segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 - 1 Comentários

Pra começar a semana, vamos de uma banda que tocou em Woodstock, que atravessou os anos 70 como grande atração do rock de arena, que inspirou o punk rock e que viu seu vocalista arriscar umas incursões no cinema, como ator. Com dois sobreviventes, essa banda fez o show do intervalo de ontem do Super Bowl, o grande evento dos EUA (é a final do campeonato de futebol americano).

Falo do The Who, claro.

Aqui, no auge, num show de 1977, em Killburn. A melhor gravação do Who ao vivo, e um dos melhores shows já filmados da história (há um DVD e uma versão importada em Blu-Ray desse show, chamado The Kids Are Allright). Curta:



A música é Baba O'Riley, do melhor disco do Who, Who's Next?. Canção que já foi usada em vários filmes, graças ao seu refrão irado, que brada repetidamente "Teenage wasteland! Teenage wasteland!"...

Já foi mostrada aqui no BLOGIE a cena de O Verão de Sam, do Spike Lee, em que Adrian Brody faz um punk ítalo-americano que incomoda sua vizinhança de machões. Outros usos famosos da música: Slackers, Febre de Bola (a versão inglesa do livro de Nick Hornby, uma raridade!) e, mais recentemente, a genial comédia juvenil Show de Vizinha. Baba O'Riley é usada como trilha do preenchimento do álbum de formatura que o nerd Emile Hirsch encara, após um ano de descobertas em companhia da sua romântica namoradinha que escapou da indústria da pornografia.

Mas bacana mesmo é ver o Super Bowl, sempre com atrações do primeiro escalão. O Who continua mandando bem, hoje e sempre.

Boa semana!

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 - 4 Comentários

Uma cena mágica: nos anos 60, a bandinha de garagem The Wonders, duma cidadezinha qualquer, tem sua canção tocada pela primeira vez no rádio. Os integrantes da banda vão descobrindo aos poucos e, intuitivamente, todos se encontram na loja de eletrodomésticos do pai do baterista. Euforia difícil de ser igualada:



O filme é The Wonders, de 1996, dirigido por Tom Hanks (que faz uma ótima participação, como executivo da gravadora Play-Tone). Várias coisas fizeram esse filme funcionar:

1- A direção genuinamente humana de Hanks, interessado acima de tudo nos personagens;

2- A música, That Thing You Do!, é uma pequena obra-prima pop. Se tivesse sido criada nos anos 60, teria feito tanto sucesso.

3- Liv Tyler: ela segura o filme como a única fonte de tensão e competição dentro do grupelho de rapazes talentosos, mas desfocados e ingênuos.

Pra terminar, Hanks soube juntar muitos dos elementos do folclore da indústria pop, retratando-os de maneira didática e inteligente: as bandas de um sucesso só; os empresários com suas receitas de popularização; os bastidores de turnês, estúdios e programas de TV... o modus operandi do "fazer a América" - à maneira dos Beatles, da Motown, do Led Zeppelin e de todo mundo que veio depois - é esmiuçado com muita classe.

Enfim, Tom Hanks deveria dirigir mais filmes.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 - 2 Comentários

BLOGIE começa o ano com pouco papo e ligado no 220: aqui está o Van Halen, que já foi a banda mais pra cima e cheia de energia do planeta, na flor da idade, em 1979, durante a lendária Van Halen World Invasion Tour:



A música é Dance the Night Away, trilha obrigatória de festinhas, bebedeiras e viagens (pelo menos as minhas) ao longo dos últimos trinta anos. Esta é a banda que Spicolli, o clássico personagem maconheiro de Sean Penn em Picardias Estudantis (1981), contratou para seu aniversário após ter recebido 1 milhão de dólares como prêmio por ter salvo Brooke Shields de um afogamento.

Eu não saberia gastar melhor essa grana.

Este é o vibe de BLOGIE para o ano que se inicia.

E vamos ao cinema, porque o Globo de Ouro está aí: 17 de janeiro. E a temporada do Oscar fica um pouco mais longa: a cerimônia será apenas em 07 de março, para não coincidir com o encerramento das Olimpíadas de Inverno...

Daqui até lá, muitos, muitos filmes... BLOGIE tentará dar conta de todos!

Um bom ano para quem acompanha este espaço!

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

No Natal de 1984, não houve concorrência: o hit de fim de ano foi Do They Know It's Christmas?, do Band-Aid. Para este blogueiro, a canção de Natal definitiva.


E quem era Band-Aid?















Band-Aid: não é por falta de gente que um sucesso lhes faltaria...

Trata-se da turma de grandes astros da música britânica reunida por Bob Geldof, numa iniciativa pioneira e que fez escola. Hoje virou carne de vaca reunir astros em torno de uma causa, mas aqui foi onde tudo começou.


Bob Geldof era o líder de uma banda pós-punk no máximo mediana - Boomtown Rats -, que ganhou certa fama por ter estrelado o filme Pink Floyd - The Wall (não que ele tivesse algo a ver com rock progressivo), fez algum sucesso com seu hit I Don't Like Mondays, mas que se tornou uma lenda por ter se sensibilizado com um documentário da BBC sobre fome na África.


Após se informar sobre o assunto, Geldof teve a grande ideia: escreveu uma música, mas não só isso, reuniu seus amigos, gravou a música, lançou o disco no Natal e levantou uma grana para ajudar a mitigar a fome na África. Meio ano depois, reuniu mais gente ainda e botou de pé o Live Aid, o enorme festival simultâneo em Londres e na Philadelphia, com gente do calibre de Paul McCartney, Led Zeppelin, David Bowie, Madonna, Bob Dylan, Mick Jagger, The Who, Queen, U2 e muitos, muitos outros.


Mas o objetivo deste post é esmiuçar a canção que deu início a tudo: Do They Know It's Christmas é uma baita música; bem produzida, refrão irresistível, bela letra. E é cantada por gente de primeiríssima qualidade. BLOGIE aproveita para decifrar para o leitor, verso a verso, quem é quem no clássico composto por Sir Geldof.

Primeiro, o vídeo-clipe, do qual jamais me cansarei:



Agora, a doença: para cada verso, BLOGIE identifica o(s) cantor(es) responsável(eis) e qual o sucesso de cada um na época da gravação.

