quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 - 1 Comentários

Imagine o leitor algo muito chato e muito trabalhoso. Dia-a-dia no escritório? Compras de fim de ano?

Nada. A coisa mais desgastante que já inventaram é mudança de casa. Este blogueiro tem vivido esse drama durante os últimos meses - marceneiros que botam a culpa nos pintores; pintores que reclamam dos pedreiros; pedreiros que veem no pobre cliente um estorvo que só atrapalha seu trabalho. Voltando do reveillón, deparei-me com o caso de um colocador de papel de parede que simplesmente sumiu.

Depois vem a mudança em si: só de pensar na sua vida toda empacotada e depositada sem muito cuidado ao longo do apartamento novo... dá uma preguiça...

E então, casa nova, instalado, tudo fica melhor, certo?

Negativo, diriam Tom Hanks e Shelley Long, o jovem casal que compra a "casa dos sonhos" em Um Dia a Casa Cai, comédia irresistível lançada em 1986.















O casal, após um início de filme maluco - como era comum nas comédias da era Saturday Night Live -, compra a preço de banana uma mansão gigantesca. A dona, que dizia precisar consumar logo o negócio devido à situação de seu marido (ele estaria sendo perseguido por judeus por ter sido piscineiro de Hitler!), se manda e deixa a bomba nas mãos de Hanks e Long.

A casa, claro, está caindo aos pedaços, e as tensões decorrentes das reformas e dos rolos com os fornecedores não muito honestos, pouco habilidosos e pra lá de preguiçosos, acabam afastando o casal. Aí entra o chefe da moça - que é violinista -, o maestro da orquestra, dando em cima da pequena. Hanks atura a situação até saber que a esposa acabou indo pra cama com o cara.



Para uma comédia despretensiosa, é impressionante a tensão quase insuportável que se abate sobre o personagem de Hanks. Você se pega pensando, "pra que aprontar uma sacanagem dessas num filminho desses?"

Mas o final, é claro, acaba redimindo tudo, aparando as pontas, explicando as coisas e destinando o casal a curtir sua enorme mansão, finalmente impecável. Ou não.

Uma curiosidade interessante: Um Dia a Casa Cai foi escrito pelo mesmo roteirista que criou As Loucuras de Dick e Jane - outra comédia de "casal em crise", no caso Jim Carrey e Tea Leoni, que passam pelas agruras do desemprego, colocando em xeque seu poder aquisitivo. A casa "troféu", conquistada como símbolo de tudo que a vida pode oferecer de bom, também tem papel central.

Infelizmente, o filme, lançado em 2005, não causou impressão muito boa. Talvez porque, nos dias de hoje, o público esteja menos afeito a premissas absurdas e simplificadoras, que davam um delicioso tom farsesco às comédias oitentistas. Uma pena, pois o filme de Carrey e Leoni também vale muito a pena.Especialmente como complemento do genial Um Dia a Casa Cai.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009 - 2 Comentários

Antes de se transformar no modelo de americano honesto (Philadelphia, Forrest Gump, Apollo 13, O Náufrago), de ter passado pela fase de galã de comédias românticas com a Meg Ryan e de ter se exposto ao ridículo como Robert Langdon em Código DaVinci, Tom Hanks foi um grande comediante - diria que foi o cara mais engraçado do seu tempo.


Hanks apareceu em 1984, na comédia romântica inusitada Splash - Uma Sereia em Minha Vida, e se tornou o engraçadinho do momento (algo como o que aconteceria com Jim Carrey uns seis anos depois, e então com Adam Sandler, já no final dos anos 90). Enfileirou meia dúzia de comédias insanas, a mais famosa delas Quero Ser Grande, que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar (como o menino que faz um pedido para virar logo adulto e acorda no corpo do Tom Hanks)... e que tem pelo menos uma cena imortal: a de Hanks e o velhinho que é dono da loja de brinquedos pulando em cima de um teclado-tapete, tocando o "bife" a dois.

Mas o assunto de hoje é bem mais picante: Hanks protagonizou, no meio de tantas comédias, a sensacional A Última Festa de Solteiro. Um filme responsável por elevar os padrões das expectativas de pelo menos duas gerações sobre as festas de despedidas de solteiros dos seus amigos (mas nunca a própria).


























O filme, dirigido por Ricahrd Benjamin, traz Tom Hanks como o pobretão (ele é motorista de ônibus escolar) que vai se casar com uma moça milionária, e é claro que o pai - devidamente suportado pelo ex-namorado almofadinha, que tem a preferência da casa - tem planos para impedir o casamento.

