segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

Chega o Natal e a vida de quem gosta de ver uns filminhos na TV vira um inferno: é um tal de filmes bíblicos, ou então aquela xaropada "família" à Frank Capra... e acabamos nos refugiando em alguma reprise de comédia infantil - Esqueceram de Mim, etc.

Mas há salvação para os homens de boa vontade. BLOGIE indica três filmes de Natal pra macho nenhum botar defeito. São filmes divertidos, corrosivos, inquietos - mas que, no fim das contas, servem muito bem para enquadrar marmanjos no espírito natalino.

Boa diversão!



3- Os Fantasmas Contra-Atacam (1988):



Versão maluca e contemporânea do Conto de Natal, de Charles Dickens. Aqui, o velhinho muquirana que inspirou Disney a criar o Tio Patinhas é substituído por Bill Murray, como um jovem e implacável executivo de TV. Os fantasmas dos Natais passado, presente e futuro dãs as caras, sob formas bizarras - o do Natal passado, por exemplo, é um motorista de táxi novaiorquino. Murray, como sempre, arrasa.



2- Duro de Matar (1988):



Depois dessa fucking short version, dizer o quê? Filme de Natal bom é isso aí. Bruce Willis resolve sozinho a parada em um arranha-céu que é tomado por terroristas na noite de Natal. Durante o filme, as metralhadoras falam mais alto e os palavrões pontuam as frases. Um terrorista é encontrado morto pelo chefe, vestindo um gorro de Papai Noel e portando uma curiosa frase escrita em sua blusa: "Agora eu tenho uma metralhadora - HO HO HO". De quebra, Willis cria seu bordão imortal: "Yippie-kie-yeah, motherfucker!"



1- Trocando as Bolas (1983):















De todos, o meu filme natalino preferido. John Landis, um gênio da comédia, reúne dois dos maiores comediantes da época, Eddie Murphy e Dan Aykroyd, em uma fábula muito mais inteligente do que parece: Murphy é um mendigo mutreteiro; Aykroyd, um financista milionário. Os dois octagenários patrões de Aykroyd - os Irmãos Dukes, fundadores da Bolsa, uns caras que devem ter andado com o Rockfeller ou algo assim - firmam uma aposta: um deles, racista cínico, acredita que pode transformar um mendigo em um ótimo executivo; o outro, racista convicto, duvida. Um dólar é o valor da aposta, e Murphy e Aykroyd têm seus lugares trocados.

A partir dessa premissa instigante, acontece DE TUDO em Trocando as Bolas. Jamie Lee Curtis é uma prostituta que entrará na jogada, um gorila se apaixonará a bordo de um trem, Dan Aykroyd encarnará o Papai Noel mais escroto da história e, ao final, uma cena inesquecível rodada dentro da Bolsa de Valores decretará quem estava certo na aposta do início, e quem levará a melhor.

Um filme absolutamente genial.

Só para provocar, aqui vai a cena inicial. É ver e identificar, de pronto, que se trata de algo especial:



É isso. Os posts se manterão diários até o Natal. Depois, o BLOGIE entra em recesso de uma semana, voltando dia 04 de janeiro.

PS: às vésperas do Natal do ano passado, também falei desses filmes (entre outros). Mas o texto e as atrações - cenas, trailer, fucking short version - são diferentes. No mais, se alguém se convencer a assistir a Trocando as Bolas, a insistência terá valido a pena.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009 - 2 Comentários

Muita gente acha que o que Hollywood tem de melhor é sua vocação para o espetacular, o blockbuster, o filme-evento - enfim, essa encrenca que é o filme milionário lançado no verão americano sob uma campanha publicitária agressiva e acompanhado de uma penca de produtos adjacentes. Guerra nas Estrelas, E.T., Titanic, ...E o Vento Levou, todos fazem parte dessa categoria.


Isso tudo é bacana, principalmente quando o oba-oba serve para promover um filme bom (ou ótimo, como os citados acima), mas não é a essência da coisa. Hollywood é o que é não devido aos seus executivos e marqueteiros, mas sim aos seus artistas. E a prova disso são não os filmes-eventos, mas os pequenos filmes que se tornam grandes sucessos (ou que simplesmente se mostram obras grandiosas de tão singelas e despretensiosas). Esses são os verdadeiros símbolos de Hollywood: Casablanca, Bonequinha de Luxo, A Primeira Noite de um Homem, Butch Cassidy & Sundance Kid, Chinatown, Rocky, Uma Secretária de Futuro, Uma Linda Mulher, Ghost... Dispostos em ordem cronológica, todos filmes ?pequenos?, de orçamento modesto, produções bancadas por pouco mais do que a teimosia de seus diretores... e que se tornaram grandes clássicos - quase todos os citados foram o grande sucesso dos cinemas nos seus anos de lançamento. Obras de arte cunhadas com a despretensão e a leveza de um filminho. Quando isso acontece, o resultado é único e pensamos: "nada com um bom filme americano".


O grande trunfo desses filmes é, acima da direção e das estrelas que neles são reveladas, o roteiro. Um bom e velho roteiro amarradinho, sucinto, encerrado em três atos bem definidos e recheados de personagens cheios de vida. Faça o teste: o que fez de Curtindo a Vida Adoidado, aparentemente uma comédia adolescente debilóide, esse verdadeiro ícone pop? O roteiro sensacional, cheio de falas antológicas e situações engraçadas - e Bueler, Ferris Bueler, herói de uma geração sem bandeiras.


Tudo isso para dizer (e defender a tese de) que Sorte no Amor (Bull Durham), filme de 1988 sobre baseball que passou quase despercebido no Brasil, é um filmaço, uma obra de arte, uma joia rara daquelas que dão orgulho a quem as descobre. Não posso afirmar que "descobri" o filme, porque o mesmo foi um grande sucesso nos EUA, contando com Kevin Costner no auge (e em sua melhor atuação), Susan Sarandon maravilhosa e encantadora (e em sua melhor atuação) e Tim Robbins despontando para o sucesso (e conhecendo sua futura esposa durante as filmagens: a própria Sarandon). Mas descobri o filme no meio de uma pilha de bobagens, numa liquidação das Lojas Americanas. Orgulho-me dessa que é uma das minhas maiores habilidades: descobrir coisas boas no meio do lixo nas Lojas Americanas.
























A história parece besta: Costner, no papel de um jogador de baseball maduro e em fim de carreira, é contratado para tutelar e "acelerar o amadurecimento" de um arremessador jovem, talentoso e inconsequente (Robbins). Sarandon é a improvável groupie do time, que escolhe um jogador a cada temporada para namorar. Por namorar, entenda-se sexo, carinho maternal e lições de literatura.



















E tranquilo, naquele esquema "conhecendo os personagens na primeira meia hora / botando os personagens pra correr atrás das suas necessidades durante sessenta minutos / resolvendo a bagunça na última meia hora", o autor e diretor Ron Shelton (um ex-jogador de baseball nas ligas menores) conseguiu sua pequena obra-prima.


Ao amigo leitor, fica a dica: não há razão para deixar de assistir a Sorte no Amor, obra que diz muito mais sobre a fugacidade da vida e dos seus ciclos (de amor, de carreira, de juventude) do que muito tratado intelectual por aí. Disponível em DVD, lançado há dois ou três anos. Vale uma ida à locadora.

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terça-feira, 22 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Hoje, às 22 hs, no TC Light: um filme pouco badalado, mas que entrega muito mais do que promete. É Círculo de Paixões, de 1997, a história de dois irmãos pobretões que vivem em torno de três lindas irmãs ricas.
















Juventude transviada: uns rebeldes têm mais motivos, outros menos - mas todo mundo apronta!

A coisa se passa durante a década de 50, e Joaquin Phoenix e Billy Crudup demonstram muito carisma como os irmãos Doug e Jacey. Phoenix, particularmente, dá um show como o caçula tímido que emula o Marlon Brando para disfarçar sua pouca habilidade com mulheres. Já Crudup não quer saber: passa o rodo entre a mulherada, e as vizinhas riquinhas não são poupadas.

As tais riquinhas são as irmãs Abbott, vividas por Liv Tyler (a caçula, amiga de Doug), Jenniffer Connelly (a do meio, maluquinha e que vive um caso com Jacey) e Joanna Going (a mais velha, já com filho - e tão bonita quanto as outras).

Como se vê, um baita elenco!

Entre reviravoltas na linha "todo mundo pega todo mundo", o tema acaba sendo a obsessão e o ódio social. Vemos que Jacey se alimentava da reação escandalizada dos pais das meninas a cada namorico. Seu irmão, que é o narrador do filme, afirma que "se os Abbott não existissem, Jacey os inventaria". A frase é tão certeira que foi para no título original, Inventing the Abbotts. Doug não tem a mesma piração do irmão, e isso acaba se tornando uma zona de atrito constante entre eles (e cada um usará isso à sua maneira).

Outro ponto interessante: os estereótipos e mitos americanos são usados para retratar a época e conferir um clima de inocência e descoberta ao filme: empregos em postos de combustível, carros conversíveis, varandas com porta de tela, um freezer no porão cheio de Coca-Cola (e sexo no porão), escapadas ao celeiro abandonado... e aquele ar vintage de Juventude Transviada.

Veja o trailer, ao som da maravilhosa Sleepwalk, que já foi tema de post deste blog, e da Sheryl Crow:



No mais, o filme teve o mérito de revelar o talento de Phoenix, o melhor ator da sua geração, além de ter arrancado de Liv Tyler sua única atuação satisfatória.
























E, claro, deu conta da missão de tirar a roupa de Jenniffer Connelly, algo que é sempre benvindo...

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sábado, 19 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de novo no cinema para o final-de-semana. Se o amigo ainda não viu UP! - Altas Aventuras, da Pixar, não perca. Para quem não viu, faço um último apelo para que aproveite o bom e singelo Amantes, com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw. É um filme diferente, que vale a pena encarar.

No mais, para quem já deu conta dos dois e sabe evitar ciladas como O Sequestro do Metrô 123, a boa do dia é pescar os bons filmes na TV. Já são quase 11:00, já assisti Rocketeer (tem jeito de começar melhor o sábado do que se deleitando com a Jennifer Connelly?), mas tem muita coisa ainda... Selecione o seu!

14:00 - AXN - Melhor É Impossível: Jack Nicholson (Oscar de melhor ator), Helen Hunt (Oscar de melhor atriz) e os melhores diálogos da segunda metade da década de 90. Só a cena de abertura, em que Nicholson joga um cãozinho shin-tzu pela lixeira do seu prédio, arrematando "this is New York; if you can make it here, you can make it anywhere", já vale o filme. E anuncia o que vem pela frente. Grau de acidez máximo, Ph 1.

17:30 - TCM - Jeremiah Johnson: lançado no Brasil como Mais Forte do que a Vingança, este filme do início da década de 70 traz Robert Redford como o cara que vira eremita no meio das montanhas geladas de Utah. Um grande filme, diferente de tudo o que você já viu, exceto se tiver sido um dos poucos felizardos que prestigiaram o recente - e ótimo - Na Natureza Selvagem, do Sean Penn. Acho que este se inspirou em Jeremiah Johnson. Redford, no auge da sua popularidade, era um ator corajoso, que só entrava em filmes que lhe significavam algo (temas preferidos: política com tendências liberais, busca da verdade, contato com a natureza). É um dos heróis deste blogueiro.
















Reford e seu amigo urso: porque é melhor evitar andar com certas pessoas...


19:50 - TC Pipoca - Tropa de Elite: é sempre confortável ver Capitão Nascimento descendo a lenha nos bandidos e dando esporro na rapaziada que faz o curso para entrar no Bope. Além das frases inspiradíssimas de um roteiro sensacional, destaco o trabalho do Wagner Moura, que consegue dar show não só nas grandes tiradas ("fanfarrão", "nunca serão", etc), mas também em frases comuns: sua performance ao entrar no morro gritando "não vai subir ninguém! Não vai subir ninguém!" para a PM é absolutamente genial.

21:00 - HBO - Batman - o Cavaleiro das Trevas: dizer o quê? O grande marco do cinema em 2008 traz aquela performance inesquecível do finado Heath Ledger como Coringa, mas traz mais: baita direção de arte, roteiro redondinho, grandes atuações acessórias de Cristian Bale e Gary Oldman... só podiam arrumar uma mocinha melhor para o Batman! Onde está a Scarlett Johansson quando precisamos dela?

22:00 - TC Cult - O Homem Que Sabia Demais: porque Hitchcock nunca é demais. Este é a segunda versão do diretor, feita em 1956 (ele tinha feito uma primeira em 1934, que ele considerava "amadora"), e traz James Stewart como o americano de férias em Marrocos que testemunha  um assassinato e que se vê em uma situação perigosa - sua vida depende do seu silêncio. Conta com aquele que é, na opinião deste blogueiro, o melhor clímax de todos os filmes de Hichcock: o assassinato que acontece durante um concerto de música clássica no Royal Albert Hall, em Londres. Tudo é arquitetado para o tiro ser disparado no momento exato em que os pratos são tocados. Uma aula de cinema.


Até em trailer Hitchcock era diferente. Veja James Stewart "vendendo" o filme e falando sobre a tal cena do concerto.

