domingo, 31 de janeiro de 2010 - 3 Comentários

Após a heroica recuperação da letra do jingle da US TOP - "liberdade é uma calça velha, azul e desbotada" -, ficou a promessa da revelação de outro clássico da publicidade brasileira.

Um dos autores da canção é o mesmo da primeria - Sérgio Mineiro, falecido há alguns anos. Como parceiros, Sérgio Campalli, seu sócio na produtora de jingles MCR, e Renato Teixeira, autor de alguns clássicos da música brasileira, como Romaria. O próprio Renato Teixeira emprestou sua voz e seu violão para a peça.

A música, um libelo folk libertário pela liberdade de escolha, tem apenas 30 segundos e refuta com veemência a intromissão do acaso na escolha da sua bala de leite. Manda o menino girar o baleiro, prestar atenção e pegar logo a melhor bala que há.

Quem cresceu durante o fim dos anos 70 e meados dos anos 80 já matou a charada. O comercial da Bala de Leite Kid's ficou no ar por 7 anos, em algumas versões de vídeo - mas sempre a mesma trilha - e continua reverberando em algum canto da memória de todos que ficaram tão vidrados no baleiro girando quanto os meninos que habitaram algumas das versões .

Mate as saudades - ou, se for novo demais pra isso, conheça uma bela canção e um belo filme publicitário:





Tenho uma teoria: ultimamente, a turma do Marketing das empresas têm investido em pequenos baleiros como brindes de fim de ano para seus clientes. Numa época em que açúcar se tornou tão maldito quanto o cigarro, isso seria um presente tão inapropriado quanto uma cigarreira, não? Mas a força do filme de 1978 da bala de leite Kid's deixou um ar de algo lúdico, mágico, especial, em torno do baleiro de vidro que gira. Evocar esse espírito em cada um é algo bastante auspicioso. Em última análise, toda uma geração de marqueteiros quer sentir um pouco do sucesso dos gênios que criaram a canção e o filme da Bala de Leite Kid's.

Que, a despeito de ser muito gostosa, era difícil de mastigar, diga-se a verdade.

Boa semana a todos!

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 - 1 Comentários

Imagine o leitor algo muito chato e muito trabalhoso. Dia-a-dia no escritório? Compras de fim de ano?

Nada. A coisa mais desgastante que já inventaram é mudança de casa. Este blogueiro tem vivido esse drama durante os últimos meses - marceneiros que botam a culpa nos pintores; pintores que reclamam dos pedreiros; pedreiros que veem no pobre cliente um estorvo que só atrapalha seu trabalho. Voltando do reveillón, deparei-me com o caso de um colocador de papel de parede que simplesmente sumiu.

Depois vem a mudança em si: só de pensar na sua vida toda empacotada e depositada sem muito cuidado ao longo do apartamento novo... dá uma preguiça...

E então, casa nova, instalado, tudo fica melhor, certo?

Negativo, diriam Tom Hanks e Shelley Long, o jovem casal que compra a "casa dos sonhos" em Um Dia a Casa Cai, comédia irresistível lançada em 1986.















O casal, após um início de filme maluco - como era comum nas comédias da era Saturday Night Live -, compra a preço de banana uma mansão gigantesca. A dona, que dizia precisar consumar logo o negócio devido à situação de seu marido (ele estaria sendo perseguido por judeus por ter sido piscineiro de Hitler!), se manda e deixa a bomba nas mãos de Hanks e Long.

A casa, claro, está caindo aos pedaços, e as tensões decorrentes das reformas e dos rolos com os fornecedores não muito honestos, pouco habilidosos e pra lá de preguiçosos, acabam afastando o casal. Aí entra o chefe da moça - que é violinista -, o maestro da orquestra, dando em cima da pequena. Hanks atura a situação até saber que a esposa acabou indo pra cama com o cara.



Para uma comédia despretensiosa, é impressionante a tensão quase insuportável que se abate sobre o personagem de Hanks. Você se pega pensando, "pra que aprontar uma sacanagem dessas num filminho desses?"

Mas o final, é claro, acaba redimindo tudo, aparando as pontas, explicando as coisas e destinando o casal a curtir sua enorme mansão, finalmente impecável. Ou não.

Uma curiosidade interessante: Um Dia a Casa Cai foi escrito pelo mesmo roteirista que criou As Loucuras de Dick e Jane - outra comédia de "casal em crise", no caso Jim Carrey e Tea Leoni, que passam pelas agruras do desemprego, colocando em xeque seu poder aquisitivo. A casa "troféu", conquistada como símbolo de tudo que a vida pode oferecer de bom, também tem papel central.

Infelizmente, o filme, lançado em 2005, não causou impressão muito boa. Talvez porque, nos dias de hoje, o público esteja menos afeito a premissas absurdas e simplificadoras, que davam um delicioso tom farsesco às comédias oitentistas. Uma pena, pois o filme de Carrey e Leoni também vale muito a pena.Especialmente como complemento do genial Um Dia a Casa Cai.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 - 2 Comentários

BLOGIE começa o ano com pouco papo e ligado no 220: aqui está o Van Halen, que já foi a banda mais pra cima e cheia de energia do planeta, na flor da idade, em 1979, durante a lendária Van Halen World Invasion Tour:



A música é Dance the Night Away, trilha obrigatória de festinhas, bebedeiras e viagens (pelo menos as minhas) ao longo dos últimos trinta anos. Esta é a banda que Spicolli, o clássico personagem maconheiro de Sean Penn em Picardias Estudantis (1981), contratou para seu aniversário após ter recebido 1 milhão de dólares como prêmio por ter salvo Brooke Shields de um afogamento.

Eu não saberia gastar melhor essa grana.

Este é o vibe de BLOGIE para o ano que se inicia.