A moça é interpretada por Tawny Kitaen, uma tremenda gata que causou sensação nos anos 80 por ter estrelado os vídeo-clipes mega-bregas do Whitesnake (Is This Love?, Here I Go Again e Still of the Night) - e por ter se casado com o vocalista da banda, David Coverdale.

























Não confunda: Tawny é a pessoa de verde; Coverdale é a pessoa de preto. Ah, esses anos 80...

Na outra ponta, Hanks tem os amigos mais fiéis, mais imbecis, mais divertidos: é um deles que dá a ideia ("vamos fazer uma despedida de solteiro! Com drogas, com armas, com caminhões de bombeiro e putas!") e todos se dividem nos preparativos: um providencia prostitutas, o outros providencia as drogas, o outro providencia... um travesti.
















Mentes brilhantes planejam a maior despedida de solteiro de todos os tempos.

A festa é o máximo: a música é perfeita (new wave oitentista descartável), as atrações também - dançarinas, vôlei dentro do apartamento, um asno cheirador de pó (literalmente)... e mulheres.


Já a noiva e suas amigas vão à forra e entram num clube das mulheres - e aí surge outra cena que ficou pra história: um garçom serve hot-dogs na bandeja, até que sobra apenas um - o "extra-grande" - e a mãe da noiva tem especial dificuldade em puxar o sanduba...

Só vendo o trailer para ter uma ideia da falta de noção:



Enfim, filmes de festas de solteiro e bom gosto não são coisas que andam juntas. A Última Festa de Solteiro é uma clara influência para o recente e enorme sucesso Se Beber, Não Case. Talvez uma comparação entre os dois filmes revele um envelhecimento do humor de vinte, trinta anos atrás... mas também revela uma abordagem mais brincalhona, menos destrutiva, com a escrotidão juvenil. Parece-me que, hoje, o negócio é ir pra Las Vegas e quebrar tudo. Antes, era realmente se divertir.

Ou então estou teorizando demais sobre o que só se propõe a divertir, e o faz com sucesso.

A Última Festa de Solteiro: um filme para ser visto com a alta brodagem, com pacotes de Doritos circulando e cerveja a rodo.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 1 Comentários

O som da semana pinga sem parar na cabeça ainda atordoada deste blogueiro. O show do AC/DC no Morumbi foi nota mil. A voz ainda está rouca. Os ouvidos, ainda zunindo. E me sinto como Jack Black no final da comédia Escola de Rock:



A música é It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock'n'Roll), do próprio AC/DC. Um final perfeito para um ótimo filme, cheio de citações nada superficiais e bem sacadas de muitos itens da mitologia do rock.

Minhas citações preferidas são as da Stevie Nicks e, claro, as do AC/DC, que estão nas roupas do Jack Black, nas canções e até embutidas em algumas falas.

O filme foi dirigido por Richard Linklater, um cara eclético (imagine que ele é o responsável pelos romances Antes do Amanhecer Antes do Entardecer). E talentoso.

Boa semana a todos!

P.S.: Vai, Mengão!

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009 - 3 Comentários

O blogueiro está na praia.

Para entrar no clima, nada melhor do que uma cena de praia, digamos, inusitada:



Esta é a abertura da bizarra comédia Zohan - O Agente Bom de Corte, estrelada por Adam Sandler - um dos improváveis ídolos de BLOGIE.

Há quem odeie, e eu entendo. Mas tive grande prazer ao ver o início SEM NOÇÃO de Zohan.

Porque não dá pra ficar levando tudo muito a sério o tempo todo. Há de se saber a hora de chutar o balde. Nisso, Adam Sandler é o melhor.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009 - 6 Comentários

Já falei tanto sobre a expectativa da estreia de 500 Dias com Ela, que é até bobagem falar mais.

De qualquer forma, pra quem não sabe do que se trata: 500 Dias com Ela é uma comédia romântica com ar de cinema independente e pop (Juno, Encontros e Desencontros, etc), que arrebatou o verão nos EUA. Fez de Zooey Deschanel a estrela do momento (ver post desta semana) e revelou Joseph Gordon-Levitt, até então um ator secundário, aqui se mostrando um cara versátil, talentoso e carismático.

O filme foge do esquema comum das comédias românticas "de mulherzinha". O foco é no homem, ele está perdidamente apaixonado por Summer (Zooey), uma mulher que o faz de gato e sapato - e que deixa isso claro logo na saída. Quer dizer, bem diferente do que vemos no cinema e bem mais próximo do que realmente acontece na vida.