23:00 - Warner - Penetras Bons de Bico: ótima comédia com Owen Wilson e Vincent Vaughn. Eles são os amigos que se profissionalizaram na arte de entrar em casamentos para os quais não foram convidados, com o único objetivo de pegar mulher. A vida vai bem para os fanfarrões, mas tudo muda quando ambos se apaixonam por duas irmãs (Isla Fisher é a ruivinha ninfomaníaca que dá um jeito em Vaughn; Rachel McAdams é a garota cabeça e sensível que fará de Wilson um homem sério). Despretensioso, traz uma equação agradável para servir de pano de fundo para o "esquenta" da balada de sábado: festas + alta brodagem + garotas = sábado à noite.

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domingo, 30 de agosto de 2009 - 1 Comentários

Que o Fantástico suscita aquela deprê de que o final-de-semana acabou, todos já sabem. Mas nada é mais deprimente do que começar uma semana vendo gente comer olho de cabra sob as ordens do Zeca Camargo em No Limite. Sai fora, bicho.

Há algumas boas opções de filmes na TV. Veja as dicas de BLOGIE!

Saneamento Básico - o Filme (TC Light, 22 h): mais um bom filme do gaúcho Jorge Furtado, um dos diretores com obra mais consistente desde a Retomada (Houve uma Vez Dois Verões, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara). Aqui, um baita elenco, que inclui Wagner Moura, Fernanda Torres, Camila Pitanga e Lázaro Ramos, se vê socado dentro de uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, com graves deficiências no saneamento básico. Como não há orçamento para obras de infra-estrutura, a turma se vale de uma verba governamental para a produção de cinema, e começa a produzir um curta-metragem de terror. A metalinguagem sobre o processo de fazer cinema, e mais do que isso, de levantar recursos para tal, é simplesmente mágica. A tosquice do filme provoca risos, mas acaba comovendo. No final, não há como não ver beleza na obra amadora dos caras - até porque há Camila Pitanga, fotografada com reverência e carinho. Filme ótimo e adequado para uma noite de domingo!


Veja o trailer de Saneamento Básico - O Filme!

Orgulho e Preconceito (TCM, 22h): se você tiver que enveredar por um processo de convencimento da sua mulher, esta é a melhor pedida. Não há ser humano do sexo feminino que não goste da história de Jane Austen sobre a jovem Miss Bennet, uma pobretona que encontra no arrogante e milionário (mas ao mesmo tempo honesto e solitário) Mr. Darcy a alma gêmea. A coisa é romântica total, mas é muito bem feita - é a melhor adaptação de um clássico da literatura para o cinema nos últimos anos. Por algum motivo que ainda não entendi, a mulherada realmente pira no tal Mr. Darcy. Vale dar uma olhada e ver como se faz. É instrutivo.

Dizem Por Aí (Warner, 19h): uma estranha experiência em forma de filme convencional. E mal sucedida. Coisa pra cinéfilo curioso. Veja só: Rob Reiner, um diretor de qualidades (Harry & Sally, Spinal Tap), resolve fazer uma comédia romântica estrelada pela Jennifer Aniston. Sua personagem descobre que sua família fora a inspiração para A Primeira Noite de Um Homem (o filme com Benjamin Braddock - Dustin Hoffman - sendo seduzido pela coroa Mrs. Robinson - Anne Bancroft). No caso, sua avó (aqui, vivida pela Shirley MacLaine) era a Mrs. Robinson. Daí, às vésperas do casamento, ela vai procurar o verdadeiro Benjamin Braddock - e o cara é o Kevin Costner! Enfim, um lance meio estranho, que dialoga pouco ou nada com o filme que lhe serve de inspiração. Mas que deixa uma pulga atrás da orelha: como um diretor competente, com um elenco estrelado e de carisma, consegue partir de um ponto de partida promissor e acabar num filme vagabundo? Se eu não for no cinema hoje, acabarei vendo novamente...

Indiana Jones e o Templo da Perdição (TC Action, 19h45): dizer o quê? Você sabe tudo sobre esse filme. Tem aquela sequência de abertura na China, depois a sequência do avião desgovernado, depois a vila indiana cujas crianças sumiram, depois o jantar no palácio (miolos de macaco no menu!), daí a descoberta do Templo da Perdição e a operação de resgate das crianças... e Indiana Jones matando uns idiotas pelo caminho e criando um clima para pegar a Kate Capshaw no final. Aliás, uma das melhores cenas finais de todos os tempos. Nunca é demais ver mais uma vez...

Agora, se sua ideia é pegar um cineminha, vá de comédia: tem Os Normais 2 e tem Se Beber, Não Case! Se você ainda não viu Se Beber..., esta é a hora! O filme é um festival de nonsense, incorreção política e situações engraçadíssimas.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009 - 3 Comentários

Da série "bobagens interessantes" do You Tube: um camarada preparou essa compilação do Harrison Ford querendo sua família / sua esposa de volta em vários filmes - Busca Frenética, Força Aérea Nº 1, O Fugitivo, Uma Segunda Chance, Jogos Patrióticos e outros...

Dá só uma olhada:



Por favor, alguém devolva a mulher do cara!!!

O interessante é notar que os melhores filmes de Ford são aqueles em que ele não tem família nem esposa: a trilogia original Guerra nas Estrelas, American Graffiti, a série Indiana Jones, A Testemunha e o remake de Sabrina.

Entre outras razões, porque esses filmes não nos obrigam a aguentar chororô de marmanjo.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009 - 8 Comentários

Lembra daquele filme Um Dia de Fúria, com o Michael Douglas? Ele é um engenheiro normal, indo para o trabalho. Está preso no trânsito. Um calor infernal. O cara suando. Até que ele simplesmente abandona o carro no meio do congestionamento e sai andando a pé.

Daí pensamos: o cara pirou! Mas isso era só o começo da ladeira da loucura: ele percorre uma via-crúcis por Los Angeles, lidando com trombadinhas, imigrantes asiáticos, criminosos perigosos, lanchonetes de fast-food, malucos neonazistas, policiais, velhinhos abastados jogando golfe e o tipo mais difícil de lidar: a ex-esposa. O saco cheio do cara - e a sua demência - vão explodindo gradualmente, como mostra a evolução das suas ferramentas: um canivete, um taco de baseball, armas de fogo, até a coisa chegar ao clímax absurdo de vermos Douglas explodir uma obra pública (que causava o trânsito do início do filme) com uma bazuca portátil (tipo Rambo II)!


Veja Michael Douglas passando do último retorno em Um Dia De Fúria!

Até hoje, não sei analisar se o filme é bom ou não. Eu gostei. O que sei é que foi uma experiência catártica ver Douglas acertando as contas com o mundo. Lembro de ter chegado na faculdade no dia seguinte (o filme tinha sido exibido na Tela Quente) e todo mundo só falava disso.

Pois bem, hoje é o meu Dia de Fúria. Acordei mal da garganta. Mal consigo falar. O carro, quebrado. A agenda de trabalho, uma bagunça. Daí penso em aproveitar para subir uns posts daqueles que estou devendo faz tempo, e o fuckin' Blogger resolve parar de subir fotos. Ele simplesmente desistiu. Fica lá girando, girando... e nada.

Ah, se eu tivesse uma bazuca como a do Michael Douglas - e se o Blogger fosse um alvo fácil, como uma ponte...

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quinta-feira, 16 de julho de 2009 - 8 Comentários

Um tesouro meio escondido: A Última Sessão de Cinema, de Peter Bodganovich. É um dos menos badalados dos grandes filmes dos anos 70 mas, ao mesmo tempo, um dos mais importantes. Ele permanece como uma das obras mais sensíveis sobre o que era ser jovem nos EUA do pós-guerra.

Alugue. Compre o DVD. Faça alguma coisa, mas não deixe de ver esta obra-prima.


Trailer de A Última Sessão de Cinema.



Estamos, adequadamente em branco-e-preto e ao som de vitrolas cheias de ruído que tocam o country de Hank Williams, em uma cidadezinha do Texas, em 1951. Jovens aproveitam os meses finais de colégio, jogando no time de futebol americano, vagando pela rua, indo ao cinema e tentando transar com suas namoradas.

Daí até o final do filme, exatamente um ano depois, veremos que não havia direito à adolescência ou juventude na geração que precedeu os baby-boomers: os ritos de passagem acabavam passando pela constatação da falta de perspectivas e da entrada em um ciclo de repetição e sufocamento dentro da cidadezinha empoeirada. O sexo, que deveria ser algo libertário e novo, apresenta-se como algo frustrante e sujo, trazido por intermediários adultos - o sócio do pai da menina, a prostituta gorda, a esposa do treinador do rapaz...

Os dois principais personagens são dois rapazes, Sonny e Duane (Thimothy Buttons e Jeff Bridges, perfeitos), que têm a amizade abalada pelo fato de que ambos estão apaixonados pela mesma garota - Jacy, a menina rica e linda, tão desorientada e sem perspectivas quanto os outros. Cybill Shepherd interpreta Jacy, numa escolha inacreditavelmente feliz - pois só ela mesmo, com sua beleza fria e irretocável, conseguiria fazer contraponto a tanta feiúra e mesmice.



















Cybill Chepherd: mais de dez anos antes de A Gata e o Rato, ela já dava show no cinema. Você não quer perder isso. Mesmo.

Mais sobre o filme, não vale a pena falar. Basta dizer que é um filme triste e bonito, que injeta a angústia de ser jovem em quem o assiste. E que se deve comemorar o Big Bang da adolescência, que viria alguns anos depois, com a invenção do rock'n'roll e dos filmes do James Dean, com a chegada dos Beatles, e com a popularização da universidade. Todos ganhamos mais uns anos pra errar por aí, mas a principal mudança foi outra: ao contrário dos jovens de A Última Sessão de Cinema, que queriam queimar logo as etapas juvenis e entender logo o papel que lhes caberia no mundo, adquirimos o gosto por curtir os anos de transição, cumprindo os ritos com gente da mesma idade, celebrando nossa cabeça vazia ou nossas dúvidas.

E, se nada disso lhe interessar e se o filme não lhe servir para mais nada, pelo menos servirá pela visão de Cybill Shepherd, novinha, ora com roupa, ora sem roupa, se empenhando para perder a virgindade ao longo de duas horas.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009 - 0 Comentários

Como não tive sucesso preparando a lista dos DVDs essenciais para este Dia Mundial do Rock, aproveito para celebrar meu fracasso falando sobre o melhor filme roqueiro que nunca foi lançado em DVD: Febre de Juventude, um clássico da Sessão da Tarde que, se você tiver mais de trinta anos, deve conhecê-lo bem e ter saudades...
















Você não se lembra dessa turma? Calma, já explico...

Relembrando ou explicando a quem nunca conheceu: Febre de Juventude é uma produção de 1978, ideia da cabeça do já milionário Steven Spielberg (ele estava entre Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Foi roteirizado e dirigido por Robert Zemeckis, que depois ganharia fama, fortuna e prêmios por De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

Interessante, não?

Mas fica melhor: o filme tem por nome original I Wanna Hold Your Hand. Começa com a tela negra, onde se lê: "New York City - Sábado, 8 de fevereiro de 1964". E tome locação externa. No coração da Big Apple, policiais preparam a rua para receber uma multidão, colocando cavaletes. Um homem, na fachada de um auditório da emissora CBS, conserta o letreiro, trocando uma letra "E" no meio de uma palavra por uma letra "A" e, então, se lê na tal fachada: "The Beatles". Do lado de dentro, um famoso apresentador de TV (Ed Sullivan) ensaia o texto que será usado para apresentar a maior atração da história do seu programa, que seria exibido ao vivo no dia seguinte.

E aí entra I Wanna Hold Your Hand, a música, tendo como fundo aquelas deliciosas e famosas cenas dos Beatles desembarcando nos EUA pela primeira vez, embasbacados com a multidão e a demência generalizada, depois dando show de carisma e bom humor na primeira entrevista coletiva, na qual responderam a perguntas como "vocês sabem cantar?" e "vocês vão cortar o cabelo?" com uma ironia e uma euforia simplesmente nova para os americanos - e para o mundo.















George diz ter cortado seu cabelo ontem. John levanta a lebre de que todos são carecas. Ringo rebola, dizendo que ele dança, como forma de compensar a suposta falta de talento de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como cantores (!). Foi assim que os EUA conheceram os Beatles.


O filme, no entanto, não é sobre os Beatles. Essas cenas são as únicas que trazem os rapazes de Liverpool. A partir do final dos créditos iniciais, passamos a acompanhar a saga de uma turma de jovens de New Jersey que faz de tudo - repito: de tudo - para conseguir ver os Beatles ao vivo.

Febre de Juventude é isso: 24 horas na vida de cinco jovens americanos - e ao mesmo tempo de todos os jovens do mundo -, a partir da chegada de quatro rapazes no aeroporto, até o final do programa de TV em que eles apareceram. O programa que se notabilizou por ser a maior audiência da história da TV americana, ao longo do qual se registrou o menor índice de crimes, e mais um monte de outras lendas.

24 horas que, sem exagero, mudaram o mundo.

Um ótimo registro histórico, um filme vibrante e juvenil, uma trilha sonora na linha "melhor é impossível", formada pelos dois primeiros discos dos Beatles.

E tem a cena inesquecível de Nancy Allen (que seria esposa e musa do Brian DePalma em Vestida para Matar e Um Tiro na Noite) escondida na suíte dos Beatles, embaixo da cama, ouvindo a conversa dos caras, que jamais aparecem. Um momento marcante da infância de qualquer um que tenha visto o filme (e que, no mínimo, acabou fazendo deste blogueiro mais um beatlemaníaco no mundo).














A fantasia de uns era estar no lugar da Nancy Allen; de outros, no lugar do pé do Paul McCartney.