Paul Young (Everytime you go):

It's Christmas time
There's no need to be afraid
At Christmas time
We let in light and we banish shade

Boy George (Culture Club, Do You Really Want to Hurt Me?):

In a world of plenty
We can spread a smile of joy
Throw your arms around the world
at Christmas time

(e aqui aparece Phill Collins, na bateria)

George Michael (Careless Whisper):

But say a prayer
Pray for the other ones
At Christmas time it's hard

Simon Le Bon (Duran Duran, Save a Prayer):

But when you're having fun
There's a world outside your window

Sting (The Police, Every Breath You Take) se junta a Simon Le Bon:

And it's a world of dread and fear
Where the only water flowing is

Bono (U2, Pride) se junta a Sting:

The bitter sting of tears
And the Christmas bells that ring there
Are clanging chimes of doom

Bono, solo:

Well, tonight thank God it's them instead of you!


Todos:

And there won't be snow in Africa this Christmas time
The greatest gift they'll have this year is life
Where nothing ever grows
No rain or river flows
Do they know it's Christmas time at all?

Ponte (todos cantam o começo da frase, Paul Young completa):

Here's to you / raise a glass for everyone
Here's to them / underneath that burning sun
Do They Know it's Christmas time at all?

Refrão (moçada toda, o mundo todo, repetindo mil vezes):

Feed the world,
Let them know it's Christmas time

Bacana, não?

O que acho mais admirável nessa iniciativa é a auto-suficiência da turma de Geldof: ao invés de apelarem para Clapton, McCartney, Elton John, etc, resolveram se virar com os jovens astros da sua própria geração (cabendo observar que Bono, Sting e Duran Duran se tornaram tão lendários quanto os dinossauros). Na banda que gravou o sucesso, e no coro que imortalizou o refrão, integrantes de bandas como Ultravox, Spandeau Ballet, Bananarama e Culture Club (além das já citadas). New wave, new romantic e outras "novidades" de cabelo estranho e cores vivas.

Pra terminar, Do They Know It's Christmas? provocou ciúmes do outro lado do Atlântico e, por influência de Bob Geldof, Lionel Richie procurou Michael Jackson para compor We Are the World e dar a contribuição ianque para o combate da miséia na Etiópia e adjacências.

Mas isso é assunto para outro post.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 - 2 Comentários

Dica rápida para a sexta-feira: a estreia da semana é Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee. O cara já dirigiu Brokeback Mountain e Desejo e Perigo, e não para de fazer coisas diferentes.

Desta vez, resolveu mostrar a história real - e surreal - dos jovens que "organizaram", há 40 anos, o festival mais famoso de todos os tempos: Woodstock.

Veja o trailer:



O elenco é ótimo e traz sacadas como a escolha de Demetri Martin (um premiado comediante stand-up nova-iorquino, estreante na tela grande) como o protagonista. Martin demonstra carisma suficiente para segurar o filme, com um personagem que tem seu grande dilema: sair ou não sair do armário.
















Assumir ou não assumir?, eis a grande dúvida de um dos viabilizadores de Woodstock.


De quebra, para garantir a juventude necessária ao projeto, Ang Lee escala Emile Hirsch e Paul Dano, dupla de brothers nerds da comédia adolescente Show de Vizinha, e Eugene Levy, a esta altura uma lenda para a geração que adolesceu nos anos 90, graças ao seu eterno papel de pai do Jim, de American Pie.

Mas a grande sacada de Ang Lee é ter entendido que Woodstock, o festival, foi feito não por Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who e Creedence, mas pelos mais de 300 mil jovens gente-fina (também chamados, à época, de hippies, vagabundos, mendigos, drogados...) que tomaram a fazenda literalmente de assalto, entrando sem pagar, tirando a roupa, copulando livremente, rolando na lama e pouco se importando com a falta de condições básicas para a sobrevivência (saneamento, comida, água).

Por isso mesmo, Aconteceu em Woodstock não mostra um só segundo dos shows que se tornaram lendários do festival (para isso,  nada superará o documentário Woodstock - 3 Dias de Paz, Amor e Música, já devidamente comentado por aqui), mas mostra tudo o que antecedeu o evento e tudo que aconteceu em volta dos shows.

Há vários outros aspectos que merecem ser discutidos - por exemplo, a suposta "pureza" de propósitos do festival em oposição à real atuação de homens de negócios por trás de tudo; ou ainda a atuação soberba do personagem principal como intermediador entre a moçada hippie e os habitantes conservadores da cidadezinha. Vou tentar aprofundar em outro post.

Por ora, vamos ao cinema!

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 1 Comentários

O som da semana pinga sem parar na cabeça ainda atordoada deste blogueiro. O show do AC/DC no Morumbi foi nota mil. A voz ainda está rouca. Os ouvidos, ainda zunindo. E me sinto como Jack Black no final da comédia Escola de Rock:



A música é It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock'n'Roll), do próprio AC/DC. Um final perfeito para um ótimo filme, cheio de citações nada superficiais e bem sacadas de muitos itens da mitologia do rock.

Minhas citações preferidas são as da Stevie Nicks e, claro, as do AC/DC, que estão nas roupas do Jack Black, nas canções e até embutidas em algumas falas.

O filme foi dirigido por Richard Linklater, um cara eclético (imagine que ele é o responsável pelos romances Antes do Amanhecer Antes do Entardecer). E talentoso.

Boa semana a todos!

P.S.: Vai, Mengão!

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009 - 2 Comentários

Nesta sexta, não vou ao cinema. Mas posso ser encontrado onde todo mundo que gosta de rock MUITO alto estará: no Morumbi. Hoje, um sonho de infância se realizará e verei o AC/DC ao vivo.

Tudo começou em 1984: contava eu 9 anos, andei com uns caras inseridos na escola e cheguei em casa com um disco debaixo do braço. O disco ostentava o perigoso nome If You Want Blood (You've Got It). A capa deixou minha mãe preocupada com coisas inéditas, como drogas, violência e satanismo:
























Semanas depois, nomes como Angus Young, e então Eddie Van Halen e mais tarde Jimmy Page se tornaram deuses reverenciados com pôsteres, revistas e mais revistas e um violãozinho tosco que se esforça até hoje para reproduzir os ruídos dos heróis.

O tempo passou, assim como as dores de cabeça (constrangedoramente comuns aos onze, doze anos) decorrentes das imitações da performance do guitarrista do AC/DC. O meu menu musical se mantém em saudável e constante expansão (abraçando folk, MPB, jazz e outras coisas antes odiadas), o que abre espaço, inclusive, para sessões de nostalgia roqueira catárticas de tempos em tempos.

