sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 - 2 Comentários

Dica rápida para a sexta-feira: a estreia da semana é Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee. O cara já dirigiu Brokeback Mountain e Desejo e Perigo, e não para de fazer coisas diferentes.

Desta vez, resolveu mostrar a história real - e surreal - dos jovens que "organizaram", há 40 anos, o festival mais famoso de todos os tempos: Woodstock.

Veja o trailer:



O elenco é ótimo e traz sacadas como a escolha de Demetri Martin (um premiado comediante stand-up nova-iorquino, estreante na tela grande) como o protagonista. Martin demonstra carisma suficiente para segurar o filme, com um personagem que tem seu grande dilema: sair ou não sair do armário.
















Assumir ou não assumir?, eis a grande dúvida de um dos viabilizadores de Woodstock.


De quebra, para garantir a juventude necessária ao projeto, Ang Lee escala Emile Hirsch e Paul Dano, dupla de brothers nerds da comédia adolescente Show de Vizinha, e Eugene Levy, a esta altura uma lenda para a geração que adolesceu nos anos 90, graças ao seu eterno papel de pai do Jim, de American Pie.

Mas a grande sacada de Ang Lee é ter entendido que Woodstock, o festival, foi feito não por Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who e Creedence, mas pelos mais de 300 mil jovens gente-fina (também chamados, à época, de hippies, vagabundos, mendigos, drogados...) que tomaram a fazenda literalmente de assalto, entrando sem pagar, tirando a roupa, copulando livremente, rolando na lama e pouco se importando com a falta de condições básicas para a sobrevivência (saneamento, comida, água).

Por isso mesmo, Aconteceu em Woodstock não mostra um só segundo dos shows que se tornaram lendários do festival (para isso,  nada superará o documentário Woodstock - 3 Dias de Paz, Amor e Música, já devidamente comentado por aqui), mas mostra tudo o que antecedeu o evento e tudo que aconteceu em volta dos shows.

Há vários outros aspectos que merecem ser discutidos - por exemplo, a suposta "pureza" de propósitos do festival em oposição à real atuação de homens de negócios por trás de tudo; ou ainda a atuação soberba do personagem principal como intermediador entre a moçada hippie e os habitantes conservadores da cidadezinha. Vou tentar aprofundar em outro post.

Por ora, vamos ao cinema!

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

Um dos maiores prazeres que o cinema proporciona está na sequência de abertura dos filmes: aproveitando a trama ou não, usando os personagens ou não, sendo extravagante ou sóbrio, os diretores sempre dedicaram especial atenção em apresentar da melhor maneira o nome da suas obras.

Pois recebi esta dica do chapa Rodolfo Viana, aqui da VIP: o site The Movie Title Stills Collection traz fotos, em ótima definição, dos melhores títulos de filmes, ano após ano, desde a década de 20! É pra se deleitar por horas e horas, fazendo tabelinha com o You Tube, buscando as sequências com música e tudo...

Clique aqui para entrar no site!

Só para dar uma água na boca, coloco aqui cinco dos meus preferidos, só dos anos 60, que foram uma época bem interessante nesse aspecto:


Bonequinha de Luxo: Audrey Hepburn devora seu café-da-manhã na frente da vitrine da Tiffany...




















Dr. Fantástico ou Como Parei de me Preocupar e Passei a Amar a Bomba
















Rebeldia Indomável: Paul Newman é o cara mais bacana do mundo, alguém duvida?




















A Primeira Noite de um Homem: Dustin Hoffman, melancolia e Simon & Garfunkel




















2001, uma Odisseia no Espaço: Stanley Kubrick era o diretor mais caprichoso


Num próximo post, falarei do rei das sequências de títulos, Saul Bess, o preferido de Stanley Kubrick, Billy Wilder e Blake Edwards. Um gênio pouco conhecido do grande público, mas que tem parcela significativa de participação na "cara" do cinema dos anos 50, 60 e 70.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008 - 3 Comentários


Se você gostou de Mamma Mia! (que, no mais, continua em primeiro lugar nas bilheterias brasileiras), deve aproveitar o clima, passar na locadora, e pegar o parente mais próximo do filme: Across the Universe, lançado no ano passado e baseado na mesma premissa: roteiro montado a partir das letras de canções de uma banda muito famosa, com a vantagem de ter como matéria-prima a música dos Beatles, ao invés do ABBA...
























No entanto, as vantagens param por aí... por algum motivo - e como provam os faturamentos dos filmes -, Mamma Mia! deu muito mais certo do que Across the Universe. Veja: a música dos Beatles tem muito mais personagens e conteúdo e contexto do que a do ABBA; fez mais sucesso... afinal, o que diabos deu errado?

A conclusão (pelo menos a minha) é que o problema de Across the Universe é justamente esse: os Beatles. Porque os Beatles são considerados arte de verdade, então é natural que o diretor de um filme que respira a banda de Liverpool aspire à condição de arte. Só que a turma que rodou o filme não é exatamente Lennon & McCartney. E aí a coisa vira aquela pretensão, aquela pompa, e vira um resultado deixa um pouco a desejar.

A verdade é que os Beatles eram pretensiosos. Mas eram também geniais. E praticavam uma saudável auto-ironia, não se levando tão a sério assim. Não por outra razão, Across the Universe começa muito bem, com seus personagens se conhecendo e se apaixonando ao som da fase "bobinha" de All My Loving e I Wanna Hold Your Hand, mas vai perdendo a força e ganhando ares constrangedores na parte "cabeça" do fim dos anos 60, com embaraçosas montagens em I Want You, I am the Walrus e Let It Be.


A primeira cena do filme, em que é apresentado o casal central, o rapaz inglês Jude e a moça americana Lucy. Tudo ao som de Hold Me Tight, clássico menos badalado - e tão bacana quanto todos os outros - dos fab four.


No fim das contas, a parte legal sai ganhando. Não é a obra-prima que a música dos Beatles merecia, mas é um programa bacana para uma tarde chuvosa sem ter o que fazer.

PS: De quebra, Across the Universe encontrou, na nudez congelada da atriz Evan Rachel Wood, a melhor maneira de traduzir em imagens Something, do George Harrison, aquela que Frank Sinatra definiu como "a melhor canção de amor do século 20".

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