segunda-feira, 23 de novembro de 2009 - 0 Comentários

Um som sincero pra começar a semana: Sá, Rodrix e Guarabyra, o trio que fundou o "rock rural" (rótulo meio besta dado às investidas brasileiras no folk rock americano misturado com MPB, nos idos dos anos 70). Aqui, eles apresentam um medley de três canções, cada uma composta por um dos integrantes (e todas grandes clássicos da música brasileira):



As canções são: Casa no Campo, do finado Zé Rodrix, que fez enorme sucesso na voz de Elis Regina; Caçador de Mim, de Sá e Tavito, que foi gravado por Milton Nascimento, 14 Bis e meio mundo; e Espanhola, de Guarabyra e Flavio Venturini, que ficou bem conhecida na voz do segundo (trilha da novela Que Rei Sou Eu?, se não me engano).

O mais bacana - e até tocante - é o final, em que eles arrematam com uma mistura dos três clássicos.

Gosto muito. É a mistura de dois gêneros que muito me agradam - o folk à Crosby, Stills & Nash e a MPB mineira do Clube da Esquina.

Boa semana a todos!

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terça-feira, 3 de novembro de 2009 - 7 Comentários

A VEJA publicou uma matéria de duas páginas sobre a Zooey Deschanel, aproveitando o gancho do lançamento, na próxima sexta-feira, de 500 Dias Com Ela, comédia romântica diferentona que foi a sensação do verão americano. A crítica Isabela Boscov aproveitou para rotular a estrela como "musa do homem romântico", daquele que se encanta mais com os enormes olhos de Zooey do que com a sacanagem escancarada de uma Megan Fox.

Bem, não quero me gabar, mas BLOGIE sentiu o cheiro desse fenômeno antes e declarou que Zooey será a próxima grande estrela de Hollywood. Relembre o post de 25 de junho deste ano:

http://vip.abril.com.br/cinema/2009/06/falando-em-zooey-deschanel.shtml

Bem, e isso faz de mim - e dos leitores que nutrem uma afeição especial pela moça - um "homem romântico"? Sinceramente, não me importo.

O ponto é que Megan Fox, Angelina Jolie e outras mulheres mais fatais, dessas que exalam sexo, não têm alguns dos tributos de Zooey, a saber:

1) Em Quase Famosos, ela sai de casa e deixa para o irmão sua coleção de discos. É Led Zeppelin, The Who, Simon & Garfunkel, Yes... Eu angariei a minha coleção com enorme esforço, e imagino o sonho que seria ter ganhado esse tesouro de uma gata com aqueles olhos me dando instruções detalhadas sobre como ouvir Tommy.

2) Em Sim, Senhor, ela surge como uma aparição para Jim Carrey, num momento sinistro: ele acabara de ficar sem gasolina, em uma área um tanto inóspita. Dá uma carona para o cara na sua scooter e vira sua namoradinha, dando uma graça superior a uma comédia que ficaria abaixo da média. Bem, eu já passei por uma situação de ficar sem gasolina durante a madrugada, e quem me deu uma carona até o posto mais próximo foram dois caras que fumavam maconha dentro de um Gol branco 1991. Confesso que confiaria mais numa bonequinha numa scooter do que em dois maconheiros, mas é a vida...

3) Ela canta no She & Him, um misto de folk com Beatles com Supremes - um som pra lá de agradável e nostálgico, que me dá a sensação de que estamos em 1964, e que não houve Jimi Hendrix, nem punk rock, nem hip hop. A vida é simples como um programa de auditório da Jovem Guarda. Nos sentimos em casa. Veja uma apresentação da dupla na MTV Canada:


"Estou sozinha numa bicicleta para dois", diz a cantora-atriz. Isso porque ela não pinta na nossa área.

4) Aqueles olhos.

Bom, além disso tudo, 500 Dias Com Ela estreia na sexta. Outro post tratará do filme, mas é bem previsível a minha dica para o final-de-semana, não?

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Ontem, completaram-se 45 anos sem Cole Porter.

O homem que foi, provavelmente, o maior compositor do século 20. Páreos para ele, apenas John Lennon, Paul McCartney e seus contemporâneos, Irving Berlin e os irmãos Gershwin. (Eu acrescentaria Paul Simon na lista, mas aí é gosto pessoal.)

























Profícuo, Porter escreveu canções avulsas, peças para a Broadway e, de bola cheia, aportou em Hollywood para ser o dono da bola na era de ouro dos musicais.

Seu repertório ficou imortalizado nas vozes dos maiores cantores americanos (Frank Sinatra, Tony Bennet, Ella Fitzgerald fizeram carreira baseados na obra de Porter) e meio mundo pop (U2, Rod Stewart e muitos outros ganharam uma grana gravando seus clássicos).

Mas Porter não pensava em astros pop ao compor. Pensava em ter suas canções cantadas por Fred Astaire no palco ou na tela grande.

Foi assim em A Alegre Divorciada, primeiro filme de Astaire com sua parceira ideal, Ginger Rogers. O grande dançarino mostrou que era um excelente cantor ao apresentar ao mundo o grande clássico de Cole Porter: Night and Day. Veja!

Um pensamento: mesmo para os padrões atuais, Ginger Rogers é nota dez!

