Continuando com a série de cenas de abertura espetaculares, hoje BLOGIE traz três clássicos dos anos 80.
Nenhum dos filmes aspirou a Oscar ou a algum lugar especial na história do cinema, mas todos foram dirigidos com grande competência e, mais importante, contam com sequências de abertura que garantem a atenção do espectador.
Comprove!
Garotos Perdidos (1987): quando vampiros adolescentes eram gente realmente estranha...
Nestes dias chatos, Crepúsculo faz sucesso com vampiros adolescentes que evitam fazer aquilo que vampiros e adolescentes mais querem fazer - se alimentar com sangue alheio e transar.
Já nos anos 80, Joel Schumacher fez um filme com vampiros jovens que são verdadeiramente barra-pesada: se divertem matando uns desavisados, andam de moto, pegam a mulherada geral e moram numa caverna sinistra com pôster do Jim Morrison na parede.
A sequência inicial traz a mãe solteira Dianne Wiest, com seus filhos adolescentes, Corey Haim e Jason Patric, chegando a uma cidadezinha de fim de mundo. Os moleques já preveem uma vidinha tediosa, pois o único point local é um parque de diversões.
Mas logo descobrirão que a cidade é cheia de gente estranha. Trilha sonora: People are Strange, do Doors, tocada com classe pelo Echo the Bunnymen, com direito a solo de teclado do grande Ray Manzareck!
Alguém Muito Especial (1987): o triângulo amoroso padrão dos anos 80
Um exercício de estilo bem interessante: na história escrita pelo então maioral do cinema adolescente John Hugues, temos um clipe de 3 minutos em que todos os personagens principais são apresentados, sem que uma fala seja dita.
Temos Mary Stuart Masterson como a roqueira solitária; Eric Stoltz como o pobretão sonhador; e Lea Thompson como a patricinha que passa o rodo. O triângulo está apresentado, e uma geração de meninas idolatram esse filme de roteiro redondinho, um campeão da Sessão da Tarde. (O recente Ele Não Está Tão a Fim de Você presta uma homenagem incrível a Alguém Muito Especial, elegendo-o um tipo de Curtindo a Vida Adoidado das meninas.)
Em tempo: a música, Dr. Mabuse, é duma banda chamada Propaganda.
Afinado no Amor (1998): Adam Sandler enfia o pé na jaca
Este filme foi feito no meio da década de 90, mas tem o mérito histórico de ter sido o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80.
Adam Sandler é o cantor de casamentos que, como todo cantor de casamentos, inclui no repertório todos os sucessos do momento, pois seu trabalho é animar a festa.
Essa festa começa ao som de gosto abjeto da banda de tecno-pop Dead or Alive: You Spin Me Round (Like a Record).
O que faz dessa cena tão simples uma ótima cena de abertura? Primeiro, a apresentação do personagem: de cara, reconhecemos em Adam Sandler um cara amável, de bom coração, meio sem senso do ridículo (e muitos, como eu, conheceram Sandler através deste filme, o que significa que não entramos esperando "uma comédia do Adam Sandler). Depois, temos a reconstituição de época que ressalta o aspecto absurdo dos anos 80: penteados, cores, roupas - enfim, toda a cafonice. E há os créditos de abertura rapidinhos, que emulam aqueles efeitos de vídeo de casamento dos primórdios do VHS. Enfim, nota dez!
Hoje, fui numa lista de filmes mais despretensiosos. A próxima vai voltar no cinema mais "sério".
A estreia mais esperada do ano, pelo menos para mim, é Funny People, comédia dramática (que raio de definição é essa? Chegaremos lá em um minuto) que chegou aos cinemas americanos neste último final-de-semana, ficou em primeiro lugar, mas não parece ter empolgado muito em termos de crítica e bilheteria.
Ainda assim, aguardo com muita apreensão pelo filme. Ele é dirigido por Judd Apatow, o diretor de Ligeiramente Grávidos e O Virgem de Quarenta Anos. O cara é o mentor do atual momento de comédias - e comédias românticas! - que estão enterrando aqueles filminhos da Sandra Bullock e da Meg Ryan... são as comédias românticas de macho. Palhaçada e papo sério, assuntos leves e pesados, abordagem sensível e ao mesmo tempo grosseira - tudo aquilo que só a sua turma de amigos mais chegados consegue ser, de preferência num bar.
Funny People é o filme mais pessoal de Apatow. A história trata de um comediante que, do nada, se torna um milionário, e que precisa continuar a achar graça na vida. É mais ou menos a situação do diretor. De diferente, uma doença grave entra para dar uma reviravolta mais crível no comportamento, mas o componente de sofrimento e auto-humilhação que serve de combustível para fazer rir está ali...
Escalado como alter-ego do diretor, ninguém menos do que Adam Sandler, o maior comediante americano (rivalizando com Jim Carrey, OK, mas prefiro Sandler). Nos papéis da mulher e das filhas do tal comediante, a própria mulher (Leslie Mann, ela mesma uma ótima atriz e comediante) e as filhas de Apatow! Cenas das crianças filmadas em casa pelo próprio diretor anos atrás entram no filme. Uma filmagem feita por Apatow de Sandler quando ambos eram colegas de apartamento antes da fama também chegam ao filme... vida real e ficção se misturam. É a desconstrução da comédia, metalinguagem pra dar nó na cabeça!
Tem mais: completa o elenco Seth Rogen, a grande novidade da comédia neste século - o gordão maconheiro que estourou com Ligeiramente Grávidos e que tem enfileirado sucessos de bilheteria. E ainda o resto da "máfia" de Apatow, à frente Jonah Hill, um cara ainda mais balofo e mais boca-suja do que Rogen.
O que mais dizer? Aguardo a chegada de Funny People no Brasil como espero pelos novos lançamentos do Woody Allen, do Scorsese ou do Brian DePalma. É isso. Por enquanto, ficamos com o trailer:
Adam Sandler e a gangue de Judd Apatow: combinação perfeita...
Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!