Simon Difford: o homem enciclopédia dos drinks

O inglês, criador do maior site de coquetelaria no mundo, lança uma edição brasileira do Difford’s Guide e vê um mercado efervescente no Brasil

Dono de um bar no próprio apartamento capaz de fazer inveja a qualquer bartender, o inglês Simon Difford é considerado atualmente um dos maiores entendedores do universo da coquetelaria. Aos 52 anos, ele mantém ao lado da esposa, Paloma, o site Difford’s Guide, fonte de pesquisa para profissionais e amantes de bebidas: são mais de 300 mil acessos por mês, com visitantes regulares em sete países do mundo. Criado em 2001, o endereço eletrônico acumula mais de 4 mil receitas, sendo que 10% são de autoria de Simon. O banco de dados ainda conta com informações e imagens de tudo relacionado à indústria alcoólica: bares, bartenders, marcas etc.

De olho no mercado latino, Simon viu uma oportunidade de expandir as fronteiras e ter uma versão brasileira da sua cria. O site Difford’s Guide Brasil foi lançado no mês passado, mas a produção editorial começou antes do Carnaval. “Além de traduzir o conteúdo da filial, também vamos produzir artigos e matérias sobre o que acontece aqui no país”, diz Marcelo Sant’Iago, publisher brasileiro.

Sentado diante do balcão do Peppino Bar, em São Paulo, Simon Difford deu suas impressões sobre a coquetelaria nacional e fez um balanço de tudo que provou em uma semana de estadia no país.

No site, você diz que não curte bebedores lentos nem bêbados. Não é contraditório?
Meu trabalho é manter as pessoas bebendo. Se você bebe muito, uma hora vai cair, e eu preciso que esteja de pé para continuar bebendo. Não gosto dos lerdos porque, quanto mais se demora a beber, o drinque perde a potência. O gelo derrete, fica aguado, quente etc. Falando nisso, beba logo seu drinque!

Quais foram suas impressões sobre a coquetelaria brasileira e nossos bartenders?
É incrível a forma como vocês trabalham com frutas. Os ingleses só batem a melancia no liquidificador com vodca, botam gelo e bebem. Aqui, vocês picam, maceram, fazem infusões… Vão muito além da caipirinha. Também me surpreendi com os bartenders profissionais. São muito habilidosos, coerentes e com regularidade na produção dos drinques – creia, manter um bar em ritmo estável é muito difícil. Acredito que os bebedores brasileiros estão ficando cada vez mais maduros também.

Consegue dar uma previsão do nosso futuro diante do mercado internacional?
Até pouco tempo atrás, não ouvíamos nada sobre bartenders brasileiros, nem sobre o que se produzia aqui. A cachaça abriu um bom caminho, mostrou a identidade de vocês. Soube também que estão produzindo outros destilados, como o gim. Mas gim é melhor deixar com a gente [ingleses], né? Brincadeira. Vocês têm tudo para serem reconhecidos mundialmente.

E como o Difford’s Guide pode abrir novas oportunidades de negócios para o Brasil?
Temos, provavelmente, um dos maiores sites internacionais sobre coquetéis. Ninguém é tão globalizado e nosso alcance é enorme. O Marcelo [Sant’Iago] vai nos ajudar a traduzir o que está acontecendo aqui, e esse conteúdo vai ganhar visibilidade em Londres, Nova York, São Francisco, Paris. O Brasil entrará em cena para um público de vários países e em diversos idiomas.

Você está tentando transformar seu guia em algo internacional?
Nós já fizemos isso. Lançamos nosso primeiro site estrangeiro na Grécia há 18 meses. O conteúdo de lá é traduzido para o inglês, que vai ser traduzido para o português. Vamos ainda lançar no México, na Austrália e na Holanda. Estou conhecendo cada vez mais línguas e países diferentes. Sou parte dessa mistura de informações.