Muitas outras músicas de Porter chegaram ao cinema. No mínimo dois filmes foram feitos em sua homenagem: Night and Day, biografia chapa-branca estrelado por Cary Grant, teve resultado constrangedor. Já De-Lovely, mais recente e com Kevin Kline defendendo com elegância o papel do compositor, foi bem ao escancarar o homossexualismo e o lado menos agradável de Porter. E teve resultados irregulares ao misturar Elvis Costello, Alanis Morrisete, Diana Krall e outros para cantar seus standarts. Bom mesmo, só o I Get a Kick Out of You com Robie Williams.

Mas mais bacana é lembrar a parceria de Frank Sinatra e Bono Vox em I've Got You Under My Skin (composta para o filme Born to Dance, de 1936, indicada - e inacreditavelmente derrotada - para o Oscar de melhor canção daquele ano).


Sinatra em seu campo de jogo (nota 10). Bono tirando uma onda (nota 8). Na média, um 9,0 honroso para a versão. 

Cole Porter representa uma era de ouro de Hollywood, época de produtores poderosos, diretores tiranos, estrelas inatingíveis. Filmes de sonho, escapistas, maiores que a vida. Catarse coletiva. Trilha sonora mais adequada, impossível.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Vídeo para começar muito bem a semana. Stevie Nicks e Tom Petty, acompanhados dos Heartbreakers, em 1981. A música é Stop Draggin' My Heart Around.



Dois ícones americanos no auge. Naquela época, Nicks lançava seu primeiro disco fora do Fleetwood Mac. A Rolling Stone a botou na capa e a chamou de rainha do rock'n'roll. Petty, que lançava seu melhor disco - Hard Promises, que o colocou como ponta-de-lança de uma geração brilhante de compositores americanos  (Bruce Springsteen, Jackson Browne...) -, cedeu essa canção para a moça. Gravaram juntos. Fizeram o vídeo, para um canal de TV novo, que acabara de ser lançado: MTV.

Foi o sucesso do ano. A história estava feita.

Acho que nunca usaram essa música como tema de filme. É um erro.

P.S.: no You Tube, você acha uma versão dessa música mais recente, com a Joss Stone e o Rob Thomas, do Matchbox 20. Vendo, dá pra entender o valor da parceria Nicks / Petty. Ninguém precisa se esgoelar nem fazer caras e bocas pra mandar bem. Artista seguro do seu talento é outra coisa.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Pra começar a semana com gás total:



O filme é Jerry Maguire, de 1996. Um belo filme, com roteiro e direção elegantes e indicados ao Oscar. No mais, papel da vida de Tom Cruise.

Depois de ter sido demitido e de ter levado um pé na bunda da noiva, o tal do Maguire (Cruise) acaba de sair de uma reunião que lhe promete grandes negócios. O rádio oferece Bitch, dos Stones, mas não é exatamente a trilha sonora que traduz seu momento.Ele vai girando o dial e passa por Angel of the Morning, com a Olivia Newton-John. Nada a ver. E passa batido por outra música, um easy listening infernal.

E aí entra Free Fallin', do Tom Petty. Que som!

Tom Cruise, Cameron Crowe (o diretor do filme, que sempre dá um jeito de colocar suas músicas preferidas em destaque) e eu berramos junto com Petty: "I am free... Free fallin'!"

Boa semana a todos!

P.S.: pra quem quiser saber mais, essa música é do primeiro disco de Petty sem sua banda, os Heartbreakers. O disco é Full Moon Fever, de 1989. Produção do então onipresente Jeff Lynne, responsável pelo som do George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison naquele rico final dos anos 80. Todos esses figurões e produtor se juntaram naquele mesmo ano e formaram os Traveling Wilburys, a superbanda mais bacana da história. Assunto pra mais de metro.

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domingo, 23 de agosto de 2009 - 5 Comentários

Caros leitores,

Sorry, hoje não tenho nada de cinema. Ontem, ao invés do programa-padrão de toda sexta, sábado e domingo, encarei a missão de cumprir um daqueles itens que todo brasileiro deve cumprir antes de morrer.

Fui no show do Roberto Carlos.

E foi sensacional. É muito repertório, muita história, muitas manias e muito talento. O cara é realmente o Rei.
























O inimitável: seu melhor disco, cheio de soul e rock'n'roll - mas com o toque popular único de RC

Entre arranjos perfeccionistas, mil maneirismos que se tornaram pra lá de caricatos e produção de nível internacional, Roberto desfilou sua série incrível de canções integradas no imaginário popular e nas vidas de todos nós. Emoções; Eu te amo, Eu te amo, Eu te amo; Detalhes; Outra Vez. Essas foram apenas as quatro primeiras canções do show.


Que passou pela obrigatória sessão da Jovem Guarda (por sorte, ele selecionou Quando, uma das minhas preferidas!); passou pelas canções de motel (Cavalgada foi executada em grande produção, com uma sessão instrumental que lembra Live and Let Die, do Paul McCartney); pelas homenagens à mãe e a Nossa Senhora; culminou com o coro de um Ginásio do Ibirapuera lotado cantando Como é Grande Meu Amor Por Você; e que terminou com a tradicional distribuição de dúzias e dúzias de rosas durante o soul Jesus Cristo.