E hoje, como dizia o Zé Rodrix, ainda é dia de rock. O mundo mudou, eu também, o AC/DC também. O cantor beberrão do vídeo abaixo, Bon Scott, morreu há quase trinta anos, engasgado no próprio vômito. Mas é como um dos moleques agitados aí do vídeo que vou encarar uma muvuca no Morumbi: como se fosse 25 anos atrás.



A música é Riff Raff, do álbum Powerage, de 1976. É uma performance muito parecida com a que dá início ao tal disco ao vivo que levei pra casa na época do primário.

Ouvir AC/DC é um negócio que faz parte da formação macha de qualquer moleque, assim como ter uma briga na escola, folhear uma revista pornô ou aprender a arrotar mais alto no recreio. Coisas que não deixam ninguém mais nobre ou mais rico, mas que nos fazem ser respeitados nas horas mais difíceis.

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009 - 0 Comentários

Um som sincero pra começar a semana: Sá, Rodrix e Guarabyra, o trio que fundou o "rock rural" (rótulo meio besta dado às investidas brasileiras no folk rock americano misturado com MPB, nos idos dos anos 70). Aqui, eles apresentam um medley de três canções, cada uma composta por um dos integrantes (e todas grandes clássicos da música brasileira):



As canções são: Casa no Campo, do finado Zé Rodrix, que fez enorme sucesso na voz de Elis Regina; Caçador de Mim, de Sá e Tavito, que foi gravado por Milton Nascimento, 14 Bis e meio mundo; e Espanhola, de Guarabyra e Flavio Venturini, que ficou bem conhecida na voz do segundo (trilha da novela Que Rei Sou Eu?, se não me engano).

O mais bacana - e até tocante - é o final, em que eles arrematam com uma mistura dos três clássicos.

Gosto muito. É a mistura de dois gêneros que muito me agradam - o folk à Crosby, Stills & Nash e a MPB mineira do Clube da Esquina.

Boa semana a todos!

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terça-feira, 3 de novembro de 2009 - 7 Comentários

A VEJA publicou uma matéria de duas páginas sobre a Zooey Deschanel, aproveitando o gancho do lançamento, na próxima sexta-feira, de 500 Dias Com Ela, comédia romântica diferentona que foi a sensação do verão americano. A crítica Isabela Boscov aproveitou para rotular a estrela como "musa do homem romântico", daquele que se encanta mais com os enormes olhos de Zooey do que com a sacanagem escancarada de uma Megan Fox.

Bem, não quero me gabar, mas BLOGIE sentiu o cheiro desse fenômeno antes e declarou que Zooey será a próxima grande estrela de Hollywood. Relembre o post de 25 de junho deste ano:

http://vip.abril.com.br/cinema/2009/06/falando-em-zooey-deschanel.shtml

Bem, e isso faz de mim - e dos leitores que nutrem uma afeição especial pela moça - um "homem romântico"? Sinceramente, não me importo.

O ponto é que Megan Fox, Angelina Jolie e outras mulheres mais fatais, dessas que exalam sexo, não têm alguns dos tributos de Zooey, a saber:

1) Em Quase Famosos, ela sai de casa e deixa para o irmão sua coleção de discos. É Led Zeppelin, The Who, Simon & Garfunkel, Yes... Eu angariei a minha coleção com enorme esforço, e imagino o sonho que seria ter ganhado esse tesouro de uma gata com aqueles olhos me dando instruções detalhadas sobre como ouvir Tommy.

2) Em Sim, Senhor, ela surge como uma aparição para Jim Carrey, num momento sinistro: ele acabara de ficar sem gasolina, em uma área um tanto inóspita. Dá uma carona para o cara na sua scooter e vira sua namoradinha, dando uma graça superior a uma comédia que ficaria abaixo da média. Bem, eu já passei por uma situação de ficar sem gasolina durante a madrugada, e quem me deu uma carona até o posto mais próximo foram dois caras que fumavam maconha dentro de um Gol branco 1991. Confesso que confiaria mais numa bonequinha numa scooter do que em dois maconheiros, mas é a vida...

3) Ela canta no She & Him, um misto de folk com Beatles com Supremes - um som pra lá de agradável e nostálgico, que me dá a sensação de que estamos em 1964, e que não houve Jimi Hendrix, nem punk rock, nem hip hop. A vida é simples como um programa de auditório da Jovem Guarda. Nos sentimos em casa. Veja uma apresentação da dupla na MTV Canada:


"Estou sozinha numa bicicleta para dois", diz a cantora-atriz. Isso porque ela não pinta na nossa área.

4) Aqueles olhos.

Bom, além disso tudo, 500 Dias Com Ela estreia na sexta. Outro post tratará do filme, mas é bem previsível a minha dica para o final-de-semana, não?

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009 - 0 Comentários

A trilha proposta por BLOGIE para esta semana é agressiva: o filme é a grande bomba de 1996, Twister, de Jan De Bont (o mesmo diretor de Velocidade Máxima). A música é Human's Being, do Van Halen (heróis de infância deste blogueiro, algo que motivou meses de espera ansiosa pelo filme).



Pra falar a verdade, a guitarra de Eddie Van Halen é um dos únicos atrativos deste filme fraquinho. A introdução feita por uma orquestra valoriza bastante a canção, e não seria má ideia lançar uma versão completa numa dessas coletâneas da vida...
De resto, o filme traz como curiosidade a participação de Alan Ruck, o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, outro ícone da infância que estava sumido (e que sumiu de novo depois de Twister).

Este é o espírito da semana: guitarra distorcida, amplificador no último volume e pé no acelerador. Pau na máquina, como diz meu pai!

Boa semana para os amigos do BLOGIE!

P.S.: Justiça seja feita, os efeitos especiais dos tornados são muito bacanas. Em especial, é legal a cena de um furacão que chega na calada da noite, arrebentando um cine drive-in que exibia O Iluminado, do Stanley Kubrick. O furacão arrebenta a tela no mesmo momento em que Jack Nicholson arrebenta a porta (here's Johnny!)...

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Já falei algumas vezes que muito me agradam as comédias do Judd Apatow e da sua turma de astros não exatamente convencionais, como Seth Rogen e Jonah Hill. E a melhor de todas é Ligeiramente Grávidos, na minha opinião a melhor comédia desta década.

