quinta-feira, 11 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Sempre nutri uma paixão pelo Flamengo. Começou meio sem querer: eu idolatrava o Zico, o craque da minha infância, e fui me acostumando às paredes do meu quarto decoradas com o Galinho de Quintino e seus companheiros da Gávea misturados ao pôsteres do meu Corinthians. Mais tarde, em 1987, na semi-final da Copa União, me peguei torcendo loucamente pelo Mengão. 3 a 2 em cima do Atlético Mineiro, gols de Zico, Bebeto e Renato Gaúcho. O maior jogo da história, segundo minhas próprias reminiscências.

Passei a conviver com essa estranha paixão. Paulista, corintiano roxo, resolvi assumir depois de um tempo: sou flamenguista também. Tem tudo a ver, é claro, são os dois times do povo, cujas torcidas gostam de atribuir qualidades mágicas a si mesmas e à capacidade de recuperação dos seus times.




















Zico arrebenta na final de 83, contra o Santos: coisa de cinema.


Mas neste ano em que o Timão passeava pela Série B, eu depositava todas minhas fichas no Flamengo. O time começou o campeonato como favorito, tinha ótimos jogadores, vinha de uma campanha inesquecível no ano passado e a torcida vinha fervendo, inventando novas músicas a cada jogo, aquela história toda...

... Até que o Mengão cansou e foi entregando os pontos na reta final: empatou com a Portuguesa no Maracanã, mesmo palco da vergonhosa apresentação em que um 3 a 0 virou um empate com o Goiás... e acabou perdendo não só o título, como mesmo uma vaguinha na Libertadores, com uma derrota para o rebaixável Atlético Paranaense. Um fiasco!

A campanha medrosa do meu segundo time me fez lembrar de vários filmes sobre esporte. São filmes redentores, em que não faltam superação, viradas retumbantes e música épica. Coisas que, comparada a campanhas anteriores do rubro-negro, são mais próximas da realidade do que da ficção, mas que, depois de um final de ano melancólico como este, vêm bem a calhar.

Portanto, segue uma dieta cinematográfica para os irmãos flamenguistas, para respirar fundo, se preparar e sonhar com um 2009 bem melhor! (E ainda serve para a galera vascaína, palmeirense, santista, atleticana, cruzeirense, gremista, colorada - e corintiana, claro!)


Duelo de Titãs: com Denzel Washington, no papel do treinador negro que chega para dar jeito no time de futebol americano colegial de uma cidadezinha. Ele promove a integração racial, angariando ódio dos conservadores e desconfiança de todos. Monta um timaço, que se supera e atropela todo mundo na reta final. E a história é real!!!


Um Domingo Qualquer: com Al Pacino, Jamie Foxx e Dennis Quaid. Pacino é o treinador veterano que se vê obrigado a dar uma chance ao quarter-back novato (e arrogante) vivido por Jamie Foxx. Quaid, o capitão contundido, dá saudades daquele tempo do amor à camisa. Muita violência em estado bruto, muito cinismo ameaçando a essência do esporte - mas no fim este último vence. Dirigido pelo Oliver Stone, tem as melhores cenas de ação esportiva do cinema.


Um Homem Fora de Série: o melhor e mais mitológico filme de baseball. Robert Redford é o fenômeno juvenil que se perde na vida e nunca realiza seu verdadeiro talento. Até que ressurge, já velho demais para o esporte profissional, num timeco de Nova Iorque e se torna o improvável Pelé dos rebatedores. Há quem diga que o filme é brega, mas quem gosta de esporte, vai se amarrar.


Carruagens de Fogo: aquela abertura ao som do Vangelis, a moçada correndo na praia... é um filme corajoso, pois não teve medo do ridículo. A história real da delegação inglesa de Atletismo nas Olimpíadas de Paris (1920) ganhou Oscar de melhor filme e continua emocionando, especialmente nas vitórias pessoais e esportivas do judeu Harold Abrahams (100 metros rasos) e do missionário cristão Eric Liddle (400 metros rasos).