E vamos ao cinema, porque o Globo de Ouro está aí: 17 de janeiro. E a temporada do Oscar fica um pouco mais longa: a cerimônia será apenas em 07 de março, para não coincidir com o encerramento das Olimpíadas de Inverno...

Daqui até lá, muitos, muitos filmes... BLOGIE tentará dar conta de todos!

Um bom ano para quem acompanha este espaço!

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

No Natal de 1984, não houve concorrência: o hit de fim de ano foi Do They Know It's Christmas?, do Band-Aid. Para este blogueiro, a canção de Natal definitiva.


E quem era Band-Aid?















Band-Aid: não é por falta de gente que um sucesso lhes faltaria...

Trata-se da turma de grandes astros da música britânica reunida por Bob Geldof, numa iniciativa pioneira e que fez escola. Hoje virou carne de vaca reunir astros em torno de uma causa, mas aqui foi onde tudo começou.


Bob Geldof era o líder de uma banda pós-punk no máximo mediana - Boomtown Rats -, que ganhou certa fama por ter estrelado o filme Pink Floyd - The Wall (não que ele tivesse algo a ver com rock progressivo), fez algum sucesso com seu hit I Don't Like Mondays, mas que se tornou uma lenda por ter se sensibilizado com um documentário da BBC sobre fome na África.


Após se informar sobre o assunto, Geldof teve a grande ideia: escreveu uma música, mas não só isso, reuniu seus amigos, gravou a música, lançou o disco no Natal e levantou uma grana para ajudar a mitigar a fome na África. Meio ano depois, reuniu mais gente ainda e botou de pé o Live Aid, o enorme festival simultâneo em Londres e na Philadelphia, com gente do calibre de Paul McCartney, Led Zeppelin, David Bowie, Madonna, Bob Dylan, Mick Jagger, The Who, Queen, U2 e muitos, muitos outros.


Mas o objetivo deste post é esmiuçar a canção que deu início a tudo: Do They Know It's Christmas é uma baita música; bem produzida, refrão irresistível, bela letra. E é cantada por gente de primeiríssima qualidade. BLOGIE aproveita para decifrar para o leitor, verso a verso, quem é quem no clássico composto por Sir Geldof.

Primeiro, o vídeo-clipe, do qual jamais me cansarei:



Agora, a doença: para cada verso, BLOGIE identifica o(s) cantor(es) responsável(eis) e qual o sucesso de cada um na época da gravação.

Paul Young (Everytime you go):

It's Christmas time
There's no need to be afraid
At Christmas time
We let in light and we banish shade

Boy George (Culture Club, Do You Really Want to Hurt Me?):

In a world of plenty
We can spread a smile of joy
Throw your arms around the world
at Christmas time

(e aqui aparece Phill Collins, na bateria)

George Michael (Careless Whisper):

But say a prayer
Pray for the other ones
At Christmas time it's hard

Simon Le Bon (Duran Duran, Save a Prayer):

But when you're having fun
There's a world outside your window

Sting (The Police, Every Breath You Take) se junta a Simon Le Bon:

And it's a world of dread and fear
Where the only water flowing is

Bono (U2, Pride) se junta a Sting:

The bitter sting of tears
And the Christmas bells that ring there
Are clanging chimes of doom

Bono, solo:

Well, tonight thank God it's them instead of you!


Todos:

And there won't be snow in Africa this Christmas time
The greatest gift they'll have this year is life
Where nothing ever grows
No rain or river flows
Do they know it's Christmas time at all?

Ponte (todos cantam o começo da frase, Paul Young completa):

Here's to you / raise a glass for everyone
Here's to them / underneath that burning sun
Do They Know it's Christmas time at all?

Refrão (moçada toda, o mundo todo, repetindo mil vezes):

Feed the world,
Let them know it's Christmas time

Bacana, não?

O que acho mais admirável nessa iniciativa é a auto-suficiência da turma de Geldof: ao invés de apelarem para Clapton, McCartney, Elton John, etc, resolveram se virar com os jovens astros da sua própria geração (cabendo observar que Bono, Sting e Duran Duran se tornaram tão lendários quanto os dinossauros). Na banda que gravou o sucesso, e no coro que imortalizou o refrão, integrantes de bandas como Ultravox, Spandeau Ballet, Bananarama e Culture Club (além das já citadas). New wave, new romantic e outras "novidades" de cabelo estranho e cores vivas.

Pra terminar, Do They Know It's Christmas? provocou ciúmes do outro lado do Atlântico e, por influência de Bob Geldof, Lionel Richie procurou Michael Jackson para compor We Are the World e dar a contribuição ianque para o combate da miséia na Etiópia e adjacências.

Mas isso é assunto para outro post.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

Chega o Natal e a vida de quem gosta de ver uns filminhos na TV vira um inferno: é um tal de filmes bíblicos, ou então aquela xaropada "família" à Frank Capra... e acabamos nos refugiando em alguma reprise de comédia infantil - Esqueceram de Mim, etc.

Mas há salvação para os homens de boa vontade. BLOGIE indica três filmes de Natal pra macho nenhum botar defeito. São filmes divertidos, corrosivos, inquietos - mas que, no fim das contas, servem muito bem para enquadrar marmanjos no espírito natalino.

Boa diversão!



3- Os Fantasmas Contra-Atacam (1988):



Versão maluca e contemporânea do Conto de Natal, de Charles Dickens. Aqui, o velhinho muquirana que inspirou Disney a criar o Tio Patinhas é substituído por Bill Murray, como um jovem e implacável executivo de TV. Os fantasmas dos Natais passado, presente e futuro dãs as caras, sob formas bizarras - o do Natal passado, por exemplo, é um motorista de táxi novaiorquino. Murray, como sempre, arrasa.