A trilha da semana é pinçada de uma cena chave desse filme - aquela em que Katherine Heigl entra em trabalho de parto. O som escolhido é o urgente e acelerado Police on My Back, daquela que foi chamada de "a única banda que importa" na virada da década de 70 para a de 80: The Clash.



Não consegui a cena, mas a qualidade de som está ótima, assim como a montagem com as fotos da banda de Mick Jones e Joe Strummer.

Boa semana a todos!

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Vídeo para começar muito bem a semana. Stevie Nicks e Tom Petty, acompanhados dos Heartbreakers, em 1981. A música é Stop Draggin' My Heart Around.



Dois ícones americanos no auge. Naquela época, Nicks lançava seu primeiro disco fora do Fleetwood Mac. A Rolling Stone a botou na capa e a chamou de rainha do rock'n'roll. Petty, que lançava seu melhor disco - Hard Promises, que o colocou como ponta-de-lança de uma geração brilhante de compositores americanos  (Bruce Springsteen, Jackson Browne...) -, cedeu essa canção para a moça. Gravaram juntos. Fizeram o vídeo, para um canal de TV novo, que acabara de ser lançado: MTV.

Foi o sucesso do ano. A história estava feita.

Acho que nunca usaram essa música como tema de filme. É um erro.

P.S.: no You Tube, você acha uma versão dessa música mais recente, com a Joss Stone e o Rob Thomas, do Matchbox 20. Vendo, dá pra entender o valor da parceria Nicks / Petty. Ninguém precisa se esgoelar nem fazer caras e bocas pra mandar bem. Artista seguro do seu talento é outra coisa.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Pra começar a semana com gás total:



O filme é Jerry Maguire, de 1996. Um belo filme, com roteiro e direção elegantes e indicados ao Oscar. No mais, papel da vida de Tom Cruise.

Depois de ter sido demitido e de ter levado um pé na bunda da noiva, o tal do Maguire (Cruise) acaba de sair de uma reunião que lhe promete grandes negócios. O rádio oferece Bitch, dos Stones, mas não é exatamente a trilha sonora que traduz seu momento.Ele vai girando o dial e passa por Angel of the Morning, com a Olivia Newton-John. Nada a ver. E passa batido por outra música, um easy listening infernal.

E aí entra Free Fallin', do Tom Petty. Que som!

Tom Cruise, Cameron Crowe (o diretor do filme, que sempre dá um jeito de colocar suas músicas preferidas em destaque) e eu berramos junto com Petty: "I am free... Free fallin'!"

Boa semana a todos!

P.S.: pra quem quiser saber mais, essa música é do primeiro disco de Petty sem sua banda, os Heartbreakers. O disco é Full Moon Fever, de 1989. Produção do então onipresente Jeff Lynne, responsável pelo som do George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison naquele rico final dos anos 80. Todos esses figurões e produtor se juntaram naquele mesmo ano e formaram os Traveling Wilburys, a superbanda mais bacana da história. Assunto pra mais de metro.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009 - 4 Comentários

O diretor mexicano Alfonso Cuarón é famoso por E Sua Mãe Também, com Diego Luna e Gael Garcia Bernal, o filme que o tornou uma certa autoridade em juventude - e que o qualificou para dirigir um dos filmes da série Harry Potter.

Mas alguns anos antes, lá em 1998, ele dirigiu um belo filme, baseado em um dos grandes romances de Charles Dickens, que não ganhou muitos louros da crítica nem público de blockbuster, mas que vale a pena conhecer: Grandes Esperanças, com Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow.

















Quando assisti ao filme, fiquei impressionado com a força de seus personagens e com a criação do universo pessoal de Fynn, o jovem artista que tem sua vida inteira atormentada por seu amor de infância, Estella. Achei que tinha um quê de Dom Casmurro, e depois fiquei sabendo que era um romance do Dickens, e hoje suspeito que Machado tenha arrancado alguma inspiração de Grandes Esperanças.

Mas bacana mesmo é uma cena em que Estella (Paltrow) aparece do nada na casa de Fynn, pede para ele a desenhar e arranca a roupa. E irrompe a música da banda inglesa Pulp: Like a Friend. Que som!!!

Pra inspirar uma segundona modorrenta, uma trilha de grandes esperanças. Aproveite!



Veja o vídeo de Like a Friend, do Pulp, trilha de Grandes Esperanças.


Boa semana!

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sábado, 15 de agosto de 2009 - 3 Comentários

Vivemos um ótimo ano para efemérides roqueiras: outro dia, foi o aniversário de 40 anos da capa de Abbey Road, dos Beatles. Hoje é aniversário de algo ainda mais importante.

Há exatos 40 anos, começava o maior festival de rock de todos os tempos: Woodstock. Pode medir como quiser: não há Rock In Rio ou Lolapalooza que rivalize. Simplesmente se inventou ali o conceito do mega-festival. A falta de preparo para a organização, que resultou em gente passando fome, um lamaçal terrível, som baixo e sequência de shows bagunçada, foi um brilho a mais. É notório que o resultado financeiro da iniciativa foi desastroso. Mas falamos de um mito hippie - não poderia ser diferente.

















O que interessa, passados todos os anos e as utopias hippies e o efeito da maconha vagabunda, são duas coisas:



1- A música:

Entre fiascos entorpecidos - como o show da Janis Joplin - e apresentações históricas - como Jimi Hendrix fechando o festival desconstruindo o hino americano -, rolaram shows inacreditáveis de, entre outros, Jimi Hendrix, The Who, Santana, Credence... e Crosby, Stills & Nash.

Eu descobri esse incrível trio pela sua apresentação de Woodstock. Tudo está escuro, e eles testam o som, e ninguém sabe quem vai tocar (a coisa, repito, era uma zona). E um fala para o outro ao microfone: "diga para eles quem somos nós". E ninguém fala, e eles começam a esmurrar seus violões, e algum locutor oficial anuncia: "senhoras e senhores, recebam Crosby, Stills... e Nash" - três caras famosos por suas bandas anteriores (Byrds, Bufalo Springfield e The Hollies), mas que faziam ali apenas seu segundo show como banda. E o povo fica louco. E eles entram cantando Suite: Judy Blue Eyes, que traz as harmonias mais perfeitas do mundo. Que som! E ele está gravado... Que sorte!