Por que não lançam em DVD, não sei. Mas eu fui atrás e consegui um exemplar, que tratei de ver ontem mesmo. Hoje, sou uma pessoa mais feliz.

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quarta-feira, 17 de junho de 2009 - 4 Comentários

Entre os últimos lançamentos em DVD, encontramos a comédia Sim, Senhor, com o Jim Carrey.

O filme é legal: Jim Carrey está engraçado e alucinado, como nos seus melhores momentos, e ainda temos a gracinha Zooey Deschanel, atriz carismática e charmosa e cantora talentosa. Tudo certo.
















Zooey: ela canta, atua e faz graça. Mas basta existir...

Pra melhorar, só mesmo uma trilha sonora matadora. E é o que o filme entrega, logo na sua cena de abertura: a música é Separate Ways, do Journey, uma das grandes bandas americanas dos anos 80. Uma paulada, que é recuperada no clímax do filme, uma hora e meia mais tarde.

Veja o Journey tocando Separate Ways ao vivo, em 1983, no Japão. Coisa linda. As cordas vocais privilegiadas que você ouve são de Steve Perry, provavelmente o melhor cantor que já se juntou a uma banda de rock.


Viva os anos 80: Journey chutando rabos no Japão.

De resto, se você ainda não viu Sim, Senhor, não perca a oportunidade: alugue o filme e se divirta.

Fico devendo dois posts: um, com o melhor de Jim Carrey, e outro, sobre a Zooey Deschanel, a próxima grande estrela de Hollywood. Pelo menos na vontade deste blogueiro.

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terça-feira, 16 de junho de 2009 - 2 Comentários

Demorou demais, mas chegou: The Doors, do Oliver Stone, está sendo lançado em DVD.

Há uns doze anos, desde que o DVD varreu as fitas mofadas de VHS das prateleiras das locadoras, esta vem sendo a maior lacuna na formação de novas gerações de moleques. E na nostalgia de marmanjos.


Veja o trailer de The Doors!

O filme do maluco por reconstituições Oliver Stone foi um grande evento quando do seu lançamento, no início dos anos 90. Colegiais faziam fila nos cinemas para descobrir Jim Morrison e sua banda. Light My Fire, Break on Through e The End se tornaram hino para uma nova geração de adolescentes impressionados com a atitude escrota de Jim e suas letras desajustadas. A onda riponga influenciou a geração que foi pras ruas, com as caras pintadas, exigir o impeachment de Fernando Collor.

À parte toda essa história, temos um grande filme, com Val Kilmer em estado de graça, em atuação merecedora de Oscar (seu Jim Morrison bota o Ray Charles de Jamie Foxx e o Johnny Cash de Joaquin Phoenix no chinelo), e com Meg Ryan linda, linda, ousando pela primeira vez em sua carreira: cheira, bebe, fala palavrão e até arrisca um peitinho, como Pamela Courson, a namorada do líder dos Doors.

Vale muito a pena comprar e guardar este verdadeiro documento. Saudades dos tempos em que Oliver Stone tinha estilo próprio e sem concessões. E dos tempos em que idolatrávamos um bêbado que havia morrido trinta anos antes.

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sexta-feira, 1 de maio de 2009 - 0 Comentários

Este blogueiro ficará longe da civilização por sete dias. Isso significa que não comentarei a estreia de X-Men Origens: Wolverine, e também outras coisinhas menos importantes que vão estrear.

Na volta, eu corro atrás e comento a nova aventura de Hugh Jackman.

Rápida listinha de filmes que eu gostaria de ver - ou rever - nas férias (eu ando numas de anos 70):

O Cavaleiro Elétrico, com Robert Redford

Três Dias do Condor, thriller classudo e roteiro perfeito, também com Redford. Olha só o trailer:



A Última Sessão de Cinema, com a Cybill Chepard novinha!

American Graffiti, a despedida oficial da juventude, by George Lucas

Barbarella, porque Jane Fonda matando homens com uma vagina dentada não é algo a ser ignorado...

E, no fundo, no fundo, eu gostaria mesmo é de rever aquelas Sessões da Tarde de quando eu tinha 15 anos e muito tempo livre. Sem obviedades na linha Curtindo a Vida Adoidado:

Namorada de Alguel: Patrick Dempsey (de Grey's Anatomy) quer deixar de ser nerd, e a melhor maneira de fazer isso é alugando a gata Cindy Mancini por uns tempos.

Alguém Muito Especial: Eric Stoltz está paradão na Lea Thompson (De Volta para o Futuro), mas Mary Stuart Masterson é a mulher certa. Filme pra menininha, mas OK. É citado no atual Ele Não Está Tão a Fim de Você.

Admiradora Secreta: uma confusão é armada a partir de cartas de amor enviadas para as pessoas erradas. C. Thomas Howell é o herói da fita, com a melhor musa das fitas juvenis dos anos 80: Kelly Preston, atual Sra. John Travolta.

A Primeira Transa de Jonathan: Kelly Preston de novo, como Marylin, a predestinada que tirará o Jonathan do título do zero a zero. Uma trama rock'n'roll, que se passa nos anos 50. Classe A. De onde recupero uma cena essencial, para o filme e para a deturpada formação sexual de uma geração de moleques.



Jonathan fez o que tinha de ser feito. Pelo menos nisso é o que queríamos acreditar.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009 - 5 Comentários

O programa Access Hollywood divulgou os resultados de uma pesquisa mui relevante - diria essencial: os seios mais bonitos do cinema.

A campeã, como era de se esperar, é Scarlett Johansson. Apesar de, infelizmente, a moça nunca ter exibido seus tão preciosos ativos em filme.

Conheça as cinco primeiras colocadas:


1. Scarlett Johansson
























BLOGIE viu antes: ela era uma menininha meio sem graça, mas de muito talento em O Encantador de Cavalos, do Robert Redford. Não percebi potencial nenhum ali. Até que veio o plano de abertura de Encontros e Desencontros, e o mundo foi apresentado ao derrière da moça.
Onde conferir: Match Point, A Dália Negra, Vicky Cristina Barcelona, Encontros e Desencontros.

A equação: Scarlett + grandes diretores (Woody Allen, Brian DePalma, Sophia Coppola) = duas horas bem gastas.


2. Salma Hayek




















BLOGIE viu antes: A Balada do Pistoleiro acabava de ser lançado em vídeo. Queiroz, meu vizinho malandro, obrigou a turma toda a ver o filme. A contragosto, topamos. E o cara ficou comentando cada cena do filme, dizendo: "esse é o Banderas!", "o Banderas é f...!" - e aí apareceu a Salma Hayek, matadora, e ele se pôs de pé e começou a gritar: "é com esse cara que eu tinha que andar, e não com esses otários do Tucuruvi (nós). Olha essa morena!". E o filme passou a ficar mais interessante.

Onde conferir: A Balada do Pistoleiro, Um Drink no Inferno (dançarina sexy), Frida (nudez e lesbianismo), Era Uma Vez no México (mais uma vez, o Queiroz pirando).

A equação: Salma Hayek + Robert Rodriguez = diversão total, filme pra ver com os amigos.


3. Halle Berry
























BLOGIE viu antes: mentira, vi depois de todo mundo. Todos falaram dos peitos da mulher em A Senha, filme que nunca assisti (até hoje!). Mas não dispensei a oportunidade de ver A Última Ceia, mesmo sabendo se tratar de um filme bem chato.

Onde conferir: A Senha, A Última Ceia (a cena de sexo com Billy Bob Thornton compensa a chatice do filme), A Estranha Perfeita (Halle é a mulher fatal, sexy 100%).

A equação: Halle Berry + filmes ruins = garantia de exposição do corpo da moça.



4. Jessica Simpson

























BLOGIE viu antes: sorry, não conheço o trabalho dessa moça. Ela é cantora, é isso?

Onde conferir: no Google Images.

A equação: Jessica Simpson = seus peitos.



5. Jennifer Love Hewitt
























BLOGIE viu antes: vi mesmo. Até hoje, a moçada não entende por que eu assistia Party of Five com tal devoção. A Sarah de Jennifer era a namorada perfeita. E foi a razão pela qual eu me tornei fã daqueles filmes de terror de meados dos anos 90.

Onde conferir: Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (timidamente explorado), Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (plenamente explorado), Mal Posso Esperar (muito comportada), Party of Five (principalmente nas últimas temporadas, quando ela estava tentando traçar o namorado, Bailey, cujo equipamento insistia em não funcionar).

A equação: Filmes no cinema - Jennifer Love Hewitt = mundo sem graça.



E você? O que achou da lista do Access Hollywood? Sentiu falta de alguém?

Pra ficar em um par só, BLOGIE aponta: faltou Megan Fox, claro.

E, historicamente, vale a menção honrosa ao par de seios mais famoso do cinema - o par que, segundo o gênio Billy Wilder, desafiava as leis da gravidade:

























Segundo Wilder, em sua biografia E o Resto é Loucura, certa vez ele falou para Marylin que ela não deveria usar sutiã em tal cena. E ela respondeu, "mas não estou usando". Como Wilder fez uma cara incrédula, ela tratou de eliminar as dúvidas do chefe: pegou a mão dele e pousou sobre seu peito.

Foi aí que ele observou o lance da gravidade.

Peito também é cultura.

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domingo, 26 de abril de 2009 - 3 Comentários

Uma das estreias da semana traz o sempre engraçado Paul Rudd em mais uma comédia de macho: Eu Te Amo, Cara - a história de um rapaz que, às vésperas do casamento, percebe que não tem nenhum amigo para ser seu padrinho (o best man dos americanos). E aí ele entra numa cruzada em busca do brother.

É um filme que toma como tema central uma preocupação clássica do cinema: a amizade masculina. Veja o trailer:




A crítica de cinema Isabela Boscov escreveu na VEJA desta semana que o filme trata do "amor intenso, estritamente não gay, entre homens heterossexuais". E listou alguns filmes que vão fundo no assunto, como Gênio Indomável, Superbad e Onze Homens e um Segredo.

BLOGIE aproveita para entrar de sola no assunto: o "bromance" (romance de bróder, em tradução porca) é um tema tradicional do cinema, mas alguns filmes têm maior receio de discutir o componente gay da amizade, outros não.

Por exemplo: Butch Cassidy & Sundance Kid - há como negar que há atração entre os heróis vividos por Paul Newman e Robert Redford? O filme traz um monte de insinuações, tão escancaradas quanto naqueles episódios de Batman & Robin dos anos 60.

Perdidos na Noite, com Dustin Hoffman e Jon Voight: muito além da amizade, tá na cara.

A maioria dos filmes, no entanto, evita entrar nessa seara - como Gênio Indomável.

Eu Te Amo, Cara até brinca com o assunto, mas o filme mais indigesto e corajoso com esse tema foi trazido por Kevin Smith em meados dos anos 90: Procura-se Amy, com Ben Affleck e Jason Lee.


















Lembrando: os caras são cartunistas, parceiros e melhores amigos. Ben Affleck se apaixona por uma lésbica (a Amy do título), situação que bota a amizade em xeque. A própria Amy é quem percebe que tem coisa estranha por ali, e constata que Jason Lee está se comendo de ciúmes do amigo, mas de uma maneira muito mais doída do que seria razoável. Ela joga no ar: o cara ama o melhor amigo. E é uma verdade tão verdadeira que não é possível conviver com ela. A amizade acaba, os amigos se separam, e a gente fica com a pulga atrás da orelha.

Ainda assim, pinta aquela bela cena final - os caras se encontram em uma convenção de HQ, e se cumprimentam meio de longe, e sorriem, e a velha amizade está toda ali, ainda que eles entendam que o convívio não será restaurado... e aí eu me pego lamentando pelas amizades perdidas com os amigos de infância, do colégio e tal.

O que me faz pensar no filme que melhor trata da amizade masculina, não entre dois caras, mas entre uma turma toda: Brincando de Seduzir (em inglês: Beautiful Girls). O filme nunca foi lançado em DVD no Brasil, mas é um filmaço. Tem o Timothy Hutton, o Matt Dillon e a Uma Thurman (e a Natalie Portman com 14 aninhos). Hutton é o cara que mora em Nova Iorque, e que volta para a sua cidadezinha no interior do Massachussets para o Natal. Encontra todos os velhos amigos: um casado e cheio de filhos; o outro chafurdando no casa-não-casa com sua noiva; outro, que era o pegador da cidade e astro do colégio, tentando viver no passado, enquanto enrola sua eterna namorada que merece coisa melhor (papel da Mira Sorvino); e assim por diante.

A vida está dura para todo mundo, e todos estão enfrentando em silêncio os desafios de ser adulto e lidar com a frustração dos sonhos juvenis. Mas aí, quando todos se juntam no mesmo boteco de sempre, e Hutton senta no piano e toca Sweet Caroline (o hino informal do Red Sox, o lendário time de baseball do estado), os problemas se dissolvem: os amigos cantam juntos, e se apoiam em suas misérias, e se redimem em conjunto enquanto berram que "os bons tempos nunca pareceram tão bons". Veja a cena:



E aí podemos pensar, é isso aí, a amizade está bem retratada, em terreno seguro e confortável.

Que é como devemos nos sentir perto dos amigos de verdade.

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domingo, 19 de abril de 2009 - 2 Comentários

Hoje, na Globo, às 23:00: o melhor filme brasileiro de todos os tempos, Cidade de Deus.