Enfim, um show pra se sentir em casa, durante os preparativos do Natal.

O saldo final é o seguinte: o que falam é verdade. Nascemos no Brasil, temos que ver o Rei ao vivo pelo menos uma vez. Já se vão 50 anos de carreira do homem. Eu diria que esta é a hora.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009 - 4 Comentários

O diretor mexicano Alfonso Cuarón é famoso por E Sua Mãe Também, com Diego Luna e Gael Garcia Bernal, o filme que o tornou uma certa autoridade em juventude - e que o qualificou para dirigir um dos filmes da série Harry Potter.

Mas alguns anos antes, lá em 1998, ele dirigiu um belo filme, baseado em um dos grandes romances de Charles Dickens, que não ganhou muitos louros da crítica nem público de blockbuster, mas que vale a pena conhecer: Grandes Esperanças, com Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow.

















Quando assisti ao filme, fiquei impressionado com a força de seus personagens e com a criação do universo pessoal de Fynn, o jovem artista que tem sua vida inteira atormentada por seu amor de infância, Estella. Achei que tinha um quê de Dom Casmurro, e depois fiquei sabendo que era um romance do Dickens, e hoje suspeito que Machado tenha arrancado alguma inspiração de Grandes Esperanças.

Mas bacana mesmo é uma cena em que Estella (Paltrow) aparece do nada na casa de Fynn, pede para ele a desenhar e arranca a roupa. E irrompe a música da banda inglesa Pulp: Like a Friend. Que som!!!

Pra inspirar uma segundona modorrenta, uma trilha de grandes esperanças. Aproveite!



Veja o vídeo de Like a Friend, do Pulp, trilha de Grandes Esperanças.


Boa semana!

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Um minuto e quarenta e oito segundos. Esse é o tempo que Paul Simon leva para fazer uma obra-prima. Esta é April Come She Will, da dupla Simon & Garfunkel, uma das músicas mais lindas de todos os tempos:


As cenas que acompanham a canção são do filme A Primeira Noite de um Homem, de 1967, provavelmente o maior ícone do cinema americano dos anos 60.

Mike Nichols (que se mantém relevante, tendo feito filmes como Uma Secretária de Futuro e Closer - Perto Demais) ganhou o Oscar de melhor diretor. Dustin Hoffman virou astro. Anne Bancroft se tornou uma lenda, no papel de Mrs. Robinson. E Mrs. Robinson, a música, ficou tão famosa quanto.

E não podemos nos esquecer de Katherine Ross como Elaine Robinson, a coisa mais atraente daquele final de década. É ela que embeleza o vídeo acima.

É tanta coisa boa que os dois minutinhos de April Come She Will até passam meio despercebidos. Injustiça. Fica como a música da semana.

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segunda-feira, 20 de julho de 2009 - 2 Comentários

Bom, alguém um dia inventou que 20 de julho seria o "dia do amigo".

OK, a coisa é cafona, mas aqui no BLOGIE, como nas mesas dos melhores bares, tudo é motivo pra puxar uma conversa.

Já falei várias vezes de filmes que tocam no tema da alta brodagem masculina (Butch Cassidy & Sundance Kid, Trainspotting, Brincando de Seduzir, Procura-se Amy...).

Há muitos outros que merecerão comentário mais cuidadoso por aqui: Era Uma Vez na América, Role Models (um filme recente e que nem foi lançado no cinema...), além, é claro, das comédias do Billy Wilder com a dupla Jack Lemmon e Walter Mathau...

Mas a minha cena preferida de todas, e que merece citação nesta data "especial", está em Quase Famosos, do Cameron Crowe. O filme trata do menino adolescente que, no meio dos anos 70, é contratado pela Rolling Stone para escrever sobre sua banda preferida - a fictícia Stillwater.

A moçada do Stillwater, como toda banda que se preza, briga a torto e à direita, se xinga, se separa, um come a mulher do outro - e no final tudo acaba em pizza.

A melhor cena do filme é aquela em que Russel Hammond (Billy Crudup), depois de brigar com a banda toda e de ter passado uma noite fora na balada (com bebida a rodo e LSD), é resgatado pelo ônibus da turnê. Silêncio no busão, aquele clima pra baixo, o cara no auge da bad trip, e o rádio começa a tocar uma música do Elton John: Tiny Dancer. Aos poucos, a trupe toda (a banda, suas groupies e agregados) começa a cantar a música - e a paz volta a reinar no mundo do rock'n'roll.


Que música é essa? Elton John, Tiny Dancer, do disco Madman Across the Water, de 1971.

Porque amizade de brother é assim: não tem que pedir desculpas, nem nada: bastar dar um soco no braço e deixar rolar, bola pra frente.

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Uma das atrizes mais interessantes, bonitas e malucas do momento é Evan Rachel Wood.
























Reconhece? É aquela menina revelada em Aos Treze, como a pré-adolescente que, sob as piores influências e uma certa falta de noção da mãe, acaba virando uma depravada barra-pesada. Um filmaço.