A música é longa, mas é perfeita... deixe carregar o arquivo, assista e depois me agradeça!


2- O Filme:

Agora, veja: o simples fato de alguém ter ficado por lá com câmeras, filmando tudo, já é suficiente para garantir a entrada do cara no reino dos céus. Afinal, o registro do CSN nascendo é nada menos do que histórico, e o mesmo pode ser dito de vermos o Who fechando sua apresentação com We're Not Gonna Take It, e de vermos Joe Cocker imortalizando sua versão de With a Little Help From My Friends, dos Beatles (versão que ficou famosa pela segunda vez como abertura de Anos Incríveis), e de tantos outros momentos.

Mas não foi só isso. O filme Woodstock: 3 Dias de Paz, Amor e Música, lançado um ano depois, em 1970 - e vencedor do Oscar de melhor roteiro -, é um documentário maravilhoso. Tem roteiro, tem recursos, tem senso de humor. Mostra velhos reacionários protestando contra os cabeludos sujos que infestaram a região. Mostra suas esposas velhinhas relativizando e dizendo que gostam do astral dos hippies. Mostra a preparação capenga do festival, e entrevista seus organizadores - uns meninos! -, desfilando seu amadorismo e seu deslumbramento com a dimensão que a coisa adquire.

Mostra a horda do bem chegando, e depois entrando de graça, e então se lambuzando na lama, se banhando no rio, dando uma transadinha no mato... e então constatando que a vida hippie não é fácil: não há banheiro, não há comida, não há onde dormir... veja um trecho emblemático:



E o resultado, como se vê, é muito bonito: a turma realmente acreditava naquilo tudo. É de uma inocência comovente. É tudo tão sincero e espontâneo, que não há como não se fascinar com aquilo. Não sei se foi por acaso, mas as duas ausências mais sentidas de Woodstock - Bob Dylan e Jim Morrison - também ajudaram na ingenuidade, pois é notório que Dylan e Morrison são cínicos, e suas escalações não ajudariam muito. Melhor ficar com o banguela Richie Haven e sua técnica de violão invejável, com Joan Baez rezando no meio de sua apresentação e com o doidão Hendrix declamando seu amor por sua guitarra, por seus companheiros de banda, pelos bravos e poucos sobreviventes que aguentaram ficar por lá até o terceiro dia para vê-lo.

A edição do filme é ágil o suficiente para tornar um documentário de quase três horas em um programa irresistível. É realmente uma obra-prima do cinema. Virou ícone. É, ao lado de Uma Verdade Inconveniente, o único documentário que virou um sucesso de bilheteria e um fenômeno pop.

Não sei dimensionar quantas vezes já assisti Woodstock. Talvez umas vinte. Sei que verei muitas outras.



3- As pessoas:
















Para os cínicos de plantão, vale dizer que não, o sonho não morreu. O casal que ilustrou os cartazes do filme e a capa do disco (foto acima) continua junto até hoje. São quase-velhinhos felizes, por terem vivido e protagonizado a História. Porque um dos grandes acertos do filme foi botar como protagonista o público do festival, simbolizado pelo casal, e não os grandes artistas que tomaram o palco. Woodstock foi o todo. Pra quem viveu aquilo, foi tudo.





P.S.: acabam de lançar uma versão comemorativa e estendida do filme. A caixa se chama simplesmente Woodstock, custa R$ 49,90 no Submarino e é um item de colecionador. Há montes de material inédito, muitos depoimentos dos protagonistas do festival e, claro, tudo aquilo que já estava na primeira versão. Imperdível!

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009 - 0 Comentários

Ainda em homenagem ao grande John Hugues, o inventor dos anos 80 como gostamos de lembrá-los, sugiro o vídeo abaixo para começar bem a semana:


Curtindo a Vida Adoidado: Mathew Broderick fecha a Parada de Chigago cantando Twist and Shout, dos Beatles.

Salve Ferris! Salve John Hugues!

Boa semana a todos.

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sábado, 8 de agosto de 2009 - 5 Comentários

Há exatos 40 anos, em 8 de agosto de 1969, os quatro músicos mais famosos do mundo atravessaram uma rua em Londres.


O episódio foi registrado por um fotógrafo, e a foto se tornou a capa de disco mais imitada de todas: Abbey Road.
























A coisa toda foi decidida meio por intuição, por acaso, sem pensar - como era comum em quase tudo que envolvia os Beatles. Eles sabiam que Abbey Road seria seu último disco (mais tarde, acabaram lançando Let It Be, que havia sido gravado antes), e resolveram a questão da capa de maneira simples, pra não dar mais confusão (àquela altura, eles já não concordavam em nada).
























Os fab four se preparam para atravessar a rua e serem clicados para a História.

O fato é que o mundo se encarregou de envolver a famosa foto com todo tipo de lenda e especulação. A mais famosa está no fato de Paul McCartney estar atravessando a rua descalço - da maneira como os defuntos eram tradicionalmente enterrados na Inglaterra. Isso retroalimentou a lenda segundo a qual Paul teria morrido três anos antes, em um acidente de carro (e aquele seria um sósia que os empresários teriam colocado em seu lugar). John Lennon, ainda segundo a lenda, espalhava dicas de que seu parceiro estava morto. Uma delas está no fundo da foto: um fusca branco ostentava a placa com a inscrição "28IF" - uma "clara" dica de que Paul estava morto, pois ele teria 28 anos "SE" (if) estivesse vivo.

Na contracapa, umas marcas num muro parecem formar um número 3, bem ao lado de um cartaz com o nome da banda - e aí, o mais crédulo lê: "3 Beatles".

Mas o que importa é que Abbey Road, o disco, é um dos melhores dos rapazes de Liverpool, tem Come Together, Something, Here Comes the Sun, Golden Slumbers, Carry that Weight e The End. A banda, naquele incrível ano de 1969, não contava "apenas" com a genialidade de Lennon & McCartney: George Harrison vivia seu auge criativo e contribuiu com dois dos clássicos acima, músicas tão boas quanto qualquer uma das melhores dos dois líderes. Enfim, um final à altura da história da maior banda de todos os tempos.

O resto é cultura pop. Todo mundo que vai a Londres procura a ruazinha escondida na periferia para atravessar a rua (ela é movimentada, não há semáforo, um inferno). Dê uma olhada em duas turminhas bem populares que já deram as caras por lá:


























Red Hot Chilli Peppers e suas famosas meias.Anthony Kieds quis ir de Paul, em terceiro lugar e descalço.




