No recheio, muitas cenas sensacionais (Gordon-Levitt cantando Here Comes Your Man, dos Pixies, no karaoke), alguns diálogos antológicos ("meu gato foi batizado em homenagem ao Springsteen...") e um show de carisma de Zooey Deschanel, com olhos que, não importa a distância e a posição no enquadramento, são sempre o centro das atenções. Trata-se de um filme muito criativo, com recursos variados de fotografia, edição, animação, o diabo... sob esse aspecto, lembrou-me Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, do Woody Allen - e não consigo pensar num elogio melhor do que este.

Só um teaser para o leitor de BLOGIE: em determinada cena, o cara consegue finalmente levar Summer pra cama. Este é ele deixando o apartamento na manhã seguinte:



O som é soul-pop descartável dos anos 80, da dupla Hall & Oates. A cena que antecede (a da transa) cita A Primeira Noite de um Homem (referência recorrente no filme) e Beijos Roubados. De resto, é música pop de primeira qualidade, referências à mitologia do cinema e do rock... tudo de primeira.

Boa ida ao cinema!

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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sábado, 12 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Para entrar no espírito do fim-de-semana: Ronald Miller (Patrick Dempsey, hoje astro de Grey's Anatomy) era um CDF que queria virar um cara popular na sua escola. Exposto à prova de fogo para nerds metidos a malandro - a pista de dança -, ele mostra suas armas: evoca o obscuro "ritual do tamanduá africano". E ganha a balada.



O filme é Namorada de Aluguel, de 1987. Acredite se quiser, mas cenas muito parecidas com esta aconteciam nas festinhas ginasiais do fim dos anos 80, quando o filme ficou bem popular, graças às reprises na Sessão da Tarde.

Piada que serviu para disfarçar a falta de jeito de nerds mil, incluindo este blogueiro.

Bom final-de-semana a todos!

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009 - 6 Comentários

Sexta-feira de tempinho modorrento (pelo menos aqui em São Paulo) e poucas estreias no cinema. A maioria, bomba garantida.

Pra se ter uma ideia, um dos filmes que entram em cartaz hoje é A Teta Assustada, um filme peruano sobre uma menina que tem uma batata na vagina. Enough said.

Outra estreia é Veronika Decide Morrer, com a Sarah Michelle Gellar (a nossa querida Buffy). Trata-se de adaptação do livro de Paulo Coelho... o resultado é uma mistura de Garota, Interrompida com aqueles finais dos episódios do He-Man, nos quais os personagens apareciam para soletrar com calma a moral da história. Enfim, como dizia Didi, é fria!

Mas há salvação para sua noite de sexta: entra em cartaz Se Beber, Não Case!, mais um exemplar de uma tendência cada vez mais comum: a das comédias sobre idas a Las Vegas. Aqui, uns amigos vão fazer despedida de solteiro na cidade dos cassinos, tomam umas drogas, saem do ar e, ao acordarem, não encontram justamente O NOIVO. O desafio é achá-lo a tempo do casamento. O mote desse filme, assim como o de tantos outros (Jogo de Amor em Las Vegas, Quebrando a Banca, etc), é aquela frase que vira e mexe alguém repete: "what happens in Vegas, stays in Vegas" - algo parecido com a nossa expressão brasileira "amor de praia não sobe a serra".



Veja o trailer de Se Beber, Não Case!

Apesar do elenco não muito conhecido, o filme fez bastante sucesso nos EUA e parece ser uma boa opção. O clima é de comédia amalucada - bizarrices como casamento com prostituta, o aparecimento de galinhas, um tigre e um bebê cruzam o caminho dos amigos. O mais absurdo de tudo é a aparição de Mike Tyson, como se viu no trailer. Comédia rasgada para ver com os amigos, e que deve fazer boa carreira em DVD.

Se nada disso lhe agradar, vale sempre buscar uma velha amiga na TV. No caso, Scarlett Johansson.





















Scarlett em O Diário de Uma Babá: como garota normal, ela é ainda mais atraente...
Hoje, às 20:05, no Telecine Premium, será exibido O Diário de uma Babá, um dos filmes menos badalados da beldade e um dos poucos em que ela foge do estereótipo de loira fatal (que, sejamos sinceros, está começando a cansar pela repetição). Aqui, Scarlett é uma moça de New Jersey que estuda em uma faculdade de primeira em NYC, mas, para pagar as mensalidades, trabalha como babá para uma família ricaça.
A graça está na protagonista (flagrada em um momento logo depois de sua aparição em Encontros e Desencontros e antes do hype de ter se tornado musa do Woody Allen e do Brian DePalma), num papel de girl next door bem interessante e bem interpretado. E também na sua antagonista e patroa, a mãe pouco cuidadosa, fútil e cruel vivida pela sempre ótima Laura Linney (na minha opinião, melhor atriz americana do momento). De quebra, Paul Giamatti faz o marido ausente de Laura, como um executivo escroto e sinistro. O filme começa como uma comédia, e aí vai engrossando, engrossando, e no final se sai algo bem amargo e interessante. O final é redentor, de acordo com a cartilha de Hollywood, mas nada que atrapalhe o clima criado antes. Um bom filme.


