sábado, 10 de janeiro de 2009 - 1 Comentários

O filme mais visto do momento, tanto nos EUA quanto no Brasil, é Marley & Eu, a adaptação do best-seller escrito pelo jornalista americano John Grogan, sobre sua vida em família - ao lado do tal Marley, um cão labrador infernal, "o pior cão do mundo".

Pois bem: o filme é cinemão 100% honesto, feito para ser lançado no Natal, agradar à família toda, fazer rir por duas horas e chorar no final. E é bem sucedido.

Acima de tudo, o autor é muito sutil em retratar aqueles momentos em que nosso bicho de estimação nos surpreende, com uma compreensão incompreensível das coisas, com arroubos de carinho - ou com trapalhadas absurdas. Quem tem ou já teve um cachorro vai se deixar levar pelo filme.


Veja o trailer do filme (e aprecia a forma de Jennifer Aniston, aos 40 anos!)


Ajuda bastante a atuação do casal principal - Owen Wilson, em seu melhor momento, e Jennifer Aniston, carismática, competente e linda, como sempre -, que vive um aperto dos infernos ao tentar equilibrar carreiras, vida em casal, criação de três filhos e, de quebra, MARLEY.

O final é meio previsível, lembra Sessão da Tarde, você sabe por onde estão te levando - e você cai, mesmo assim. O grande perigo em assistir a Marley & Eu é ir acompanhado de uma namorada (ou um encontro do qual você espera que renda alguma coisa), e acabar dando papelão na frente da moça, chorando feito uma criança no fim de O Campeão...

... Como sou casado há quase três anos, não estou nem aí. Marley & Eu me fez lembrar do meu cachorro de infância, e não consegui segurar a onda. Mas ninguém no cinema conseguiu.

A vida segue. Acho que essa é a moral da história.

Vamos a posts mais machos.

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domingo, 14 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Com a definição dos indicados ao Globo de Ouro (nesta quinta, 11/12), foi dado início à temporada de corrida ao Oscar. Isso significa que começamos a ouvir e a criar expectativa sobre os melhores filmes do ano - filmes que estão estreando agora nos EUA, e que chegarão no Brasil entre o fim do ano e fevereiro.

Entre os indicados ao Globo de Ouro, algumas considerações são importantes:

1- Heath Ledger vai mesmo ganhar uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante pela sua assombrosa atuação como Coringa, em Batman - o Cavaleiro das Trevas. Mais um passo numa carreira póstuma que caminha para virar uma lenda, estilo James Dean.
















Heath Ledger, o cara com maior potencial para James Dean ou Jim Morrison do novo milênio.


2- Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, levou quatro indicações ao Globo de Ouro, e deve ganhar o prêmio de melhor filme comédia ou musical. Rebecca Hall foi indicada para melhor atriz; Javier Bardem, melhor ator; e Penélope Cruz, atriz coadjuvante. Provavelmente, para o Oscar só essa última vingará. Uma pena!

3- O Curioso Caso de Benjamin Button desponta como favorito ao Oscar. O filme, baseado num conto fantástico do escritor americano F. Scott Fitzgerald (o preferido deste blogueiro), traz Brad Pitt como o homem que nasce velho e vai rejuvenescendo até morrer bebê. Pitt deve entrar forte na concorrência pela estatueta de melhor ator. E a coisa toda é dirigida pelo David Fincher (Clube da Luta)... Alta expectativa!

4- Outro filme forte parece ser Foi Apenas um Sonho. Dirigido por Sam Mendes (Beleza Americana), é um filme sobre relacionamento adulto, e traz a reedição do casal mais manjado da história do cinema (feito conquistado em apenas um filme): Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Ambos foram indicados ao Globo de Ouro, assim como o filme. Coisa que deve se repetir no Oscar. Expectativa!

5- The Reader, do Stephen Daldry (As Horas e Billy Elliot), é o outro forte concorrente para melhor filme. Com Ralph Fiennes e Kate Winslet (novamente indicada, desta vez na categoria de coadjuvante). Não parece ser um dos filmes mais viris do ano mas, enfim, um pouco de delicadeza não faz mal a ninguém...

6- Sean Penn será indicado mais uma vez para melhor ator, mas o seu filme, Milk, que traz a história real de um político militante gay, parece ter perdido fôlego: levou só essa indicação - a de ator - para o Globo de Ouro.

7- Angelina Jolie é favorita para melhor atriz, pela sua atuação no novo filme de Clint Eastwood (a boa fase do velho não acaba!), A Troca. Não li muito sobre o filme, mas parece se tratar da história real de uma mãe dos anos 20 cujo filho fora raptado e devolvido anos mais tarde - mas aí ela percebe que a criança que recebeu não é seu filho verdadeiro. É a grande estrela de Hollywood do momento, em uma atuação forte, em um filme de grife (Eastwood). Aposto que nem a Meryl Streep bate.



















Angelina e Eastwood: combinação difícil de ser batida.


8- Mas Meryl ampliará seu recorde de indicações por sua atuação em Doubt. Do mesmo filme, outra indicação: Amy Adams (na opinião deste BLOGIE, a melhor e mais bonita atriz da nova geração de Hollywood), para atriz coadjuvante.

Resumindo: tem um monte de filme bom pra estrear nos próximos dois meses. BLOGIE assistirá a todos antes da estréia e trará os comentários para ajudar o leitor a programar a ida ao cinema!

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

No cinema, a estréia mais interessante da semana é Rebobine, Por Favor, filme esquisitíssimo do diretor Michael Gondry, que já fez pelo menos uma obra-prima (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças). De quebra, o novo filme traz Jack Black em seu melhor: disparando citações pop em sua metralhadora giratória, sempre histérico e engraçado.

