sábado, 8 de agosto de 2009 - 5 Comentários

Há exatos 40 anos, em 8 de agosto de 1969, os quatro músicos mais famosos do mundo atravessaram uma rua em Londres.


O episódio foi registrado por um fotógrafo, e a foto se tornou a capa de disco mais imitada de todas: Abbey Road.
























A coisa toda foi decidida meio por intuição, por acaso, sem pensar - como era comum em quase tudo que envolvia os Beatles. Eles sabiam que Abbey Road seria seu último disco (mais tarde, acabaram lançando Let It Be, que havia sido gravado antes), e resolveram a questão da capa de maneira simples, pra não dar mais confusão (àquela altura, eles já não concordavam em nada).
























Os fab four se preparam para atravessar a rua e serem clicados para a História.

O fato é que o mundo se encarregou de envolver a famosa foto com todo tipo de lenda e especulação. A mais famosa está no fato de Paul McCartney estar atravessando a rua descalço - da maneira como os defuntos eram tradicionalmente enterrados na Inglaterra. Isso retroalimentou a lenda segundo a qual Paul teria morrido três anos antes, em um acidente de carro (e aquele seria um sósia que os empresários teriam colocado em seu lugar). John Lennon, ainda segundo a lenda, espalhava dicas de que seu parceiro estava morto. Uma delas está no fundo da foto: um fusca branco ostentava a placa com a inscrição "28IF" - uma "clara" dica de que Paul estava morto, pois ele teria 28 anos "SE" (if) estivesse vivo.

Na contracapa, umas marcas num muro parecem formar um número 3, bem ao lado de um cartaz com o nome da banda - e aí, o mais crédulo lê: "3 Beatles".

Mas o que importa é que Abbey Road, o disco, é um dos melhores dos rapazes de Liverpool, tem Come Together, Something, Here Comes the Sun, Golden Slumbers, Carry that Weight e The End. A banda, naquele incrível ano de 1969, não contava "apenas" com a genialidade de Lennon & McCartney: George Harrison vivia seu auge criativo e contribuiu com dois dos clássicos acima, músicas tão boas quanto qualquer uma das melhores dos dois líderes. Enfim, um final à altura da história da maior banda de todos os tempos.

O resto é cultura pop. Todo mundo que vai a Londres procura a ruazinha escondida na periferia para atravessar a rua (ela é movimentada, não há semáforo, um inferno). Dê uma olhada em duas turminhas bem populares que já deram as caras por lá:


























Red Hot Chilli Peppers e suas famosas meias.Anthony Kieds quis ir de Paul, em terceiro lugar e descalço.




















Os Simpsons, chiques, para a capa da revista Rolling Stone. Os detalhes, como o cigarro na mão do Bart/Paul e o andar do Homer/John, são o máximo.

Saudades dessa bandinha... tomara que seja verdadeira a informação de que o Paul fará shows comemorativos de 50 anos de carreira aqui no Brasil em 2010!

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segunda-feira, 13 de julho de 2009 - 0 Comentários

Como não tive sucesso preparando a lista dos DVDs essenciais para este Dia Mundial do Rock, aproveito para celebrar meu fracasso falando sobre o melhor filme roqueiro que nunca foi lançado em DVD: Febre de Juventude, um clássico da Sessão da Tarde que, se você tiver mais de trinta anos, deve conhecê-lo bem e ter saudades...
















Você não se lembra dessa turma? Calma, já explico...

Relembrando ou explicando a quem nunca conheceu: Febre de Juventude é uma produção de 1978, ideia da cabeça do já milionário Steven Spielberg (ele estava entre Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Foi roteirizado e dirigido por Robert Zemeckis, que depois ganharia fama, fortuna e prêmios por De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

Interessante, não?

Mas fica melhor: o filme tem por nome original I Wanna Hold Your Hand. Começa com a tela negra, onde se lê: "New York City - Sábado, 8 de fevereiro de 1964". E tome locação externa. No coração da Big Apple, policiais preparam a rua para receber uma multidão, colocando cavaletes. Um homem, na fachada de um auditório da emissora CBS, conserta o letreiro, trocando uma letra "E" no meio de uma palavra por uma letra "A" e, então, se lê na tal fachada: "The Beatles". Do lado de dentro, um famoso apresentador de TV (Ed Sullivan) ensaia o texto que será usado para apresentar a maior atração da história do seu programa, que seria exibido ao vivo no dia seguinte.