É isso. Se estiver mesmo a fim de ir no cinema, minha sugestão continua sendo o brasileiro À Deriva, por sorte ainda em cartaz em várias salas em São Paulo, Rio e outras capitais. (Leia a crítica de À Deriva, publicada na quarta-feira!)

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009 - 0 Comentários

Ainda em homenagem ao grande John Hugues, o inventor dos anos 80 como gostamos de lembrá-los, sugiro o vídeo abaixo para começar bem a semana:


Curtindo a Vida Adoidado: Mathew Broderick fecha a Parada de Chigago cantando Twist and Shout, dos Beatles.

Salve Ferris! Salve John Hugues!

Boa semana a todos.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Morreu John Hugues.

Quem?




















Conto uma história: um jovem publicitário/escritor de Chicago chega a Hollywood em 1982 e consegue vender um de seus contos para o cinema. Escreve o roteiro e imagina ter um grande sucesso nas mãos: a história da viagem de uma família cruzando o território dos EUA, de costa-a-costa, com coisas bizarras acontecendo ao longo do caminho. O ponto-de-vista adotado era o do filho adolescente. Mas o estúdio havia escolhido Chevy Chase, um dos maiores comediantes da época, para estrelar o filme, e o roteiro foi todo mudado, transferindo o foco para o pai da família.


O filme era Férias Frustradas, que abriu oficialmente a década de 80 como a era da "comédia família". Era o programa perfeito para noites de sábado no sofá, pai, mãe, filhos e cachorro se entupindo de pipoca, assistindo a filmes "para toda a família", naquela incrível invenção que era o vídeo-cassete.



















Chevy Chase e família: programão nos anos 80 era ver Férias Frustradas - e suas continuações - em vídeo...

O jovem roteirista não parou de acreditar no potencial de suas histórias baseadas em adolescentes. Aproveitou o sucesso de Férias Frustradas e se tornou diretor. Escreveu e dirigiu, durante os três anos seguintes, Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco, Mulher Nota Mil e Curtindo a Vida Adoidado. De quebra, escreveu e produziu A Garota de Rosa-Shocking e Alguém Muito Especial.

Esse foi John Hugues.

Sim, é isso mesmo: todos esses filmes que cansamos de ver na Sessão da Tarde - e que são parte essencial do imaginário pop dos anos 80 - são obra de um único cara, que produziu tudo isso de uma vez!


Veja o trailer de O Clube dos Cinco!

Desnecessário dizer que o homem era um gênio.

Depois de satisfeita sua fase teen, Hugues voltou à comédia familiar e perpetrou outra obra-prima: Antes Só do que Mal Acompanhado, com Steve Martin e John Candy (1987). Arrancou do gordão Candy a melhor atuação da sua vida e fez dele um astro. A parceria entre Hugues e Candy voltou um ano depois, em Quem Vê Cara Não Vê Coração: outro sucesso.
















Steve Martin e John Candy: símbolo de uma geração de comediantes brilhantes que chegava ao auge.

E, em 1990, Hugues fechou a década de 80 escrevendo e produzindo o maior sucesso daquele ano e de sua carreira: Esqueceram de Mim.

Depois disso, ele se isolou em uma fazenda e a última foto que se viu do diretor foi em uma visita ao seu filho, em 2001.

John Hugues morreu ontem, aos 59 anos, de ataque cardíaco. Mas isso é papo chato. Vamos lembrar do que ele nos ensinou, através do herói de uma geração, Ferris Bueller:


Esta é parte da primeira e da segunda cena de Curitndo a Vida Adoidado, de 1986.

Como epitáfio, sugiro a frase abaixo, escrita por Hugues e proferida por Bueller, no início e no final de Curtindo a Vida Adoidado:

A vida passa rápido demais. Se você não parar para dar uma olhada de vez em quando, pode perdê-la.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Para atiçar os sentidos e entrar no clima da espera por Funny People, do Judd Apatow, vale dar uma relembrada em O Rei da Comédia, outro grande filme que examina o combustível sinistro da comédia.

Robert DeNiro é o comediante medíocre que sequestra o próprio ídolo (Jerry Lewis, no papel mais ou menos dele mesmo) para tentar roubar um pouco de sua popularidade. Dirigido por Martin Scorsese, não foi compreendido quando do seu lançamento (como parece estar acontecendo com Funny People), mas é uma obra-prima.


Veja o trailer original de O Rei da Comédia, com Robert DeNiro e Jerry Lewis!