É tão lugar-comum falar do filme de Fernando Meirelles desse jeito, que até esquecemos dos detalhes que fazem do longa a obra-prima que é. Da sequência de abertura (uma perseguição infernal à galinha que foge do churrasco na laje) até ao final, com a molecada da Caixa Baixa comemorando a tomada do poder no morro, tudo é tão bem acabado e feito com um cuidado jamais visto no cinema nacional. É coisa de Hollywood. Veja o trailer e relembre:



Os personagens (Busca-Pé, Dadinho/Zé Pequeno, Bené - "virei prayboy!" -, Cabelereira, Mané Galinha...) são muito bem construídos. Os atores são todos perfeitos (o filme revelou Alice Braga, como Vânia, a namoradinha do Busca-Pé). Aquela sequência do baile funk. A sequência do motel, em que o sangue ruim do Dadinho aparece. A cena em que o Benê convoca o playboy Tiago para apostar uma corrida de bike. O Busca-Pé traçando a jornalista. Zé Pequeno e gangue posando para a foto no jornal. Enfim, aquele momento antológico, em que Zé Pequeno toma a boca do Neguinho:

- Porra, Dadinho, como é que cê entra assim na minha boca?

- Quem disse que a boca é tua?, rapá...

- Queéisso, Dadinho?

- Dadinho é o caralho; meu nome agora é Zé Pequeno, porra!

A maior frase do cinema nacional, e a melhor do cinema mundial neste século, pode crer. Tá lá em cima, junto com o "Ninguém é perfeito" de Quanto Mais Quente, Melhor e os grandes.

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domingo, 29 de março de 2009 - 2 Comentários

A cena abaixo mostra o risco que o camarada está correndo quando pede algo "mais apimentado" para a sua namorada. Ela é retirada de O Verão de Sam, filmaço do Spike Lee (falarei sobre ele em outro post, ao longo da semana).

Um breve contexto: estamos na década de 70, era do disco e do Studio 54. O John Leguizamo é um cabelereiro ítalo-americano descolado que, por dançar bem, tem uma namorada gostosa (Mira Sorvino). No fundo, não passa de um John Travolta wannabe. Entupidos de pó, eles acabam indo - por sugestão dele e sob resistência dela - a uma pós-balada pesada: um bacanal sem regras, suingueira total, todo mundo transando com todo mundo. A conversa que se segue é a volta pra casa depois da loucura toda.


Lição nº 1 para cabelereiros baixinhos e feios: se você descolou uma Mira Sorvino, agradeça aos céus - e não vá inventar bobagem que possa estragar o encanto.


Dois detalhes sobre essa cena:

1) Ela virou um tipo de símbolo do girl power (o que isso significa, não sei muito bem - afinal, até as Spice Girls eram símbolo do girl power);

2) Ela contribuiu bastante para outra marca importante do filme de Spike Lee: é o sexto colocado no Top Fuck List do Wikipedia. Ou seja, é o sexto filme em que mais se falou a palavra fuck ou seu derivado qualitativo, fucking.

Ainda nesta semana, uma análise sobre O Verão de Sam.


PS: o primeiro colocado do Top Fuck List é Cassino, do Martin Scorsese. Só podia ser dele.

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segunda-feira, 23 de março de 2009 - 0 Comentários

Marlon Brando em O Poderoso Chefão. Provavelmente, o papel mais lendário da história do cinema, tanto pela importância - afinal, o filme foi um enorme sucesso, sustentando a marca de maior bilheteria de todos os tempos até o lançamento de Star Wars - quanto pelas curiosidades que o cercam - entre elas, o Oscar que Brando ganhou e não buscou, tendo mandado uma índia falsa em seu lugar para recusá-lo.

Mas o surgimento em si do Vito Corleone de Brando é a melhor história de todas.

O autor do livro O Poderoso Chefão, o ítalo-americano Mario Puzo, viu sua obra se tornando um best seller, e conseguiu vender os direitos de filmagem para um grande estúdio de cinema - a Paramount. Certo dia, mandou uma carta para Marlon Brando, dizendo: "Sr. Brando, eu escrevi um livro chamado The Godfather, e acho que você é o único ator vivo que pode fazer o protagonista, Don Vito Corleone".



Marlon Brando, o Chefão: o melhor ator no melhor melhor papel do melhor filme. Coisa única.


Convencer Brando a aceitar o papel era o menor dos obstáculos - difícil era convencer os estúdios a aceitarem Brando. À época, o ator já era uma lenda, tido como o maior de todos os tempos e tudo mais, mas estava em franca decadência. Tinha fama de encrenqueiro e vinha de uma série de filmes fracassados. Os executivos da Paramount condicionavam a grana para produzir o filme à não-escalação de Brando.

Mas estávamos nos anos 70 e, por algum motivo, o diretor escalado para o filme era o iniciante e talentoso Francis Ford Coppola, um sujeito que, aprenderiam os estúdios, gosta das coisas do seu jeito e não liga muito para estouros de orçamento. Coppola comprou a visão do autor do livro e queria emplacar Brando como protagonista. Encheu tanto o saco dos chefes que conseguiu um "teste de câmera" para Brando.

Só que, entenda, estamos falando de Marlon Brando, e Marlon Brando não faz "teste de câmera". Para disfarçar, lá foi Coppola com uma câmera na mão na casa do ator, para um "teste de maquiagem". E então aconteceu, bem em frente à câmera ligada do diretor, a transformação histórica.

Brando falou "andei pensando em algumas coisas", e começou a se transformar em Don Corleone. Passou as mãos cheias de graxa no cabelo, deixando-os pretos e esticados para trás. Encheu a boca com lenços Kleenex, para ficar com as bochechas gordas, pois acreditava que o seu personagem deveria ter o aspecto de um buldogue, "com aparência feroz mas, no fundo, de natureza pacata e carinhosa". E começou a falar em uma rouquidão sofrida, pois, na sua cabeça, o personagem tinha levado um tiro na garganta em seu passado. Nascia, ali, Don Vito Corleone.

A cena está gravada e disponível, escondida no meio do monte de extras contidos na caixa de DVDs da trilogia O Poderoso Chefão. Oportunidade rara de ver um gênio fazendo seu trabalho.

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quinta-feira, 19 de março de 2009 - 4 Comentários

Começou ontem o Especial Roman Polanski no Telecine Premium. Por uma semana, o canal exibirá filmes da carreira do diretor polonês que ficou tão famoso pela sua obra quanto por detalhes sórdidos de sua vida pessoal.

Explicando: em 1969, a esposa grávida de Polanski, Sharon Tate, foi assassinada pelo maluco Charles Manson e sua turma, num dos crimes mais famosos da história recente, em boa parte por causa da suposta inspiração em Helter Skelter, música do Álbum Branco dos Beatles.

Outra: em 1977, pegaram Polanski transando com uma menina de 13 anos. Quando viu que não tinha saída e que seu futuro era cana, ele se mandou dos EUA e passou a viver na França. Para não ser preso, não voltou nem para buscar seu Oscar de melhor diretor por O Pianista, em 2002.

Para rivalizar com isso, tem que ter filme bom, certo? E ele tem: Repulsão ao Sexo, com a Catherine Deneuve; O Bebê de Rosemary, que deu Oscar à Mia Farrow; Chinatown, o exemplo padrão de roteiro perfeito em Hollywood; o já citado O Pianista, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes e deu Oscars a Polanski e ao seu protagonista, Adrien Brody; e o mais recente Oliver Twist, uma adaptação respeitável de Charles Dickens.

Há também umas bombas no currículo do homem: Busca Frenética, com o Harrison Ford, e A Morte e a Donzela, com Sigourney Weaver, são dois exemplos básicos.

Mas a parte boa prevalece, e é ela que o Telecine Premium exibe nesta semana, sempre às 22 hs. Ontem já passou o pesadão O Bebê de Rosemary. Veja os próximos filmes, e não perca!

19/março (quinta-feira), 22:00: Chinatown. Com Jack Nicholson e Faye Dunaway. É o melhor filme de Polanski, uma homenagem aos filmes noir - aqueles filmes de detetive da década de 40 (Humphrey Bogart, loiras fatais e muita fumaça). É também um roteiro impecável, tendo ganhado o Oscar em 1974 (só não ganhou melhor filme porque concorria com O Poderoso Chefão Parte 2).




Veja o trailer de Chinatown, e veja por que Jack Nicholson tem lugar cativo na primeira fila do Oscar. Ele domina L.A.


20/março (sexta-feira), 22:00: O Pianista. Oscars de melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor ator. Adrien Brody é o pianista polonês (e judeu) que luta para sobreviver ao Holocausto. É uma obra muito pessoal para Polanski, que foi separado dos pais (cada um mandado a um campo de concentração - a mãe, enviada a Aushwitz, não voltou) e se virou sozinho no mesmo Gueto onde o personagem de Brody passa a maior parte do filme. É um filme bom e triste, talvez não adequado a uma sexta-feira. Não troque sua cerveja no boteco mais próximo por esse filme.

21/março (sábado), 22:00: Lua-de-Fel. Esse é pra quem gosta de sacanagem (e Polanski sabe dessas coisas). O cara botou a mulher dele (a atriz Emmanuelle Seigner) para se submeter a todo tipo de tara: voyeurismo, sado-masô, submissão. A história: num cruzeiro, o casal inglês formado por Hugh Grant e Kristin Scott Thomaz é envolvido nos joguinhos de um deficiente físico tarado e sua esposa gostosinha (Emmanuelle). Rola um pouco de tudo (até as garotas se pegam, num baile chique), e o final é bem melancólico mas, em um sábado à noite, com um filme desses... você e sua companhia já terão partido para o quarto antes do final.










Emmanuelle Seigner posando e em ação, em Lua-de-Fel. Roman Polanski não hesita em exibir sua esposa.
Agora, se nada disso lhe interessou, vá de Tropa de Elite, hoje mesmo, no Telecine Premium, às 22 hs. Capitão Nascimento não quer saber de frescura e cobre os bandidos e os playboys de porrada.

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quarta-feira, 11 de março de 2009 - 0 Comentários

Quando você para pra pensar no cinema de quarenta anos atrás, deve imaginar um filme todo quadradinho, com começo, meio e fim, mocinhos e bandidos bem definidos e final feliz e previsível - certo?

Errado. Filmes lançados na virada da década de 60 para a de 70, como A Primeira Noite de um Homem, Bonnie & Clide e Midnight Cowboy, subverteram a fórmula do filme de sucesso. Protagonistas esquisitos, finais meio anti-clímax e temas mais pesados deram emprego a gente como Dustin Hoffman, Al Pacino e Francis Ford Coppola - tipos que não teriam vez no cinemão clássico.

Mas o mais bem acabado exemplar dessa época acaba de completar quarenta anos: Butch Cassidy e Sundance Kid, um misto esquisitão de comédia e faroeste, no qual os heróis são ladrões de banco que dividem a mesma namorada e morrem na última cena. Os ladrões são Paul Newman e Robert Redford, as grandes estrelas da época, firmando aqui uma das parcerias mais marcantes da história do cinema (repetida apenas uma outra vez, em Golpe de Mestre).

Mas não é só isso. O filme toca nas questões centrais da existência do macho: posso desejar a mulher do amigo? Devo arriscar meu rabo pelo brother em perigo? Pra que levar tudo tão a sério? E, em última análise, nunca se esquecer que há sempre a opção de apertar aquele famoso botão que começa com "F" e que salva a honra do cidadão.

Por todas essas razões, Butch Cassidy e Sundance Kid é o filme VIP da semana. Saiba por que este é um filme que você tem que assistir.


A Dupla: habilidades complementares e amizade a toda prova



















Redford e Newman: amigos na vida real, criaram o buddy movie definitivo.


Butch é um malandro bom de papo e cheio de ideias (mas não necessariamente brilhante). Sundance Kid é um cara curto das ideias - e de pavio mais curto ainda. De quebra, Sundance é o gatilho mais rápido do oeste. Juntos, eles tramam assaltos a bancos que, a despeito da fragilidade de seus planos, acabam dando certo. Um dia, numa das ideias "geniais" de Butch, resolvem mudar para trens pagadores. Um erro de cálculo na quantidade de dinamite põe tudo a perder e eles se veem no meio de uma terrível perseguição (que tomará dois terços do filme).

O segredo do sucesso da dupla: Butch dá as ideias, não por ser muito inteligente, mas por ser um sonhador. Sundance resolve a parada, pois é um homem de ação. De certa forma, as frias em que o primeiro mete a dupla são o combustível que move o segundo.

A cena clássica da brodagem: os dois amigos estão encurralados no alto de um penhasco. Lá embaixo (bem lá embaixo), um riozinho. É ser pego ou se jogar lá de cima. E aí eles negociam:

Butch: Você pula primeiro.
Sundance: Não!, eu disse.
Butch: Qual seu problema?!?
Sundance (encabulado): Não sei nadar.
Butch (rindo muito): Você está louco? Só a queda vai provavelmente nos matar!

E eles riem. E declaram sua amizade incondicional, sem dizer uma palavra. E pulam.


Uma mulher para dois: Katherine Ross

A professorinha Etta Place é a namorada de Sundance Kid. Ao contrário das professorinhas indefesas dos filmes de faroeste, Etta sabe se defender sozinha, como fica claro logo na sua primeira aparição, em que ela confronta seu namorado fora-da-lei.

Etta vai mais longe: ela alimenta o óbvio interesse que o parceiro do seu namorado nutre por ela. Na cena mais famosa do filme, ela topa um rolê na bicicleta de Butch. Confira:


Paul Newman mostra como se aplica uma cantada elegante na mulher do melhor amigo.