2- Duro de Matar (1988):



Depois dessa fucking short version, dizer o quê? Filme de Natal bom é isso aí. Bruce Willis resolve sozinho a parada em um arranha-céu que é tomado por terroristas na noite de Natal. Durante o filme, as metralhadoras falam mais alto e os palavrões pontuam as frases. Um terrorista é encontrado morto pelo chefe, vestindo um gorro de Papai Noel e portando uma curiosa frase escrita em sua blusa: "Agora eu tenho uma metralhadora - HO HO HO". De quebra, Willis cria seu bordão imortal: "Yippie-kie-yeah, motherfucker!"



1- Trocando as Bolas (1983):















De todos, o meu filme natalino preferido. John Landis, um gênio da comédia, reúne dois dos maiores comediantes da época, Eddie Murphy e Dan Aykroyd, em uma fábula muito mais inteligente do que parece: Murphy é um mendigo mutreteiro; Aykroyd, um financista milionário. Os dois octagenários patrões de Aykroyd - os Irmãos Dukes, fundadores da Bolsa, uns caras que devem ter andado com o Rockfeller ou algo assim - firmam uma aposta: um deles, racista cínico, acredita que pode transformar um mendigo em um ótimo executivo; o outro, racista convicto, duvida. Um dólar é o valor da aposta, e Murphy e Aykroyd têm seus lugares trocados.

A partir dessa premissa instigante, acontece DE TUDO em Trocando as Bolas. Jamie Lee Curtis é uma prostituta que entrará na jogada, um gorila se apaixonará a bordo de um trem, Dan Aykroyd encarnará o Papai Noel mais escroto da história e, ao final, uma cena inesquecível rodada dentro da Bolsa de Valores decretará quem estava certo na aposta do início, e quem levará a melhor.

Um filme absolutamente genial.

Só para provocar, aqui vai a cena inicial. É ver e identificar, de pronto, que se trata de algo especial:



É isso. Os posts se manterão diários até o Natal. Depois, o BLOGIE entra em recesso de uma semana, voltando dia 04 de janeiro.

PS: às vésperas do Natal do ano passado, também falei desses filmes (entre outros). Mas o texto e as atrações - cenas, trailer, fucking short version - são diferentes. No mais, se alguém se convencer a assistir a Trocando as Bolas, a insistência terá valido a pena.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009 - 0 Comentários

Outro dia, falando da maravilha que é o site Movie Title Stills Collection, mostrei algumas das minhas cenas de abertura preferidas dos anos 60, época em que diretores encontravam maneiras estilosas de apresentar o nome do filme ao mesmo tempo em que apareciam os personagens principais (Bonequinha de Luxo, A Primeira Noite de um Homem, Rebeldia Indomável).

Bem, o exercício não cansa. Hoje, BLOGIE mostra seus dez créditos iniciais preferidos dos anos 80. Uma época em que o Marketing adquiriu importância crescente e os filmes voltados para o público juvenil ganharam logomarcas tão reconhecíveis quanto a da Coca-Cola ou da Pepsi. E, ao mesmo tempo, uma época em que diretores elegantes e criativos encontraram maneiras inteligentes de apresentarem suas obras.


Touro Indomável (1980): Martin Scorsese faz o melhor uso de câmera lenta e música clássica da história do cinema - e obtém um enquadramento mágico.




Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (1980): a sátira dos "filmes de desastre" dos anos 70 simplesmente inventou um novo gênero de comédia, e recebeu um anúncio à altura.




Sexta-Feira 13 (1980): a maior franquia de matança tem início com estilo. A curiosidade é que Jason não dá as caras no primeiro filme...



Picardias Estudantis (1981): dez segundos de música e o Shopping Center está apresentado como o templo dos adolescentes da década que começava. Escrito por Cameron Crowe, o filme revelou gente como Sean Penn, Jennifer Jason Leigh e Forrest Whitaker.




Férias Frustradas (1983): a comédia familiar, gênero preferencial da era do vídeo-cassete e das vídeo-locadoras, nasce junto com a saga de Chevy Chase. A ideia de que se trata de um road movie é apresentada com classe, numa sequência kitsch de cartões postais - e da música feita sob medida de Lindsey Buckingham, guitarrista do Fleetwood Mac.




Gremlins (1983): franquias adolescentes nasciam da turma liderada por Steven Spielberg a cada mês. De E.T. a De Volta para o Futuro, todas vinham com logos bacanas, música bacana e muita personalidade. Aqui, o filme de Natal é mostrado com muita classe: a cidadezinha coberta de neve é esgotada em uma única tomada, até encontrarmos o personagem principal chegando atrasado no trabalho.




Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984): Spielberg e Lucas se empenham - e têm sucesso  - em transformar sua série-matinê em ícone. Aqui,a loira da vez entra triunfante em meio aos letreiros quentes do filme.




Os Caça-Fantasmas (1984): outro exemplo de blockbuster talhado para o sucesso. Música, efeitos especiais e apelo juvenil irresistível ajudam a trupe que inclui Bill Murray e Dan Aykroid a exterminar fantasmas em Nova York.




O Clube dos Cinco (1985): John Hugues botava fé no próprio taco e começava suas comédias adolescentes com elegância só comparável à de Woody Allen. O mesmo padrão se observa em seus outros filmes, como Curtindo a Vida Adoidado.



Um Peixe Chamado Wanda (1988): o filme que uniu Monty Pithon à boa comédia americana (Jamie Lee Curtis e Kevin Kline no elenco). O aquário mostra o peixe que não tem qualquer conexão com a trama do filme. Ou tem?


É lógico que há muitas outras que poderiam entrar na lista. Minhas escolhas têm muito a ver com o pioineirismo e a influência que esses filmes exerceram sobre muitos outros na década dos yuppies e do PT romântico, da Xuxa com o Pelé e da Xuxa com os baixinhos. Uma época muito louca.