É um filme sobre comédia, mais do que uma comédia propriamente dita. É coisa rara e genial. É difícil achar, mas vale a pena conhecer!Qualquer dia, publico um post sobre o tratamento indecente que as comédias americanas têm recebido no Brasil. Pinneapple Express e Role Models, dois genuínos e fortes representantes do gênero, nem chegaram aos cinemas. Saíram direto em DVD e sem alarde. Outros filmes são adiados e adiados e adiados. É triste a situação. Espero que Funny People receba logo seu nome em português e tenha sua data de lançamento confirmada. Para breve.

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terça-feira, 4 de agosto de 2009 - 5 Comentários

A estreia mais esperada do ano, pelo menos para mim, é Funny People, comédia dramática (que raio de definição é essa? Chegaremos lá em um minuto) que chegou aos cinemas americanos neste último final-de-semana, ficou em primeiro lugar, mas não parece ter empolgado muito em termos de crítica e bilheteria.

Ainda assim, aguardo com muita apreensão pelo filme. Ele é dirigido por Judd Apatow, o diretor de Ligeiramente Grávidos e O Virgem de Quarenta Anos. O cara é o mentor do atual momento de comédias - e comédias românticas! - que estão enterrando aqueles filminhos da Sandra Bullock e da Meg Ryan... são as comédias românticas de macho. Palhaçada e papo sério, assuntos leves e pesados, abordagem sensível e ao mesmo tempo grosseira - tudo aquilo que só a sua turma de amigos mais chegados consegue ser, de preferência num bar.



















Funny People é o filme mais pessoal de Apatow. A história trata de um comediante que, do nada, se torna um milionário, e que precisa continuar a achar graça na vida. É mais ou menos a situação do diretor. De diferente, uma doença grave entra para dar uma reviravolta mais crível no comportamento, mas o componente de sofrimento e auto-humilhação que serve de combustível para fazer rir está ali...

Escalado como alter-ego do diretor, ninguém menos do que Adam Sandler, o maior comediante americano (rivalizando com Jim Carrey, OK, mas prefiro Sandler). Nos papéis da mulher e das filhas do tal comediante, a própria mulher (Leslie Mann, ela mesma uma ótima atriz e comediante) e as filhas de Apatow! Cenas das crianças filmadas em casa pelo próprio diretor anos atrás entram no filme. Uma filmagem feita por Apatow de Sandler quando ambos eram colegas de apartamento antes da fama também chegam ao filme... vida real e ficção se misturam. É a desconstrução da comédia, metalinguagem pra dar nó na cabeça!

Tem mais: completa o elenco Seth Rogen, a grande novidade da comédia neste século - o gordão maconheiro que estourou com Ligeiramente Grávidos e que tem enfileirado sucessos de bilheteria. E ainda o resto da "máfia" de Apatow, à frente Jonah Hill, um cara ainda mais balofo e mais boca-suja do que Rogen.

O que mais dizer? Aguardo a chegada de Funny People no Brasil como espero pelos novos lançamentos do Woody Allen, do Scorsese ou do Brian DePalma. É isso. Por enquanto, ficamos com o trailer:


Adam Sandler e a gangue de Judd Apatow: combinação perfeita...

Agora é esperar!

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quarta-feira, 17 de junho de 2009 - 4 Comentários

Entre os últimos lançamentos em DVD, encontramos a comédia Sim, Senhor, com o Jim Carrey.

O filme é legal: Jim Carrey está engraçado e alucinado, como nos seus melhores momentos, e ainda temos a gracinha Zooey Deschanel, atriz carismática e charmosa e cantora talentosa. Tudo certo.
















Zooey: ela canta, atua e faz graça. Mas basta existir...

Pra melhorar, só mesmo uma trilha sonora matadora. E é o que o filme entrega, logo na sua cena de abertura: a música é Separate Ways, do Journey, uma das grandes bandas americanas dos anos 80. Uma paulada, que é recuperada no clímax do filme, uma hora e meia mais tarde.

Veja o Journey tocando Separate Ways ao vivo, em 1983, no Japão. Coisa linda. As cordas vocais privilegiadas que você ouve são de Steve Perry, provavelmente o melhor cantor que já se juntou a uma banda de rock.


Viva os anos 80: Journey chutando rabos no Japão.

De resto, se você ainda não viu Sim, Senhor, não perca a oportunidade: alugue o filme e se divirta.

Fico devendo dois posts: um, com o melhor de Jim Carrey, e outro, sobre a Zooey Deschanel, a próxima grande estrela de Hollywood. Pelo menos na vontade deste blogueiro.