Mas é importante avisar: a coisa toda é bem estranha. Black é um maluco que vive enfiado na locadora do Sr. Fletcher (Danny Glover, construindo uma bela carreira na terceira idade). A locadora está quebrada, pois o dono não acredita na "novidade" dos DVDs. Pra piorar, Jack Black é eletrocutado e magnetiza todas as fitas da espelunca.

Para não perder os clientes, ele e o funcionário Mike (Mos Def) começam a refilmar os clássicos em versões toscas, tosquérrimas, absurdas. Os Caça-Fantasmas, Robocop, O Rei Leão, Conduzindo Miss Daisy... as versões caseiras dos amigos viram um grande sucesso e a vizinhança começa a fazer fila para obter as novas fitas.







































Os Caça-Fantasmas, Robocop, Conduzindo Miss Daisy: Jack Black e Mos Def produzem cinema trash em Rebobine, Por Favor...


Essa é a grande graça do filme e, pra quem é tarado pop, dá vontade de assistir a mais "versões" dos camaradas. De resto, Rebobine, Por Favor não é grande coisa. E exige bastante boa vontade do espectador que quer só uma comédia OK prum programa de fim-de-semana. É candidato a uma meia dúzia de pessoas deixando a sessão na metade.

Mas, enfim, não dá pra esperar que todos os filmes acertem na mosca. Vale ser visto pela boa idéia, por Jack Black e pela Mia Farrow, que hoje em dia raramente dá as caras na tela grande, mas, quando aparece, sempre impressiona.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Estreou, nesta sexta-feira, A Lista - Você Está Livre Hoje?, com Ewan McGregor e Hugh Jackman. É um suspense com ótima premissa, boas atuações, boas cenas de sexo e final bem bolado. Mas que nunca apresenta aquele algo a mais que valeria três estrelas em qualquer jornal. É um filme OK.

Ewan McGregor é o contador sem graça que, por acidente, acaba entrando numa lista de gente bem apessoada e enriquecida que marca sessões de sexo descompromissado. As regras, ele vai aprendendo aos poucos, são rígidas: 1) não se pergunta o nome do parceiro de cama; 2) quem convida paga o hotel; 3) o sigilo é mais obrigatório do que na maçonaria (e a sua quebra, mais arriscada). Ele vacila ao se apaixonar por uma das envolvidas na lista e acaba se metendo num caso de assassinato, polícia, quem matou a loira?, todas essas coisas...

Hugh Jackman é o bon vivant que, de maneira absolutamente improvável, nutre amizade pelo personagem de McGregor e lhe introduz na lista. Fica claro, logo de início, que ele é o vilão por trás de tudo. Os dois fazem um ótimo trabalho, usando e abusando do seu carisma.



Veja o trailer de A Lista - Você Está Livre Hoje?


Algumas reviravoltas pintam naquela meia hora final em que as coisas se resolvem mas, no fim das contas, A Lista - Você Está Livre Hoje? é só mais um filme de whodunit (ou "quem fez?", expressão criada por Hitchcock para designar filmes cujo enredo consiste em apresentar um crime e buscar o seu autor).

Vale mais esperar pelo lançamento em DVD, ou mesmo na TV por assinatura.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 - 6 Comentários

Depois de terem ganhado o Oscar de melhor filme com o pesadão Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen resolveram fugir da pressão e voltar às comédias ácidas que lhe deram fama no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Reuniram o time de astros-brothers (George Clooney, Brad Pitt), empregaram a família (Frances McDormand, esposa de um deles) e ganharam o reforço do gênio John Malkovich. E entregaram um ótimo filme: Queime Depois de Ler, em cartaz nos cinemas brasileiros.

Queime Depois de Ler é a tal "comédia de humor negro", pecha dada aos filmes que fazem a gente rir e se sentir mal por rir, enquanto pessoas morrem e/ou desfilam sua burrice incorrigível.


















Os caras se dão mal e a gente ri: é o humor negro dos irmãos Coen.


E este é o ponto central do filme: a humanidade é patologicamente idiota, e cada tentativa de dar uma de esperto faz a coisa piorar mais e mais. Todos mentem, todos trapaceiam, todos são imbecis completos.

Nessa nada honrosa galeria, Brad Pitt está engraçado como o instrutor de academia que acha um CD com supostas informações confidenciais da CIA. Ele resolve chantagear o dono das informações (Malkovich, em interpretação desequilibrada e memorável), com a "ajuda" da sua colega Linda (McDormand, sempre engraçada e comovente). Esta, ignorando o fim da guerra fria - e obcecada pela idéia de fazer quatro operações plásticas -, tem a brilhante idéia de vender as informações para os russos.
















John Malkovitch não está pra brincadeiras em Queime Depois de Ler.


Movendo a história, outros idiotas vão aparecendo, como o policial viciado em sexo e corrida de George Clooney, sua amante (e esposa do personagem de Malkovich) Tilda Swilton e outros. E um chefão da CIA vai monitorando a ação dos imbecis, ficando tão estupefato quanto nós com o toque de Midas ao contrário dessa turma.

Queime Depois de Ler segue a mesma premissa de Jackie Brown, de Quentin Tarantino. Ambos tratam de trapaceiros de meia-tigela que chafurdam na própria burrice, rumando a uma situação cada vez mais complicada. A principal diferença entre os dois filmes (e entre seus diretores) é que, enquanto Tarantino é vaidoso demais para fazer um filme sobre a burrice humana com falas burras, os irmãos Coen ousam em entregar uma filme inteligente sem uma única fala esperta.

