domingo, 20 de setembro de 2009 - 4 Comentários

O assunto não é cinema, mas emociona como os melhores filmes de reminiscências: o vídeo abaixo representa aquilo que o You Tube trouxe de melhor: a capacidade de ressucitar peças que não mereciam ser jogadas no fundo do baú, fazendo a linha "quem viu, viu". O You Tube é o Vale a Pena Ver de Novo inesgotável, descontrolado.

Este é o melhor vídeo da história do site, pelo menos na minha opinião.

O ano era 1980. O saudoso humorista Costinha fazia uma matéria para a TV, e levou o filho junto. A matéria, na verdade, era mostrar o moleque de oito anos conhecendo o ídolo, Zico (maior jogador da história do Flamengo).

E aí, o menino fica em estado de choque, e começa a soluçar, e só consegue repetir: "eu vi o Zico! Eu vi o Zico!"


Só vendo.





Gosto, particularmente, da reação do craque: entre constrangido e comovido, ele tenta deixar o menino mais confortável na sua presença. Majestade.

Porque Zico era isso: ele se preocupava em se mostrar como um cara normal, trabalhando sério e tentando fazer o correto e o melhor. 

A diferença entre ele e o resto é que Zico nunca deixava de seguir essa receita para relaxar e aproveitar fama e grana. (A outra diferença é que ele era genial: fez mais de 800 gols e deu assistências para mais de mil.)

Zico é um ídolo que toda torcida - não só a do Flamengo - merecia. Por rivalidade, bairrismo ou simples dor-de-cotovelo, os torcedores de outros times abriram mão de abraçar o jogador como grande ídolo.

Dizem que faltou Zico ganhar uma Copa do Mundo. Como disse o Juca Kfouri, azar da Copa do Mundo.

Para quem não acredita (e pra quem quer lembrar), veja essa compilação de gols do Galinho, com as camisas da Seleção, do Flamengo, da Udinese e do final de carreira no Japão. É inacreditável, especialmente a seção de gols de falta no final!



Num domingão preguiçoso, Esporte Espetacular é isso aí.

Esse You Tube é demais.

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sábado, 19 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de novo no cinema para o final-de-semana. Se o amigo ainda não viu UP! - Altas Aventuras, da Pixar, não perca. Para quem não viu, faço um último apelo para que aproveite o bom e singelo Amantes, com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw. É um filme diferente, que vale a pena encarar.

No mais, para quem já deu conta dos dois e sabe evitar ciladas como O Sequestro do Metrô 123, a boa do dia é pescar os bons filmes na TV. Já são quase 11:00, já assisti Rocketeer (tem jeito de começar melhor o sábado do que se deleitando com a Jennifer Connelly?), mas tem muita coisa ainda... Selecione o seu!

14:00 - AXN - Melhor É Impossível: Jack Nicholson (Oscar de melhor ator), Helen Hunt (Oscar de melhor atriz) e os melhores diálogos da segunda metade da década de 90. Só a cena de abertura, em que Nicholson joga um cãozinho shin-tzu pela lixeira do seu prédio, arrematando "this is New York; if you can make it here, you can make it anywhere", já vale o filme. E anuncia o que vem pela frente. Grau de acidez máximo, Ph 1.

17:30 - TCM - Jeremiah Johnson: lançado no Brasil como Mais Forte do que a Vingança, este filme do início da década de 70 traz Robert Redford como o cara que vira eremita no meio das montanhas geladas de Utah. Um grande filme, diferente de tudo o que você já viu, exceto se tiver sido um dos poucos felizardos que prestigiaram o recente - e ótimo - Na Natureza Selvagem, do Sean Penn. Acho que este se inspirou em Jeremiah Johnson. Redford, no auge da sua popularidade, era um ator corajoso, que só entrava em filmes que lhe significavam algo (temas preferidos: política com tendências liberais, busca da verdade, contato com a natureza). É um dos heróis deste blogueiro.
















Reford e seu amigo urso: porque é melhor evitar andar com certas pessoas...


