Bom Retiro: o guia de comida étnica no distrito dos sabores

O Bom Retiro é o melhor bairro paulistano para se comer, e a gente explica o porquê

Entradas (banchan) do restaurante coreano Komah

Entradas (banchan) do restaurante coreano Komah (reprodução/Facebook)

Esqueça por um momento as tratorias da Bela Vista, a cozinha contemporânea dos Jardins, os japoneses da Liberdade.

São Paulo é reconhecida como a capital gastronômica do Brasil, mas apenas um bairro consegue abrigar as comunidades de imigrantes que relutam em abandonar as suas raízes (e, consequentemente, restaurantes com o melhor de cada cultura): o Bom Retiro.

É só andar por algumas ruas que isso fica evidente. Letreiros em coreano? Check. Sinagogas? Check. Jornal chinês? Check. Há uma miscelânea de letreiros de diferentes partes do mundo por todos os cantos do bairro. Nem parece São Paulo.

Apesar da oferta de bons restaurantes, é difícil encontrar estabelecimentos étnicos autênticos. O “Bonra”, como é conhecido, aparece como uma agradável e salvadora exceção.

O bairro faz o paulistano viajar por meio da sua comida. Italianos, judeus, coreanos, árabes e, mais recentemente, sul-americanos e chineses tornam o Bom Retiro um dos locais mais interessantes de São Paulo para quem gosta de comer, não só pelo amplo leque de opções, mas também por sua autenticidade e qualidade.

Listamos a seguir os melhores endereços para uma deliciosa incursão gastronômica.


DO LESTE EUROPEU E ORIENTE MÉDIO

Casa Búlgara 

Bureka da Casa Búlgara

(reprodução/Facebook)

Esta pequenina loja de salgados guarda uma das maiores delícias da cidade: a bureka, pequena rosca feita de massa folhada, equivale a nossa coxinha lá na Bulgária.

A iguaria pode ter recheios e formatos dos mais diversos. As da Casa Búlgara são redondas, crocantes e leves, feitas em pequenas fornadas para garantir produtos sempre frescos.

Destaque para três sabores: berinjela com carne; batata; e queijo búlgaro (feito na casa, similar ao feta). Cada uma custa R$ 7,40 cada. Perfeitas para recarregar as baterias num dia intenso de compras pela região.

R. Silva Pinto, 356, facebook.com/casabulgara1976

 

Adi Shoshi Delishop

Pudim de leite do Adi Shoshi Delishop

Ir a um restaurante judaico só para comer uma sobremesa brasileira? Exatamente. Sente-se numa das desconfortáveis cadeiras, encare o mau humor do dono da casa, pule os pratos salgados e vá direto para a grande estrela da casa, o pudim caseiro.

Cremoso e sem leite condensado na receita, o crème caramel é doce na medida e derrete na boca. Vale os R$ 9 investidos. Se quiser conquistar a simpatia do proprietário, elogie a sobremesa depois de pagar a conta.

R. Correia de Melo, 206, delishoprestaurante.com.br

 

Effendi

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Este restaurante familiar de origem armênia é um clássico paulistano. O salão passou por uma reforma recentemente, mas a aura de boteco continua lá.

Da cozinha saem espetos de kafta (R$ 16); pastas árabes, como coalhada seca (R$ 33) e homus (R$ 32); kibe cru (R$ 43) e frito (R$ 5,30 a unidade).

Como se não bastasse, é deles uma das melhores esfihas de São Paulo. De massa crocante, vá na de recheio de queijo com basturmã, uma carne-seca à moda armênia (R$ 5,80).

R. Dom Antônio de Melo, 77, effendi.com.br


DO MEDITERRÂNEO

Acrópoles

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É o primeiro restaurante grego da cidade e, por isso, é tão icônico. Se o paulistano conhece alguma coisa sobre os sabores do velho Olimpo, o grande responsável é Thrassyvoulos Georgios Petrakis, ou apenas Seu Trasso, o simpático proprietário do restaurante falecido em julho do ano passado, aos 98 anos.

Atualmente, a casa é comandada pela filha dele, Niqui Petrakis. Desde sua abertura, em 1959, o ritual da casa de ares modestos continua o mesmo até hoje: o cliente vai até a cozinha envidraçada e escolhe os pratos diretamente das panelas.