Em breve, os eleitos dos anos 70 e dos anos 90.

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009 - 2 Comentários

Como dizia o Chacrinha, no mundo do entretenimento, nada se cria - tudo se copia.

Um dia, lançaram A Lagoa Azul, a história de um casal de crianças sobreviventes de um naufrágio que, numa ilha paradisíaca, crescem lado a lado, até se descobrirem adultos e resolverem ativar suas funções reprodutoras. Brooke Shields, que fazia a menina, virou uma lenda (assim como uma execrável e infeliz cena aquática em que aparece o falo do rapaz).

Daí produtores malandros resolvem fazer um "genérico" - e o resultado é Paradise, de 1982. Phoebe Cates era a musa juvenil do momento (ah, a cena da piscina em Picardias Estudantis...) , e foi escalada para fazer a mocinha em uma história constrangedoramente parecida com a da Lagoa...



Mas, fazer o quê?, a gente não escolha do que gosta... foram muitas as reprises no SBT (durante uma época, o SBT combatia a Sessão da Tarde com Paradise, sem medo de ser feliz).

Só não entendi, até hoje, a intervenção de árabes ou algo assim... eu realmente desligava o cérebro ao ver Paradise, e sempre achei estranha essa intervenção fora do script-gabarito da Lagoa...

Enfim, todos temos nossos prazeres culpados. De vez em quando, BLOGIE vai abrir o arquivo proibido do fundo da memória.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009 - 2 Comentários

Antes de se transformar no modelo de americano honesto (Philadelphia, Forrest Gump, Apollo 13, O Náufrago), de ter passado pela fase de galã de comédias românticas com a Meg Ryan e de ter se exposto ao ridículo como Robert Langdon em Código DaVinci, Tom Hanks foi um grande comediante - diria que foi o cara mais engraçado do seu tempo.


Hanks apareceu em 1984, na comédia romântica inusitada Splash - Uma Sereia em Minha Vida, e se tornou o engraçadinho do momento (algo como o que aconteceria com Jim Carrey uns seis anos depois, e então com Adam Sandler, já no final dos anos 90). Enfileirou meia dúzia de comédias insanas, a mais famosa delas Quero Ser Grande, que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar (como o menino que faz um pedido para virar logo adulto e acorda no corpo do Tom Hanks)... e que tem pelo menos uma cena imortal: a de Hanks e o velhinho que é dono da loja de brinquedos pulando em cima de um teclado-tapete, tocando o "bife" a dois.

Mas o assunto de hoje é bem mais picante: Hanks protagonizou, no meio de tantas comédias, a sensacional A Última Festa de Solteiro. Um filme responsável por elevar os padrões das expectativas de pelo menos duas gerações sobre as festas de despedidas de solteiros dos seus amigos (mas nunca a própria).


























O filme, dirigido por Ricahrd Benjamin, traz Tom Hanks como o pobretão (ele é motorista de ônibus escolar) que vai se casar com uma moça milionária, e é claro que o pai - devidamente suportado pelo ex-namorado almofadinha, que tem a preferência da casa - tem planos para impedir o casamento.

A moça é interpretada por Tawny Kitaen, uma tremenda gata que causou sensação nos anos 80 por ter estrelado os vídeo-clipes mega-bregas do Whitesnake (Is This Love?, Here I Go Again e Still of the Night) - e por ter se casado com o vocalista da banda, David Coverdale.

























Não confunda: Tawny é a pessoa de verde; Coverdale é a pessoa de preto. Ah, esses anos 80...

Na outra ponta, Hanks tem os amigos mais fiéis, mais imbecis, mais divertidos: é um deles que dá a ideia ("vamos fazer uma despedida de solteiro! Com drogas, com armas, com caminhões de bombeiro e putas!") e todos se dividem nos preparativos: um providencia prostitutas, o outros providencia as drogas, o outro providencia... um travesti.
















Mentes brilhantes planejam a maior despedida de solteiro de todos os tempos.

A festa é o máximo: a música é perfeita (new wave oitentista descartável), as atrações também - dançarinas, vôlei dentro do apartamento, um asno cheirador de pó (literalmente)... e mulheres.


Já a noiva e suas amigas vão à forra e entram num clube das mulheres - e aí surge outra cena que ficou pra história: um garçom serve hot-dogs na bandeja, até que sobra apenas um - o "extra-grande" - e a mãe da noiva tem especial dificuldade em puxar o sanduba...

Só vendo o trailer para ter uma ideia da falta de noção:



Enfim, filmes de festas de solteiro e bom gosto não são coisas que andam juntas. A Última Festa de Solteiro é uma clara influência para o recente e enorme sucesso Se Beber, Não Case. Talvez uma comparação entre os dois filmes revele um envelhecimento do humor de vinte, trinta anos atrás... mas também revela uma abordagem mais brincalhona, menos destrutiva, com a escrotidão juvenil. Parece-me que, hoje, o negócio é ir pra Las Vegas e quebrar tudo. Antes, era realmente se divertir.

Ou então estou teorizando demais sobre o que só se propõe a divertir, e o faz com sucesso.

A Última Festa de Solteiro: um filme para ser visto com a alta brodagem, com pacotes de Doritos circulando e cerveja a rodo.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009 - 2 Comentários

Muita gente acha que o que Hollywood tem de melhor é sua vocação para o espetacular, o blockbuster, o filme-evento - enfim, essa encrenca que é o filme milionário lançado no verão americano sob uma campanha publicitária agressiva e acompanhado de uma penca de produtos adjacentes. Guerra nas Estrelas, E.T., Titanic, ...E o Vento Levou, todos fazem parte dessa categoria.