Mais tarde, ela foi se tornando moça, aparecendo em uns filmes independentes, e aí estrelou aquele vídeo-clipe maneiro do Green Day, When September Ends, no qual ela é a namorada do soldado Jamie Bell (outro astro pré-adolescente crescido: é o menino de Billy Elliot), que foi pra guerra e todos ficam tristes com o amor juvenil interrompido. Na época, os dois atores engataram um namoro.

E aí veio Across the Universe, aquele filme cheio de músicas dos Beatles, e ela é a Lucy, e ela canta lindamente, e é linda, e dorme pelada no sofá, enquanto o ator Jim Sturgess, tão deleitado quanto nós, canta Something, do George Harrison. Com coro deste lado da tela. Muito apropriado: Harrison, que escreveu a canção para outra loira maravilhosa (Pattie Boyd, musa também de Eric Clapton em Layla e Wonderful Tonight), certamente aprovaria.


Veja Evan cantando If I Fell, dos Beatles, em Across the Universe!

A partir daí, as atenções do mundo se viraram para a moça, que tem alto potencial de se tornar "a próxima grande estrela".

Contra isso, apenas o fato de que ela é uma notória maluca, dessas atrizes que sentem a necessidade de engatar um papo-cabeça sobre "a integridade da arte" ou algo que o valha, e que acha que namorar um cara bem escroto, tipo o Marylin Manson, é algo que "acrescenta", assim, como se fosse verbo intransitivo.
























Um estranho casal: Rachel Wood e Manson

É verdade: ela manteve um romance (?) de dois anos com o bizarro roqueiro, cujo maior feito foi ter supostamente retirado duas costelas para conseguir praticar sexo oral consigo mesmo. No mais, estrelou um vídeo-clipe de Manson, Heart-Shaped Glasses, no qual há uma cena de sexo que, diz a lenda, foi de verdade.

Essa tendência não é de todo ruim: de um certo modo, faz a loirinha ficar seletiva, e ela acaba entrando em bons filmes, como Correndo com Tesouras, um estranhíssimo filme sobre uma escritora frustrada (Annete Benning) que se submete ao mundo do seu analista, um cara muito mais louco do que ela. Wood é uma das filhas do tal analista e, como todo o resto da família, é doida de pedra.
















Correndo com Tesouras: os Excêntricos Tenembaun parece a Família Dó-Ré-Mi perto destes...

Ainda na linha "filmes independentes", ela mandou uma bola dentro como a filha lésbica (e morena, pra dar uma variada) de Mickey Rourke em O Lutador (que, na minha opinião, foi o melhor filme do ano passado). A propósito: a partir daí, a mocinha engatou uma relação com o seu pai na tela, o ex-galã e notório encrenqueiro Rourke. Prevejo uma vida dura para a garota.

Aos 22 anos, o próximo grande passo na carreira de Wood está dado: ela está entrando em cartaz nos EUA no novo filme do Woody Allen, Whatever Works, com o criador de Seinfeld, Larry David. Este faz o comediante entediado que se envolve com uma moça mais nova (adivinhe quem). É uma situação parecida com a de outro filme de Allen, Manhattan, onde o próprio diretor era o comediante entediado, vivendo um romance com Mariel Hemingway (neta do escritor). Para mim, é o filme mais esperado do ano (todo ano falo isso do filme que, infalivelmente, Woody Allen acaba lançando - e é sempre sincero).


Veja o trailer da nova comédia de Woody Allen, com Larry David e Evan Rachel Wood (estreia prevista só para o final do ano...)

Tudo isso porque a HBO exibe hoje dois filmes com Evan Rachel Wood, na sequência: Across the Universe, às 15:20, e Correndo com Tesouras, às 17:45. Sim, em horário de vagabundo, fazer o quê? Se você estiver de férias ou "between jobs", assista por mim.

Se estiver na labuta, lembre-se que a HBO 2 exibe a mesma programação com três horas de defasagem: assim, terem os Across the Universe às 18:20 e Correndo com Tesouras às 20:45. Bem melhor, não?

Vale assistir. Os dois filmes são bons, e em ambos Evan Rachel Wood está no ápice da sua beleza. Não dá pra ficar melhor.


OK, vai: vamos dividir o pão. A foto abaixo é da tal cena de Something, em Across the Universe, e já está guardada para o Arquivo Confidencial de Evan, que está sendo pacientemente preparado.











Ainda nesta semana, aqui no BLOGIE: Robert DeNiro faz teste (e é reprovado) para O Poderoso Chefão; DVDs imperdíveis do rock; e a estreia da semana, Inimigos Públicos, com Johnny Depp.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009 - 0 Comentários

Pra quem duvidava do fato irrefutável de que Suzanna Hoffs, cantora e guitarrista dos Bangles, era a maior gata da década de 80, BLOGIE garimpou uma cena do único filme estrelado pela moça, em 1987: The Allnighter. (Sim, até filme, ela fez, tá vendo?)



O filme é uma droga? É. A cena se parece com um daqueles quadros de strip-tease light do Sexytime? Parece. A molecada nos anos 80 se preocupou com esse detalhes?

Claro que não.

Com isso, encerro meu caso sobre Suzanna Hoffs. Há outras obsessões a serem expostas.

