com calma o filme e resumi o método que nick Naylor, o genial lobista do tabaco retratado no filme, segue para dar conta das suas missões. BLOGIE apresenta:

O Método Nick Naylor de Argumentação



Não é nada pessoal; são apenas negócios. O mantra de O Poderoso Chefão, tão popular a partir dos anos 70, ganhou um complemento poderoso em Obrigado por Fumar: "não negocie; argumente". É uma grande diferença. Aprenda a argumentar - e a ganhar qualquer discussão - com os ensinamentos de Nick Naylor.


Nick Naylor: pós-graduado em ser xingado e em chutar rabos.
1- Debater é como pescar: é só jogar a isca.


Durante uma sabatina no Senado americano, Naylor tem o grande insight de sua cruzada pró-fumo: seu grande opositor é um senador de Vermont, estado notório pelo seu queijo cheddar. Naylor não ataca diretamente: joga a isca.

Pergunta, em uma linha de argumentação aparentemente frágil, se aviões Boeing ou carros Ford, a bordo dos quais pessoas também morrem, deveriam receber tratamento similar ao dado ao cigarro. É devidamente açoitado, sob o argumento de que carros e aviões não matam tanto quanto cigarros.


E então Naylor puxa o anzol: então por que ele está no banco dos réus? Afinal, o relator do caso é um senador que defende os interesses dos produtores de cheddar, rico em colesterol, este sim o verdadeiro assassino número 1 da América.

 2- Jogue para a plateia.


Em uma sorveteria, nosso herói fala com o filho pré-adolescente sobre a beleza da argumentação. Para exemplificar, cria uma discussão hipotética, na qual ele prefere sorvete de baunilha ao de chocolate, preferência oposta à do filho. Ele provoca o fedelho a declarar que prefere chocolate, que é o único sabor de que ele precisa e ponto. E Nick discursa:


"Bem, eu preciso de mais que chocolate, e na verdade preciso mais do que baunilha. Acredito que precisamos de liberdade. E escolha no que diz respeito ao nosso sorvete."


Desnorteado, o moleque observa que ele fugiu do assunto e, no mais, não o convenceu de que baunilha era melhor. E o pai arremata: "não quero você. Quero eles" - e aponta para o povo à sua volta.

Veja a cena e caia você também na lábia do rei da argumentação:



 3- Não dê mole para mané.


Ele destrói militantes, políticos e jornalistas, mas a melhor argumentação de todas é a mais comezinha: quando o tal médico que vive com sua ex-esposa, em tom de censura, o aconselha a não fumar perto do próprio filho, Naylor para por um segundo, pensa todas as palavras constantes do Webster?s e perpetra o fim da conversa:


"Brad, eu sou o pai do menino; você é o cara que está comendo a mãe dele."


Assim é Nick Naylor: o cara que encerra qualquer discussão, mesmo sem ter razão, só porque não dá pra entregar os pontos para um médico babaca.



Pronto; agora é só aplicar no seu trabalho e colher os frutos. Depois, deixe seu depoimento!

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