19:50 - TC Pipoca - Tropa de Elite: é sempre confortável ver Capitão Nascimento descendo a lenha nos bandidos e dando esporro na rapaziada que faz o curso para entrar no Bope. Além das frases inspiradíssimas de um roteiro sensacional, destaco o trabalho do Wagner Moura, que consegue dar show não só nas grandes tiradas ("fanfarrão", "nunca serão", etc), mas também em frases comuns: sua performance ao entrar no morro gritando "não vai subir ninguém! Não vai subir ninguém!" para a PM é absolutamente genial.

21:00 - HBO - Batman - o Cavaleiro das Trevas: dizer o quê? O grande marco do cinema em 2008 traz aquela performance inesquecível do finado Heath Ledger como Coringa, mas traz mais: baita direção de arte, roteiro redondinho, grandes atuações acessórias de Cristian Bale e Gary Oldman... só podiam arrumar uma mocinha melhor para o Batman! Onde está a Scarlett Johansson quando precisamos dela?

22:00 - TC Cult - O Homem Que Sabia Demais: porque Hitchcock nunca é demais. Este é a segunda versão do diretor, feita em 1956 (ele tinha feito uma primeira em 1934, que ele considerava "amadora"), e traz James Stewart como o americano de férias em Marrocos que testemunha  um assassinato e que se vê em uma situação perigosa - sua vida depende do seu silêncio. Conta com aquele que é, na opinião deste blogueiro, o melhor clímax de todos os filmes de Hichcock: o assassinato que acontece durante um concerto de música clássica no Royal Albert Hall, em Londres. Tudo é arquitetado para o tiro ser disparado no momento exato em que os pratos são tocados. Uma aula de cinema.


Até em trailer Hitchcock era diferente. Veja James Stewart "vendendo" o filme e falando sobre a tal cena do concerto.

23:00 - Warner - Penetras Bons de Bico: ótima comédia com Owen Wilson e Vincent Vaughn. Eles são os amigos que se profissionalizaram na arte de entrar em casamentos para os quais não foram convidados, com o único objetivo de pegar mulher. A vida vai bem para os fanfarrões, mas tudo muda quando ambos se apaixonam por duas irmãs (Isla Fisher é a ruivinha ninfomaníaca que dá um jeito em Vaughn; Rachel McAdams é a garota cabeça e sensível que fará de Wilson um homem sério). Despretensioso, traz uma equação agradável para servir de pano de fundo para o "esquenta" da balada de sábado: festas + alta brodagem + garotas = sábado à noite.

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domingo, 30 de agosto de 2009 - 1 Comentários

Que o Fantástico suscita aquela deprê de que o final-de-semana acabou, todos já sabem. Mas nada é mais deprimente do que começar uma semana vendo gente comer olho de cabra sob as ordens do Zeca Camargo em No Limite. Sai fora, bicho.

Há algumas boas opções de filmes na TV. Veja as dicas de BLOGIE!

Saneamento Básico - o Filme (TC Light, 22 h): mais um bom filme do gaúcho Jorge Furtado, um dos diretores com obra mais consistente desde a Retomada (Houve uma Vez Dois Verões, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara). Aqui, um baita elenco, que inclui Wagner Moura, Fernanda Torres, Camila Pitanga e Lázaro Ramos, se vê socado dentro de uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, com graves deficiências no saneamento básico. Como não há orçamento para obras de infra-estrutura, a turma se vale de uma verba governamental para a produção de cinema, e começa a produzir um curta-metragem de terror. A metalinguagem sobre o processo de fazer cinema, e mais do que isso, de levantar recursos para tal, é simplesmente mágica. A tosquice do filme provoca risos, mas acaba comovendo. No final, não há como não ver beleza na obra amadora dos caras - até porque há Camila Pitanga, fotografada com reverência e carinho. Filme ótimo e adequado para uma noite de domingo!


Veja o trailer de Saneamento Básico - O Filme!

Orgulho e Preconceito (TCM, 22h): se você tiver que enveredar por um processo de convencimento da sua mulher, esta é a melhor pedida. Não há ser humano do sexo feminino que não goste da história de Jane Austen sobre a jovem Miss Bennet, uma pobretona que encontra no arrogante e milionário (mas ao mesmo tempo honesto e solitário) Mr. Darcy a alma gêmea. A coisa é romântica total, mas é muito bem feita - é a melhor adaptação de um clássico da literatura para o cinema nos últimos anos. Por algum motivo que ainda não entendi, a mulherada realmente pira no tal Mr. Darcy. Vale dar uma olhada e ver como se faz. É instrutivo.