Tarantino se sente obrigado a rechear as falas de seus personagens com citações pop e outras espertezas. Já os personagens dos Coen não encontram a palavra certa, não são verborrágicos ou astutos - são simplesmente idiotas, e falam como tal. Desta maneira, o filme é cheio dos "what the fuck?" do irado Malkovich e dos "shit" que Pitt usa para preencher cada palavra que lhe falta em seu limitadíssimo vocabulário.
























"I think this is the real shit!", afirma Pitt, em sua onisciência...


E, ainda assim, Queime Depois de Ler é um belo estudo sobre a burrice humana. É engraçado e incômodo em medidas iguais, e é a melhor opção entre as estréias desta semana.

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sábado, 29 de novembro de 2008 - 139 Comentários


Neste final-de-semana, estreou Queime Depois de Ler, novo filme dos irmãos Coen. Há vários motivos pra assistir: 1) o último filme dos irmãos (Onde os fracos não tem vez) ganhou o Oscar de melhor filme; 2) É a volta da dupla à comédia e ao sarcasmo (E aí, meu irmão, cadê você?, Arizona Nunca Mais); 3) o elenco, como é regra nos filmes dos caras, traz gente de peso e talento, como George Clooney, Brad Pitt e Frances McDormand.

Mas o que chama atenção mesmo no novo Queime Depois de Ler são as fotos promocionais que vão pintando. Por exemplo:














E aí o amigo pergunta, que cazzo é esse corte de cabelo do Brad Pitt?

Bom, é lógico que, como estamos em um filme de Joel e Ethan Coen, o ridículo faz parte do conceito, e um galã de cinema tem que fazer piada de si mesmo. É o que topa Pitt, como um funcionário de academia de malhação acéfalo. Quer dizer, a bizarrice é proposital.

Aproveitando o lançamento do filme, BLOGIE lista 5 Cortes de Cabelo Involuntariamente Bizarros no Cinema. Leia, comente, ria - mas, por São Jorge Padroeiro do Timão, não imite esses casos de polícia!


5- Tom Hanks em O Código Da Vinci




















As imagens de O Código DaVinci comprovam: há algo de muito errado com Tom Hanks.

O filme é uma droga, Hanks está perdido, a Sophie de Audrey Tatou é desprovida de sensualidade e não há química entre o casal principal. Mas quem consegue pensar em roteiro, direção, atuação, quando Tom Hanks desfila a cada segundo com aquele corte de cabelo inenarrável? Bons tempos em que um professor de arqueologia, para encarar uma aventura, andava de chapéu e chicote com um empregado pessoal menor de idade.


4- Guy Pearce em Amnésia, empatado com o gêmeo Tom Cruise em Colateral











Eles são loiros, maus e completamente sem noção.

No começo deste século, houve gente que tentou seguir uma regrinha: se quer parecer um ator sério em um filme descolado, é só deixar o cabelo estranhamente oxigenado e espetado. É o que fizeram Tom Cruise, para interpretar um assassino profissional no bom Colateral, e Guy Pearce, para estrelar Amnésia, aquele filme chato que se passa de trás pra frente e que dá dor de cabeça no espectador.


3- John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite


















Alguns falariam, "ah, mas o corte do Travolta em Pulp Fiction é mais bizarro". É verdade, mas em Pulp Fiction tudo é meio bizarro. Então, a coisa é proposital, e aqui tratamos de bizarrices acidentais. Agora, pense num mundo diferente, em que um cara mete um blazer branco, prepara o cabelo do jeito acima e sai pelas noitadas da vida, pronto para virar símbolo sexual e modelo de estilo para toda uma geração... esses foram os anos 70, era do Bizarro e do Tony Manero, personagem de Travolta no filme que fez dele um mega-astro.


2- Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro



















Olha ele aí de novo. Cruise, não conte pra ninguém, está pirando, é óbvio. Ele quer, precisa, anseia por ganhar logo um Oscar, e não economiza em fazer papéis estranhos que fujam da sua cara de astro bem pago e pegador. Nessa linha, fez Nascido em 4 de Julho, o já citado Colateral e, no começo dos anos 90, o sucesso Entrevista com o Vampiro. Este último, no entanto, dividia as luzes com o então novato Brad Pitt, e o filme se tornou um ícone para a mulherada do primeiro e segundo colegial... apesar do corte de cabelo nojento e do aspecto geral estranhíssimo do vampiro Lestat de Cruise, prova do carisma do ator e da sua capacidade de fazer a mulherada sublimar suas esquisitices.

Ele tem testado a paciência das suas fãs, com todo o papo de cientologia e tudo mais. Vamos ver onde Cruise vai parar para ganhar um Oscar...



1- Mel Gibson, em todo e qualquer filme de sua vida

















Máquina Mortífera. Coração Valente. Maverick. O Patriota. Pegue qualquer filme, de qualquer gênero. Pode ser filme de época, pode ser sério, pode ser comédia, pode ser de ação. Pode ser bom ou ruim. Não importa: em comum, todos eles trazem Mel Gibson em papel de protagonista bonitão e desejado pelas mulheres, e sempre com um corte de cabelo ridículo. Sua marca registrada, é claro, sempre serão os oitentistas mullets da série Máquina Mortífera, mas é bom se lembrar das costeletas de Maverick, do rabinho de cavalo em O Patriota, do topete em O Preço de um Resgate e, claro, da juba de leão engraçada no premiado Coração Valente.

Estranhamente, o corte de cabelo mais plausível de Gibson é o do Mad Max, seu primeiro - e já plasticamente incômodo - papel de destaque.

Troféu Zohan-Jean Louis David para Mel Gibson.

Veja agora a lista das melhores prostitutas do cinema gringo!

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008 - 3 Comentários



Só o amor incompleto pode ser romântico.

