Fina tampa

Vidro, rosca ou plástico: qual é a melhor alternativa para substituir a cortiça na rolha dos vinhos

rolha

Cortiça

Feita da casca do sobreiro, é resistente e elástica por natureza, vedando e ajeitando-se perfeitamente a diferentes gargalos. Seu grande porém é a suscetibilidade ao composto orgânico tricloroanisol, chamado de TCA, responsável pelo defeito conhecido como gosto de rolha, ou bouchonée. Como uma quantidade irrisória é suficiente para destruir a bebida, o TCA é o principal culpado pela corrida da indústria vinícola por rolhas alternativas. E há ainda a questão do preço: o processo de transformação do sobreiro em rolha é manual e encarece o preço final da garrafa.

Rosca, ou screw cap

É a mais aceita e usada das rolhas alternativas. Seus principais benefícios são a proteção contra a contaminação por TCA, a praticidade por dispensar o saca-rolhas e um menor custo para os produtores. Nas degustações profissionais às cegas que comparam a rosca à cortiça, quase nunca são detectadas diferenças, mesmo em vinhos envelhecidos por muitos anos. Assim como a cortiça, ela permite, através de sua membrana sintética, a micro-oxigenação da bebida, que muitos acreditam ser essencial para seu amadurecimento.

Vidro

A rolha de vidro já era utilizada antes da cortiça, séculos atrás. Por anos, foi considerada a forma mais luxuosa de vedar a garrafa – parte da produção do Château Lafite Rothschild nas safras de 1820 e 1825 foi tampada assim. Caiu em desuso por causa da dificuldade, à época, de removê-la. Hoje, voltou à cena por ser mais uma alternativa contra o risco de contaminação por TCA. Além disso, é reciclável, também dispensa o uso de saca-rolhas e é muito bonita. Infelizmente, continua sendo uma opção mais cara e, por isso, ainda não é tão difundida.

Plástico

Utilizada normalmente em vinhos mais simples, seu maior defeito é permitir bastante a entrada de oxigênio na garrafa. E as vantagens são mais para produtores do que para consumidores: o material é econômico e, como é possível fabricar uma rolha com o mesmo formato da tradicional, dispensa adaptação de maquinário. Justamente por isso, a diferença não é visível com a garrafa fechada, como no caso da tampa de rosca e da rolha de vidro. O único jeito para não levar plástico por cortiça é se informar sobre o material da rolha antes de comprar o vinho.

* Lena Mattar é sommelière formada pelo Le Cordon Bleu de Paris