Isso tudo é bacana, principalmente quando o oba-oba serve para promover um filme bom (ou ótimo, como os citados acima), mas não é a essência da coisa. Hollywood é o que é não devido aos seus executivos e marqueteiros, mas sim aos seus artistas. E a prova disso são não os filmes-eventos, mas os pequenos filmes que se tornam grandes sucessos (ou que simplesmente se mostram obras grandiosas de tão singelas e despretensiosas). Esses são os verdadeiros símbolos de Hollywood: Casablanca, Bonequinha de Luxo, A Primeira Noite de um Homem, Butch Cassidy & Sundance Kid, Chinatown, Rocky, Uma Secretária de Futuro, Uma Linda Mulher, Ghost... Dispostos em ordem cronológica, todos filmes ?pequenos?, de orçamento modesto, produções bancadas por pouco mais do que a teimosia de seus diretores... e que se tornaram grandes clássicos - quase todos os citados foram o grande sucesso dos cinemas nos seus anos de lançamento. Obras de arte cunhadas com a despretensão e a leveza de um filminho. Quando isso acontece, o resultado é único e pensamos: "nada com um bom filme americano".


O grande trunfo desses filmes é, acima da direção e das estrelas que neles são reveladas, o roteiro. Um bom e velho roteiro amarradinho, sucinto, encerrado em três atos bem definidos e recheados de personagens cheios de vida. Faça o teste: o que fez de Curtindo a Vida Adoidado, aparentemente uma comédia adolescente debilóide, esse verdadeiro ícone pop? O roteiro sensacional, cheio de falas antológicas e situações engraçadas - e Bueler, Ferris Bueler, herói de uma geração sem bandeiras.


Tudo isso para dizer (e defender a tese de) que Sorte no Amor (Bull Durham), filme de 1988 sobre baseball que passou quase despercebido no Brasil, é um filmaço, uma obra de arte, uma joia rara daquelas que dão orgulho a quem as descobre. Não posso afirmar que "descobri" o filme, porque o mesmo foi um grande sucesso nos EUA, contando com Kevin Costner no auge (e em sua melhor atuação), Susan Sarandon maravilhosa e encantadora (e em sua melhor atuação) e Tim Robbins despontando para o sucesso (e conhecendo sua futura esposa durante as filmagens: a própria Sarandon). Mas descobri o filme no meio de uma pilha de bobagens, numa liquidação das Lojas Americanas. Orgulho-me dessa que é uma das minhas maiores habilidades: descobrir coisas boas no meio do lixo nas Lojas Americanas.
























A história parece besta: Costner, no papel de um jogador de baseball maduro e em fim de carreira, é contratado para tutelar e "acelerar o amadurecimento" de um arremessador jovem, talentoso e inconsequente (Robbins). Sarandon é a improvável groupie do time, que escolhe um jogador a cada temporada para namorar. Por namorar, entenda-se sexo, carinho maternal e lições de literatura.



















E tranquilo, naquele esquema "conhecendo os personagens na primeira meia hora / botando os personagens pra correr atrás das suas necessidades durante sessenta minutos / resolvendo a bagunça na última meia hora", o autor e diretor Ron Shelton (um ex-jogador de baseball nas ligas menores) conseguiu sua pequena obra-prima.


Ao amigo leitor, fica a dica: não há razão para deixar de assistir a Sorte no Amor, obra que diz muito mais sobre a fugacidade da vida e dos seus ciclos (de amor, de carreira, de juventude) do que muito tratado intelectual por aí. Disponível em DVD, lançado há dois ou três anos. Vale uma ida à locadora.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Vídeo para começar muito bem a semana. Stevie Nicks e Tom Petty, acompanhados dos Heartbreakers, em 1981. A música é Stop Draggin' My Heart Around.



Dois ícones americanos no auge. Naquela época, Nicks lançava seu primeiro disco fora do Fleetwood Mac. A Rolling Stone a botou na capa e a chamou de rainha do rock'n'roll. Petty, que lançava seu melhor disco - Hard Promises, que o colocou como ponta-de-lança de uma geração brilhante de compositores americanos  (Bruce Springsteen, Jackson Browne...) -, cedeu essa canção para a moça. Gravaram juntos. Fizeram o vídeo, para um canal de TV novo, que acabara de ser lançado: MTV.

Foi o sucesso do ano. A história estava feita.

Acho que nunca usaram essa música como tema de filme. É um erro.

P.S.: no You Tube, você acha uma versão dessa música mais recente, com a Joss Stone e o Rob Thomas, do Matchbox 20. Vendo, dá pra entender o valor da parceria Nicks / Petty. Ninguém precisa se esgoelar nem fazer caras e bocas pra mandar bem. Artista seguro do seu talento é outra coisa.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Já se falou muito sobre o fato de que Harrison Ford é o maior assassino do cinema, graças ao seu principal personagem, Indiana Jones.


Pois bem, um maluco resolveu editar todas as mortes acumuladas durante os três primeiros filmes da série. E com contador de corpos!


Veja o vídeo, as mortes estão organizadas em ordem cronológica:



As minhas preferidas são as mortes às pencas no final de Indiana Jones e o Templo da Perdição, na cena da ponte partida. A cada balançada na ponte, é meia dúzia que cai para os crocodilos comerem.

E, claro, tem a oitava morte da lista, aquela em que o espadachim exibe sua lâmina, faz mil firulas com a mesma e leva um tiro de um indiferente Prof. Jones. Assassinato que a patrulha politicamente correta condenou, pois o cara não poderia ter usado uma arma de fogo contra um coitado com arma branca...

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Continuando com a série de cenas de abertura espetaculares, hoje BLOGIE traz três clássicos dos anos 80.