Esta é a máxima de Maria Elena, a personagem de Penélope Cruz no novo filme de Woody Allen, que estréia nesta sexta (14 de novembro) nos cinemas brasileiros.

A frase resume bem o espírito do filme, mas não explica a coisa toda. Para entender o pensamento desesperado de Maria Elena, é necessário mergulhar na gangorra de felicidades e angústias que balança durante as duas mais que agradáveis horas de Vicky Cristina Barcelona.



















Woody Allen dirige seu elenco dos sonhos: Scarlett Johansson, Penélope Cruz e Javier Bardem.


Em ritmo de diário de viagem, Allen escolheu Barcelona como o cenário quase surreal para esta trip emocional de duas amigas americanas que passam o verão na bela capital catalã. Muita gente acusou Allen de mostrar uma Barcelona de cartão postal, não revelando "o verdadeiro espírito catalão", etc... mas esse é exatamente o ponto de vista escolhido: o que vemos é a Barcelona de turista, da catedral do Gaudí e outros pontos manjados, e ela é exótica e romântica o suficiente para estabelecer um pano de fundo atraente para a busca de cada personagem.

Cristina só sabe o que não quer (logo, tenta um pouco de tudo)

No que diz respeito ao conteúdo, o filme mantém parentesco com outra obra madura de outro grande diretor americano: Closer - Perto Demais, de Mike Nichols. Ambos tratam da incapacidade de seres humanos adultos cultivarem e manterem relacionamentos sadios, estáveis e felizes. A diferença está no olhar: enquanto Nichols deu sabor amargo à sua peça, creditando a tal incapacidade à necessidade patológica de mentir e buscar o que não se tem, Allen prefere ser mais condescendente, sendo até simpático aos defeitos e inconstâncias de seus personagens. Para ele, as pessoas nunca sabem o que querem - só sabem o que não querem.

E este é o lema da Cristina do título - Scarlett Johansson, evoluindo mais um pouco na personificação do alter-ego do diretor (insegura quanto ao próprio talento, verborrágica, gesticulante). É com ela que Allen se identifica, e é nela que ele projeta a culpa por pertencer a uma cultura materialista (leia-se "americana"), o sentimento de impotência perante à exuberância da arte européia e a falta de respostas para as grandes questões da vida.

Aos sábios europeus - no caso, Javier Bardem, divertindo-se num papel canastrão, e sua ex-esposa Maria Helena -, cabem as respostas definitivas e o olhar pretensamente leve sobre a vida e os relacionamentos. Com resultados igualmente inócuos: Bardem, como um artista plástico sedutor, não consegue se livrar do impacto da ex-esposa, mimetizando até seu estilo de pintura. Já a personagem de Cruz, embora talentosa, inteligente e linda, não consegue se assentar com o homem que ama - e que a idolatra. Para ela, sempre falta um ingrediente - e, pelo menos por um tempo, o ingrediente é encontrado na insegura Cristina.

E aí entra aquela tal cena, da qual todos ouvimos falar, em que Scarlett Johansson e Penélope Cruz se beijam. É uma cena bonita, bem feita, "quente" em sua cor vermelha e tudo mais... mas não é tudo aquilo que promete ou que poderia render. Não é isso que deixará Vicky Cristina Barcelona na história.

Vicky sabe o que quer, mas prefere não mexer com essas coisas

Quem realmente rouba o filme é a Vicky do título, Rebecca Hall (de O grande truque). Trata-se de uma atriz carismática e de nuances, em uma performance menos histérica do que a de Penélope Cruz, mas mais talentosa. Vicky, da dupla de turistas americanas, é quem mantém a cabeça no lugar, reprimindo seus impulsos e apostando na estabilidade das convenções sociais e no racional - angariando a mesma infelicidade e sensação de amor incompleto dos outros.

Ela se envolve, como parece inevitável para qualquer mulher que tenha passado a alguns quilômetros de distância do set do filme, com o tal pintor sedutor vivido por Bardem. Opta por manter seu noivado com um jovem executivo americano, retratado como um babaca previsível - mas no fundo, uma boa pessoa.

















Todos falam de Scarlett e Penélope, mas Rebecca Hall entrega a melhor atuação do filme.


No final, todos os personagens - desde os principais até os secundários, como o pai octagenário de Bardem ou os tios abastados de Vicky - podem atestar as duas frases que resumem a impotência e a angústia das enamoradas Cruz e Johansson: ninguém sabe o que quer; só o que não quer. E só o amor incompleto pode ser romântico. Por conseqüência, nunca se atinge a felicidade plena: o que se tem é uma busca constante, esperançosa e angustiante pelo relacionamento perfeito.



E é nessa sensação de entrega e dúvida que se vive a vida. Durante o verão de Vicky e Cristina em Barcelona, é isso que fazemos: vivemos a vida, esperançosos e angustiados, mas plenos e esplendidamente humanos.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2008 - 0 Comentários



Só o amor incompleto pode ser romântico.

É o que diz a espanhola Maria Elena à americana Cristina, em Vicky Cristina Barcelona, o novo filme de Woody Allen, que estréia no dia 14 de novembro por estes lados.

Sem entrar no mérito do filme (que BLOGIE já assistiu, gostou e vai discutir ainda nesta semana), é chegado o momento de celebrar o amor platônico, mas comovente, de Allen pela sua atual musa: Scarlett Johansson, a tal Cristina do filme.
















A verdade é uma só: Woody Allen faz bem a Johansson, afinal a lenda que vai se criando sobre ela ser a musa do autor sempre ajuda, mas a moça faz muito um bem maior ainda ao diretor.