Os Simpsons, chiques, para a capa da revista Rolling Stone. Os detalhes, como o cigarro na mão do Bart/Paul e o andar do Homer/John, são o máximo.

Saudades dessa bandinha... tomara que seja verdadeira a informação de que o Paul fará shows comemorativos de 50 anos de carreira aqui no Brasil em 2010!

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segunda-feira, 20 de julho de 2009 - 2 Comentários

Bom, alguém um dia inventou que 20 de julho seria o "dia do amigo".

OK, a coisa é cafona, mas aqui no BLOGIE, como nas mesas dos melhores bares, tudo é motivo pra puxar uma conversa.

Já falei várias vezes de filmes que tocam no tema da alta brodagem masculina (Butch Cassidy & Sundance Kid, Trainspotting, Brincando de Seduzir, Procura-se Amy...).

Há muitos outros que merecerão comentário mais cuidadoso por aqui: Era Uma Vez na América, Role Models (um filme recente e que nem foi lançado no cinema...), além, é claro, das comédias do Billy Wilder com a dupla Jack Lemmon e Walter Mathau...

Mas a minha cena preferida de todas, e que merece citação nesta data "especial", está em Quase Famosos, do Cameron Crowe. O filme trata do menino adolescente que, no meio dos anos 70, é contratado pela Rolling Stone para escrever sobre sua banda preferida - a fictícia Stillwater.

A moçada do Stillwater, como toda banda que se preza, briga a torto e à direita, se xinga, se separa, um come a mulher do outro - e no final tudo acaba em pizza.

A melhor cena do filme é aquela em que Russel Hammond (Billy Crudup), depois de brigar com a banda toda e de ter passado uma noite fora na balada (com bebida a rodo e LSD), é resgatado pelo ônibus da turnê. Silêncio no busão, aquele clima pra baixo, o cara no auge da bad trip, e o rádio começa a tocar uma música do Elton John: Tiny Dancer. Aos poucos, a trupe toda (a banda, suas groupies e agregados) começa a cantar a música - e a paz volta a reinar no mundo do rock'n'roll.


Que música é essa? Elton John, Tiny Dancer, do disco Madman Across the Water, de 1971.

Porque amizade de brother é assim: não tem que pedir desculpas, nem nada: bastar dar um soco no braço e deixar rolar, bola pra frente.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009 - 0 Comentários

Como não tive sucesso preparando a lista dos DVDs essenciais para este Dia Mundial do Rock, aproveito para celebrar meu fracasso falando sobre o melhor filme roqueiro que nunca foi lançado em DVD: Febre de Juventude, um clássico da Sessão da Tarde que, se você tiver mais de trinta anos, deve conhecê-lo bem e ter saudades...
















Você não se lembra dessa turma? Calma, já explico...

Relembrando ou explicando a quem nunca conheceu: Febre de Juventude é uma produção de 1978, ideia da cabeça do já milionário Steven Spielberg (ele estava entre Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Foi roteirizado e dirigido por Robert Zemeckis, que depois ganharia fama, fortuna e prêmios por De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

Interessante, não?

Mas fica melhor: o filme tem por nome original I Wanna Hold Your Hand. Começa com a tela negra, onde se lê: "New York City - Sábado, 8 de fevereiro de 1964". E tome locação externa. No coração da Big Apple, policiais preparam a rua para receber uma multidão, colocando cavaletes. Um homem, na fachada de um auditório da emissora CBS, conserta o letreiro, trocando uma letra "E" no meio de uma palavra por uma letra "A" e, então, se lê na tal fachada: "The Beatles". Do lado de dentro, um famoso apresentador de TV (Ed Sullivan) ensaia o texto que será usado para apresentar a maior atração da história do seu programa, que seria exibido ao vivo no dia seguinte.

E aí entra I Wanna Hold Your Hand, a música, tendo como fundo aquelas deliciosas e famosas cenas dos Beatles desembarcando nos EUA pela primeira vez, embasbacados com a multidão e a demência generalizada, depois dando show de carisma e bom humor na primeira entrevista coletiva, na qual responderam a perguntas como "vocês sabem cantar?" e "vocês vão cortar o cabelo?" com uma ironia e uma euforia simplesmente nova para os americanos - e para o mundo.















George diz ter cortado seu cabelo ontem. John levanta a lebre de que todos são carecas. Ringo rebola, dizendo que ele dança, como forma de compensar a suposta falta de talento de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como cantores (!). Foi assim que os EUA conheceram os Beatles.


O filme, no entanto, não é sobre os Beatles. Essas cenas são as únicas que trazem os rapazes de Liverpool. A partir do final dos créditos iniciais, passamos a acompanhar a saga de uma turma de jovens de New Jersey que faz de tudo - repito: de tudo - para conseguir ver os Beatles ao vivo.

Febre de Juventude é isso: 24 horas na vida de cinco jovens americanos - e ao mesmo tempo de todos os jovens do mundo -, a partir da chegada de quatro rapazes no aeroporto, até o final do programa de TV em que eles apareceram. O programa que se notabilizou por ser a maior audiência da história da TV americana, ao longo do qual se registrou o menor índice de crimes, e mais um monte de outras lendas.

24 horas que, sem exagero, mudaram o mundo.

Um ótimo registro histórico, um filme vibrante e juvenil, uma trilha sonora na linha "melhor é impossível", formada pelos dois primeiros discos dos Beatles.

E tem a cena inesquecível de Nancy Allen (que seria esposa e musa do Brian DePalma em Vestida para Matar e Um Tiro na Noite) escondida na suíte dos Beatles, embaixo da cama, ouvindo a conversa dos caras, que jamais aparecem. Um momento marcante da infância de qualquer um que tenha visto o filme (e que, no mínimo, acabou fazendo deste blogueiro mais um beatlemaníaco no mundo).














A fantasia de uns era estar no lugar da Nancy Allen; de outros, no lugar do pé do Paul McCartney.

Por que não lançam em DVD, não sei. Mas eu fui atrás e consegui um exemplar, que tratei de ver ontem mesmo. Hoje, sou uma pessoa mais feliz.