Dizem Por Aí (Warner, 19h): uma estranha experiência em forma de filme convencional. E mal sucedida. Coisa pra cinéfilo curioso. Veja só: Rob Reiner, um diretor de qualidades (Harry & Sally, Spinal Tap), resolve fazer uma comédia romântica estrelada pela Jennifer Aniston. Sua personagem descobre que sua família fora a inspiração para A Primeira Noite de Um Homem (o filme com Benjamin Braddock - Dustin Hoffman - sendo seduzido pela coroa Mrs. Robinson - Anne Bancroft). No caso, sua avó (aqui, vivida pela Shirley MacLaine) era a Mrs. Robinson. Daí, às vésperas do casamento, ela vai procurar o verdadeiro Benjamin Braddock - e o cara é o Kevin Costner! Enfim, um lance meio estranho, que dialoga pouco ou nada com o filme que lhe serve de inspiração. Mas que deixa uma pulga atrás da orelha: como um diretor competente, com um elenco estrelado e de carisma, consegue partir de um ponto de partida promissor e acabar num filme vagabundo? Se eu não for no cinema hoje, acabarei vendo novamente...

Indiana Jones e o Templo da Perdição (TC Action, 19h45): dizer o quê? Você sabe tudo sobre esse filme. Tem aquela sequência de abertura na China, depois a sequência do avião desgovernado, depois a vila indiana cujas crianças sumiram, depois o jantar no palácio (miolos de macaco no menu!), daí a descoberta do Templo da Perdição e a operação de resgate das crianças... e Indiana Jones matando uns idiotas pelo caminho e criando um clima para pegar a Kate Capshaw no final. Aliás, uma das melhores cenas finais de todos os tempos. Nunca é demais ver mais uma vez...

Agora, se sua ideia é pegar um cineminha, vá de comédia: tem Os Normais 2 e tem Se Beber, Não Case! Se você ainda não viu Se Beber..., esta é a hora! O filme é um festival de nonsense, incorreção política e situações engraçadíssimas.

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sexta-feira, 31 de julho de 2009 - 5 Comentários

Nada de novo no cinema (o filme a ser visto ainda é Inimigos Públicos, de Michael Mann). A pedida de hoje está na TV, e é uma raridade: Serpico, um dos grandes filmes dos anos 70 - e um dos que se perderam com o tempo (por exemplo, nunca foi lançado em DVD no Brasil). O filme será exibido na TCM, às 22:00.
























Pacino como Serpico: ícone dos anos 70 (esta foto está na parede do quarto de Tony Manero, personagem do John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite).

O filme, dirigido por Sidney Lumet, traz Al Pacino como Frank Serpico, o policial dos sonhos dos liberais: um cara normal, fazendo seu trabalho e, que coisa!, incorruptível. Em Nova York, na década de 70, bem antes do "tolerância zero" - a cidade era um lixo. Como é um cara normal, e como estamos nos anos 70, ele anda barbudo e vestido feito um hippie, o que faz com que tenha mais facilidade para arrumar umas mulheres e fazer amigos, mas também faz com que seja visto como uma excrecência por seus colegas e superiores. Trabalhando à paisana, começa a ter sucesso nas suas missões de deter traficantes e outros bandidos.


Mas o problema aparece quanndo ele recebe seu primeiro envelope de dinheiro: a princípio, não entendendo tratar-se de suborno, leva para os colegas, depois para os chefões; depois, contrariando os conselhos de todos (ficar com a grana e fechar o bico), Serpico leva o caso às mais altas instâncias, provocando a ira de toda a corporação. Um tiro na cara é o mínimo que ele vai levar. A história é real, e o filme causou grande sensação quando do seu lançamento.


Veja o trailer de Serpico!