Ele vinha de uma série de filmes meio assim, assim, até que cismou em colocar a loira como a americana que faz todo mundo perder a cabeça em Match Point, seu primeiro filme rodado fora dos EUA. O filmaço, que entrou imediatamente para a antologia de Allen, ganhou indicação ao Oscar de melhor roteiro e se tornou seu maior sucesso comercial. A partir daí, Scarlett tem estrelado a "fase européia" do diretor, que inclui Scoop - o Grande Furo, na qual ela revela um inédito talento para a comédia e, agora, Vicky Cristina Barcelona, ambientado na cidade catalã.

A boa fase recolocou a moral de Woody em alta, fazendo-nos lembrar das suas duas grandes fases, nas quais ele sempre esteve amparado por musas bem definidas: a primeira, entre 1975 e 1982, trazia Diane Keaton como o alvo amoroso que intimida os personagens de Allen. As mulheres de Keaton são sempre inteligentes, inalcançáveis e maluquinhas da silva. Dessa safra, vieram Manhattan, A Última Noite de Boris Grushenko, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e Sonhos de um Sedutor (neste, Allen não dirige, embora tenha escrito o roteiro). Durante parte desse período, Woody e Diane formaram, de fato, um casal.

Já a segunda grande fase veio logo depois: do começo dos anos 80 ao início da década de 90, Mia Farrow foi esposa e protagonista de quase todos os filmes do baixinho. E que filmes! A Rosa Púrpura do Cairo, Hannah e suas Irmãs, A Era do Rádio, Crimes e Pecados, Maridos e Esposas... E ainda os "filmes suecos" Setembro, Neblina e Sombras... Mia Farrow ganhou papéis inesquecíveis, nos quais ela é insegura, talentosa e pura em doses equilibradas.

Mas nada se compara, em temperatura, aos momentos que o diretor dá a Scarlett Johansson, com quem, ao que apontam as notícias, não rola nada além dos laços profissionais. Sem chegar às vias de fato, velhinho que está, Woody canaliza toda seu apreço pela atriz no ato de fotografá-la:
















Penélope Cruz e Javier Bardem ajudam a compor o cenário que emoldura Johansson em cena de Vicky Cristina Barcelona.


Não que Allen seja um velho babão: ele não entrega o filme à tara de exibir a moça, como tanta gente tem feito - a bem da verdade, ele dá igual destaque e carinho a Penélope Cruz, que "rouba" boa parte das cenas, e a Rebecca Hall, que é, no fim das contas, a atriz principal do filme (cargo que ela ocupa com enorme demonstração de talento). Mas é notável como ele se embevece da loirinha, usando-a como um adereço muito atraente e apetitoso. É pelos olhos dela, curiosos e ingênuos, que ele prefere descobrir o mundo:



















Em suma: Woody Allen, assim como outros gênios do cinema (Hitchcock, Truffaut, Wilder), ama as mulheres e emprega parte expressiva de sua arte a serviço de fotografá-las, mas, assim como os colegas citados, atinge os melhores resultados quando o amor é platônico.


Talvez por isso seus personagens constatem: só o amor incompleto pode ser romântico.

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terça-feira, 11 de novembro de 2008 - 3 Comentários

É muito chato, mas muito chato, ler todas as críticas que foram feitas ao novo filme da série 007, Quantum of Solace. Segundo elas, James Bond é agora um clone mal acabado de Jason Bourne, além de não ter mais a classe dos tempos de Sean Connery, e de ter ficado loiro demais, baixo demais, sarado demais. Na melhor das hipóteses, falam dessas novidades como algo positivo.

O que ninguém fala é: Quantum of Solace é um tesão de filme, proporciona duas horas muito agradáveis no cinema, nas quais visitamos seis países diferentes, encaramos no mínimo três seqüências de ação antológicas e somamos mais alguns momentos especiais à mitologia do agente secreto britânico.

O filme é iniciado, como sempre, com uma seqüência de ação meio independente do filme. Desta vez, no belo litoral da Toscana, na Itália. Daí vem a abertura, sempre musicada por alguma estrela de primeiro time (desta vez, Jackie White e Alicia Keys, que infelizmente não se entrosam muito bem). E voltamos ao filme, no meio da festa do Palio, em Siena. Coisa compatível com os grandes filmes da série.

















Enquanto o povo se diverte no Palio de Siena, Bond conhece um pedaço da Toscana um pouco mais escondido...

Daí, a trama de organizações poderosas que querem dominar o mundo ou seus recursos naturais se descortinam aos poucos, enquanto passeamos pela miséria do Haiti, por montagens de ópera grandiosas em Viena, pela miséria boliviana e por passagens rápidas em Londres e na Rússia.

Bond dirige carrões, tem suas bebidas preparadas com cuidado, recusa hospedagens vagabundas e traça as melhores mulheres que pintam em seu caminho. E, claro, dá porrada em muita gente.

Ou seja, para quem gosta dos filmes antigos (Dr. No, Goldfinger); para quem tem saudades dos passeios de Roger Moore por cartões postais do mundo, como a Torre Eiffel ou o Pão-de-Acúcar; pra quem curtia a classe high-tech de Pierce Brosnam; e pra quem gosta de filmes bacanas... pra toda essa gente, e espero que essa gente inclua o amigo leitor, Quantum of Solace é um bom programa.

Esqueça o papo cabeça que ficam criando em torno de 007 e aproveite! Bond ainda é uma celebração da inteligência e da boa vida, revestida de virilidade e circundada por mulheres, máquinas e locações maravilhosas.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008 - 0 Comentários


O novo filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, é uma verdadeira coletânea de coisas que montam a vida como deveria ser: jantares com vinho, passeios por Barcelona, um final-de-semana despretensioso em Oviedo, pouco ou nenhum trabalho, carros conversíveis - e, claro, Scartlett Johansson, Penélope Cruz e Rebecca Hall, de preferência juntas.


