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Vamos tentar começar a semana bem. Eu fiquei três horas escrevendo um post com 10 DVDs essenciais de rock - afinal, hoje é dia mundial do rock. Mas aí, fui selecionar tudo para mudar a fonte e apaguei todo o texto. O Blogger não tem undo e, pra piorar, antes que meu dedo corresse para eu mudar de página e voltar ao estado anterior, o post em branco foi salvo automaticamente. Trabalho perdido.

Mas não vou me entregar. Cabeça em pé. Ânimo.

Há exatos 24 anos atrás, acontecia o Live Aid. Na Inglaterra, Queen, Elton John, David Bowie, Paul McCartney, The Who e um monte de gente se juntava a Bob Geldof no palco para cantar Do They Know It's Christmas?. Na Philadelphia, Bob Dylan, os Stones, Eric Clapton, Tina Turner, Led Zeppelin, Beach Boys e mais meio mundo se amontoava para cantar We Are the World no final.

(Na sua recente biografia, Eric Clapton escreveu que uma boa medida do seu vício no álcool nos anos 80 foi o fato de ele ter topado fazer aquilo.)

Bem, a coisa foi tão grande e tão significativa que a data do show, 13 de julho, tornou-se o dia oficial do rock.

A lista com os 10 DVDs que você precisa assistir, fico devendo. Mas vamos tentar salvar esta manhã de fúria com o melhor vídeo do Live Aid: David Bowie e banda, tocando Heroes com precisão, garra e alma. Coisa linda.



Ainda assim... odeio o Blogger.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 2 Comentários

Não sei por quê, mas, de uns tempos pra cá, os cinemas foram inundados por documentários sobre músicos famosos. Não falo de cinebiografias, como Ray ou Johnny e June, mas sim de documentários, com os filhos envelhecidos de tal compositor prestando depoimentos, gente nova cantando músicas antigas de um jeito ofensivamente constrangedor, artistas globais declamando letras de maneira teatral... a bossa do momento é produzir esse tipo de filme. No meio de tanta oferta, os resultados são bem desiguais. BLOGIE ajuda o leitor a separar o joio do trigo.

As novidades:

Em cartaz, no circuito comercial, temos quatro documentários musicais.

O melhor e mais interessante é Loki - Arnaldo Baptista, sobre o genial e despirocado líder dos Mutantes. É uma produção do Canal Brasil, e conta com depoimentos de muita gente interessante (companheiros dos Mutantes e do Tropicalismo, principalmente), mas ninguém é tão interessante quanto o próprio Arnaldo. Severamente alterado por mil experiências com drogas e uma tentativa de suicídio na qual perdeu massa encefálica, o cara continua fazendo arte, falando em disco voador e exibindo uma incrível inocência juvenil sobre qualquer assunto. É comovente para qualquer um, e mais ainda para quem (como eu) é fã da música de Arnaldo, seu irmão, Sérgio Dias, e sua ex-namorada e parceira, Rita Lee.

Olha só um teaser do filme, são trinta segundinhos que trazem pedacinhos de Panis et Circensis, Cê tá pensando que sou loki? e a antológica Balada do Louco:



Os outros documentários em cartaz são:

- Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, sobre Wilson Simonal, cuja vida e obra não dão caldo suficiente para garantir o interesse;

- Kurt Cobain - Retrato de Uma Ausência, que traz entrevistas raras com o finado líder do Nirvana - e que só vai interessar para os fãs da banda, pois, no fundo... vamos combinar que Cobain só falava bobagem;

- Cantoras do Rádio, um belo trabalho histórico que recupera cantoras que foram muito famosas nos tempos pré-televisão - mas que é indisfarçavelmente datado;

- E o muito interessante Um Homem de Moral, sobre Paulo Vanzolini, o autor de Ronda e Volta por Cima. Este último é sensacional. Vanzolini é um cara interessante, um biólogo renomado que, entre um trago e outro na noite paulistana, tornou-se compositor central do chamado "samba de paulista", aquela coisa meio melancólica, meio irreverente que os cariocas fingem não entenderem - mas todo mundo gosta (Chico Buarque e Paulinho da Viola estão no filme, prestando seus respeitos ao mestre; já o outro ponta-de-lança do samba de paulista, Adoniran Barbosa, aparece em preciosas imagens de arquivo). O trailer já traz uma bela amostra da sabedoria do homem: frases como "do povo, pessoalmente, de cada um, eu não gosto não; mas, do povo em geral, eu gosto muito!"


Veja o trailer (aliás, que trailer!) de Um Homem de Moral:




Não fica por aí: a produção recente de documentários é extensa e bem servida em DVD. Um dos melhores é Vinícius, sobre o poeta mais famoso e mais amado do Brasil. O filme traz alguns pecados, como Camila Morgado declamando com toda a falsidade do mundo o Soneto de Fidelidade e outras obras-de-arte, além de novos artistas assassinando músicas de Vinícius e seus parceiros. Mas traz imagens de arquivo que, sem exagero, são capazes de levar qualquer um às lágrimas. Os pontos altos são:

1- Vinícius e Tom Jobim, sentados num sofá na casa de Tom, bêbados, cantando juntos Quando a Luz dos Olhos Teus. Coisa linda, e engraçada. Eles cantam praticamente caindo um em cima do outro, enquanto pontuam as falas com declarações de amor ao uísque ("o melhor amigo do homem: o cachorro engarrafado" - Vinícius).

2- Vinícius e Baden Powell, sentados no chão de um apartamento, em uma das famosas "viniçadas", rodeados de gente cantando com eles o Canto de Ossanha. De arrepiar.

3- O poeta, sempre bêbado, conversando com seus filhos mais velhos a falta que ele sente da mãe deles (a primeira de uma legião de esposas, que ele amava profundamente por uns tempos, antes de ir pra próxima). Comove. E diverte.

4- Maria Bethânia contando o causo de como ela apresentou sua amiga a Vinícius, num episódio um tanto breve (digamos, dez minutos) que culminou no pedido de casamento do poeta à moça, que foi sua última esposa.

Outros bons documentários musicais que você acha na locadora: O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, premiado e merecedor de uma olhada com atenção; Titãs - A Vida até Parece uma Festa, dirigido pelo próprio Branco Mello (um dos Titãs), que é valioso pelas imagens de arquivo filmadas pela própria banda ao longo da sua história; e a caixa com 12 DVDs (!) chamada simplesmente Chico Buarque é um daqueles itens que devem ser encerrados num foguete e enviados para Marte, para que outras civilizações conheçam o que de melhor foi produzido pelos primatas deste pedaço do universo.