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domingo, 5 de julho de 2009 - 3 Comentários

Essa história toda sobre a morte do Michael Jackson é simplesmente bizarra. Um monte de coisas desnecessárias são jogadas na nossa cara: com quem ficam os "filhos", se vai ser cobrado ingresso para o enterro... e a imagem do pai, que é uma mistura do Little Richard envelhecido com Rocky Horror.

BLOGIE tenta dar sua modesta contribuição para focarmos no que realmente interessa:

1983. Show que comemorava 25 anos da gravadora Motown (que revelou, entre outros, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder e o Jackson 5). Michael Jackson acabara de lançar seu segundo disco-solo, Thriller. Toma o palco sozinho para cantar sua nova canção, Billie Jean.

E então, aos 3:44, ele mostra ao mundo pela primeira vez o passo de dança que se tornaria sua marca registrada, o moonwalk. E o público delira.



Isso é o que interessa. O resto é pobreza de alma.

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quinta-feira, 2 de julho de 2009 - 2 Comentários

Ontem, falei sobre o filme libanês Caramelo, escrito, dirigido e estrelado pela gata Nadine Labaki.

Pois bem, constatei que, depois de ter visto o filme, passei dias cantarolando, no carro, a música Eternal Flame, hit meio cafona dos anos 80, balada certa nos bailinhos de vassoura que rolavam nos andares de prédio e nas festas improvisadas nas garagens do bairro.

E o que uma baladinha esquecida tem a ver com filme libanês?

A resposta: tudo. Constatei que a tal da Nadine Labaki me lembra muito a Suzanna Hoffs, cantora e guitarrista da banda The Bangles, autora de Eternal Flame.

Suzanna Hoffs era tão gata, mas tão gata, que mexeu seriamente no meu senso de julgamento: desde o final da década de 80, considero Eternal Flame uma canção tão boa quanto Yesterday, dos Beatles. Gosto da melodia, da letra, do refrão, das vozes de fundo, está tudo certinho na gravação das moças.

Exagero? Então dá uma olhada no vídeo-clipe da música, com Suzanna Hoffs e seus enormes olhos castanhos no centro das atenções.


Seja amigo: diga se o blogueiro tem razão ou se é tara juvenil!

Outro dia, vi Suzanna Hoffs em um desses documentários nostálgicos da VH1, e ela continua uma mulher muito bonita e sexy. Esse é o tipo de banda que valeria uma reunião caça-níqueis, e não Kiss com os caras gordos, Doors sem Jim Morrison, Queen sem Freddie Mercury...

Esta conversa meio que inaugura uma nova seção no BLOGIE: de vez em quando, vou lembrar alguma mulher do cinema (ou das imediações) que não pode ser esquecida de jeito nenhum. Mande sua sugestão!

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quinta-feira, 25 de junho de 2009 - 0 Comentários

Outro dia, em um post sobre a comédia Sim, Senhor, com Jim Carrey, falei que Zooey Deschanel é a próxima grande estrela de Hollywood.

Explico melhor: o nascimento cinematográfico dessa morena de olhos azuis gigantes se deu em Quase Famosos, o grande filme de Cameron Crowe sobre o menino de quinze anos que vira jornalista musical nos anos 70. Zooey é a irmã do menino, e fica grudado na memória o plano em que ela, ao sair de casa para ser aeromoça, se despede do irmão, aproximando-se dele de maneira assustada e assustadora e lhe confia seu maior segredo e tesouro: a coleção de discos (Tommy, do Who, Led Zeppelin II, Simon & Garfunkel e outros clássicos).















Quase Famosos: graças a essa confidência, o moleque viajou com o Led Zeppelin e perdeu a virgindade com um bando de groupies gostosas...


Depois disso, Zooey fez um monte de filmes, estrelou aquela bomba Fim dos Tempos, do Shyamalan, umas pontas aqui e ali. Mas mais importante do que isso foi o lançamento de sua carreira como cantora, na dupla She & Him. Trata-se de um dupla folk indie (ah, esses rótulos) muito, mas muito boa. Ela canta bem, as canções são boas, o disco é uma delícia. E o visual escolhido por ela e seu parceiro é vintage total, parecem saídos do meio dos anos 60.

Veja a moça em ação, cantando You Really Got a Hold On Me, dos Beatles:



Essa persona meio artista-nem-aí-com-nada foi adotada para dar um brilho na comédia do Jim Carrey. Ali, ela é ela mesma. Canta, anda com roupas sessentistas, brinca de maneira despretensiosa com suas inclinações artísticas. E é apaixonante.

A partir daí, a aposta é óbvia e está feita: ela será uma estrela.

A comédia romântica do momento, nos EUA, é 500 Days of Summer, estrelada por ela e Joseph Gordon-Levitt. A previsão de estreia por aqui é só em novembro, veja só que tristeza. Mas já vale conferir o trailer, que promete um filme muito bacana:


Só a primeira conversa, no elevador, quando ela cantarola Smiths meio desafinada, vale o filme.

Que tal? Convenci alguém?