A vida é mansa para os personagens de Vicky Cristina Barcelona. Ou não...

Allen sabe das coisas, e não é de hoje: em Manhattan (o preferido de BLOGIE), o próprio diretor, no seu usual papel de intelectual mal resolvido, se põe a listar "as coisas que fazem a vida valer a pena". De um modo geral, ele lista as obras-de-arte que ocupam o universo das pessoas urbanas, dando uma aliviada no sofrimento causado pelas neuroses... mas termina com a constatação de que há algo na lista que está (ainda) ao seu alcance.

Acompanhe a lista de Woody Allen e monte a sua!

1- Grouxo Marx (ídolo de Allen, homenageado em outros filmes, como no final de Hannah e Suas Irmãs e numa festa de réveillon em que todos devem usar o bigode de Grouxo em Todos Dizem Eu Te Amo);

2- Louis Armstrong, na gravação de Potato Head Blues (que você também ouve no início de Harry & Sally, da Nora Ephron);


3- O segundo movimento da Sinfonia de Júpiter, de Mozart.


4- Filmes suecos - mas Allen não se refere ao gênero que celebrizou a arte sueca mais instintiva... ele se refere ao outro ídolo, Ingmar Bergman, de O Sétimo Selo e outras coisas tristes e reflexivas.



5- A Educação Sentimental, de Flaubert. O que tem muito a ver com Manhattan.

6- Marlon Brando. Jack Nicholson, que foi vizinho de Brando em Hollywood, certa vez disse que Brando não fazia sombra. Esse é o tamanho da lenda do cara.

7- A voz de Frank Sinatra.

8- "Aquelas incríveis maçãs e pêras do Cézanne", referindo-se à famosa série de natureza morta do pintor Paul Cézanne... a série está no Metropolitam Museum, em NYC.






















9- Siri no Sam Wo's. BLOGIE não trabalha com caranguejos e siris. Mas acredita no mestre.

10- O rosto de Tracy... Tracy, no caso, é a sua namoradinha adolescente no filme, vivida por Mariel Hemingway (neta do escritor Ernest Hemingway).



















Amor juvenil depois de velho: Woody sopra uma gaita enquanto Tracy (Mariel Hemingway) toma um milk-shake.



E você? Qual a sua lista de coisas que fazem a vida valer a pena?


Na minha, o item "estréia de um filme novo do Woody Allen por ano" ocupa lugar de destaque.

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sábado, 8 de novembro de 2008 - 2 Comentários


MAIS UM BOM MOTIVO PARA VER QUANTUM OF SOLACE

Por Thales de Menezes



Bondmaníaco que se preza sabe utilizar as classificações Bond Girl e bond girl.

Explicando: o agente sempre pega algumas garotas a cada filme, mas uma delas é a principal, a "mocinha", aquela que se envolve mais com ele na trama. No novo filme, Olga Kurylenko é essa Bond Girl, com maiúsculas. Aqui, no site da VIP, você encontra várias fotos da atriz ucraniana.

Mas existem as outras, que ele pega pelo caminho... São as bond girls, igualmente gostosas mas, digamos, do segundo time. Em Quantum of Solace a bond girl da vez é a inglesinha Gemma Arterton, no papel da agente Fields. Olha ela aí, ao lado de Daniel Craig:



















Não achou nada de mais? Achou muito formal? Calma, amigo. Nunca diga nunca. Bond jamais descarta uma olhada mais atenta.


















Melhor, não? Mais à frente, ela protagoniza ainda uma cena que, ao mesmo tempo, presta homenagem e passa a integrar a mitologia 007.
E ela ainda está em cartaz também em Rock'n'rolla, o novo filme de Guy Ritchie, numa semana de destaques britânicos no cinema.

Pois é ela, Gemma Arterton, a bond girl descartável, a musa desta semana.


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terça-feira, 4 de novembro de 2008 - 3 Comentários


Filme do Woody Allen é igual ação blue chip da Bolsa: você pode até se dar mal em algum deslize aqui ou ali mas, no longo prazo, é certeza que sai ganhando. E com a vantagem de que, pra ele, não tem crise. Entrando ou não entrando grana, ele entrega 1 filme por ano, acertando muito mais do que errando, e enfrentando as mesmas questões de sempre: a incapacidade de lidar com relacionamentos, a busca por um sentido na vida, a inspiração artística...

Tudo isso aparece no novo Vicky Cristina Barcelona, que estréia no Brasil no próximo dia 14 de novembro. BLOGIE entra em contagem regressiva para a estréia e prepara uma retrospectiva com o melhor da obra do baixinho paranóico - e genial.


A Melhor Abertura: Manhattan (1979)

Capítulo 1. Ele adorava Nova Iorque. Ela a romantizava além da conta. Para ele, a cidade ainda existia em preto-e-branco e pulsava ao som das grandes canções de George Gershwin.

Assim, com narração em off, amparada pela Rapsody in Blue de George Gershwin e em incrível fotografia em preto-e-branco, começa Manhattan, um dos melhores filmes de Woody Allen. Só a seqüência de abertura, em que o personagem de Allen escreve e reescreve a abertura de um livro, vale pelo filme todo. É praticamente um filme independente do que vem depois, atingindo seu ápice com os fogos de artifício de 4 de Julho estourando em meio aos arranha-céus, em incrível sincronia com o clímax da música.



E o resto do filme confirma: obra-prima.

O Mais Inovador: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Está para Woody Allen assim como Construção está para Chico Buarque, ou como Memórias Póstumas está para Machado de Assis: é o filme que definiu o assunto, o tom e a forma da obra do cineasta. Antes de Annie Hall (o nome original), ele era basicamente um comediante engraçado, com a moral, digamos, de um Adam Sandler. A partir daí, ele seria tratado como um dos grandes diretores da história.