Sua jornada quixotesca ilustra a morte do sonho hippie e prenuncia a era Reagan: o sonho dourado de "uma vida melhor no futuro", "com gente fina, elegante e sincera, com habilidade de dizer mais 'sim' do que 'não'", estava acabando. Anos depois, John Lennon seria assassinado na mesma Nova York de Serpico e os EUA seriam jogados numa era de conservadorismo que acabaria, eventualmente, dando um jeito no problema da violência em NYC - mas à maneira de Rudy Giulliani, na base da porrada.

Bem diferente do jeito sonhado por Serpico, Lumet e o público idealista do início dos anos 70.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Sábado, às 22:00, no Telecine Premium: Antes só do que mal casado, com Ben Stiller. Mais uma comédia indigesta dos irmãos Farrelly.

Ben Stiller é o cara simples e bacana (afinal, só um cara simples e bacana é dono de uma loja de artigos esportivos simples e bacana) que descola a mulher dos sonhos. Ela é loira, alta, linda e se apaixona por ele imediatamente. Eles se casam.

Na saída para a lua-de-mel, euforia: o rádio toca Rosalita, clássico do Bruce Springsteen, e ela canta a complicada e comprida letra do Boss a plenos pulmões. Stiller pira.

... mas, a partir daí, os defeitos da moça começam a aparecer. Ela não pára de cantar, e de cantar alto, inclusive hip-hops de gosto duvidoso. Ela é cheia das manias. Ela faz sexo de maneira de maneira, digamos, pouco agradável. Ela é um pesadelo.



E, ali, vivendo o inferno de uma lua-de-mel com um monstro no Cabo San Lucas, Stiller acha uma mulher simples e bacana (e atraente) - e passa a conviver com as duas.

Aí o filme se perde um pouco, mas ainda assim é engraçado. Não chega a ser Quem vai ficar com Mary?, mas vale uma olhada... Ben Stiller está bem, a trilha é ótima, as participações especiais que vão pintando são espertas.

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domingo, 7 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Hoje, no TC Cult, às 22:00: Crepúsculo dos Deuses, obra-prima de Billy Wilder - este que é, simplesmente, o maior diretor de Hollywood de todos os tempos.

Os superlativos acima entregam: o autor deste texto é fã incondicional do diretor austríaco que se tornou ícone em Hollywood. Wilder se serviu dos maiores astros americanos dos anos 40 e 50: usou Audrey Hepburn e Humphrey Bogart em Sabrina; Jack Lemmon e Shirley McLaine em Se Meu Apartamento Falasse e Irma LaDouce; Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado e naquela que é considerada a maior comédia do cinema, Quanto Mais Quente, Melhor.


Mas o melhor de tantos filmes geniais é mesmo Crepúsculo dos Deuses, uma dissecação impiedosa da vida em Hollywood e da crueldade da carreira em cinema. Gloria Swanson, uma ex-estrela do cinema mudo que vivia no ostracismo, ganhou o papel principal do longa: uma ex-estrela do cinema mudo que vive no ostracismo. Seu mordomo, mais tarde é revelado, era um diretor renomado do cinema mudo - e o ator que o vive, de fato, foi um grande diretor dos primórdios do cinema.
























Gloria Swanson está piradinha, coitada, em Crepúsculo dos Deuses.


E temos William Holden, o alter-ego favorito de Wilder, no papel do jovem roteirista que topa qualquer negócio pra se montar na cidade dos sonhos. Ele é, basicamente, um fanfarrão: vagabundo, desprovido dos valores mais básicos e de talento questionável.

No conteúdo, Crepúsculo dos Deuses se aproxima muito de Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Este é, na verdade, quase uma atualização do primeiro, retratando Hollywood como uma cidade onde as pessoas chegam para viver um sonho e acabam tragadas pra dentro de um pesadelo de aparências e egos.

Na forma, o filme de Wilder é tão especial que não dialoga com nenhum outro filme, mas sim com literatura de peso: a cena de abertura deixa claro que o protagonista é o defunto que aparece enorme na tela, e é ele o narrador da história. É o narrador-defunto que Machado de Assis lançou em Memórias Póstumas de Brás Cubas, e Wilder soube usá-lo como ninguém.

Wilder era especialmente habilidoso para criar cenas iniciais e cenas finais. Em Quanto Mais Quente Melhor, botou o Jack Lemmon travestido se revelando um homem para um milionário enamorado, que responde, olhando para a frente, a anárquica última frase: "ninguém é perfeito!"