Se não, que a moçada fique tranquila, pois a estrela do momento está chegando num cinema perto de você: Megan Fox, a atual detentora do título de mulher mais sexy do cinema, dá bom motivo para ver Transformers 2, que já estreou nesta quarta-feira. Aguarde comentário aqui no BLOGIE.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 2 Comentários

Não sei por quê, mas, de uns tempos pra cá, os cinemas foram inundados por documentários sobre músicos famosos. Não falo de cinebiografias, como Ray ou Johnny e June, mas sim de documentários, com os filhos envelhecidos de tal compositor prestando depoimentos, gente nova cantando músicas antigas de um jeito ofensivamente constrangedor, artistas globais declamando letras de maneira teatral... a bossa do momento é produzir esse tipo de filme. No meio de tanta oferta, os resultados são bem desiguais. BLOGIE ajuda o leitor a separar o joio do trigo.

As novidades:

Em cartaz, no circuito comercial, temos quatro documentários musicais.

O melhor e mais interessante é Loki - Arnaldo Baptista, sobre o genial e despirocado líder dos Mutantes. É uma produção do Canal Brasil, e conta com depoimentos de muita gente interessante (companheiros dos Mutantes e do Tropicalismo, principalmente), mas ninguém é tão interessante quanto o próprio Arnaldo. Severamente alterado por mil experiências com drogas e uma tentativa de suicídio na qual perdeu massa encefálica, o cara continua fazendo arte, falando em disco voador e exibindo uma incrível inocência juvenil sobre qualquer assunto. É comovente para qualquer um, e mais ainda para quem (como eu) é fã da música de Arnaldo, seu irmão, Sérgio Dias, e sua ex-namorada e parceira, Rita Lee.

Olha só um teaser do filme, são trinta segundinhos que trazem pedacinhos de Panis et Circensis, Cê tá pensando que sou loki? e a antológica Balada do Louco:



Os outros documentários em cartaz são:

- Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, sobre Wilson Simonal, cuja vida e obra não dão caldo suficiente para garantir o interesse;

- Kurt Cobain - Retrato de Uma Ausência, que traz entrevistas raras com o finado líder do Nirvana - e que só vai interessar para os fãs da banda, pois, no fundo... vamos combinar que Cobain só falava bobagem;

- Cantoras do Rádio, um belo trabalho histórico que recupera cantoras que foram muito famosas nos tempos pré-televisão - mas que é indisfarçavelmente datado;

- E o muito interessante Um Homem de Moral, sobre Paulo Vanzolini, o autor de Ronda e Volta por Cima. Este último é sensacional. Vanzolini é um cara interessante, um biólogo renomado que, entre um trago e outro na noite paulistana, tornou-se compositor central do chamado "samba de paulista", aquela coisa meio melancólica, meio irreverente que os cariocas fingem não entenderem - mas todo mundo gosta (Chico Buarque e Paulinho da Viola estão no filme, prestando seus respeitos ao mestre; já o outro ponta-de-lança do samba de paulista, Adoniran Barbosa, aparece em preciosas imagens de arquivo). O trailer já traz uma bela amostra da sabedoria do homem: frases como "do povo, pessoalmente, de cada um, eu não gosto não; mas, do povo em geral, eu gosto muito!"


Veja o trailer (aliás, que trailer!) de Um Homem de Moral:




Não fica por aí: a produção recente de documentários é extensa e bem servida em DVD. Um dos melhores é Vinícius, sobre o poeta mais famoso e mais amado do Brasil. O filme traz alguns pecados, como Camila Morgado declamando com toda a falsidade do mundo o Soneto de Fidelidade e outras obras-de-arte, além de novos artistas assassinando músicas de Vinícius e seus parceiros. Mas traz imagens de arquivo que, sem exagero, são capazes de levar qualquer um às lágrimas. Os pontos altos são:

1- Vinícius e Tom Jobim, sentados num sofá na casa de Tom, bêbados, cantando juntos Quando a Luz dos Olhos Teus. Coisa linda, e engraçada. Eles cantam praticamente caindo um em cima do outro, enquanto pontuam as falas com declarações de amor ao uísque ("o melhor amigo do homem: o cachorro engarrafado" - Vinícius).

2- Vinícius e Baden Powell, sentados no chão de um apartamento, em uma das famosas "viniçadas", rodeados de gente cantando com eles o Canto de Ossanha. De arrepiar.

3- O poeta, sempre bêbado, conversando com seus filhos mais velhos a falta que ele sente da mãe deles (a primeira de uma legião de esposas, que ele amava profundamente por uns tempos, antes de ir pra próxima). Comove. E diverte.

4- Maria Bethânia contando o causo de como ela apresentou sua amiga a Vinícius, num episódio um tanto breve (digamos, dez minutos) que culminou no pedido de casamento do poeta à moça, que foi sua última esposa.

Outros bons documentários musicais que você acha na locadora: O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, premiado e merecedor de uma olhada com atenção; Titãs - A Vida até Parece uma Festa, dirigido pelo próprio Branco Mello (um dos Titãs), que é valioso pelas imagens de arquivo filmadas pela própria banda ao longo da sua história; e a caixa com 12 DVDs (!) chamada simplesmente Chico Buarque é um daqueles itens que devem ser encerrados num foguete e enviados para Marte, para que outras civilizações conheçam o que de melhor foi produzido pelos primatas deste pedaço do universo.