Os motivos são vários, mas o que ainda chama a atenção são as várias bossas de que Allen lança mão para narrar a história de intelectuais e artistas consumidos pela neurose urbana: são animações; flash backs fantásticos; imagens de gente conversando enquanto as legendas mostram seus pensamentos; Diane Keaton saindo de seu próprio corpo (e se observando)enquanto faz sexo burocrático... são muitas inovações, que deram status de gênio ao diretor e valeram ao filme quatro Oscars, incluindo o de melhor filme.


















Allen com sua primeira musa, Diane Keaton: o casal do ano em 77.


O Melhor dos despretensiosos: Todos Dizem Eu Te Amo (1996)

No meio dos anos 90, Allen desfrutava daquela posição que todo cineasta inveja: todos os atores de primeiro escalão de Hollywood queriam fazer seus filmes, por qualquer ou nenhum trocado. Em 96, o diretor embarcou em um musical, gênero pra lá de envelhecido. Fez um filme leve, engraçado e cativante, com um elenco que incluía Edward Norton, Julia Roberts, Drew Barrymore, Alan Alda, Goldie Hawn, Natalie Portman, Tim Roth - e o próprio Woody, em seu papel usual. Na boca dessa turma, clássicos da música americana, interpretados com auto-ironia e talento. Seqüências em Nova Iorque, Veneza e Paris dão o toque de elegância ao conjunto. Ótima pedida para assistir com a namorada/esposa que diz odiar Woody Allen.

















Você é o maior cineasta vivo, está filmando em Veneza e não precisa provar nada pra ninguém. Nessas condições, até você pegaria a Julia Roberts.


O Melhor Woody Allen Postiço: John Cusack em Tiros na Broadway (1994)

De vez em quando, Allen se cansa de fazer o seu personagem de sempre e opta por apenas escrever e dirigir. Mas isso não significa que ele abra mão de ter um protagonista neurótico, gaguejando e gesticulando nervoso enquanto empaca nas questões amorosas. E é uma diversão quando ele emprega gente talentosa para emular o seu personagem original. Vários atores encararam com prazer esse desafio, desde o trapalhão Jason Biggs, de American Pie, até o shakespeareano Keneeth Branagh. Até a atual musa, Scarlet Johansson, deu uma de Woody em Scoop, de óculos redondos e tudo.

Mas o melhor Woody Allen postiço foi John Cusack, o escolhido para protagonizar o subestimado e genial Tiros na Broadway. Cusack é o escrito de teatro em crise criativa, que se mete em enrascadas com gângsteres. Emulou as hesitações e os gestos do chefe com tanto gosto que, hoje, tem gente que nem se lembra que era Cusack o ator principal do filme.

















Cusack tenta convencer a diva Helen Synclair (Dianne Wiest) a fazer parte de sua peça. Problema que Allen definitivamente não enfrenta há uns 40 anos.


O Melhor Final: A Rosa Púrpura do Cairo (1985)

Estamos no meio da Grande Depressão, e a personagem Cecilia (Mia Farrow) já passou por poucas e boas ao longo de um filme genial, em que a miséria da vida é suavizada pelo cinema, de maneira tão, mas tão intensa, que um herói de ação chega a saltar pra fora da tela e participar da vida da moça. Após a grande e inevitável decepção, Cecilia refugia-se, como sempre, numa sala de cinema. Um novo filme entrava em cartaz. O filme era Top Hat, com Fred Astaire e Ginger Rogers. E, aos poucos, enquanto Astaire canta Cheek to Cheek no ouvido de Ginger, Cecilia vai mudando gradualmente sua feição do choro desencantado para o mais puro fascínio. Um close-up gigante no rosto de Farrow mostra a grande atriz que ela é e dá o melhor dos finais de filme da carreira de Woody Allen.
















Mia Farrow protagoniza a mais singela e mais bonita homenagem de Allen ao cinema.


Gostou da lista? Faltou algo? Até o dia 14 de novembro, BLOGIE publicará mais listas e mais destaques sobre a carreira de Woody Allen - e sobre Vicky Cristina Barcelona, seu novo filme. Nos vemos por aqui!

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008 - 0 Comentários


Bond, James Bond. Em casa, na VIP.


No próximo dia 07 de novembro, estréia Quantum of Solace, o novo filme da série 007. Mas a sua diversão começa muito antes: na revista VIP deste mês, há uma matéria de 17 páginas com um verdadeiro guia de como Ser Homem, Segundo 007.

Mas BLOGIE também segue os ensinamentos de Bond. E passa a dividir um pouco do que Thales de Menezes, redator-chefe da VIP, descobriu ao visitar Londres e entrevistar o 007 da vez, Daniel Craig e, mais interessante ainda, a Bond Girl da vez, Olga Kurylenko.















Daniel Craig chuta rabos como James Bond.


Curiosidades, fotos, listas, tudo relacionado ao universo do assassino mais style do planeta. Fique esperto!


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terça-feira, 21 de outubro de 2008 - 0 Comentários

Poucos filmes oferecem perspectiva tão positiva quanto Vicky Cristina Barcelona: dirigido por um Woody Allen em ótima fase (já conhecida como sua "fase européia", que inclui Match Point e Sonho de Cassandra), o filme traz a atual musa Scarlet Johansson, agora com o reforço de Penelope Cruz. Ambientado na bela Barcelona. Pouco? Pois veja o trailler do filme e veja as duas moças beijando e se atracando com todo o elenco masculino (isto é, Javier Bardem) e, principalmente, uma à outra. E conte os minutos para a estréia!


