O ator Pedro Cardoso - o Agostinho, d'A Grande Família - fez, ontem, no Rio de Janeiro um discurso empolado contra a "ditadura da nudez" que os diretores impõem aos pobres atores e atrizes.
Ele questiona: "até quando nós, atores, ficaremos atendendo ao voyeurismo e a disfunção sexual de diretores que, instigados pelo mercado, ou por si mesmos, nos impingem cenas macabras?"
Ele brada: "tirar roupa não é uma exigência do ofício de ator, e sim da indústria de pornografia."
Enfim, ele falou bastante. Você, leitor da VIP, certamente está pouco se lixando pra opinião dele e deve estar pensando, "se não quer ficar pelado, não fica, uai..." - e ainda deve suspirar aliviado por não ter a perspectiva de ver a nudez magra do ator nunca mais.
Mas advirto: o discurso do Pedro Cardoso não é o problema. O problema são as reações que se seguiram a ele. A Cláudia Abreu, que já deu tantas alegrias à moçada, seja como uma mocinha espevitada em nu frontal em Anos Rebeldes, seja como a cantora Glória no recente Os Desafinados, se levantou da platéia e foi ao microfone, manifestando total apoio ao discurso do colega. Disse que passou "por uma situação" recentemente (certamente, a tal cena d'Os Desafinados, em que ela fica pelada e toma banho de banheira na frente da banda liderada pelo Rodrigo Santoro). Aí, a coisa pode complicar.
BLOGIE lança, então, o nosso curto e grosso Manifesto Pró-Nudez, para rebater a onda do Agostinho:
Atores globais ganham salários maiores do que os dos diretores. São os maiores puxadores de audiência. Têm, portanto, o poder. Se não querem ficar pelados, não fiquem. Dêem preferência para produções educativas, filmes do Didi e produções da Xuxa (as infantis, claro).
As moças devem ter consciência de que, sim, o fato de elas serem bonitas, atraentes e gostosas ajuda MUITO na empregabilidade delas e no sucesso de seus personagens. Nada de hipocrisia: sempre tiraram vantagem dos seus corpos, em exibições parciais ou totais. Que o digam Luana Piovani, Alessandra Negrini, Mel Lisboa e outras que tiveram suas carreiras lançadas com estardalhaço graças a cenas de nudez em minisséries da Globo. Que o digam Camila Pitanga e Juliana Paes, que tiveram suas carreiras catapultadas a partir do papel de gostosa oficial da novela das oito.
E, enfim, não venham botar minhoca na cabeça das atrizes que sabem selecionar a hora certa de ficar pelada. Tem um monte de gente que não está nem aí em tirar a roupa quando a cena exige, ou quando a idéia do filme é, simplesmente, deixar o espectador babando. Até ontem, Cláudia Abreu parecia integrar esse time. Perdemos uma.
Mas ainda temos Monica Belluci, Naomi Watts e tantas outras. E elegemos, como Musa Pró-Nudez, a nossa jovem Alice Braga, que já deve ter cansado desse papo mole dos colegas brasileiros e está arrebentando em Hollywood, fazendo parte de comissões de festivais pelo mundo e contruindo uma respeitável carreira no cinema - sem nunca fugir de cenas de nudez. Já saiu na capa da Vanity Fair e coestrelou o blockbuster Eu Sou a Lenda, com o Will Smith.

Nossa musa, em foto de Marcos Camargo.
Alice está em cartaz em Ensaio sobre a Cegueira, onde ela é uma prostituta que fica cega e aproveita para enterrar seu passado na quarentena forçada. Toma um banho de chuva bem desinibido, acompanhado de outras mulheres (entre elas, Juliane Moore). A cena não é tara do Fernando Meirelles, isso é claro. Pode até ser do Saramago, mas quem negaria esse prazer para um velhinho que já ganhou o Nobel de Literatura?

Segundo as idéias de Pedro Cardoso, Alice Braga deve estar sofrendo nas mãos de um diretor tarado como Fernando Meirelles. Esta foto, na estréia de Ensaio Contra a Cegueira em Cannes, dá uma idéia das agruras a que ela é submetida.
Alice também dá show em Cidade Baixa, filme pesadão em que ela namora os inseparáveis Wagner Moura e Lázaro Ramos. Também como uma prostituta.
Com Alice, não tem tempo ruim. Se precisa tirar a roupa, ela tira. O que é bonito é pra se mostrar.
Abaixo o falso puritanismo do Agostinho.
E Deus nos livre da sua nudez.
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