Etta é deliciosamente vivida por Katherine Ross, a mulher que foi para o final dos anos 60 o que Scarlett Johansson tem sido para estes anos 2000. A atriz, que viveu a Elaine Robinson de A Primeira Noite de um Homem, era a mulher ideal da geração da contracultura: olhos e cabelos castanhos e desafiadores, sexy e com um ar inquieto. Dividiu seus amores com Butch Cassidy e Sundance Kid e enfeitou a tela durante os vinte minutos em que apareceu no filme.


Tempos Modernos: o macho em extinção

Um dos pontos centrais de Butch Cassidy é a sobrevivência do macho em um mundo que muda rápido demais. A ação rola no fim dos tempos dos cowboys. Já no início do século 20, as instituições se fortaleciam, os roubos a bancos se tornaram crimes federais - e nossos heróis se viram numa situação nova e desconfortável.

Tentando se adaptar aos novos tempos, eles vão atrás de trens, aprendem a andar de bicicleta, se aventuram na América do Sul. A bem da verdade, Butch tenta encarar os novos tempos. Sundance fica meio deslocado e resignado, como um coroa dos dias de hoje que não consegue dominar seus controles remotos.

A frase clássica, de Butch: "o futuro é todo seu, sua bicicleta idiota!"

O mundo moderno, simbolizado pela trip deles a Nova Iorque, vai fechando o cerco até eles não verem outra alternativa que não seja apertar a tecla "F".

Butch Cassidy e Sundance Kid trata disso: do fim dos tempos para o macho em estado bruto. Do excesso de controles, autoridades, novidades que nos impedem de exercer nossa virilidade mais primária. Enfim, um troço bem anos 60, mas que incomoda até hoje.

Um filme essencial. Uma versão comemorativa (afinal, são 40 anos) acaba de ser lançada em DVD, com uma penca de extras. Não perca.

Em tempo: nossos heróis vieram para a América do Sul, mas não conheceram o que temos de melhor: o futebol. Uma pena. Pois é ele que nos garante um resquício de paz e satisfação dos nossos instintos de homem das cavernas. Além, é claro, da preservação da espécie.

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segunda-feira, 9 de março de 2009 - 1 Comentários

Na última sexta-feira, estreou Frost/Nixon, filme que ganhou um monte de indicações para o Oscar. Pra quem quiser checar a ressaca de um dos episódios políticos mais vergonhosos da história americana, um belo e raro filme.

Raro, porque os americanos criaram uma verdadeira mitologia em torno de seus presidentes e, por consequência, é difícil encontrarmos bons filmes com esse tema - assim como não temos bons filmes sobre futebol no Brasil. Já vi péssimos filmes biográficos sobre Garrincha e Zico, e imagino que um americano não suporte ver um atorzinho encarnando Kennedy ou Roosevelt.

Assim, se dão melhor as comédias rasgadas e os filmes que optam por mostrar o lado negro do poder ianque. Este Frost/Nixon segue a segunda opção, e se dá bem.

Mas vamos dar uma olhada nos filmes de presidente que pintaram ao longo da história do cinema:


Presidentes Engraçadinhos:




















Há várias comédias simpáticas envolvendo o presidente dos EUA e sua mitologia (a Casa Branca, o avião Air Force One, os quadros dos antigos ocupantes da cadeira etc). Quase nunca chegam a ser grandes comédias, por serem respeitosas demais. Assim, Kevin Kline foi bem no manjado plot do cara muito parecido com o presidente que é alçado ao cargo por um dia em Dave - Presidente por Um Dia. Michael Douglas é digno na comédia romântica de Rob Reiner, Meu Querido Presidente (embora Anette Benning faça uma primeira-dama muito melhor do que o que se pode esperar na vida real).

Já em Mera Coincidência, de Barry Levinson, a coisa é mais ácida: o presidente molestou uma garotinha, então os marqueteiros do Governo (Robert DeNiro e Dustin Hoffman) resolvem declarar guerra contra a Albânia (!) para desviar a atenção.

Mas nada é mais desrespeitoso do que o grande Doutor Fantástico ou Como Parei de me Preocupar e Passei a Amar a Bomba, de Stanley Kubrick. Peter Sellers (foto) é o presidente americano imbecilóide que negocia o fim do mundo com o ditador soviético. Ao mesmo tempo, Sellers é o Doutor Fantástico, o cientista que fabrica a bomba atômica que resolve a parada e dá fim ao filme.


Presidentes Patéticos:
















Quando Hollywood tenta transformar o chefe da Casa Branca em herói de ação, a coisa termina mal. Harrison Ford (foto), que chutou rabos a esmo como Han Solo e Indiana Jones, está ridículo como presidente no péssimo Air Force One - um tipo de Velocidade Máxima que se passa no famoso avião presidencial, ao invés de um ônibus.

Outro fracassado é o presidente vivido por Bill Pullman em Independence Day. O cara, além de ser hesitante e parecer um borra-botas do início ao fim do filme, acaba entrando em um teco-teco para dar uns tiros em um enorme disco voador. Menos risível é a paródia de ID4 feita por Tim Burton no mesmo ano, Marte Ataca!, que traz Jack Nicholson como um presidente bizarro - mas, ainda assim, é Nicholson - portanto, mais respeitável do que Pullman...

Mas é óbvio que, em se tratando de presidentes patéticos, ninguém jamais vencerá o engraçado, estúpido e real George W. Bush no documentário Farenheit 911, do fanfarrão Michael Moore, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes. A triste cena de Bush demorando uma eternidade para processar a informação de que os Estados Unidos estavam sofrendo um ataque naquele momento - e decidindo por continuar sua leitura com alunos préescolares - ficará marcada na História, e não só do cinema.


O Presidente-Vilão:














Nixon: ele foi escolhido como o Cara Mau da História americana.


Nos anos 70, logo após o escândalo de Watergate, Hollywood decidiu que tinha achado seu presidente-vilão: Richard Nixon. Ele foi objeto (sem aparecer) no vencedor do Oscar Todos os Homens do Presidente, em 1975. Ele foi retratado por Anthony Hopkins como um ser tão desalmado quanto Hanibal Lecter, em Nixon, nos anos 90. E está agora, indefeso e acuado após os escândalos, no novo Frost/Nixon, notável pelo roteiro e pelas atuações de Frank Langella, como Nixon, e de Martin Sheen, como o apresentador de TV David Frost.


Só os Clássicos salvam:

São poucos os acertos dramáticos envolvendo presidentes americanos. Um deles é bem recente: a série John Adams, produzido e exibido pela HBO, que trata da vida do terceiro presidente americano, foi bem sucedida e ganhou um monte de Globos de Ouro. Paul Giamatti fez Adams sem muita pompa ou pose, e deu humanidade ao mito. Laura Linney, uma das melores atrizes do momento, fez a primeira-dama Abigail Adams, em atuação memorável.

Mas, mito por mito, nenhum é maior do que Abraham Lincoln. E este foi objeto de dezenas de filmes pavorosos, mas Young Mr. Lincoln, de 1939, até que não foi mal. Apostou no óbvio da grandiosidade e da pompa, mas pelo menos botou Henry Fonda no lugar de Lincoln. Ficou crível e até honesto. Se não tivesse sido lançado em um ano tão concorrido (1939 abrigou os lançamentos de ... E o Vento Levou e O Mágico de Oz, entre outros), teria garantido um lugar de maior destaque na história do cinema.

O acerto mais recente é um clássico moderno: a família Clinton. Mike Nichols, o grande diretor de A Primeira Noite de um Homem e Closer, adaptou para o cinema o livro "proibido" sobre a ascensão de Bill Clinton ao poder, desde seu passado como governador de Arkansas até os bastidores da campanha presidencial. O livro, Cores Primárias, trazia nomes fictícios para tentar driblar os processos, estratégia mantida pelo filme: Segredos do Poder, com John Travolta e Emma Thompson (foto) nos papéis de Bill e Hillary - mas com outros nomes, não conte pra ninguém...














De qualquer modo, o filme era até respeitoso com o casal, mas foi solenemente ignorado pelo público e sublimado pela crítica. Uma pena, pois Nichols nunca erra.


O Futuro
















Em meio à quebradeira de bancos e seguradores e às notícias nada promissoras sobre a economia, BLOGIE deseja a Barack Obama melhor sorte do que a dos filmes de presidente que Hollywood tem feito.

E continua torcendo para Robert Redford, candidato ao Senado no ótimo O Candidato (foto), de 1972, um dia chegar a presidente.

Pelo menos na tela grande.

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quinta-feira, 5 de março de 2009 - 0 Comentários

Sabe o menino meio nerd que o Jack Black transforma em guitarrista da banda, no filme Escola de Rock?

Pois é, o moleque, Joey Gados Jr., foi preso anteontem por dirigir bêbado na sua cidade, em Michigan. Ele está com 17 anos.

Aparentemente, ele evoluiu bastante nos estudos rock'n'roll desde a bela comédia que o revelou, de 2003. Nela, seu personagem trocou o violão clássico pela guitarra elétrica, após treinamento intensivo à base de Jimi Hendrix, Deep Purple e Black Sabbath. Compôs uma música, vencedora do festival "Batalha das Bandas", e terminou o filme solando AC/DC enquanto os créditos subiam.


Detalhe: era o próprio ator, então aos 11 anos, que tocava as guitarras Gibson. Olha só:


Jack Black ensina à meninada que o caminho par ao topo é longo se você quer ser roqueiro. Solo do fedelho aos 02:15.

Mas isso era só o início. Pelo jeito, no módulo avançado, o professor deve ser o Mickey Rourke. Se continuar assim, Joey Gados Jr. pode chegar à pós-graduação, com aulas do imortal Keith Richards.

É isso aí, moleque: essa é a pegada. Keep on rockin'.

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segunda-feira, 2 de março de 2009 - 2 Comentários

O grande vencedor do Oscar deste ano, você sabe, foi Quem Que Ser um Milionário?. É um tal de nêgo falar em um certo "estilo Bollywood" do filme, é um papo-aranha sem fim... Mas quem é mais chegado na sétima arte sabe que o estilo rápido, o tratamento pop e os diálogos cortantes (sem incorrerem no exibicionismo de um Tarantino) são marca registrada não do cinema indiano, mas sim do diretor do longa premiado: Danny Boyle.

Danny Boyle, que, há uns quinze anos, apareceu com Cova Rasa, e que atingiu grande sucesso com um dos filmes que mais marcaram os anos 90: Trainspotting, a saga de um bando de drogados escoceses rumo ao nada. O filme que, de quebra, fez de Ewan McGregor uma estrela.

Trainspotting é o primeiro Filme VIP da Semana, uma sessão que estreia agora no BLOGIE. É o filme eleito porque toca em questões centrais do universo macho do leitor de VIP. Se você sobreviver nos pubs de Edimburgo, você se dará bem em qualquer lugar!


Alta brodagem nas Highlands

McGregor é Renton, um cara que, vinte anos antes, bem poderia ter sido o Alex de Laranja Mecânica. Mas estamos nos anos 90, e ele e sua turma evitam a todo custo as decisões que a vida adulta impõe. Para ajudá-los, muita heroína, muitas horas de bar, muitos erros coletivos.

Da moçada, o icônico Sick Boy e o bobalhão Spud são parceiros de vício de Renton. Logo na primeira cena, vemos os dois últimos fugindo de seguranças após um roubo para comprar heroína.

Tommy, um esportista que não usa drogas, e Begbie, o típico sociopata do pub (que tira o seu barato a partir de brigas), aconselham os amigos a saírem fora da heroína. Renton topa, e sua luta para ficar limpo é o fio condutor do filme.

















Mui amigos: Spud, Renton e Begbie seguem juntos até o fim - cada um à sua maneira...


Mais à frente, a amizade será posta à prova: prisão, um bebê morto por negligência, AIDS e morte pintam no caminho dos brothers. E, no fim das contas, Renton amadurece com a pior das constatações sobre seus amigos.

E mostra que identificar quem é seu amigo de verdade pode ser a chave para sair do buraco.


Ele é o cara: não se meta com Begbie

Robert Carlyle é Begbie, o rei do pub, o homem mais perigoso de Edimburgo. Um taco de sinuca, uma pint de cerveja e uma palavra qualquer de um interlocutor é tudo de que ele precisa para começar a pancadaria.

Com seu bigodão, Begbie encarnou o hooligan padrão dos anos 90. Sua falta de escrúpulos era absoluta, e não poupava os amigos: uma mão cortada aqui, uma traição por grana ali, e tudo que lhe restou foi seu inseparável canivete.


A grande cena: um supositório de ópio, uma privada imunda e Renton

Tão famoso quanto a cena em que John Travolta e Samuel L. Jackson conversam sobre hamburger em Pulp Fiction, o momento em que Renton, tentando se livrar da heroína, resolve encarar um supositório de ópio, é uma obra-prima. O artigo, Renton consegue em um boteco dos mais derrubados.

E então, no banheiro mais nojento da Grã-Bretanha, ele deixa cair a droga na privada. Alucinado, ele mergulha de cabeça até sumir total e absurdamente dentro do vaso. Consegue resgatar o tal supositório, mas volta ao bar devidamente coberto de merda da cabeça aos pés. Veja a cena:




E isso nos remete novamente a Quem Quer Ser um Milionário?, filme que dá sequência à tradição de heróis cobertos de merda na obra de Danny Boyle.


Perto da turminha de Renton em Edimburgo, a vida na favela de Mumbai até que é mole.