A mussacá (R$ 32), uma generosa lasanha de berinjela entremeada de carne moída e batata, e o polvo ao vinho (R$ 80, serve duas pessoas) são os preferidos do público. Até o jornal inglês The Guardian o elegeu como um dos 10 restaurantes com melhor custo-benefício da cidade, apesar da fila de espera.

R. da Graça, 364, restauranteacropoles.com.br


DO ORIENTE

Komah

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(Marcelo Paixão/VIP)

Este é o primeiro restaurante coreano autoral do Brasil. A cozinha é aberta para o salão, o que aproxima os clientes do chef Paulo Shin e a equipe dele. Aliás, é o próprio chef que serve e explica o preparo dos pratos à clientela.

Ele, que já trabalhou em Nova York e São Paulo, tem o domínio da técnica francesa em pratos típicos coreanos. As verduras em folhas, essenciais nessa culinária, são colhidas na horta que a família Shin cultiva. Com elas se faz uma trouxinha de arroz ou alguma proteína e degusta-se com as mãos.

Prove o samgyopsal (R$ 42), panceta assada e glaceada com molho apimentado, e o kimchi bokumbap com omelete (R$ 53), um mexidão de arroz com acelga apimentada. Outro destaque é o yukhoe (R$ 39), um tartar de carne com pera e gema curada.

Se ficar na dúvida, vá de “banquete coreano” (R$ 80), um menu-degustação com todos os pratos do cardápio servidos em etapas.

R. Cônego Vicente Miguel Marino, 378, facebook.com/komah.restaurante

 

Asawon

Prato do restaurante Asawon

(reprodução/Facebook)

A especialidade são os pratos chineses à moda coreana. Comece pela porção de guioza frito (R$ 36).

Para imergir na cultura coreana, experimente o tradicional jajangmyeon, um macarrão com molho rico e bem encorpado à base de pasta de soja preta, legumes e carne, finalizado com pepino em tiras para dar textura e frescor (R$ 34). É uma das comfort food indispensáveis para qualquer coreano.

R. Correia de Melo, 166, facebook/com/asawon

 

Tofu House

Sundubu de frutos do mar do restaurante Tofu House

(divulgação/Facebook)

No cardápio aparecem clássicos coreanos como o bibimbap (mexidão com legumes e carne) e o mul-nem-mion (macarrão de trigo servido num caldo de carne gelado, próprio para dias quentes).

Mas o destaque é o sundubu – não à toa o carro-chefe da casa. A receita é uma sopa de tofu fervida por 20 horas e servida em uma cumbuca de argila. É quente, apimentada e reconfortante. Você escolhe o nível de picância da sua sopa, assim como os ingredientes (frutos do mar, vegetais, contra-filé, guioza, etc).

Custa R$ 38 e acompanha arroz e bantchan (salada).

R. Lubavitch, 93, facebook/com/tofuhouse

 

Hwang To Gil

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A pequena porta de entrada, protegida por grades de ferro e pouco convidativa, esconde a surpresa que está por vir.

Este é o mais autêntico restaurante coreano de São Paulo. A começar pelo ambiente, muito próximo do que se encontra na Coreia e tão diferente dos restaurantes coreanos daqui.

Serve pratos que você dificilmente vai encontrar tão bons em outros lugares: o yukhoe (R$ 70, serve duas pessoas), um steak tartar coreano; a jang otang (R$ 30), uma sopa de missô com enguia; e o nakji bokum (R$ 75, serve duas pessoas), um polvo apimentado salteado.

Apesar de quase não falarem português, os donos conseguem fazer com que o comensal tenha a experiência mais próxima da realidade coreana sem ter que visitar o país.

R. Guarani, 240


DO SUDESTE ASIÁTICO

Miss Saigon

Goi Cuon, prato do restaurante Miss Saigon

(divulgação/Facebook)

Único restaurante vietnamita em São Paulo que vende comida feita por uma família vietnamita. Para começar, prove os goi cuon (R$ 45, quatro unidades), rolinhos de massa de arroz recheados com camarão, porco e salada, com molho de amendoim.

O pho (R$ 30), que é para o Vietnã o que o arroz com feijão é para o Brasil, leva talharim de arroz, carne finamente fatiada, bolinho de carne e cebolinha, tudo num caldo de carne leve e aromático.

A diferença para os outros phos da cidade é que os condimentos do caldo dão aroma à sopa, mas não sufocam o sabor. 

R. Três Rios, 430, misssaigon.com.br

 

Fotos: Marcos Lima, Marcelo Paixão, Fabio Moon, divulgação, reprodução Facebook