Rocky: Silvester Stalonne era um pé-rapado que vivia num cubículo em Los Angeles. Tinha escrito o roteiro de um filme que, acreditava ele, o tiraria do buraco. Camelou um bocado, rodou todos os estúdios, até que alguém se interessou. Ofereceram uma grana boa pela história do boxeador de meia-tigela que, de repente, se via às voltas com a oportunidade de sua vida. Mas ele preferiu entregar o roteiro de graça - desde que ele, Stalonne, fosse o protagonista. Só Deus sabe por que aceitaram um troço desses, mas o fato é que Rocky é um filme de lavar a alma, cheio de cenas antológicas (Rocky correndo pelas ruas da Filadelphia é ícone, assim como sua preparação sui generis, que inclui copos de ovos crus e sessões de pancadaria na câmara frigorífica de um açougue). E ganhou o Oscar de melhor filme. Atire a primeira pedra quem nunca gritou "Adriaaaaaan!" ao marcar um gol durante a aula de educação física...


Lendas da Vida: dirigido por Robert Redford, traz Matt Damon como o grande golfista que perde seu "swing" após voltar da guerra. Ganha um mentor/treinador/amigo imaginário em Will Smith (atuação inspirada). Belo filme, Charlize Theron está um arraso, dá até vontade de jogar golfe.


Sorte no Amor: com Kevin Costner, em papel claramente inspirado no de Redford em Um Homem Fora de Série. Aqui, Costner é o jogador veterano que chega para tentar uma última chance antes de se aposentar. Tim Robbins é o jovem arremessador que não sabe de nada e que precisa de uma lição. Esta é dada pelo colega veterano e, principalmente, por Susan Sarandon, que vive um momento especial como a tiete oficial do time (ela traça todo mundo). Todos ganham no final.


Esta foi a pequena seleção de BLOGIE para ajudar a nação rubro-negra - e todas as outras - a levantar a moral. Gostou da seleção? Falta algum filme? Mande seu comentário!

Em tempo: aos são-paulinos, reservo aquele ar de enfado. Parabéns e tal, mas faltou um clima de Hollywood no seu merecido sexto título brasileiro... bons tempos das grandes finais!

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008 - 0 Comentários


Perdendo dinheiro na bolsa? Preocupado com a crise da economia mundial? É hora de ver um filme. Só o cinema salva. BLOGIE mostra os melhores filmes para encarar os tempos difíceis...

Durante a década de 30, sob a maior crise econômica dos nossos tempos, os americanos se refugiavam no cinema, onde se entorpeciam de filmes cheios de gente rica e bem nutrida. Mas, para entender a Grande Depressão - e como sobreviver a uma nova versão dela -, o melhor mesmo é revisitar os melhores filmes contemporâneos feitos sobre aquela época.

Basicamente, o cinema nos mostra que havia três maneiras de driblar a crise:

a) Esportes:

Deposite toda sua esperança (e, talvez, o que restaram de suas economias) no seu esporte preferido. É o que fizeram os fãs de boxe ao testemunharem a ressurreição de Jim Braddock, um ex-lutador amador que, da maior pindaíba, foi parar no Madison Square Garden dando porrada no campeão do mundo. Essa é a história real em que se baseou A Luta Pela Esperança (Cinderella Man, de 2005), estrelado por Russell Crowe. É um belo exemplar de um tipo de filme comum nos EUA: o filme da redenção através do esporte, especialmente na época da crise.
























Russel Crowe vive um conto-de-fadas de macho em A Luta pela Esperança.



Um esporte que costuma carregar uma mitologia de "salvador" é o baseball. Entre os muitos filmes feitos sobre o tema, o melhor é Um Homem Fora de Série (The Natural, de 1984), com o Robert Redford. Ele é Roy Hobbs, um jovem arremessador que, por uma tragédia, não consegue se profissionalizar no esporte. Muitos anos mais tarde, já aos 30 e poucos anos, ele ressurge do nada e levanta um timinho modorrento de Nova Iorque, tornando-se um Pelé tardio do baseball - e como rebatedor! É mais fantasioso do que Luta pela Esperança, mas é de lavar a alma.















Redford esquenta o banco antes de entrar e mostrar para os meninos como se joga.


Por fim, outro esporte que ajudou os americanos a enfrentarem a Depressão foi o turfe. É o que mostra Seabiscuit (2003), filme baseado na história real do cavalo (e do jóquei, e do treinador, e do dono) que, pequeno demais para as corridas, tornou-se uma lenda e uma inspiração para a massa de pobretões. O filme é bacana, e o DVD traz imagens reais da principal corrida vencida por Seabiscuit (recriada na cena que é o clímax do filme).