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domingo, 15 de fevereiro de 2009 - 0 Comentários

Na última sexta-feira, dia 13, estreou, entre filmes bacanas indicados ao Oscar, a nova versão de Sexta-Feira 13, uma lenda dos anos 80 que, tal qual seu vilão, Jason, não morre nunca.

Sincera e honestamente: não assistirei à nova versão, assim como já não tinha assistido à última empreitada, aquela coisa que misturava Jason e outro ícone do terror oitentista, Freddie Krugger. Assim como abandonei a coisa toda em Sexta-Feira 13 Parte VII, lançado enquanto eu ainda estava no colégio.

Jason foi um cara bacana, uma atração divertida principalmente durante a pré-adolescência. Em seus filmes, havia pencas de loirinhas transando, antes de serem perseguidas pelo assassino mascarado. Havia um prazer trash em acompanhar a série.

O melhor filme da série é a Parte II, aquela em que a moçada do Camp Crystal Lake resolve jogar Strip Monopoly - uma versão de "Banco Imobiliário" em que os imóveis e aluguéis são pagos com peças de roupas. Além da sacanagem, as mortes são as mais divertidas da série.

O vídeo abaixo traz uma edição especial com todas as mortes do filme, agrupadas em dois minutos e meio. Clique, se tiver estômago:


É tipo o Gols do Fantástico: só traz os "finalmentes". Jason é o Romário do facão.


Mas o melhor final de todos é o de Sexta-Feira 13 Parte IV - o Capítulo Final: o Corey Feldman, o Bocão de Goonies, raspa a cabeça e se faz passar pelo próprio Jason, confundindo a cabecinha limitada e amalucada do assassino. Num vacilo, Jason é assassinado a pauladas pelo menino de uns doze anos. A mocinha da história também é a mais gata da série: Kimberly Beck.











Jason morto, no fim do "Capítulo Final". Yeah, right.


Mas, a partir daí, começou aquela palhaçada do Jason morrer no fim de um filme e ressucitar no início do outro, e a coisa começou a perder a graça pra mim.

Ou simplesmente era o tempo passando.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 - 4 Comentários

O Oscar está fechando cada vez mais seu target: se, nos últimos trinta anos, a cultura dos blockbusters passou a espremer os filmes com temas adultos nos três meses que antecedem o prêmio da Academia, agora a novidade é que mesmo neste período não há vida fácil para aqueles de gosto amargo.

Isso fica claro ao vermos que Foi Apenas um Sonho, adaptação do romance de Richard Yates (o nome original, tanto do livro quanto do filme, é Revolutionary Road, bem mais irônico e instigante), recebeu apenas três indicações ao Oscar, todas por categorias secundárias (melhor ator coadjuvante, direção de arte e figurino). O que é uma pena, pois o filme é ótimo.

Frank e April são o casal que se conhece jovem e sonhador, apropriadamente encarnados pela dupla romântica mais vencedora da história do cinema - Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, de Titanic. Em dois minutos de filme, essa fase juvenil do relacionamento é apresentada e cortada direto para a vida que se segue: dois filhos pequenos, trabalho desinteressante para Frank, excesso de tempo livre para April, vidinha vazia para ambos. Estamos no território dos filmes que tratam da falência do sonho americano, do projeto débil que é viver na classe média assentada em ruas tranquilas e casas espaçosas.

















Um trago e colinho não são suficientes para trazer paz à cabeça desse cara...


Para tentar apimentar a vida, e sem saber direito o que estão fazendo, os "jovens Wheeler" (como a corretora de imóveis vivida por Kathy Bates costuma chamá-los) se metem em situações que só pioram a coisa: casos extraconjugais, planos para largar o trabalho e mudança para Paris, pequenas mentiras e grandes discussões.

O filme é dirigido por Sam Mendes, marido de Winslet e vencedor do Oscar por Beleza Americana, outra crônica amarga sobre a vida no subúrbio. A diferença entre Beleza Americana e Foi Apenas um Sonho é que este não abre espaço nem para uma pontinha de redenção (o primeiro oferecia isso, ainda que depois da morte, e com uma boa pontuação de humor ao longo do filme). A visão de Sam Mendes vai na linha "essa vida é tudo de ruim".

Ainda assim, há algo de muito interessante em Foi Apenas um Sonho, e isso é mérito do casal de protagonistas - quando eles sonham com suas mudanças, você acredita; quando dizem se odiar (mesmo se amando), você lamenta. Quando rumam para o fim, você fica olhando para o nada, pensando na vida em termos mais sérios do que gostaria. É impensável por que razão alguém acharia a atuação de Brad Pitt em Benjamin Button superior à de DiCaprio neste filme; é simplesmente uma escolha errada a indicação de Kate Winslet por O Leitor, ao invés desta atuação arrebatadora.


Veja o trailer de Foi Apenas um Sonho. E vá ao cinema!



Foi Apenas um Sonho faz parte da tradição de grandes filmes que estudam a incapacidade humana em manter um relacionamento adulto com um mínimo de estabilidade. Closer, de Mike Nichols, Domicílio Conjugal, de François Truffaut, e metade dos filmes do Woody Allen tratam desse tema com estilos diferentes e igual sucesso.

Mas o filme que mais conversa com Revolutionary Road é Two for the Road (aqui, Um Caminho para Dois), de 1967, dirigido por Stanley Donen. O filme traz Albert Finney e Audrey Hepburn como o casal que enfrenta a crise após dez anos de relacionamento. O cenário, ao invés do lar, é uma viagem pelo sul da França. Os problemas enfrentados, os mesmos (filhos que vieram antes do que se esperava, traições etc). A grande diferença, no entanto, está na maturidade para encarar os problemas e o desafio da vida a dois: enquanto o jovem Sam Mendes e seus personagens com sonhos ainda juvenis rumam para um fim trágico, os mais rodados Donen, Finney e Hepburn permitem-se rir um pouco da situação e buscam o melhor caminho para tocar a vida em frente.

Resumindo: acho que Sam Mendes, quando tiver cinquenta anos, pensará em fazer outro filme com o mesmo tema, mas com um pouco mais de sabedoria, coisa que ele hoje toma por "comodismo". Se fizer isso, ganharemos todos. Ele terá feito outro ótimo filme, valorizando ainda mais a sinceridade de Foi Apenas um Sonho.

E aí, talvez, o Oscar se lembre dele novamente.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 - 9 Comentários

Imagine se contratassem o diretor de cinema brasileiro mais estiloso - digamos, Fernando Meirelles - e lhe dessem um baita orçamento para contratar o elenco que quisesse, com aparato técnico de ponta e tudo mais, com o melhor roteirista, para transformar em filme um conto do mais celebrado escritor brasileiro - pode ser A Causa Secreta, do Machado de Assis. E digamos que, para o elenco, contratassem Wagner Moura como protagonista, que abraçaria o trabalho como um papel "definidor de carreira".

Interessante, não? Pois é mais ou menos isso o que significa, para os americanos, a estreia de O Curioso Caso de Benjamin Button, filme de David Fincher (Clube da Luta) que parte de um conto sinistro de F. Scott Fitzgerald, tido (ao lado de ernest Hemingway) o como grande escritor americano do século 20. A premissa é bem curiosa mesmo: o tal Benjamin Button nasce velho, com ossos e juntas degeneradas e pouco cabelo grisalho, e vai rejuvenescendo, até morrer bebê.
Mais curioso é ter Brad Pitt como protagonista, e saber que é Pitt que aparece em cada momento da vida de Benjamin - seja bebê, imberbe, jovem, velho, muito velho, é sempre Brad Pitt que está ali, se valendo de alguma mágica digital incrível e inédita.

Portanto, é um filme-evento, e é um dos certos indicados a muitos Oscars. (Perdeu um pouco de força ao não ganhar nenhum Globo de Ouro, mas a Academia costuma ser muito mais amiga desse tipo de empreitada.)



Veja o trailer de O Curioso Caso de Benjamin Button!


O filme estreia nesta sexta-feira no Brasil, e certamente vale a ida ao cinema, mas cabe dar uma contida nas expectativas: o resultado não é tão bom quanto a promessa.

Isso acontece, em primeiro lugar, porque da ideia original de Fitzgerald, sobrou pouca coisa (basicamente, só aquele breve resumo aí de cima; o foco e o espírito da coisa é bem diferente); das palavras elegantes do escritor, não sobrou nada. É tudo obra do roteirista Eric Roth, o mesmo do premiado (e excelente) Forrest Gump.

Acontece que Roth desfigurou a reflexão de Fitzgerald e a transformou em outro Forrest Gump: aqui, assim como no filme com Tom Hanks, o protagonista é alguém que, devido a alguma característica excepcional (QI baixo no filme de 1994; relógio biológico ao contrário no de 2008), é condenado a viver na solidão - ainda que ele sempre encontre porto seguro na velha casa de sua mãe e em encontros esporádicos com seu amor de infância. Tudo isso, devidamente encaixado no contexto dos grandes eventos da história americana recente.

É um roteiro muito, muito parecido com Forrest Gump, só que sem a graça deste - e sem o carisma de Tom Hanks. O clima de Benjamin Button é de melancolia do início ao fim, e o trabalho de Brad Pitt é bom, muito bom, mas não mais do que isso. Principalmente na fase jovem de Benjamin, Pitt fica meio sem graça. (Mas sua atuação como velhinho com vitalidade de criança é um show!)











Brad Pitt: velhinho com cara de safado e vitalidade de meninão.


Outro problema está no interesse amoroso do protagonista: a personagem de Cate Blanchet (que também interpreta a garota da infância até a velhice) começa interessante, mas bem na hora do ápice, aquele meio da vida em que os dois são jovens e aptos a consumar um amor que vinha sendo cozido em banho-maria... ela é uma mala. Uma enorme mala sem alça, que fala, fala, fala pelos cotovelos. E você pensa, por que um cara bacana e vivido como Benjamin amarraria seu burro com essa chata?

De resto, os efeitos são muito bons, realmente impressionantes e ganharão aquela premiação técnica do Oscar (maquiagem, efeitos...).

Mas não é o suficiente para fazer um filme realmente memorável. Hollywood continua devendo uma grande adaptação da obra de Fitzgerald. Nos anos 70, Francis Ford Copolla, logo depois de ter brilhado com os dois primeiros Poderosos Chefões, falhara ao ser extremamente reverente em O Grande Gastby. Desta vez, é David Fincher que erra, ao assumir liberdade demais neste Benjamin Button.





















Fitzgerald: ainda não conseguiram fazer um baita filme a partir dos seus baita livros...


Torçamos para alguém encarar Suave é a Noite e finalmente honrar a obra de um escritor que admirava tanto o cinema.

Mas, por ora, o que temos são as duas horas e meia de O Curioso Caso de Benjamin Button - e isso já é melhor do que quase todos os outros filmes em cartaz. Então, esqueçam a frescura confessa deste blogueiro e bom cinema!

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009 - 3 Comentários

O filme-fenômeno Crepúsculo se vale de uma incômoda tendência dos fenômenos culturais juvenis: a falta de sexo. Harry Potter, High School Musical e os meninos da pequena e gelada Forks, onde a vampirada se instala, todos têm uma coisa em comum: ninguém transa nesses filmes.

Além de pouco natural, é um desperdício: a pequena Kristen Stewart (como Bella, a protagonista de Crepúsculo) não faria feio no papel de Engraçadinha, do Nelson Rodrigues. Mas são as regras do jogo nos dias de hoje...

Isso tudo faz BLOGIE se lembrar da época em que crianças eram criadas vendo loiras seminuas (e com ficha corrida extensa e variada, incluindo pornochanchadas, revistas masculinas, concurso de panteras, namoro com celebridades etc) comandando os programas infantis. Tempos em que os filmes destinados ao público jovem não economizavam naquilo que ocupa boa parte das atenções da moçada: inaugurar o marcador, sair da sêca, comer logo alguém.

Esses filmes traziam musas que variavam em estilo, beleza e talento. Mas que, certamente, eram (bem) mais desinibidas do que a Bella. Aqui estão elas:


A Pioneira: Phoebe Cates, a Linda de Picardias Estudantis



















Tudo começou em 1981, no filme Picardias Estudantis. A comédia adolescente por excelência revelou Sean Penn, Jennnifer Jason Leigh, Forest Whitaker, Nicolas Cage e mais gente. Mas a cena inesquecível é mesmo aquela em que a musa Phoebe Cates (como Linda, a garota mais vagaba do colégio) sai da piscina para entrar no inconsciente coletivo de uma geração. Seu top less ficou tão famoso que, segundo lenda de meados dos anos 80, as locadoras de vídeo tiveram problemas com as cópias em VHS do filme: estavam todas estragadas, de tanto a molecada operar o pause, rewind e slow-motion dos seus aparelhos de vídeo-cassete.


A Globalizada: Shannon Elizabeth, a Nadia de American Pie


















American Pie está para a década de 90 assim como Picardias Estudantis está para a década de 80. Portanto, para quem está na casa dos 25 anos, a estudante de intercâmbio Nadia permanece imbatível. A menina húngara (interpretada pela americana Shannon Elizabeth), por algum motivo, resolve dar um adianto na iniciação sexual do bobalhão Jim (Jason Biggs). Ela fica nua, praticamente monta em cima do rapaz, mas tudo dá errado - e o vídeo do fracasso de Jim vai parar na Internet.