Em Crepúsculo dos Deuses, a última cena também é clássica. Mas não vou comentá-la. Convido o leitor a ficar em casa, fechar as janelas para não ouvir o foguetório são-paulino e assistir a este filmaço.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Neste sábado, dia 06, no Fox Life: Garota da Vitrine, com Steve Martin e Claire Danes. Um filmaço.

O nome do filme não promete muita coisa - uma comédia romântica boba, talvez. A presença no cartaz de Claire Danes, a Julieta que ainda não tinha entregado um papel adulto convincente, indica irrelevância. E o nome de Steve Martin pode, enfim, reduzir bastante o interesse, uma vez que o público cativo do comediante não deve ir muito com a "cara" desse filme.

No entanto, A Garota da Vitrine surpreende todas as expectativas e entrega uma história de relacionamentos em que falta tudo - comunicação, reciprocidade, cumplicidade. Como reflexo da cidade em que vivem os personagens (Los Angeles, onde qualquer ida à padaria é uma viagem de carro), há distância entre todos, há solidão em todos, há uma enorme carência de afeto que consome a balconista que veio do interior, o executivo que vive numa redoma sem vida, o freak que marca passo na vida.
















Claire Danes é uma balconista entediada, mas linda.



O roteiro, baseado em um romance do próprio Steve Martin, é de uma delicadeza exemplar, alternando reflexões narradas em off - o que confere uma certa aura de fábula ao filme - com cenas repletas de silêncios e olhares - momentos que aproximam A Garota da Vitrine de Encontros e Desencontros, outro filme que junta uma garota entediada e um homem de meia-idade frustrado através (ou apesar) de uma metrópole sufocante. As discussões apresentadas são as mesmas do outro projeto autoral de Martin, L.A. Story, mas aqui o tratamento é mais profundo e faz uso infinitamente menor do humor e do cinismo. A Garota da Vitrine transpira verdade e uma certa ingenuidade, o que pode comover o espectador, especialmente se se considerar que esta é a obra de um comediante milionário que é um escritor elegante, tentando conferir a humanidade e a delicadeza de seu texto à sua já desgastada figura pública de ator cômico.


Veja o trailer de Garota da Vitrine, baseado no romance do próprio Steve Martin.



No mais, Claire Danes acerta em cheio e, enfim, faz um belo trabalho adulto (já ensaiado, como coadjuvante, no recente Tudo em Família) - e está bem desejável, por assim dizer. Steve Martin está ótimo em sua atuação comedida e um tanto entediada (lembrando, mais uma vez, Encontros e Desencontros, onde outro grande comediante faz um papel melancólico e cheio de hesitações). E o que parecia ser mais um sábado sem nada que preste na TV, ganhou um bom programa, graças à agradável surpresa que é este conto de Steve Martin.


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domingo, 30 de novembro de 2008 - 0 Comentários


Hoje, domingo, no Telecine Cult, às 22:00: Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci.

O mote do filme interessa: em Paris, no meio do rebuliço de 1968, um rapaz americano se aproxima de um casal de irmãos franceses, a partir de uma paixão e um lugar em comum: o cinema e sua meca daqueles tempos, a Cinemateca.

A ação (ou o mais próximo disso) se passa dentro do apartamento dos irmãos. Ali, corre um jogo de sedução, perversão e manipulação tão inexplicável quanto qualquer outro aspecto da adolescência. A qualidade vem da delicadeza com que Bertolucci trata seus jovens e suas descobertas.

E a maior descoberta do diretor é a deliciosa Eva Green, que mais tarde faria uma Bond Girl inesquecível em Cassino Royale, mas nunca esteve tão bonita, tão desejável, tão sexy, nem tão pelada quanto neste Os Sonhadores.





Eva Green é revelada, em todos os sentidos, em Os Sonhadores.





Então esqueça o Fantástico hoje, quem liga para o Bola Murcha x Bola Cheia? Vá de Eva Green em Os Sonhadores. Que é pra dar uma inspirada na semana.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008 - 0 Comentários


Hoje, no Telecine Cult, às 22:00: Os Safados, com Steve Martin e Michael Caine.