Mas o melhor de todos é No Direction Home, a obra-prima de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, lançada em 2005 e facilmente encontrada nas lojas que ainda ousam vender CDs e DVDs... São quase quatro horas de filme, entre registros antigos e entrevistas atuais, nas quais o próprio Dylan se analisa de uma maneira incrivelmente aberta (o cara não gosta de se explicar) e honesta. É uma aula de cinema e de música, o melhor dos dois mundos, o encontro de dois gênios. Coisa que merece um post dedicado. Fico devendo este.

E vem mais pela frente: está em fase final de produção Mamonas, o Documentário. Aparentemente, este é o que tem mais potencial de influenciar o espírito do momento. BLOGIE prevê, na esteira do lançamento do documentário, um revival forte dos Mamonas Assassinas: a molecada de hoje vai se amarrar tanto quanto a molecada de quinze anos atrás.

Se faltou algo que mereça citação, comente! Tem muita coisa interessante no cinema para quem gosta de música boa!

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sábado, 30 de maio de 2009 - 0 Comentários

Há exatamente um ano, no dia 30 de maio de 2008, um sonho de infância deste blogueiro se realizava: estive num show do Bruce Springsteen, no Emirates Stadium, em Londres.

Como falei do Nick Hornby nesta semana, este post se faz adequado.

Lembrando: o escrito londrino mora nas imediações do estádio do seu time do coração, o Arsenal. Portador de um carnê que vale para a temporada toda, não perde um jogo no belo Emirates Stadium. E é fã inveterado do Boss, coisa que aparece em seus livros, especialmente em Alta Fidelidade.

Pois não pude deixar de pensar que eu estava tendo "A" experiência definitiva de Nick Hornby, ali, na "casa" dele, vendo o Bruce em pessoa, cantando Thunder Road, Born to Run e todas aquelas canções sobre losers e carros e garotas impossíveis, a plenos pulmões. Confesso que fiquei procurando a careca do escritor, no meio do mar de carecas que, misturadas às cabeças brancas (o rock está envelhecendo), lotavam o Emirates.

Sou o par de mangas vermelhas que vai ao ar, aos 42 segundos do vídeo abaixo, que traz o comecinho do show. Inesquecível.



Não consigo me colocar no lugar de quem não estava lá, então não sei se esse vídeo vagabundo diz algo a você. Mas, pra mim, ele diz tudo e mais um pouco.

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sexta-feira, 22 de maio de 2009 - 5 Comentários

Na VIP deste mês, que chega hoje às bancas (com uma inacreditável Luli Miller, da novela Paraíso, na capa), o colunista Thales de Menezes aproveita o revival do vinil (discos no formato LP) e fala da sua capa preferida: The Freewheelin' Bob Dylan, segundo disco do grande poeta do rock, gravado quando ele tinha apenas 21 anos. Olha ela aí:





Depois de anos contemplando a imagem de Dylan novinho, a vida toda pela frente, cheio de talento ainda a ser descoberto, andando com uma gata numa quebrada de New York, Thales conclui: como ele queria ser o cara clicado naquela capa.

Thales não está sozinho: nos EUA, Dylan é tratado simplesmente como Deus (algo que não encontra paralelo no Brasil, onde adoramos achacar nossos heróis - Pelé, Chico Buarque, Roberto Carlos, não sobra um). Entre os paga-paus mais notórios, encontramos o sempre pop Cameron Crowe, diretor de Quase Famosos e Jerry Maguire, e Tom Cruise. Quando os dois se juntaram para filmar Vanilla Sky, deu nisso:






Nessa cena, o personagem de Cruise vive o auge de seu relacionamento/alucinação com a dançarina Sofia (Penélope Cruz). Tudo é perfeito, ele vive a vida que sempre sonhou, e nada melhor para emoldurar esse sonho do que inseri-lo na capa do Freewheelin' Bob Dylan...

A coisa é tão forte que o clima pegou entre Cruise e Penélope e, a partir de Vanilla Sky, eles namoraram por alguns anos.

A propósito: Vanilla Sky é bacana. Foi tratado como lixo quando do seu lançamento (em boa parte devido à alta expectativa gerada pelo filme anterior de Crowe, Quase Famosos, que lhe rendeu um Oscar de roteiro e um Globo de Ouro de melhor filme). Mas é um baita filme. É o maior arsenal de citações pop por minuto do cinema, batendo Alta Fidelidade e qualquer filme do Kevin Smith. Vale passar na locadora e relembrar.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009 - 0 Comentários

Ontem, comentei a manchete bizarra que os portais traziam sobre a Virada Cultural de São Paulo - que incluía CPM 22 e Wando, entre outros grandes artistas. De posse da programação completa, devo fazer justiça e mostrar que tem coisa interessante:

1- No palco montado na avenida São João, Jon Lord, o bigodudo tecladista do Deep Purple, mostrará sua obra-prima, Concerto para Grupo e Orquestra (que ele já exibiu no Brasil em turnê com o Purple, há alguns anos). Depois, uma didática festinha temática toma conta do palco: nomes da "nova MPB" (que é influenciada tanto por rock quanto por MPB) se sucedem, começando por Marcelo Camelo, passando por Zeca Baleiro e culminando na reunião dos inventores da coisa: os Novos Baianos (sem Moraes Moreira - mas com Baby, Paulinho e Galvão). Pra fechar, Maria Rita. Há quem goste e há quem não goste, mas não dá pra negar que é bacana.