O trio: Jennifer Connely, Liv Tyler e Joanna Going - as irmãs Abbot em Círculo das Paixões














No meio da década de 50, os irmãos pobres Jayce e Doug vivem orbitando em torno das três lindas e ricas filhas do Sr. Abbot. Liv Tyler é a caçula e a única com a cabeça no lugar. Joanna Going nos faz perguntar por que não há mais filmes com ela...

... E Jennifer Connelly, como é de costume, não decepciona a torcida: manda ver com Jayce, enquanto se diverte ao sentir que a transa é espiada por Doug.
























Jennifer Connelly nunca nos decepciona!

Outros momentos especiais da grande Jennifer: Rocketeer, Waking the Dead, Um Lugar Muito Quente e Requiém por um Sonho. E, para quem é mais velho, sua revelação em Labirinto continua dando saudades.


A Experiente: Elisha Cuthbert, a Danielle de Show de Vizinha





















Danielle: ela quer conhecer os amigos do namorado já no primeiro encontro...

A vizinha perfeita: linda, maluquinha e, digamos, bem experiente: Danielle, depois descobre Emile Hirsh, é uma estrela pornô. Mas aí o mané já está apaixonado pela moça. Belo filme, que fez de Elisha Cuthbert ( a filha do Jack Bauer, de 24 Horas) como a maior musa teen desta década.



O Sonho de Consumo: Ammanda Petterson como Cindy Mancini em Namorada de Aluguel



















Cindy no vestiário: quem roubou meu nerd?

Ronald Miller (Patrick Dempsey, atual estrela de Grey's Anatomy e vários filmes de Hollywood) é o maior mané da sua escola. Anda com os nerds e descola uns trocados cortando a grama dos vizinhos (seus próprios colegas!).

Cindy Mancini (Amanda Peterson) é a deusa do pedaço, e jamais daria bola para Ronald.

Certo dia, numa festa, Cindy derruba vinho no casaco de camurça que ela pegara escondido da mãe - e que custa uma fortuna. Ronald sente o cheiro da oportunidade e faz uma proposta que ela não pode recusar: ele banca, com seus trocados de aparador de grama, um casaco novo para a menina - e esta finge ser sua namorada por uns tempos.

E aí, Ronnie vira o maioral no Colégio, anda com os atletas, traça todas as gostosas - e Cindy acaba se revelando uma namorada perfeita, inteligente e interessada nos papos de astronomia do CDF.

Enfim, segundo Namorada de Aluguel, há redenção na Terra para os nerds.

Cindy Mancini, se vendendo por tão pouco - e mantendo sua "essência" -, lidera este time de musas teen que apavorariam não só Bella, como todos os vampiros e resto do elenco de Crepúsculo.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 - 7 Comentários

Indo direto ao assunto: o fenômeno teen do ano, o filme Crepúsculo (em cartaz em cinemas a rodo por aí), é bacana e merece ser visto por você, amigo leitor adulto da VIP.

Apesar da castidade irritante da história. Apesar dos grupos de menininhas colegiais que tomam o cinema e suspiram juntas a cada lance mais romântico. Apesar, enfim, do vampiro canastrão Edward Cullen, congelado nos seus 17 anos desde o início do século 20 - e sempre fiel à sua imitação meio tosca de James Dean e do Dylan, de Barrados no Baile.

O grande atrativo do filme está na pequena Kristen Stewart, 18 aninhos, no papel de Bella Swan, a heroína romântica do momento.

















Bella e o vampiro: ela desperta os instintos mais primitivos.


Bella é a girl next door defintiva. Não tem nada de "fatal", é meio desajeitada, passa o filme todo coberta por moletons, calças jeans e casacões. Ela encarna, como ninguém, aquela namoradinha dos tempos de colégio: ela é sensual sem fazer força. Dá pra sentir sua respiração, quente, na nossa cara. É impossível desgrudar os olhos da sua boca, sempre semiaberta, em estado de apreensão. Quase é possível sentir o seu cheiro, e não dá pra culpar o tal vampiro imitador de James Dean por ter vontade de sugar a moça até a morte. É inevitável.

(Como disse aquele senador ladrão, ela desperta os instintos mais primitivos.)

Não é só isso: o sucesso do filme reside em grande parte na identificação do seu público (meninas adolescentes) com a protagonista. E a atriz dá conta do recado. Ela faz qualquer um sentir a desconexão com o mundo, com lugares novos, com gerações diferentes, com os outros adolescentes... torna crível aquela sinuca de bico em que todos já nos metemos: a sensação de que a vida depende de engatar um namorico com a "única pessoa do mundo que te entende".

Tudo isso, enfiado em uma história de vampiros que, de tempos em tempos, é sempre bem recebida pelo público jovem.

Enfim, Crepúsculo é um bom filme, agrada em cheio à meninada, mas serve como alimento para a nostalgia de todos nós. E é registro lindo do surgimento de uma bela mulher e de uma grande atriz: Kristen Stewart.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Nem todos os filmes de Natal são populados por duendes e renas do nariz vermelho. Há alguns, acredite, que não seguem o esquema Esqueceram de Mim ou Felicidade não se Compra. Se você não suporta os filmes fofinhos que tomam a televisão perto do Natal, BLOGIE preparou uma lista infalível de filmes natalinos que chutam rabos. Bom Natal Infernal!

5- Batman II - O Retorno (1992)










O hit natalino de 1992: Michelle Pfiffer embrulhada em pacote sado-masô.

O Natal na Gotham City de Tim Burton não podia ser mesmo muito agradável. O Pingüim de Danny DeVito e, principalmente, a Mulher Gato de Michelle Pfiffer não estão exatamente tomados pelo espírito natalino. Cabe a Michael Keaton dar um trato na vilã.


4. Trocando as Bolas (1983)











Especulação: Dan Aykroyd enfrenta os altos e baixos do mercado com dignidade.


Dois milionários fazem uma aposta de fim de ano: um acredita que pode fazer de Eddie Murphy (um mendigo malandro) um valioso operador da Bolsa de Valores; o outro paga um dólar pra ver o plano dar certo.

Dan Aykroyd é o operador que, tendo perdido seu lugar para Murphy, acaba na sarjeta. Arruma uma prostituta como namorada (Jamie Lee Curtis, em ótima forma) e arruma um bico como Papai Noel. Um Papai Noel bêbado e violento, diga-se. Muitos falam do Papai Noel bebum de Billy Bob Thornton no mais recente Bad Santa, mas fique com o original. Um velhinho bêbado e armado que invade a Bolsa é algo no mínimo apropriado para este Natal.


3- Os Fantasmas Contra-Atacam (1988)












O Fantasma do Natal Passado dá uma dura em Bill Murray.


Bill Murray é um executivo de TV implacável. Como não se sensibiliza com a época de Festas, nem mesmo ao produzir uma encenação do Conto de Natal de Charles Dickens, ele é visitado pelos três fantasmas do Natal - os fantasmas do Natal Passado (um taxista bêbado e imundo), do Natal Presente e do Natal Futuro.

No fim, o cara é regenerado e tudo mais, mas o caminho é tortuoso e divertido. Muito humor negro no segundo filme de Natal mais sinistro daquele ano...


2- Duro de Matar (1988)










Frase natalina na camiseta do traficante morto: "Ganhei uma metralhadora. Ho Ho Ho!" Presente de John McClane.


John McClane (Bruce Willis) chega a Los Angeles para passar o Natal com sua esposa. Esta se vê presa em uma confraternização de fim de ano da empresa Nakatomi, em um prédio de 40 andares. Prédio que é seqüestrado por um grupo de terroristas. McClane resolve a parada sozinho.

Nada de "Ho Ho Ho" por aqui. O bordão do Natal de 1988 era "Yippee-ki-yay, motherfucker!"


1- Gremlins (1984)

O presente de Natal perfeito: um bichinho exótico, fofo e inteligente. Gizmo.












Fofura natalina: Gizmo vai puxar um Depeche Mode no teclado...

Mas três regras devem ser respeitadas: 1) não dar água para o bichinho; 2) não deixá-lo exposto à luz do dia; 3) não alimentá-lo depois da meia-noite. Como o dono de Gizmo é meio relaxado, ele abre as portas do inferno. O bichinho transforma-se em um monstrengo gosmento que semultiplica em um exército que praticamente destrói a cidadezinha.










Gizmo, não exatamente nos seus melhores dias...

Entre a destruição de uma loja de brinquedos e assassinatos com requintes de crueldade, há vários outros atrativos, como Phoebe Cates, a primeira musa juvenil dos anos 80.













Phoebe Cates: lugar cativo no imaginário da moçada que crescia nos anos 80.


Com essa enxurrada de tiras, fantasmas, terroristas, bêbados, monstrengos e gostosas tomando o lugar do Bom Velhinho, BLOGIE deseja um feliz Natal para os leitores!

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Sábado, às 22:00, no Telecine Premium: Antes só do que mal casado, com Ben Stiller. Mais uma comédia indigesta dos irmãos Farrelly.

Ben Stiller é o cara simples e bacana (afinal, só um cara simples e bacana é dono de uma loja de artigos esportivos simples e bacana) que descola a mulher dos sonhos. Ela é loira, alta, linda e se apaixona por ele imediatamente. Eles se casam.

Na saída para a lua-de-mel, euforia: o rádio toca Rosalita, clássico do Bruce Springsteen, e ela canta a complicada e comprida letra do Boss a plenos pulmões. Stiller pira.

... mas, a partir daí, os defeitos da moça começam a aparecer. Ela não pára de cantar, e de cantar alto, inclusive hip-hops de gosto duvidoso. Ela é cheia das manias. Ela faz sexo de maneira de maneira, digamos, pouco agradável. Ela é um pesadelo.



E, ali, vivendo o inferno de uma lua-de-mel com um monstro no Cabo San Lucas, Stiller acha uma mulher simples e bacana (e atraente) - e passa a conviver com as duas.

Aí o filme se perde um pouco, mas ainda assim é engraçado. Não chega a ser Quem vai ficar com Mary?, mas vale uma olhada... Ben Stiller está bem, a trilha é ótima, as participações especiais que vão pintando são espertas.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 - 3 Comentários

Semana fraca de estréias no cinema? Salas cheias de cópias dubladas de Madagascar 2? Calma, amigo, não desista. Talvez valha a pena dar uma chance ao velho Ridley Scott.

Faz tempo que o diretor de Blade Runner só leva pau da crítica. Seu filme vencedor do Oscar, Gladiador, nunca foi levado a sério. Outros filmes, como Falcão Negro em Perigo, viraram piada. Sua última obra, Rede de Mentiras, está nos cinemas brasileiros há quase um mês, sem causar grande comoção - e isso, apesar de ter Leonardo DiCaprio e Russel Crowe como protagonistas! Falaram que o filme é confuso, fraco, todas essas coisas... mas este blogueiro resolveu ignorar as críticas e foi presenteado com duas horas de ótimo cinema.

Rede de Mentiras é cinema à moda antiga: roteiro baseado em trama, bons personagens, antagonismo, tensão, torcida pelo herói... e aquela sensação positiva de que você foi enganado no final. E a vontade de voltar ao cinema para ser enganado novamente.

A trama: DiCaprio (sempre com atuações cheias de personalidade e energia) é o agente da CIA que encara um corpo-a-corpo no Oriente Médio. Seu chefe (Crowe) é um burocrata que vive em Washington, dando ordens e pitacos - às vezes, desastrados e desastrosos - em meios às suas atividades comezinhas (levar a filha na escola, tomar um drink à beira da piscina...). Os dois lideram uma missão do tipo "salvar o mundo": encontrar o terrorista responsável por atentados de grande porte pela Europa (um Bin Laden da vida).


Veja o trailer de Rede de Mentiras, com Leonardo DiCaprio e Russel Crowe.

Noves fora, não me interessa muito (e não deve interessar ao leitor também) se a visão de Ridley Scott sobre a atuação americana no Oriente Médio é ácida ou amarga ou politicamente inclinada pra este lado ou aquele. O que interessa é que a história é atual, é urgente, está bem escrita e te deixa colado na poltrona. A edição é competente, como se espera de um diretor tão experiente e comprovadamente competente.

E a última meia hora do filme é, no mínimo, angustiante.

Além disso tudo, pelo menos um pensamento sério sai do filme, que é mais ou menos sua assinatura: os americanos não podem ganhar esse conflito apoiados na tecnologia, porque seus oponentes ignoram o mundo da tecnologia. Logo, são impossíveis de serem rastreados.

Belo filme, não decepciona. Rede de Mentiras, ótima opção entre os filmes em cartaz!

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domingo, 7 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Hoje, no TC Cult, às 22:00: Crepúsculo dos Deuses, obra-prima de Billy Wilder - este que é, simplesmente, o maior diretor de Hollywood de todos os tempos.

Os superlativos acima entregam: o autor deste texto é fã incondicional do diretor austríaco que se tornou ícone em Hollywood. Wilder se serviu dos maiores astros americanos dos anos 40 e 50: usou Audrey Hepburn e Humphrey Bogart em Sabrina; Jack Lemmon e Shirley McLaine em Se Meu Apartamento Falasse e Irma LaDouce; Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado e naquela que é considerada a maior comédia do cinema, Quanto Mais Quente, Melhor.


Mas o melhor de tantos filmes geniais é mesmo Crepúsculo dos Deuses, uma dissecação impiedosa da vida em Hollywood e da crueldade da carreira em cinema. Gloria Swanson, uma ex-estrela do cinema mudo que vivia no ostracismo, ganhou o papel principal do longa: uma ex-estrela do cinema mudo que vive no ostracismo. Seu mordomo, mais tarde é revelado, era um diretor renomado do cinema mudo - e o ator que o vive, de fato, foi um grande diretor dos primórdios do cinema.
