Nenhum dos filmes aspirou a Oscar ou a algum lugar especial na história do cinema, mas todos foram dirigidos com grande competência e, mais importante, contam com sequências de abertura que garantem a atenção do espectador.


Comprove!

Garotos Perdidos (1987): quando vampiros adolescentes eram gente realmente estranha...


Nestes dias chatos, Crepúsculo faz sucesso com vampiros adolescentes que evitam fazer aquilo que vampiros e adolescentes mais querem fazer - se alimentar com sangue alheio e transar.


Já nos anos 80, Joel Schumacher fez um filme com vampiros jovens que são verdadeiramente barra-pesada: se divertem matando uns desavisados, andam de moto, pegam a mulherada geral e moram numa caverna sinistra com pôster do Jim Morrison na parede.






A sequência inicial traz a mãe solteira Dianne Wiest, com seus filhos adolescentes, Corey Haim e Jason Patric, chegando a uma cidadezinha de fim de mundo. Os moleques já preveem uma vidinha tediosa, pois o único point local é um parque de diversões.


Mas logo descobrirão que a cidade é cheia de gente estranha. Trilha sonora: People are Strange, do Doors, tocada com classe pelo Echo the Bunnymen, com direito a solo de teclado do grande Ray Manzareck!


Alguém Muito Especial (1987): o triângulo amoroso padrão dos anos 80


Um exercício de estilo bem interessante: na história escrita pelo então maioral do cinema adolescente John Hugues, temos um clipe de 3 minutos em que todos os personagens principais são apresentados, sem que uma fala seja dita.





Temos Mary Stuart Masterson como a roqueira solitária; Eric Stoltz como o pobretão sonhador; e Lea Thompson como a patricinha que passa o rodo. O triângulo está apresentado, e uma geração de meninas idolatram esse filme de roteiro redondinho, um campeão da Sessão da Tarde. (O recente Ele Não Está Tão a Fim de Você presta uma homenagem incrível a Alguém Muito Especial, elegendo-o um tipo de Curtindo a Vida Adoidado das meninas.)

Em tempo: a música, Dr. Mabuse,  é duma banda chamada Propaganda.



Afinado no Amor (1998): Adam Sandler enfia o pé na jaca

Este filme foi feito no meio da década de 90, mas tem o mérito histórico de ter sido o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80.

Adam Sandler é o cantor de casamentos que, como todo cantor de casamentos, inclui no repertório todos os sucessos do momento, pois seu trabalho é animar a festa.

Essa festa começa ao som de gosto abjeto da banda de tecno-pop Dead or Alive: You Spin Me Round (Like a Record).



O que faz dessa cena tão simples uma ótima cena de abertura? Primeiro, a apresentação do personagem: de cara, reconhecemos em Adam Sandler um cara amável, de bom coração, meio sem senso do ridículo (e muitos, como eu, conheceram Sandler através deste filme, o que significa que não entramos esperando "uma comédia do Adam Sandler). Depois, temos a reconstituição de época que ressalta o aspecto absurdo dos anos 80:  penteados, cores, roupas - enfim, toda a cafonice. E há os créditos de abertura rapidinhos, que emulam aqueles efeitos de vídeo de casamento dos primórdios do VHS. Enfim, nota dez!

Hoje, fui numa lista de filmes mais despretensiosos. A próxima vai voltar no cinema mais "sério".

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009 - 7 Comentários

Outro dia, num almoço, uma jovem colega, nos seus vinte e poucos anos, chocou os comensais ao afirmar que ela não conhecia Os Goonies. Eu fiquei estupefato. Como alguém pode ter atravessado a pré-adolescência sem ter conhecido Mike, Bocão, Bolão, Dado? Sem ter se divertido com Sloth, o monstro bonzinho? Sem ter ficado na dúvida se Mamma Fratelli é mulher ou homem? Sem ter se apaixonado por Andy (Keri Green), estrategicamente um pouco mais crescida do que a molecada do filme (e da plateia)?

Enfim, ser um Goonie é algo a que todos os moleques de doze anos aspiraram, pelo menos na minha geração.

De quebra, lembrei-me de que o filme, dirigido por Richard Dooner a partir de história de Steven Spielberg, conta com uma das melhores cenas de abertura de todos os tempos.

O que me obriga a pensar na lista de melhores cenas de abertura de todos os tempos. Este é um dos meus temas preferidos, então não vou fechar em uma lista nem colocar em um ranking. Vou simplesmente listar as cenas de abertura inesquecíveis. À medida que eu for me lembrando, vou listando... espero que se divirtam!

Pra começar: três filmes bem diferentes e excelentes, todos com cenas de abertura não menos do que inesquecíveis.

Pulp Fiction: assaltos, um bom assunto para o café-da-manhã



O segundo filme de Quentin Tarantino tornou-se simplesmente o filme mais importante da década de 90. E todo o seu espírito e suas virtudes são apresentadas em um preâmbulo interessantíssimo, sem personagens principais e sem relação (aparente) com a trama. Um casal discute, num restaurante - enquanto toma seu café-da-manhã -, sobre suas perspectivas como assaltantes. O risco de levar um tiro, problemas logísticos durante o assalto, o dilema entre tomar a carteira dos clientes ou ficar só com a grana da loja... Tudo é discutido numa tranquilidade, dando o tom da violência banalizada que caracterizaria o filme e um monte de imitações que vieram depois. Os diálogos inspirados de Tarantino estão ali, como a observação da garçonete ("Garçon means boy!"). De repente, eles explodem, numa tempestade de palavrões e armas e baba pulando pra fora das bocas - e entra a abertura, com letras garrafais e o som de Dick Dale anunciando que Tarantino é um cara talentoso e esperto, e que ele estava fazendo história. Sensacional.