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segunda-feira, 13 de abril de 2009 - 0 Comentários

Estamos vivendo a era da comédia. Tudo o que tem de novo e fora dos padrões em Hollywood vem em forma de gente engraçada. Seth Rogen é o símbolo deste momento. Borat é o herói que mostrou o quão longe se pode ir. E um monte de mulheres bonitas e talentosas está entrando de cabeça na onda: Anna Farris, Elizabeth Banks, Leslie Mann...

O problema é que a tendência não está sendo abraçada aqui no Brasil. Os filmes são lançados nos EUA, fazem sucesso e demoram uma eternidade para ganharem lançamento por aqui - quando ganham: Pinneaple Express, por exemplo, foi direto para DVD (mesmo tendo sido um enorme hit no verão do ano passado nos EUA). Outro filme que demorou para estrear foi Pagando Bem, Que Mal Tem?, objeto de uma resenha que BLOGIE publicou e republicou a cada lançamento em falso anunciado pela distribuidora.

Durante o último final-de-semana, estreou outra comédia bacana nos EUA: Observe and Report, com o Seth Rogen e a Anna Farris. O filme, que, claro, não tem previsão de data para estreia no Brasil, traz Rogen como o segurança de um shopping center que encontra a oportunidade de dar uma de policial (seu sonho de infância; ele não pôde ser policial por sofrer de transtorno bipolar). Seu interesse romântico é a personagem de Anna Farris, funcionária de uma loja de maquiagens. O filme ganhou avaliação A- da Entertainment Weekly.


Veja o trailer de Observe and Report!

Enquanto não podemos conferir Observe and Report por aqui, BLOGIE relembra comédias (ou filmes sérios com cenas engraçadas) que se passam em shopping centers. Relembre!


Filmes de Shopping:

O shopping center era o lugar onde a vida adolescente convergia nos anos 80. Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe, soube captar isso como ninguém. O shopping center da cidade é o epicentro do filme, onde todo o elenco busca brechas em seus empregos chatos para paquerar: Jennifer Jason Leigh negocia ali a perda da sua virgindade, com a orientação da deusa Phoebe Cates (sua parceira no fast-food que vende pizza em pedaços). De longe, Brian Backer recolhe as entradas do cinema enquanto sonha com Jennifer e ensaia convidá-la para sair. De vez em quando, o jovem cambista Robert Romanus aparece para conversar um pouco com o rapaz, enquanto é abordado por meninos de 12, 13 anos em busca de ingressos para shows do Van Halen e do Ozzy Osbourne. O único que não dá as caras no shopping é o surfista chapado Spicoli, primeiro personagem de destaque de Sean Penn.















Phobe Cates e Jennifer Jason Leigh como Linda e Stacey, as pizza girls de Picardias Estudantis.


Picardias Estudantis foi o primeiro filme que mudou o centro do filme adolescente da escola para o shopping center. O filme começa com o shopping sendo aberto e termina com o elenco baixando suas portas das lojas onde trabalham. Um clássico.

Já nos anos 90, outro filme que adota o shopping como cenário é Barrados no Shopping, comédia de relativo sucesso e status de cult, dirigida por Kevin Smith (o mesmo de Procura-se Amy e do mais recente Pagando Bem...). Jason Lee e Jeremy London, após levarem um pé na bunda das suas namoradas, ficam rosetando pelo shopping local. Um certo buzz está no ar, pois um programa de TV na linha Quer Namorar Comigo? vai ser gravado ali, e Jason Lee domina as atenções com sua boca-suja, seu mau humor e sua nojenta sacada de cumprimentar os desafetos com stinky hands(mãos enfiadas por um bom tempo no próprio rabo, de modo a deixar um cheiro incontornável e insuportável nas mãos do outro).


Perseguições: o maior clichê do Shopping

Filmes de ação, comédias, aventuras, não há filme oitentista que evite uma boa perseguição no shopping center. O clichê é tão forte que foi incluído em uma boa propaganda de cartão de crédito, que brinca com cenas manjadas do cinema enquanto um casal corre para não perder a sessão.

Um dos filmes que certamente inspiraram essa peça é Comando Para Matar. Ao mesmo tempo durão e engraçado, o filme de Arnold Schwarzenegger inaugurou a era da perseguição no meio das lojas. Ele é John Matrix, um ex-militar que está atrás dos bandidos que sequestraram sua filha. A coisa acaba no shopping, e ele voa por cima das cabeças, pendurado em um enfeite (como se fosse um cipó), e aterrissa em cima de um elevador panorâmico. Veja a cena:




Arnold gostou tanto da brincadeira que repetiu a dose em O Exterminador do Futuro 2, de 1991. O Exterminador está protegendo Edward Furlong de outro robô, mais moderno e mais letal. E tome perseguição no mall.