Gloria Swanson está piradinha, coitada, em Crepúsculo dos Deuses.


E temos William Holden, o alter-ego favorito de Wilder, no papel do jovem roteirista que topa qualquer negócio pra se montar na cidade dos sonhos. Ele é, basicamente, um fanfarrão: vagabundo, desprovido dos valores mais básicos e de talento questionável.

No conteúdo, Crepúsculo dos Deuses se aproxima muito de Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Este é, na verdade, quase uma atualização do primeiro, retratando Hollywood como uma cidade onde as pessoas chegam para viver um sonho e acabam tragadas pra dentro de um pesadelo de aparências e egos.

Na forma, o filme de Wilder é tão especial que não dialoga com nenhum outro filme, mas sim com literatura de peso: a cena de abertura deixa claro que o protagonista é o defunto que aparece enorme na tela, e é ele o narrador da história. É o narrador-defunto que Machado de Assis lançou em Memórias Póstumas de Brás Cubas, e Wilder soube usá-lo como ninguém.

Wilder era especialmente habilidoso para criar cenas iniciais e cenas finais. Em Quanto Mais Quente Melhor, botou o Jack Lemmon travestido se revelando um homem para um milionário enamorado, que responde, olhando para a frente, a anárquica última frase: "ninguém é perfeito!"

Em Crepúsculo dos Deuses, a última cena também é clássica. Mas não vou comentá-la. Convido o leitor a ficar em casa, fechar as janelas para não ouvir o foguetório são-paulino e assistir a este filmaço.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Neste sábado, dia 06, no Fox Life: Garota da Vitrine, com Steve Martin e Claire Danes. Um filmaço.

O nome do filme não promete muita coisa - uma comédia romântica boba, talvez. A presença no cartaz de Claire Danes, a Julieta que ainda não tinha entregado um papel adulto convincente, indica irrelevância. E o nome de Steve Martin pode, enfim, reduzir bastante o interesse, uma vez que o público cativo do comediante não deve ir muito com a "cara" desse filme.

No entanto, A Garota da Vitrine surpreende todas as expectativas e entrega uma história de relacionamentos em que falta tudo - comunicação, reciprocidade, cumplicidade. Como reflexo da cidade em que vivem os personagens (Los Angeles, onde qualquer ida à padaria é uma viagem de carro), há distância entre todos, há solidão em todos, há uma enorme carência de afeto que consome a balconista que veio do interior, o executivo que vive numa redoma sem vida, o freak que marca passo na vida.
















Claire Danes é uma balconista entediada, mas linda.



O roteiro, baseado em um romance do próprio Steve Martin, é de uma delicadeza exemplar, alternando reflexões narradas em off - o que confere uma certa aura de fábula ao filme - com cenas repletas de silêncios e olhares - momentos que aproximam A Garota da Vitrine de Encontros e Desencontros, outro filme que junta uma garota entediada e um homem de meia-idade frustrado através (ou apesar) de uma metrópole sufocante. As discussões apresentadas são as mesmas do outro projeto autoral de Martin, L.A. Story, mas aqui o tratamento é mais profundo e faz uso infinitamente menor do humor e do cinismo. A Garota da Vitrine transpira verdade e uma certa ingenuidade, o que pode comover o espectador, especialmente se se considerar que esta é a obra de um comediante milionário que é um escritor elegante, tentando conferir a humanidade e a delicadeza de seu texto à sua já desgastada figura pública de ator cômico.


Veja o trailer de Garota da Vitrine, baseado no romance do próprio Steve Martin.



No mais, Claire Danes acerta em cheio e, enfim, faz um belo trabalho adulto (já ensaiado, como coadjuvante, no recente Tudo em Família) - e está bem desejável, por assim dizer. Steve Martin está ótimo em sua atuação comedida e um tanto entediada (lembrando, mais uma vez, Encontros e Desencontros, onde outro grande comediante faz um papel melancólico e cheio de hesitações). E o que parecia ser mais um sábado sem nada que preste na TV, ganhou um bom programa, graças à agradável surpresa que é este conto de Steve Martin.


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domingo, 30 de novembro de 2008 - 0 Comentários


Hoje, domingo, no Telecine Cult, às 22:00: Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci.

O mote do filme interessa: em Paris, no meio do rebuliço de 1968, um rapaz americano se aproxima de um casal de irmãos franceses, a partir de uma paixão e um lugar em comum: o cinema e sua meca daqueles tempos, a Cinemateca.

A ação (ou o mais próximo disso) se passa dentro do apartamento dos irmãos. Ali, corre um jogo de sedução, perversão e manipulação tão inexplicável quanto qualquer outro aspecto da adolescência. A qualidade vem da delicadeza com que Bertolucci trata seus jovens e suas descobertas.

E a maior descoberta do diretor é a deliciosa Eva Green, que mais tarde faria uma Bond Girl inesquecível em Cassino Royale, mas nunca esteve tão bonita, tão desejável, tão sexy, nem tão pelada quanto neste Os Sonhadores.





Eva Green é revelada, em todos os sentidos, em Os Sonhadores.





Então esqueça o Fantástico hoje, quem liga para o Bola Murcha x Bola Cheia? Vá de Eva Green em Os Sonhadores. Que é pra dar uma inspirada na semana.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008 - 0 Comentários


Hoje, no Telecine Cult, às 22:00: Os Safados, com Steve Martin e Michael Caine.

É simplesmente a melhor comédia dos anos 80 - e os anos 80 foram pródigos em comédias! - e uma das melhores de todos os tempos.

Michael Caine é um trapaceiro requintado que engana ricaças bêbadas nos cassinos da Riviera francesa - e angaria fortunas com seu lero-lero. Steve Martin é o trapaceiro mequetrefe que faz o mesmo, mas para garantir a janta do dia.

Os dois se cruzam, e é óbvio que a aparição de Martin é uma ameaça ao reinado de Caine. Uma aposta é travada, e os dois competem para provar quem é o maior trapaceiro: quem pegar primeiro a "rainha do sabonete" fica na cidade e com a mansão; o outro tem que ir operar em outra cercania.


Veja o trailer de Os Safados! E esteja na frente da TV às 22:00...

Roteiro perfeito, situações engraçadíssimas, Michael Caine inspirado e Steve Martin alucinado: Os Safados é uma comédia ao mesmo tempo elegante, inteligente e hilariante. E com um final surpreendente!

Imperdível!

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008 - 0 Comentários

Imperdível!

É neste sábado, no Telecine Premium, às 22:00: a melhor e mais importante comédia dos últimos dez anos: Ligeiramente Grávidos!!!

O filme é aquele que fez do diretor Judd Appatow o novo Midas do riso; é aquele que transformou Seth Rogen no astro de cinema mais improvável desde... desde que inventaram o projetor; e ainda inaugurou um gênero à parte: o stonner commedy (algo como "comédia de maconheiro").

A turma boca-suja de Appatow e Rogen inclui ainda atores secundários fiéis e engraçados, entre eles Paul Rudd, o único bem apessoado (mas não menos avacalhado) da confraria que é chamada em Hollywood de Máfia da Comédia. Veja o próprio diretor apresentando o trailer - engraçadíssimo - do filme:



O filme é um marco porque conseguiu enterrar a velha comédia romântica. Chega de ambientes requintados, cafés, livrarias e papos engraçadinhos em restaurantes caros. Chega de fingir que estamos num filme do Woody Allen. Ligeiramente Grávidos traz um bando de vagabundos maconheiros fazendo hora na vida - e, quando um deles se depara com a necessidade de fazer a barba e tomar uma atitude, a coisa fica muito engraçada.

Então, não perca: Ligeiramente Grávidos, no Telecine Premium. A primeira comédia romântica de macho.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008 - 0 Comentários


O novo filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, é uma verdadeira coletânea de coisas que montam a vida como deveria ser: jantares com vinho, passeios por Barcelona, um final-de-semana despretensioso em Oviedo, pouco ou nenhum trabalho, carros conversíveis - e, claro, Scartlett Johansson, Penélope Cruz e Rebecca Hall, de preferência juntas.


















A vida é mansa para os personagens de Vicky Cristina Barcelona. Ou não...

Allen sabe das coisas, e não é de hoje: em Manhattan (o preferido de BLOGIE), o próprio diretor, no seu usual papel de intelectual mal resolvido, se põe a listar "as coisas que fazem a vida valer a pena". De um modo geral, ele lista as obras-de-arte que ocupam o universo das pessoas urbanas, dando uma aliviada no sofrimento causado pelas neuroses... mas termina com a constatação de que há algo na lista que está (ainda) ao seu alcance.

Acompanhe a lista de Woody Allen e monte a sua!

1- Grouxo Marx (ídolo de Allen, homenageado em outros filmes, como no final de Hannah e Suas Irmãs e numa festa de réveillon em que todos devem usar o bigode de Grouxo em Todos Dizem Eu Te Amo);

2- Louis Armstrong, na gravação de Potato Head Blues (que você também ouve no início de Harry & Sally, da Nora Ephron);


3- O segundo movimento da Sinfonia de Júpiter, de Mozart.


4- Filmes suecos - mas Allen não se refere ao gênero que celebrizou a arte sueca mais instintiva... ele se refere ao outro ídolo, Ingmar Bergman, de O Sétimo Selo e outras coisas tristes e reflexivas.



5- A Educação Sentimental, de Flaubert. O que tem muito a ver com Manhattan.

6- Marlon Brando. Jack Nicholson, que foi vizinho de Brando em Hollywood, certa vez disse que Brando não fazia sombra. Esse é o tamanho da lenda do cara.

7- A voz de Frank Sinatra.

8- "Aquelas incríveis maçãs e pêras do Cézanne", referindo-se à famosa série de natureza morta do pintor Paul Cézanne... a série está no Metropolitam Museum, em NYC.






















9- Siri no Sam Wo's. BLOGIE não trabalha com caranguejos e siris. Mas acredita no mestre.

10- O rosto de Tracy... Tracy, no caso, é a sua namoradinha adolescente no filme, vivida por Mariel Hemingway (neta do escritor Ernest Hemingway).



















Amor juvenil depois de velho: Woody sopra uma gaita enquanto Tracy (Mariel Hemingway) toma um milk-shake.



E você? Qual a sua lista de coisas que fazem a vida valer a pena?


Na minha, o item "estréia de um filme novo do Woody Allen por ano" ocupa lugar de destaque.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008 - 0 Comentários



Nada pra fazer na noite de sexta? Mesmo com filme novo do 007 no cinema?

Além de Sustagen de manhã e uma dose de tequila à noite, receito ao amigo conformado a trinca de filmes do Adam Sandler que serão exibidos na noite de hoje na TV...

Primeiro vem Afinado no Amor (19:00, no A&E), um filme que pode se gabar de ser o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80. A coisa é hilária, trazendo Sandler como o cantor de casamentos que arrebenta nas festas com sucessos contemporâneos - You Spin Me Round, do grupo ultra-gay Dead or Alive, dá o toque bizarro logo na cena de abertura. Em seguida, vêm Drew Barrymore (ela própria, uma citação dos anos 80), muito som antigo do bom (The Cure, Smiths) e piadas interessantes sobre o longínquo mundo da MTV e dos blazers com ombreira, vistos à luz de hoje: por exemplo, em certa cena, Sandler - puto da vida - manda a ex-namorada tirar a camiseta do Van Halen, "senão vai dar azar e a banda se separa" (a coisa se passa em 1984, o Van Halen no auge, com Jump e tudo). Em outro momento, Billy Idol aparece no papel de Billy Idol. E muito mais. Almanaque dos Anos 80, versão cinema.


















Adam Sandler inaugura as baladas trash 80's, Ploc e afins. Em Afinado no Amor, de 1998.


Mais tarde, você terá que optar: ou pega Tratamento de Choque (22:00, Sony), ou o onipresente Click (deve ser o filme mais exibido dos últimos seis meses nos canais HBO; hoje, às 22:00, no HBO Family e*).

O primeiro é a tradicional comédia de Adam Sandler, o cara normal que é tido como estranho pelas convenções cínicas, politicamente corretas e pentelhas da sociedade. Com o tempero extra de trazer Jack Nicholson como Dr. Rydell, o psiquiatra especialista em "gerenciamento de raiva". Ele submete o personagem de Sandler a um tratamento que mais o prepara para uma temporada no manicômio que o demo deve comandar no inferno. De qualquer modo, não é dos melhores filmes de Sandler.


















Mas a cena de Sandler dando um pau num monge budista é antológica...


Já o segundo, Click, tornou-se um mega-sucesso, ao mesclar a comédia com um drama familiar que acertou em cheio no público. O filme é bom, com roteiro esquisito e interessante, Sandler oferece uma performance sensacional (tipo o Jim Carrey em Show de Truman, saca?), e contamos com o sempre bom Christopher Walken e... claro, Kate Beckinsale, sempre linda, sempre uma boa razão para ver um filme. Se estiver acompanhado da patroa, não hesite, vá de Click. Vai rolar aquela choradeira no final, mas o filme é bom!

















Quem deveria se preocupar com o controle remoto, quando se tem Kate Beckinsale em casa?


Adam Sandler é o cara. Quem viu o seu filme mais recente, Zohan, sabe disso e não argumentaria nada em contrário. Cabe um post mais desenvolvido sobre o talento do astro-gente-fina, e BLOGIE tratará disso. Aguarde.

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