É simplesmente a melhor comédia dos anos 80 - e os anos 80 foram pródigos em comédias! - e uma das melhores de todos os tempos.

Michael Caine é um trapaceiro requintado que engana ricaças bêbadas nos cassinos da Riviera francesa - e angaria fortunas com seu lero-lero. Steve Martin é o trapaceiro mequetrefe que faz o mesmo, mas para garantir a janta do dia.

Os dois se cruzam, e é óbvio que a aparição de Martin é uma ameaça ao reinado de Caine. Uma aposta é travada, e os dois competem para provar quem é o maior trapaceiro: quem pegar primeiro a "rainha do sabonete" fica na cidade e com a mansão; o outro tem que ir operar em outra cercania.


Veja o trailer de Os Safados! E esteja na frente da TV às 22:00...

Roteiro perfeito, situações engraçadíssimas, Michael Caine inspirado e Steve Martin alucinado: Os Safados é uma comédia ao mesmo tempo elegante, inteligente e hilariante. E com um final surpreendente!

Imperdível!

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008 - 0 Comentários



Nada pra fazer na noite de sexta? Mesmo com filme novo do 007 no cinema?

Além de Sustagen de manhã e uma dose de tequila à noite, receito ao amigo conformado a trinca de filmes do Adam Sandler que serão exibidos na noite de hoje na TV...

Primeiro vem Afinado no Amor (19:00, no A&E), um filme que pode se gabar de ser o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80. A coisa é hilária, trazendo Sandler como o cantor de casamentos que arrebenta nas festas com sucessos contemporâneos - You Spin Me Round, do grupo ultra-gay Dead or Alive, dá o toque bizarro logo na cena de abertura. Em seguida, vêm Drew Barrymore (ela própria, uma citação dos anos 80), muito som antigo do bom (The Cure, Smiths) e piadas interessantes sobre o longínquo mundo da MTV e dos blazers com ombreira, vistos à luz de hoje: por exemplo, em certa cena, Sandler - puto da vida - manda a ex-namorada tirar a camiseta do Van Halen, "senão vai dar azar e a banda se separa" (a coisa se passa em 1984, o Van Halen no auge, com Jump e tudo). Em outro momento, Billy Idol aparece no papel de Billy Idol. E muito mais. Almanaque dos Anos 80, versão cinema.


















Adam Sandler inaugura as baladas trash 80's, Ploc e afins. Em Afinado no Amor, de 1998.


Mais tarde, você terá que optar: ou pega Tratamento de Choque (22:00, Sony), ou o onipresente Click (deve ser o filme mais exibido dos últimos seis meses nos canais HBO; hoje, às 22:00, no HBO Family e*).

O primeiro é a tradicional comédia de Adam Sandler, o cara normal que é tido como estranho pelas convenções cínicas, politicamente corretas e pentelhas da sociedade. Com o tempero extra de trazer Jack Nicholson como Dr. Rydell, o psiquiatra especialista em "gerenciamento de raiva". Ele submete o personagem de Sandler a um tratamento que mais o prepara para uma temporada no manicômio que o demo deve comandar no inferno. De qualquer modo, não é dos melhores filmes de Sandler.


















Mas a cena de Sandler dando um pau num monge budista é antológica...


Já o segundo, Click, tornou-se um mega-sucesso, ao mesclar a comédia com um drama familiar que acertou em cheio no público. O filme é bom, com roteiro esquisito e interessante, Sandler oferece uma performance sensacional (tipo o Jim Carrey em Show de Truman, saca?), e contamos com o sempre bom Christopher Walken e... claro, Kate Beckinsale, sempre linda, sempre uma boa razão para ver um filme. Se estiver acompanhado da patroa, não hesite, vá de Click. Vai rolar aquela choradeira no final, mas o filme é bom!

















Quem deveria se preocupar com o controle remoto, quando se tem Kate Beckinsale em casa?


Adam Sandler é o cara. Quem viu o seu filme mais recente, Zohan, sabe disso e não argumentaria nada em contrário. Cabe um post mais desenvolvido sobre o talento do astro-gente-fina, e BLOGIE tratará disso. Aguarde.

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