Drinques à altura: os novos rooftops de São Paulo

Cinco novos bares em rooftops paulistanos brigam pela atenção dos fãs da alta coquetelaria

O bar Tetto fica no 26º andar de um hotel nos Jardins

O bar Tetto fica no 26º andar de um hotel nos Jardins (Gustavo Pitta/VIP)

Quem foi a uma das festas Corona Sunsets, organizadas no topo do Museu de Arte Contemporânea da USP no fim do ano passado, ou visitou as instalações imersivas do projeto The Art of Heineken, montadas no mesmo local no início deste ano, saiu pensando a mesma coisa: que desperdício de espaço.

No oitavo andar do prédio, projetado nos anos 50 por Oscar Niemeyer, a cobertura tem 1.400 metros quadrados a céu aberto e outros 850 metros cobertos. Dela se avista boa parte do Parque do Ibirapuera e um pôr do sol de tirar o chapéu.

Desde que o museu assumiu o endereço, seis anos atrás, dois após o Detran desocupá-lo, a cobertura só servia, tirando um evento ou outro, para juntar pó. Não mais.

Novo filão do entretenimento

No próximo mês, passa a funcionar no rooftop do museu um complexo gastronômico batizado de Vista. Decorado com móveis que remetem aos anos 50 do estúdio Prototyp&, comandado pelo designer e arquiteto Felipe Protti, também responsável pelo projeto arquitetônico, terá área reservada para eventos, restaurante e três bares, um deles com cardápio focado em frutos do mar e peixes crus.

Os drinques foram idealizados pelo baiano Laércio Silva, o Zulu, eleito em 2014 o melhor bartender do país pelo concurso World Class. A comida está a cargo do chef Marcelo Corrêa Bastos, do festejado Jiquitaia, em São Paulo, conhecido por privilegiar ingredientes brasileiros. Ele também é responsável pelo cardápio da cafeteria que abre neste mês no mezanino do museu e faz parte do negócio.

Bastos é um dos seis sócios da novidade. Os demais são os donos da Indústria de Entretenimento, companhia que administra o pub The Sailor e a balada Rey Castro, entre outros endereços em São Paulo, e lançou na cidade a Pacha, filial de uma das casas noturnas mais incensadas de Ibiza – a versão paulistana funcionou de 2006 a 2011.

Projeção do futuro Vista, no topo do MAC

Projeção do futuro Vista, no topo do MAC (reprodução/Divulgação)

Quem comanda o grupo é Leo Sanchez, um argentino de 51 anos que vive em São Paulo há 16. A ideia do Vista partiu dele. “Procuramos a administração do MAC e sugerimos que o museu criasse uma concorrência para definir alguém para explorar a cobertura”, diz ele. Proposta aceita, cerca de 15 empresas entraram na disputa pelo negócio.

Ótimo negócio, por sinal. O aluguel mensal é de 30 mil reais, uma pechincha para quem é do ramo, dada as dimensões do espaço, e cabe ao grupo de Sanchez repassar ao museu 5% do faturamento que vier do espaço de eventos – tanto o projeto Corona Sunsets como o The Art of Heineken ocorreram após a assinatura desse acordo.

O valor investido no Vista foi de 6 milhões de reais e a previsão de faturamento é de 1,7 milhão de reais por mês.

De olho no que vem de fora

Foi em Nova York, claro, que a companhia buscou inspiração para o empreendimento. Viajar até lá e não provar um drinque do alto de um rooftop equivale a ir a Londres e não pisar num pub.

A revista New York lista em seu site 66 bares do gênero, do classudo e quase exclusivo Le Bain, encarapitado no hotel The Standard, vizinho do High Line Park, ao despojado e acanhado Juliette, em Williamsburg. “São Paulo tem tudo para replicar essa tendência”, avalia Sanchez.

E parece que vai. Quatro outros bares em rooftops surgiram neste ano na cidade, onde as opções há pouco se resumiam ao cinquentão Terraço Itália, no centro, ao Esther Rooftop, do chef Olivier Anquier, na mesma região, e a uns dois outros endereços.

Em funcionamento desde fevereiro, o Sky Hall Terrace Bar fica no mezanino de um edifício comercial no Itaim Bibi. Ocupa uma área coberta de 320 metros quadrados e terraço com o triplo do tamanho.