Carruagens de Fogo: heroísmo esportivo em escala gigante



É assim que se começa um filme: sem letreiro, nem nada. Uma rápida cena em um funeral. Um velhinho discursa em memória ao amigo que morreu. Ele termina a fala dizendo que se lembra como se fosse ontem de um grupo de jovens, do qual só sobravam ele e mais um vivos - "um formidável grupo de jovens, com sonhos no coração e asas nos calcanhares"... e corta para o tal grupo, correndo na praia - era a delegação de atletismo inglesa, se preparando para as Olimpíadas de 1920. A música de Vangelis irrompe em sua melodia perfeita, enquanto todos os personagens principais são apresentados. Duas consequências históricas: 1) Carruagens de Fogo, a música, tornou-se hino dos jogos olímpicos para sempre; 2) Carruagens de Fogo, o filme, ganhou Oscar de melhor filme em 1981.


Os Goonies: simplesmente a melhor abertura!























Essa, eu fico devendo. Não apareceu uma boa alma para postar a sequência de abertura de Goonies no You Tube. Uma pena, porque é uma aula de cinema: uma única ação - a fuga de uns bandidos da cadeia - serve para apresentar, um a um, todos os personagens principais e secundários da trama, bem como o ambiente onde se passará o filme (uma periferia decadente na California). Créditos, música e contexto - lanchonetes, fliperamas, malhação caseira, aparelhos de som - ajudam a formar um verdadeiro inventário pop dos anos 80.

Para quem nunca assistiu: não desperdice mais um dia de sua vida sem conhecer Os Goonies.

Para quem já viu dezenas de vezes, no cinema, no vídeo-cassete e na Sessão da Tarde: veja novamente e perceba como o filme, além de despertar aquela nostalgia, se revelará cinema de gente grande, com roteiro perfeito, ótimos personagens, edição inacreditável e produção impecável.

Porque fazer filme de matinê já foi atividade muito séria, a cargo de gente muito competente. Ave, Spielberg.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Morreu John Hugues.

Quem?




















Conto uma história: um jovem publicitário/escritor de Chicago chega a Hollywood em 1982 e consegue vender um de seus contos para o cinema. Escreve o roteiro e imagina ter um grande sucesso nas mãos: a história da viagem de uma família cruzando o território dos EUA, de costa-a-costa, com coisas bizarras acontecendo ao longo do caminho. O ponto-de-vista adotado era o do filho adolescente. Mas o estúdio havia escolhido Chevy Chase, um dos maiores comediantes da época, para estrelar o filme, e o roteiro foi todo mudado, transferindo o foco para o pai da família.


O filme era Férias Frustradas, que abriu oficialmente a década de 80 como a era da "comédia família". Era o programa perfeito para noites de sábado no sofá, pai, mãe, filhos e cachorro se entupindo de pipoca, assistindo a filmes "para toda a família", naquela incrível invenção que era o vídeo-cassete.



















Chevy Chase e família: programão nos anos 80 era ver Férias Frustradas - e suas continuações - em vídeo...

O jovem roteirista não parou de acreditar no potencial de suas histórias baseadas em adolescentes. Aproveitou o sucesso de Férias Frustradas e se tornou diretor. Escreveu e dirigiu, durante os três anos seguintes, Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco, Mulher Nota Mil e Curtindo a Vida Adoidado. De quebra, escreveu e produziu A Garota de Rosa-Shocking e Alguém Muito Especial.

Esse foi John Hugues.

Sim, é isso mesmo: todos esses filmes que cansamos de ver na Sessão da Tarde - e que são parte essencial do imaginário pop dos anos 80 - são obra de um único cara, que produziu tudo isso de uma vez!


Veja o trailer de O Clube dos Cinco!

Desnecessário dizer que o homem era um gênio.

Depois de satisfeita sua fase teen, Hugues voltou à comédia familiar e perpetrou outra obra-prima: Antes Só do que Mal Acompanhado, com Steve Martin e John Candy (1987). Arrancou do gordão Candy a melhor atuação da sua vida e fez dele um astro. A parceria entre Hugues e Candy voltou um ano depois, em Quem Vê Cara Não Vê Coração: outro sucesso.
















Steve Martin e John Candy: símbolo de uma geração de comediantes brilhantes que chegava ao auge.

E, em 1990, Hugues fechou a década de 80 escrevendo e produzindo o maior sucesso daquele ano e de sua carreira: Esqueceram de Mim.

Depois disso, ele se isolou em uma fazenda e a última foto que se viu do diretor foi em uma visita ao seu filho, em 2001.

John Hugues morreu ontem, aos 59 anos, de ataque cardíaco. Mas isso é papo chato. Vamos lembrar do que ele nos ensinou, através do herói de uma geração, Ferris Bueller:


Esta é parte da primeira e da segunda cena de Curitndo a Vida Adoidado, de 1986.

Como epitáfio, sugiro a frase abaixo, escrita por Hugues e proferida por Bueller, no início e no final de Curtindo a Vida Adoidado:

A vida passa rápido demais. Se você não parar para dar uma olhada de vez em quando, pode perdê-la.

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sexta-feira, 1 de maio de 2009 - 0 Comentários

Este blogueiro ficará longe da civilização por sete dias. Isso significa que não comentarei a estreia de X-Men Origens: Wolverine, e também outras coisinhas menos importantes que vão estrear.

Na volta, eu corro atrás e comento a nova aventura de Hugh Jackman.

Rápida listinha de filmes que eu gostaria de ver - ou rever - nas férias (eu ando numas de anos 70):

O Cavaleiro Elétrico, com Robert Redford

Três Dias do Condor, thriller classudo e roteiro perfeito, também com Redford. Olha só o trailer:



A Última Sessão de Cinema, com a Cybill Chepard novinha!