Em Viagem Insólita, aventura de 1987 que trazia Dennis Quaid como o cara que é miniaturizado e que se encontra dentro de uma seringa. Bandidos querem roubar o experimento, e rola uma perseguição do laboratório até o shopping center mais próximo. O cientista que carrega a seringa se vê encurralado e, ao sair do obrigatório elevador panorâmico, tenta salvar o experimento, injetando-o na bunda da primeira pessoa que encontrou - Martin Short, que assume as rédeas do filme e faz ótimo contraponto cômico para o personagem de Quaid.


O paraíso das colegiais

Shopping Center é o local onde patricinhas se amontoam, com suas roupas curtas e seus cabelos pintados de loiro. Alicia Silverstone é a rainha desse domínio, como fica claro em As Patricinhas de Bervely Hills. Ali, ela transforma a freak Brittany Murphy em uma garota popular.

















Alicia Silverstone sabe o que fazer em um shopping center.


Já a passa-mal Lindsey Lohan vê a coisa de outra maneira. Em Garotas Malvadas, ela é a menina que veio da África direto para a "civilização". Mais ou menos enturmada com o grupo das meninas mais populares do colégio, ela enxerga nas colegas flanando pelo shopping algo muito parecido com o que viu nos safáris habitados por bichos selvagens.

O shopping, enfim, é um local onde até a garota mais cool da história dos filmes adolescentes, Juno, vai para espairecer. Devidamente barriguda e com seu eterno ar de indiferença, Juno encontra a futura mãe adotiva de seu bebê e, pela primeira vez, entende algo da maternidade.


É isso. Aparentemente, Observe and Report funciona como um apanhado de tudo isso. Coisas engraçadas, perseguições, garotas superficiais e até um pouco de amadurecimento são temas que Seth Rogen e Anna Farris vão encarar ao longo do filme.

Agora é esperar pela boa vontade da distribuidora.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

No cinema, a estréia mais interessante da semana é Rebobine, Por Favor, filme esquisitíssimo do diretor Michael Gondry, que já fez pelo menos uma obra-prima (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças). De quebra, o novo filme traz Jack Black em seu melhor: disparando citações pop em sua metralhadora giratória, sempre histérico e engraçado.

Mas é importante avisar: a coisa toda é bem estranha. Black é um maluco que vive enfiado na locadora do Sr. Fletcher (Danny Glover, construindo uma bela carreira na terceira idade). A locadora está quebrada, pois o dono não acredita na "novidade" dos DVDs. Pra piorar, Jack Black é eletrocutado e magnetiza todas as fitas da espelunca.

Para não perder os clientes, ele e o funcionário Mike (Mos Def) começam a refilmar os clássicos em versões toscas, tosquérrimas, absurdas. Os Caça-Fantasmas, Robocop, O Rei Leão, Conduzindo Miss Daisy... as versões caseiras dos amigos viram um grande sucesso e a vizinhança começa a fazer fila para obter as novas fitas.







































Os Caça-Fantasmas, Robocop, Conduzindo Miss Daisy: Jack Black e Mos Def produzem cinema trash em Rebobine, Por Favor...


Essa é a grande graça do filme e, pra quem é tarado pop, dá vontade de assistir a mais "versões" dos camaradas. De resto, Rebobine, Por Favor não é grande coisa. E exige bastante boa vontade do espectador que quer só uma comédia OK prum programa de fim-de-semana. É candidato a uma meia dúzia de pessoas deixando a sessão na metade.

Mas, enfim, não dá pra esperar que todos os filmes acertem na mosca. Vale ser visto pela boa idéia, por Jack Black e pela Mia Farrow, que hoje em dia raramente dá as caras na tela grande, mas, quando aparece, sempre impressiona.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008 - 0 Comentários


Hoje, no Telecine Cult, às 22:00: Os Safados, com Steve Martin e Michael Caine.

É simplesmente a melhor comédia dos anos 80 - e os anos 80 foram pródigos em comédias! - e uma das melhores de todos os tempos.

Michael Caine é um trapaceiro requintado que engana ricaças bêbadas nos cassinos da Riviera francesa - e angaria fortunas com seu lero-lero. Steve Martin é o trapaceiro mequetrefe que faz o mesmo, mas para garantir a janta do dia.

Os dois se cruzam, e é óbvio que a aparição de Martin é uma ameaça ao reinado de Caine. Uma aposta é travada, e os dois competem para provar quem é o maior trapaceiro: quem pegar primeiro a "rainha do sabonete" fica na cidade e com a mansão; o outro tem que ir operar em outra cercania.


Veja o trailer de Os Safados! E esteja na frente da TV às 22:00...