O Sky Terrace Bar teve investimento de 4,5 milhões de reais

O Sky Terrace Bar teve investimento de 4,5 milhões de reais (Gustavo Pitta/VIP)

Hoje coberta de grama, essa última área está ganhando uma cobertura de acrílico e um deque de madeira no qual serão espalhados sofás e poltronas. Ao fundo haverá uma cabine destinada a um DJ. A conclusão dessa parte está prometida para agosto.

O investimento é de 4,5 milhões de reais. “Faltam espaços ao ar livre em São Paulo”, diz Edson D’Aguano, um dos sócios, que almeja replicar o rooftop como franquia em mais 12 capitais do país, em até cinco anos. “Toda grande cidade turística do mundo tem um bar assim.”

Outro sócio é o chef Martin Casilli, que em 2014 disputou o programa MasterChef. Seus quitutes não são tão criativos, como provam os chips de raízes com abóbora agridoce (R$ 21) e o queijo camembert assado com mel e páprica mais linguiça de Bragança fatiada e pão artesanal (R$ 51).

Elaborados pelo bartender chileno Rodrigo Sepúlveda, ex-Le Jazz Petit Bar, os drinques chamam mais atenção. Boa pedida, o steve mcqueen leva uísque bourbon, licor de ameixa, suco de grapefruit e bitter de laranja (R$ 28).

A lista completa

Inaugurado em abril, o Seen está no 23º andar do hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, local do finado restaurante espanhol Arola Vintetres. A reforma de 2 milhões de reais derrubou quase todas as paredes para ampliar a impressionante vista dos arredores da Avenida Paulista, instalou um bar no centro do salão e um sofá verde de veludo contornando os janelões.

Ambiente do Seen, que fica no 23º andar de um hotel próximo à Avenida Paulista

Ambiente do Seen, que fica no 23º andar de um hotel próximo à Avenida Paulista (reprodução/Divulgação)

Quem manda na cozinha é o chef William Ribeiro, que dava expediente no restaurante Bossa, em São Paulo. Dela saem entradas como o carpaccio de polvo com vinagrete de limão e broto de coentro (R$ 42) e pratos principais como o ravióli de queijo de cabra com mel de uruçu e cacau (R$ 58).

A carta de drinques, a cargo do bartender Heitor Marin, lista sugestões inventivas como o liffey, união de uísque Jameson, Campari, Aperol, Carpano clássico e bitter de laranja perfumado com casca de cipó defumado (R$ 32).

Na cobertura da Galeria Ouro Fino, o Rooftop Augusta também é da safra de abril. Integra todo o terceiro andar, uma área de 1.600 metros quadrados há três anos sem uso. Idealizado pelos publicitários Sergio Cuevas e Vanessa Ferreira, o empreendimento tem direito a cinema ao ar livre, shows, oficinas de arte, livraria, lojas e ateliês para residências artísticas.

Nas próximas semanas, ganha um bar e um restaurante, cujos detalhes não foram divulgados. “São Paulo precisa de mais lugares assim, que promovam experiências”, diz Cuevas, que não revela quanto gastou com a iniciativa.

O rooftop Augusta fica na cobertura da famosa Galeria Ouro Fino

O rooftop Augusta fica na cobertura da famosa Galeria Ouro Fino (Gustavo Pitta/VIP)

O valor investido no mais novo bar do gênero na cidade, o Tetto, também é mantido em sigilo. Aberto em maio, fica no 26º andar do hotel WZ, nos Jardins, e se divide em dois ambientes, um deles com jeitão de balada.

Os ótimos drinques assinados pelo bartender Jean Ponce são o chamariz da casa, como o que leva gim com infusão de mel de uruçu, folhas de hortelã descansadas em angostura e água tônica (R$ 35). Que competem, claro, com a deslumbrante vista em 360 graus.

Aonde ir

  • Vista: Av. Pedro Álvares Cbral, 1.301, Ibirapuera
  • Sky Hall Terrace Bar: Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.327, Itaim Bibi
  • Seen: Al. Santos, 1.437, Jardim Paulista
  • Rooftop Augusta: R. Augusta, 2.690, Cerqueira César
  • Tetto: Al. Lorena, 2.127, Jardim Paulista