American Graffiti, a despedida oficial da juventude, by George Lucas

Barbarella, porque Jane Fonda matando homens com uma vagina dentada não é algo a ser ignorado...

E, no fundo, no fundo, eu gostaria mesmo é de rever aquelas Sessões da Tarde de quando eu tinha 15 anos e muito tempo livre. Sem obviedades na linha Curtindo a Vida Adoidado:

Namorada de Alguel: Patrick Dempsey (de Grey's Anatomy) quer deixar de ser nerd, e a melhor maneira de fazer isso é alugando a gata Cindy Mancini por uns tempos.

Alguém Muito Especial: Eric Stoltz está paradão na Lea Thompson (De Volta para o Futuro), mas Mary Stuart Masterson é a mulher certa. Filme pra menininha, mas OK. É citado no atual Ele Não Está Tão a Fim de Você.

Admiradora Secreta: uma confusão é armada a partir de cartas de amor enviadas para as pessoas erradas. C. Thomas Howell é o herói da fita, com a melhor musa das fitas juvenis dos anos 80: Kelly Preston, atual Sra. John Travolta.

A Primeira Transa de Jonathan: Kelly Preston de novo, como Marylin, a predestinada que tirará o Jonathan do título do zero a zero. Uma trama rock'n'roll, que se passa nos anos 50. Classe A. De onde recupero uma cena essencial, para o filme e para a deturpada formação sexual de uma geração de moleques.



Jonathan fez o que tinha de ser feito. Pelo menos nisso é o que queríamos acreditar.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008 - 4 Comentários

Está em cartaz As Duas Faces da Lei, policial que reúne os dois grandes atores americanos das últimas décadas: Al Pacino e Robert DeNiro. No filme, eles são policiais durões, mas não chegam a ser exatamente um Capitão Nascimento - e não fazem sombra aos personagens mais célebres da dupla.

Então, esqueçamos a estréia e fiquemos com o que realmente interessa:

1) DeNiro resolve tirar satisfações com ele mesmo, no espelho. "Are you talkin' to me?" - cena clássica de Taxi Driver.


Este é Travis Bickle, o homem que resolveu limpar a "escória" de NYC com as próprias mãos.


2) Al Pacino solta o verbo em Scarface - e apresenta o seu "amiguinho" no final:


Este é Tony Montana, um cara com a sensibilidade à flor da pele.

Esses caras dariam risadas dos tiozinhos policiais de As Duas Faces da Lei.

Por respeito à história da dupla, BLOGIE abre mão de resenhar o novo filme. Mas fica devendo uma lista dos melhores bandidos encarnados pelos parceiros.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008 - 0 Comentários

Entre as bombas que estão estreando, nenhuma é tão roubada quanto Mulheres - O Sexo Forte. O grande chamariz do filme (para as mulheres) é a volta de Meg Ryan, ex-rainha das comédias românticas.

Mas o triste mesmo é ver o estado de Meg, toda retalhada pelas cirurgias plásticas. Veja o estado atual da jovem senhora, em cena do tal filme:















E olha que já rolou um Photoshop...


Bom, mas nem sempre foi assim. E nem sempre ela interpretou a mocinha quase assexuada. Meg Ryan já foi uma gostosa! Se não acredita, cheque a lista desta semana: Meg Ryan, quando valia a pena.


5- Top Gun (1986)














Bronzeada e falante, como a esposa do Goose, o parceiro de vôlei e vôo do Maverick. Participação pequena, mas ela é melhor do que a Kelly McGillys.


4- Viagem Insólita (1987)


No filme de Joe Dante (produzido por Steven Spielberg), Dennis Quaid é o piloto de provas que entra em um experimento fantástico: se miniaturiza e navega dentro do corpo de um homem (no caso, Martin Short). Meg Ryan, ainda de cabelos curtinhos, é a namorada gata que ele tenta reconquistar de dentro do outro... na cena acima, vemos Meg sendo devidamente cortejada por Quaid, que canta um clássico de Sam Cooke.



3- Joe Contra o Vulcão (1990)















Meg Ryan como Angelica (à esq.) e como Patricia (à dir., ao lado de Tom Hanks)


No primeiro dos três filmes que fez com Tom Hanks, em Joe Contra o Vulcão Meg tem três papéis - a secretária sem graça Dee Dee, a problemática Angelica e gata Patricia.

A graça do filme está nela e em Hanks, engraçadíssimo como um sujeito com um péssimo emprego, cansado da vida e que é diagnosticado com uma doença terminal ("nuvens no cérebro"). No final das contas, o casal vai parar em uma ilha habitada por aborígenes que adoram um vulcão. Absurdo, mas engraçado.



2- Harry & Sally (1989)



No filme que a transformou em uma estrela do primeiro escalão de Hollywood (e que serviu de gabartio para todas as comédias românticas que vieram nos dez anos seguintes), ela é Sally Allbright, a mulher que mostra a Billy Cristal como se finge um orgasmo... clique, assista e aprenda.

1- The Doors (1991)











Meg deita e rola com Jim Morrison, digo, Val Kilmer.



No filmaço de Oliver Stone sobre os Doors, Meg é Pamela Courson, a namorada pé-na-jaca do Rei dos Pés-na-Jaca, Jim Morrison. No auge da fama e da beleza, arriscou até um peitinho, em cena onde Morrison manifesta maior afeição por uísque do que por mulher pelada.

OK, não é exatamente um currículo pra fazer frente aos da Charlize Theron (vá ao Arquivo Confidencial), da Kim Basinger (veja a VIP deste mês) ou da Monica Bellucci (VIP do mês passado) - essas encaram toda e qualquer parada -, mas até que está bom para alguém que ostentou o título de "namoradinha da América"...

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