Mas o melhor de todos é No Direction Home, a obra-prima de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, lançada em 2005 e facilmente encontrada nas lojas que ainda ousam vender CDs e DVDs... São quase quatro horas de filme, entre registros antigos e entrevistas atuais, nas quais o próprio Dylan se analisa de uma maneira incrivelmente aberta (o cara não gosta de se explicar) e honesta. É uma aula de cinema e de música, o melhor dos dois mundos, o encontro de dois gênios. Coisa que merece um post dedicado. Fico devendo este.

E vem mais pela frente: está em fase final de produção Mamonas, o Documentário. Aparentemente, este é o que tem mais potencial de influenciar o espírito do momento. BLOGIE prevê, na esteira do lançamento do documentário, um revival forte dos Mamonas Assassinas: a molecada de hoje vai se amarrar tanto quanto a molecada de quinze anos atrás.

Se faltou algo que mereça citação, comente! Tem muita coisa interessante no cinema para quem gosta de música boa!

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quarta-feira, 17 de junho de 2009 - 4 Comentários

Entre os últimos lançamentos em DVD, encontramos a comédia Sim, Senhor, com o Jim Carrey.

O filme é legal: Jim Carrey está engraçado e alucinado, como nos seus melhores momentos, e ainda temos a gracinha Zooey Deschanel, atriz carismática e charmosa e cantora talentosa. Tudo certo.
















Zooey: ela canta, atua e faz graça. Mas basta existir...

Pra melhorar, só mesmo uma trilha sonora matadora. E é o que o filme entrega, logo na sua cena de abertura: a música é Separate Ways, do Journey, uma das grandes bandas americanas dos anos 80. Uma paulada, que é recuperada no clímax do filme, uma hora e meia mais tarde.

Veja o Journey tocando Separate Ways ao vivo, em 1983, no Japão. Coisa linda. As cordas vocais privilegiadas que você ouve são de Steve Perry, provavelmente o melhor cantor que já se juntou a uma banda de rock.


Viva os anos 80: Journey chutando rabos no Japão.

De resto, se você ainda não viu Sim, Senhor, não perca a oportunidade: alugue o filme e se divirta.

Fico devendo dois posts: um, com o melhor de Jim Carrey, e outro, sobre a Zooey Deschanel, a próxima grande estrela de Hollywood. Pelo menos na vontade deste blogueiro.

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terça-feira, 16 de junho de 2009 - 2 Comentários

Demorou demais, mas chegou: The Doors, do Oliver Stone, está sendo lançado em DVD.

Há uns doze anos, desde que o DVD varreu as fitas mofadas de VHS das prateleiras das locadoras, esta vem sendo a maior lacuna na formação de novas gerações de moleques. E na nostalgia de marmanjos.


Veja o trailer de The Doors!

O filme do maluco por reconstituições Oliver Stone foi um grande evento quando do seu lançamento, no início dos anos 90. Colegiais faziam fila nos cinemas para descobrir Jim Morrison e sua banda. Light My Fire, Break on Through e The End se tornaram hino para uma nova geração de adolescentes impressionados com a atitude escrota de Jim e suas letras desajustadas. A onda riponga influenciou a geração que foi pras ruas, com as caras pintadas, exigir o impeachment de Fernando Collor.

À parte toda essa história, temos um grande filme, com Val Kilmer em estado de graça, em atuação merecedora de Oscar (seu Jim Morrison bota o Ray Charles de Jamie Foxx e o Johnny Cash de Joaquin Phoenix no chinelo), e com Meg Ryan linda, linda, ousando pela primeira vez em sua carreira: cheira, bebe, fala palavrão e até arrisca um peitinho, como Pamela Courson, a namorada do líder dos Doors.

Vale muito a pena comprar e guardar este verdadeiro documento. Saudades dos tempos em que Oliver Stone tinha estilo próprio e sem concessões. E dos tempos em que idolatrávamos um bêbado que havia morrido trinta anos antes.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008 - 3 Comentários


Se você gostou de Mamma Mia! (que, no mais, continua em primeiro lugar nas bilheterias brasileiras), deve aproveitar o clima, passar na locadora, e pegar o parente mais próximo do filme: Across the Universe, lançado no ano passado e baseado na mesma premissa: roteiro montado a partir das letras de canções de uma banda muito famosa, com a vantagem de ter como matéria-prima a música dos Beatles, ao invés do ABBA...
























No entanto, as vantagens param por aí... por algum motivo - e como provam os faturamentos dos filmes -, Mamma Mia! deu muito mais certo do que Across the Universe. Veja: a música dos Beatles tem muito mais personagens e conteúdo e contexto do que a do ABBA; fez mais sucesso... afinal, o que diabos deu errado?

A conclusão (pelo menos a minha) é que o problema de Across the Universe é justamente esse: os Beatles. Porque os Beatles são considerados arte de verdade, então é natural que o diretor de um filme que respira a banda de Liverpool aspire à condição de arte. Só que a turma que rodou o filme não é exatamente Lennon & McCartney. E aí a coisa vira aquela pretensão, aquela pompa, e vira um resultado deixa um pouco a desejar.

A verdade é que os Beatles eram pretensiosos. Mas eram também geniais. E praticavam uma saudável auto-ironia, não se levando tão a sério assim. Não por outra razão, Across the Universe começa muito bem, com seus personagens se conhecendo e se apaixonando ao som da fase "bobinha" de All My Loving e I Wanna Hold Your Hand, mas vai perdendo a força e ganhando ares constrangedores na parte "cabeça" do fim dos anos 60, com embaraçosas montagens em I Want You, I am the Walrus e Let It Be.


A primeira cena do filme, em que é apresentado o casal central, o rapaz inglês Jude e a moça americana Lucy. Tudo ao som de Hold Me Tight, clássico menos badalado - e tão bacana quanto todos os outros - dos fab four.


No fim das contas, a parte legal sai ganhando. Não é a obra-prima que a música dos Beatles merecia, mas é um programa bacana para uma tarde chuvosa sem ter o que fazer.

PS: De quebra, Across the Universe encontrou, na nudez congelada da atriz Evan Rachel Wood, a melhor maneira de traduzir em imagens Something, do George Harrison, aquela que Frank Sinatra definiu como "a melhor canção de amor do século 20".

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