Uma pizza por almoço e 50 quilos a menos: uma tal dieta da pizza

Comer uma redonda todo dia e emagrecer parece um sonho? Pois foi assim que um chef italiano perdeu 50 quilos em menos de um ano — mas não só com isso...

Pasquale Cozzolino nasceu em Nápoles, na Itália, e se mudou para Nova York, nos Estados Unidos, há quatro anos para abrir seu próprio negócio. Junto com a mudança física, veio a de hábitos que nem o forte DNA italiano conseguiu evitar: bolachas, produtos industrializados e fast food se tornaram parte da dieta do chef, que em um intervalo de dois anos passou de 115 para 167 quilos. Cinquenta quilos a mais e o perigo de um infarto eram um risco sério. Foram esses os gatilhos para ele mudar sua rotina alimentar. Mudar, aliás, não é o termo mais cor- reto para definir o que aconteceu. O que Cozzolino fez de verdade foi um resgate de velhos costumes.

Usando uma receita tipicamente napolitana, ele criou sua dieta – uma pizza de 570 calorias que leva apenas quatro ingredientes na massa: sal marinho, farinha de trigo “tipo 00” (própria para pizza), água e fermento. Sobre ela, apenas tomates San Marzano e mussarela italiana, nada mais. “Esse era seu ‘veneninho’ diário”, diz o especialista em emagrecimento e nutrição otimizada pela Universidade Estadual de San Diego Rodrigo Polesso, ao explicar que, caso o chef tivesse retirado a pizza de sua dieta, poderia ter obtido resultados ainda melhores. Isso porque a “dieta da pizza” não é bem só sobre ela.

Ele também passou a comer granola com frutas no café da manhã e frutos do mar, saladas e vinho no jantar. Tudo natural, fresco. Apesar do marketing da pizza, foi esse o pulo do gato, diz Polesso. “É preciso mudar o paradigma de que é necessário comer menos para emagrecer. É preciso mudar a qualidade do que se come.” Quem engrossa o coro é o próprio Cozzolino: “Não tome pílula de emagrecimento ou pós mágicos. Comida natural é seu remédio”, disse ao New York Post.

Crédito: Getty Images

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VOLTA AO NATURAL

Os grandes vilões alimentares de hoje são os alimentos industrializados. E se isso soar como algum natureba de

plantão reclamando, a ciência explica com um pouco mais de embasamento. A chave para entender a vantagem de se alimentar com comida natural está no conceito de densidade nutricional, valor utilizado por gente ligada à área de nutrição para definir a quantidade de nutrientes presente em determinado produto.

Alimentos naturais saíram da natureza da maneira que são apresentados à mesa. Já os industrializados passam por uma série de misturas e fases que alteram seu estado e, consequentemente, seus valores nutricionais. Desta maneira, comer 100 calorias de uma salada tem um efeito completamente diferente de comer 100 calorias de uma batata frita. O peso calórico vai ser o mesmo, porém um vai “preencher” melhor sua fome do que o outro. “Quando você come alimentos alinhados ao metabolismo, seu corpo reage de maneira correta, dando sinais de saciedade. A quantidade do que você ingere é regulada automaticamente pelo corpo. Isso não acontece quando você come alimentos processados que têm baixa densidade nutricional”, explica Polesso, que complementa dizendo que esse é um dos motivos de ser tão fácil comer muito em fast foods. “Um hambúrguer não vai suprir sua necessidade de nutrientes, por isso a tendência é comer mais desses alimentos.”

Quanto a dietas de contagem de calorias, Polesso é enfático: “A dieta por calorias só é útil se você tem uma alimentação ruim baseada em alimentos industrializados e processados”. O que leva a outra questão…

DIETAS PARA QUÊ?

Ao final de tudo, é uma questão de controle de metabolismo. Ele é responsável por todo o comando do seu corpo, e a sua dieta não vai fazer nada além de desajustá-lo por um curto período de tempo e depois criar uma resistência. Lembre-se de que seu corpo ainda não aprendeu a interpretar novas modas, então ele não vai entender quando você começar a tomar chá verde 24 horas por dia e interpretará aquilo como uma mudança brusca do usual. E o que ele faz quando detecta uma mu- dança de funcionamento? Aumenta a resistência, assim como acontece com uma doença. Com o metabolismo mais resistente, o corpo tem dificuldades de mudar velhos hábitos. Caso você tenha um ciclo metabólico ruim, a tendência é ele ficar cada vez mais difícil de se alterar – e, assim, é mais difícil emagrecer. Aquela sua dieta maluca pode, portanto, até ter ajudado no verão, mas no inverno seu peso já vai ter voltado ao normal porque a mudança não foi de hábito, mas apenas momentânea.

Outra grande desvantagem de dietas é que grande parte delas trabalha com a restrição como chave, sem levar em conta reposição de nutrientes e minerais. Quando seu corpo trabalha com menos do que deve, diminui seu ritmo a fim de poupar energia. Exercício? Nem pensar, é preciso economizar. É como se seu corpo estivesse em recessão econômica e você não pudesse gastar nada mais do que o necessário. Por outro lado, o que acontece em momentos de bonança financeira? Gastos mil – ou, no caso, disposição para gastar calo- rias. É mais ou menos isso que ocorre quando se tem uma dieta que garante regulação do metabolismo. Ao fim de tudo, a dieta da pizza nada mais é do que um cardápio que respeita o corpo, comendo produtos naturais, sem deixar de lado alguns mimos necessários para aguentar uma rotina estressante. Seu corpo não trabalha para ficar acima do peso. É preciso apenas regulá-lo para não chegar a esse ponto.