Ou seja, amigo, o esporte é uma boa maneira de afogar as mágoas. Vamos pra reta final do Brasileirão, séries A e B. Pros corintianos, não há crise: o que interessa é que estamos subindo pra série A.

E, no ano que vem, será lançado o filme sobre o calvário do Timão na segundona. Aguarde a versão hollywoodiana.

2) Quando o crime compensa:

Nos anos 30, emprego era artigo de luxo. Comida também. Num cenário desses, abraçar a carreira de criminoso não era mal negócio - é o que nos dizem os filmes. Golpe de Mestre (The Sting, vencedor do Oscar de melhor filme em 1973) pega relativamente leve ao retratar um bando de trapaceiros que, liderados por Paul Newman e Robert Redford, passam a perna em policiais, homens comuns e, principalmente, em um banqueiro ainda mais ladrão do que eles. O filme, genial, pinta a Chicago da Grande Depressão da maneira mais desoladora possível.
















Durante a Grande Depressão, para Paul Newman, só tomando uma. Robert Redford tenta ajudar o amigo a se recompor.

Quem também entrou nessa vida foi o casal central de Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967), vividos por Warren Beaty e Faye Dunaway. Eles se tornam uma lenda pelos seus roubos a bancos (bancos, os vilões de toda crise...) e pela boa aparência de casal classe média. Mas o filme é da década de 60, foi feito pra chocar, e não para oferecer catarse a ninguém; o final é um marco do cinema, pelo seu impacto.

Judeus novaiorquinos, ora vejam só, também entraram na vida do crime. Em Era Uma Vez na América (1984), obra-prima de Sergio Leone, acompanhamos moleques da comunidade judaica de NYC se metendo em confusões e servindo de leva-e-traz para o gângster local, durante os anos 20. Mais tarde, jovens (e já transformados em uma trupe liderada por Robert DeNiro e James Woods), eles se tornam os donos do pedaço durante os anos da Lei Sêca. Mas o filme vai bem mais longe do que retratar o período de crise. Em suas quase quatro horas de duração, Era uma Vez na América vai fundo no personagem de DeNiro, uma tragédia pessoal acompanhada por quase quarenta anos. Um filme espetacular e um tanto subestimado.
























A parada dura quase quatro horas, mas Era uma Vez na América é um filmaço. Obrigatório.



3) Só o cinema salva:

A melhor saída para a crise, no entanto, era mesmo o cinema. Durante a década de 30, o cinema escapista era o remédio geral. Era a época de musicais grandiosos e grandes aventuras (Fred Astaire, Errol Flynn). A década foi fechada por ... E O Vento Levou (por muito tempo, o maior sucesso da história) e O Mágico de Oz (o primeiro filme em cores).

Mas o filme que melhor mostra o papel do cinema durante a Depressão é mesmo A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of the Cairo,1984), um dos melhores filmes de Woody Allen. Nele, Mia Farrow é Cecilia, uma pobre-coitada que vive pulando de sub-emprego em sub-emprego, e seus parcos rendimentos bancam a bebedeira e os jogos de dados do marido vagabundo. Da sua vida de sofrimento, Cecilia se esconde no cinema, onde mergulha em apartamentos e festas sofisticadas, em aventuras pelo Egito e outras fantasias. De tão imersa no faz-de-conta, em determinada hora o herói literalmente sai da tela e proporciona a emoção que falta à vida de Cecília. A cena final é uma das mais belas homenagens ao cinema, em um trabalho sensacional de Mia Farrow, que se limita a olhar a grande tela em que estreava o novo filme do Fred Astaire...


Veja o trailer de A Rosa Púrpura do Cairo!



Então, camarada, não se entregue. Deixe suas ações quietas, esqueça o caderno de economia por um tempo e faça alguma coisa! Hollywood mostra que é melhor depositar suas fichas no seu time, arrancar uns trocados de algum otário e fugir para o cinema. Como roubar banqueiro é um troço meio complicado hoje em dia, esqueça essa e fique no esporte e nos filmes.

E amanhã tem estréia de filme novo com o Al Pacino e o Robert DeNiro, não perca o comentário aqui no BLOGIE.

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