E aí entra I Wanna Hold Your Hand, a música, tendo como fundo aquelas deliciosas e famosas cenas dos Beatles desembarcando nos EUA pela primeira vez, embasbacados com a multidão e a demência generalizada, depois dando show de carisma e bom humor na primeira entrevista coletiva, na qual responderam a perguntas como "vocês sabem cantar?" e "vocês vão cortar o cabelo?" com uma ironia e uma euforia simplesmente nova para os americanos - e para o mundo.















George diz ter cortado seu cabelo ontem. John levanta a lebre de que todos são carecas. Ringo rebola, dizendo que ele dança, como forma de compensar a suposta falta de talento de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como cantores (!). Foi assim que os EUA conheceram os Beatles.


O filme, no entanto, não é sobre os Beatles. Essas cenas são as únicas que trazem os rapazes de Liverpool. A partir do final dos créditos iniciais, passamos a acompanhar a saga de uma turma de jovens de New Jersey que faz de tudo - repito: de tudo - para conseguir ver os Beatles ao vivo.

Febre de Juventude é isso: 24 horas na vida de cinco jovens americanos - e ao mesmo tempo de todos os jovens do mundo -, a partir da chegada de quatro rapazes no aeroporto, até o final do programa de TV em que eles apareceram. O programa que se notabilizou por ser a maior audiência da história da TV americana, ao longo do qual se registrou o menor índice de crimes, e mais um monte de outras lendas.

24 horas que, sem exagero, mudaram o mundo.

Um ótimo registro histórico, um filme vibrante e juvenil, uma trilha sonora na linha "melhor é impossível", formada pelos dois primeiros discos dos Beatles.

E tem a cena inesquecível de Nancy Allen (que seria esposa e musa do Brian DePalma em Vestida para Matar e Um Tiro na Noite) escondida na suíte dos Beatles, embaixo da cama, ouvindo a conversa dos caras, que jamais aparecem. Um momento marcante da infância de qualquer um que tenha visto o filme (e que, no mínimo, acabou fazendo deste blogueiro mais um beatlemaníaco no mundo).














A fantasia de uns era estar no lugar da Nancy Allen; de outros, no lugar do pé do Paul McCartney.

Por que não lançam em DVD, não sei. Mas eu fui atrás e consegui um exemplar, que tratei de ver ontem mesmo. Hoje, sou uma pessoa mais feliz.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008 - 3 Comentários


Se você gostou de Mamma Mia! (que, no mais, continua em primeiro lugar nas bilheterias brasileiras), deve aproveitar o clima, passar na locadora, e pegar o parente mais próximo do filme: Across the Universe, lançado no ano passado e baseado na mesma premissa: roteiro montado a partir das letras de canções de uma banda muito famosa, com a vantagem de ter como matéria-prima a música dos Beatles, ao invés do ABBA...
























No entanto, as vantagens param por aí... por algum motivo - e como provam os faturamentos dos filmes -, Mamma Mia! deu muito mais certo do que Across the Universe. Veja: a música dos Beatles tem muito mais personagens e conteúdo e contexto do que a do ABBA; fez mais sucesso... afinal, o que diabos deu errado?

A conclusão (pelo menos a minha) é que o problema de Across the Universe é justamente esse: os Beatles. Porque os Beatles são considerados arte de verdade, então é natural que o diretor de um filme que respira a banda de Liverpool aspire à condição de arte. Só que a turma que rodou o filme não é exatamente Lennon & McCartney. E aí a coisa vira aquela pretensão, aquela pompa, e vira um resultado deixa um pouco a desejar.

A verdade é que os Beatles eram pretensiosos. Mas eram também geniais. E praticavam uma saudável auto-ironia, não se levando tão a sério assim. Não por outra razão, Across the Universe começa muito bem, com seus personagens se conhecendo e se apaixonando ao som da fase "bobinha" de All My Loving e I Wanna Hold Your Hand, mas vai perdendo a força e ganhando ares constrangedores na parte "cabeça" do fim dos anos 60, com embaraçosas montagens em I Want You, I am the Walrus e Let It Be.


A primeira cena do filme, em que é apresentado o casal central, o rapaz inglês Jude e a moça americana Lucy. Tudo ao som de Hold Me Tight, clássico menos badalado - e tão bacana quanto todos os outros - dos fab four.


No fim das contas, a parte legal sai ganhando. Não é a obra-prima que a música dos Beatles merecia, mas é um programa bacana para uma tarde chuvosa sem ter o que fazer.

PS: De quebra, Across the Universe encontrou, na nudez congelada da atriz Evan Rachel Wood, a melhor maneira de traduzir em imagens Something, do George Harrison, aquela que Frank Sinatra definiu como "a melhor canção de amor do século 20".

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