OK, a dica é: a cena acontece aos 2 minutos. Mas veja o trailer inteiro!

Para quem mora em São Paulo, a espera pode durar pouco: nos próximos dias 27 e 28 de outubro, a Mostra de Cinema exibirá Vicky Cristina Barcelona. Depois dessas duas sessões, só pro final de novembro, amigo.

Enquanto isso, participe da votação aí ao lado:
que filme tem a melhor cena lésbica da história do cinema?

Se ficou na dúvida diante de tantas opções embevecedoras, BLOGIE dá uma mãozinha: aqui você encontrará, diariamente, breves posts e imagens das cenas selecionadas. Esta é a eleição em que dá gosto votar!

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008 - 4 Comentários

Está em cartaz As Duas Faces da Lei, policial que reúne os dois grandes atores americanos das últimas décadas: Al Pacino e Robert DeNiro. No filme, eles são policiais durões, mas não chegam a ser exatamente um Capitão Nascimento - e não fazem sombra aos personagens mais célebres da dupla.

Então, esqueçamos a estréia e fiquemos com o que realmente interessa:

1) DeNiro resolve tirar satisfações com ele mesmo, no espelho. "Are you talkin' to me?" - cena clássica de Taxi Driver.


Este é Travis Bickle, o homem que resolveu limpar a "escória" de NYC com as próprias mãos.


2) Al Pacino solta o verbo em Scarface - e apresenta o seu "amiguinho" no final:


Este é Tony Montana, um cara com a sensibilidade à flor da pele.

Esses caras dariam risadas dos tiozinhos policiais de As Duas Faces da Lei.

Por respeito à história da dupla, BLOGIE abre mão de resenhar o novo filme. Mas fica devendo uma lista dos melhores bandidos encarnados pelos parceiros.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008 - 3 Comentários

Este é o trailer de Elite Squad - ou Tropa de Elite, para os íntimos - que foi exibido nos cinemas americanos. O filme estreou por lá há duas semanas (mais de oito meses depois da "estréia" oficial, aquela que só serve para poder concorrer ao Oscar). Como a campanha não evoluiu - e como a crítica americana caiu de pau -, a coisa ficou para mais tarde.

O interessante é que o trailer, para disfarçar uma dublagem constrangedora ou para não ter que mostrar legendas, esse bicho que dá coceira no público médio, não mostra o que o filme tem de melhor: os diálogos e frases marcantes. Só tem narração em off. E você, com base nesse trailer, assistiria a um filme assim, sem personagens, nem vozes, nem nada?

Só para refletir um pouco sobre a importância de um trailer bem feito...

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008 - 0 Comentários

Outono nos EUA. Época em que os super-heróis, filmes infantis e blockbusters em geral dão um tempo e as salas recebem as estréias dos filmes bons do ano, aqueles que vão concorrer ao Oscar e ao Globo de Ouro.

Embora estejamos no início dessa temporada, este primeiro final-de-semana está fraco em estréias: temos Mulheres - O Sexo Forte, trazendo a dispensável volta da Meg Ryan em filmes aceitáveis só para quem nunca recebeu um aporte mínimo de testosterona; temos Baby Love, um filme francês sobre um gay que resolve adotar um filho; e temos Fay Grim, de Hal Hartley, o diretor americano metido a descolado por excelência... ou seja, não há muitas opções.

Mas eis que aparece Promessas de um Cara de Pau, comédia sobre um paspalhão que, por acaso, se torna personagem central da eleição para presidente dos EUA. Esse paspalhão que, claro, só podia se chamar Bud, é vivido por Kevin Costner.


veja o trailer de Promessas de um Cara de Pau


Eu sei, você está pensando: "Kevin Costner é um babaca". Há alguns anos atrás, eu concordaria. Afinal, o cara cometeu Waterworld, o pior filme do mundo, o Íbis do cinema, e protagonizou aquele enorme sucesso dos anos 90, o filme que todas as meninas do colégio iam ver juntas, aquele horror em tela chamado O Guarda-Costas.


Mas, com um pouco mais de calma, o leitor vai perceber que Costner desenvolveu uma carreira respeitável nos filmes "menores", uns filmes bacanas e despretensiosos, que tratam de temas como a perda da juventude, a redenção através do esporte (especialmente o baseball), a busca da tal alma americana. Filmes como Campo dos Sonhos, Sorte no Amor, Por Amor (não se engane com os nomes: esses três filmes, a despeito dos títulos em português bolados pra enganar as menininhas, são coisa de macho - todos tratam de baseball e do acerto de contas com a juventude perdida. E todos são bons!). Filmes como JFK, do Oliver Stone. E como o mais recente Dizem por Aí, no qual ele encarna o "verdadeiro" Benjamin Bradock, personagem central do clássico A Primeira Noite de um Homem (então Dustin Hoffman).

Por tudo isso, preste atenção neste Promessas de um Cara de Pau (aliás, outra tradução bizarra; o título original é Swing Vote, algo como "voto decisivo"). É uma obra da maturidade do Kevin Costner. Ele não precisa mais ser o bom moço para promover os valores e a América que ele quer representar.

E se nada disso o convencer, vá à locadora e pegue Os Intocáveis, do Brian DePalma. É um daqueles filmes pra marmanjo nenhum botar defeito, da escola de O Poderoso Chefão e Scarface. Tem trilha sonora épica do Ennio Morricone, atuações antológicas de Sean Connery e Robert DeNiro (este, como Al Capone) e muita violência. Kevin Costner é o Eliot Ness, o "paladino da justiça", o personagem que ele adotou como paradigma visual e moral para os 20 anos seguintes - algo de que ele só está se livrando agora, como Bud, o idiota beberrão que aporta hoje nos cinemas brasileiros.

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