Roteiro perfeito, situações engraçadíssimas, Michael Caine inspirado e Steve Martin alucinado: Os Safados é uma comédia ao mesmo tempo elegante, inteligente e hilariante. E com um final surpreendente!

Imperdível!

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008 - 0 Comentários

Imperdível!

É neste sábado, no Telecine Premium, às 22:00: a melhor e mais importante comédia dos últimos dez anos: Ligeiramente Grávidos!!!

O filme é aquele que fez do diretor Judd Appatow o novo Midas do riso; é aquele que transformou Seth Rogen no astro de cinema mais improvável desde... desde que inventaram o projetor; e ainda inaugurou um gênero à parte: o stonner commedy (algo como "comédia de maconheiro").

A turma boca-suja de Appatow e Rogen inclui ainda atores secundários fiéis e engraçados, entre eles Paul Rudd, o único bem apessoado (mas não menos avacalhado) da confraria que é chamada em Hollywood de Máfia da Comédia. Veja o próprio diretor apresentando o trailer - engraçadíssimo - do filme:



O filme é um marco porque conseguiu enterrar a velha comédia romântica. Chega de ambientes requintados, cafés, livrarias e papos engraçadinhos em restaurantes caros. Chega de fingir que estamos num filme do Woody Allen. Ligeiramente Grávidos traz um bando de vagabundos maconheiros fazendo hora na vida - e, quando um deles se depara com a necessidade de fazer a barba e tomar uma atitude, a coisa fica muito engraçada.

Então, não perca: Ligeiramente Grávidos, no Telecine Premium. A primeira comédia romântica de macho.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008 - 0 Comentários



Nada pra fazer na noite de sexta? Mesmo com filme novo do 007 no cinema?

Além de Sustagen de manhã e uma dose de tequila à noite, receito ao amigo conformado a trinca de filmes do Adam Sandler que serão exibidos na noite de hoje na TV...

Primeiro vem Afinado no Amor (19:00, no A&E), um filme que pode se gabar de ser o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80. A coisa é hilária, trazendo Sandler como o cantor de casamentos que arrebenta nas festas com sucessos contemporâneos - You Spin Me Round, do grupo ultra-gay Dead or Alive, dá o toque bizarro logo na cena de abertura. Em seguida, vêm Drew Barrymore (ela própria, uma citação dos anos 80), muito som antigo do bom (The Cure, Smiths) e piadas interessantes sobre o longínquo mundo da MTV e dos blazers com ombreira, vistos à luz de hoje: por exemplo, em certa cena, Sandler - puto da vida - manda a ex-namorada tirar a camiseta do Van Halen, "senão vai dar azar e a banda se separa" (a coisa se passa em 1984, o Van Halen no auge, com Jump e tudo). Em outro momento, Billy Idol aparece no papel de Billy Idol. E muito mais. Almanaque dos Anos 80, versão cinema.


















Adam Sandler inaugura as baladas trash 80's, Ploc e afins. Em Afinado no Amor, de 1998.


Mais tarde, você terá que optar: ou pega Tratamento de Choque (22:00, Sony), ou o onipresente Click (deve ser o filme mais exibido dos últimos seis meses nos canais HBO; hoje, às 22:00, no HBO Family e*).

O primeiro é a tradicional comédia de Adam Sandler, o cara normal que é tido como estranho pelas convenções cínicas, politicamente corretas e pentelhas da sociedade. Com o tempero extra de trazer Jack Nicholson como Dr. Rydell, o psiquiatra especialista em "gerenciamento de raiva". Ele submete o personagem de Sandler a um tratamento que mais o prepara para uma temporada no manicômio que o demo deve comandar no inferno. De qualquer modo, não é dos melhores filmes de Sandler.


















Mas a cena de Sandler dando um pau num monge budista é antológica...


Já o segundo, Click, tornou-se um mega-sucesso, ao mesclar a comédia com um drama familiar que acertou em cheio no público. O filme é bom, com roteiro esquisito e interessante, Sandler oferece uma performance sensacional (tipo o Jim Carrey em Show de Truman, saca?), e contamos com o sempre bom Christopher Walken e... claro, Kate Beckinsale, sempre linda, sempre uma boa razão para ver um filme. Se estiver acompanhado da patroa, não hesite, vá de Click. Vai rolar aquela choradeira no final, mas o filme é bom!

















Quem deveria se preocupar com o controle remoto, quando se tem Kate Beckinsale em casa?


Adam Sandler é o cara. Quem viu o seu filme mais recente, Zohan, sabe disso e não argumentaria nada em contrário. Cabe um post mais desenvolvido sobre o talento do astro-gente-fina, e BLOGIE tratará disso. Aguarde.

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