2- Na Praça da República, M-E-D-O: uma moçada irada da perifa vai entoar o desgastado "bota pra fuder!" enquanto Marcelo Nova junta os cacos do Camisa de Vênus. Depois, uma miscelênea esquisita que bota Velhas Virgens, os moleques do Vanguart, CPM22 e Nação Zumbi. Com maior potencial de dar confusão que isso, só mesmo uma convenção de torcidas uniformizadas em uma loja de armas de fogo. Fuja.

3- Na Estação da Luz, momento "Toca Raul": viúvas do Raul Seixas vão se reunir pra cantar Maluco Beleza e Metamorfose Ambulante a plenos pulmões. O velho grupo de Raulzito, Os Panteras, vai se reunir. Parceiros de última hora, como Nasi e Marcelo Nova, darão uma palhinha. Enfim, será o Woodstock dos bichos-grilos inveterados.

Musicalmente, é isso. O palco da av. São João promete algo interessante.

Agora, é esperar a programação de cinema da Virada. Acho que é sempre uma boa oportunidade de desenterrarem umas cópias de filmes clássicos e fora do circuito. Vamos ficar de olho.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 - 3 Comentários

Há pouco mais de um mês, Bruce Springsteen ganhou um Globo de Ouro pela canção The Wrestler, composta especialmente para o filme O Lutador , estrelado pelo Mickey Rourke. Infelizmente, a premiação não vai se repetir no Oscar: Bruce foi esquecido pela Academia e, neste ano, não teremos grandes nomes da música no Kodak Theater.

Mas vale lembrar dos gênios da música pop que já ganharam um Oscar. Veja a lista:


5- Stevie Wonder

Wonder é gênio, mas sua trilha para A Dama de Vermelho é um chiclete insuportável. De qualquer modo, I've Just Called to Say I Love You papou o Oscar de 1984 e se tornou campeã dos bailinhos de vassoura dos anos 80. Apesar disso e de muito sucesso na década de 80 (We are the World, Ebony and Ivory), Wonder ficou na História como um dos grandes mestres da soul music, especialmente nos anos 70.

4- Burt Barcharach

Dois Oscars para o gênio da música de elevador, do easy listening, da melodia perfeita: por Arthur, o Milionário e pela mágica Raindrops Keep Fallin' on my Head, imortalizada na cena em que Paul Newman dá um rolê de bicicleta com Katherine Ross em Butch Cassidy & Sundance Kid. Mas o grande prêmio de Barcharach é a sua foto estrategicamente colocada na capa do primeiro disco do Oasis.




















Burt Barcharach é o cara no quadro encostado no sofá. É também o único sóbrio na capa de Definitely Maybe.


3- Elton John

Suas músicas são cinematográficas e cheias de citações do cinema (Candle in the Wind é sobre Marylin Monroe; Goodbye Yellow Brickroad brinca com o mundo de Oz). E sempre servem como ingrediente para grandes cenas - como em Quase Famosos, quando uma banda em crise faz as pazes cantando Tiny Dancer, clássico de 1971. Mas Sir Elton foi beliscar seu Oscar ao compor a trilha de O Rei Leão, o enorme sucesso de animação da Disney.


2- Bob Dylan

Ele é uma das maiores instituições americanas, ídolo dos ídolos - sua influência só se equipara à dos Beatles (de quem é influência e influenciado). Já foi tema de filmes e teve seus clássicos usados de mil maneiras diferentes - em Forrest Gump, por exemplo, a namorada de infância do protagonista é um misto de cantora folk e stripper que entoa Blowin' in the Wind com sinceridade. Mas Dylan fez poucas canções originais para filmes. Em uma delas, a ótima Times Have Changed, arrebatou o merecido Oscar pelo também ótimo Garotos Incríveis, com Michael Douglas e Tobbie Maguire.


1- Bruce Springsteen

Bruce é o Chefe, ponto. Considerado o maior nome do rock americano depois de Elvis Presley, Springsteen atingiu o sucesso ao imprimir uma qualidade "cinemática" em suas músicas, como mostram seus clássicos absolutos, Born to Run e Thunder Road (esta com título roubado do filme de Robert Mitchum). Começou a pagar sua dívida com o cinema tarde, em 1993: Streets of Philadelphia foi a trilha perfeita para o filme que traz a agonia de um advogado aidético. Na música, o narrador conversa com a própria morte. Ganhou o Oscar de melhor canção e se empolgou com o novo ofício, emendando, nos anos seguintes, trilhas inesquecíveis para Os Últimos Passos de Um Homem (também indicada ao Oscar) e para Jerry Maguire (de Cameron Crowe, que soube valorizar a bela Secret Garden como só ele poderia).


Bruce canta Streets of Philadelphia no Oscar 94 e, em seguida, recebe sua estatueta.


Bruce poderia emprestar seu talento para o cinema com mais frequência, como prova a bela The Wrestler. Quando você for ao cinema no próximo final-de-semana, assista à história de redenção de Mickey Rourke e de seu personagem (que são um só), mas só saia da sala após a música do Bruce, enquanto sobem os créditos.

Na semana que vem: os gênios da música que NÃO ganharam o Oscar...


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