O bom garfo

quarta-feira, 25 de março de 2009 - 0 Comentários


Estive ontem numa degustação dos vinhos produzidos pelo argentino Carlos Pulenta, dono das marcas Vistalba e Tomero (foto). Vinhos ótimos, mas eu gosto de ir a esse tipo de evento mais para observar as pessoas ao meu redor. Para definir tais reuniões, pego emprestado um versinho de Y.M.C.A., do Village People: you can hang out with all the boys, você pode se divertir com todos os rapazes. Só dá homem. Longe de parecer um albergue gay de Nova York, o círculo do vinho reúne respeitáveis pais de família. E pouquíssimas mulheres. Por que o clube do bolinha? Enumero abaixo algumas possíveis razões.

  • É um clube do bolinha, oras. Homens em geral -- e homens casados em particular -- precisam sair com os amigos, sem as mulheres, de vez em quando. Alguns jogam bola às terças. Outros jogam pôquer às quintas. Outros vão beber vinho com os amigos.
  • O meu é maior que o seu. Como no futebol ou no pôquer, rola uma competitividade nas degustações. Não é tão explícito assim, mas os enovarões passam o jantar inteiro medindo o conhecimento e o tamanho da adega dos outros machos à mesa.
  • É brincadeira de menino. Junto com o interesse por vinho, vem a coleção de garrafas. E com ela, o saca-rolhas bacana, o decânter, a adega climatizada, a assinatura da revista especializada, as taças específicas para cada tipo de vinho.
  • É papo de bar. Melhor: é um metapapo de bar, já que o assunto é a própria bebida que move a conversa.

Claro que algumas mulheres aprendem a regra do jogo e jogam melhor que qualquer homem. Mas a maioria das moças que entram nessa não está nem aí para todo o ritual masculino. Elas confiam na própria intuição e falam sem se importar com a próxima cartada do oponente. Por isso eu confio mais na opinião das mulheres quando o assunto é vinho.

Marcadores: ,

Assinar
Postagens [Atom]

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Início

Publicidade