30.7.09 - 6 Comentários

Chegou ao meu e-mail uma mensagem de uma loja de vinhos. Ela decidiu promover um abaixo-assinado virtual que, se comovesse o Congresso Nacional e a Presidência da República, transformaria o vinho de bebida em alimento. Claro que o vinho continuaria líquido e inebriante, mas a medida o colocaria em uma categoria fiscal diferente: segundo os organizadores da coisa, o preço das garrafas seria imediatamente reduzido em 20%.
Sempre achei um absurdo o que se paga pelo vinho no Brasil e, como consumidor, quase aderi ao tal movimento da loja (que, cá entre nós, é um concurso que funciona mais como jogada de marketing e vendas -- a chance de uma iniciativa assim ir adiante neste momento é quase nula).
Só que a questão é muito complexa.
Entre os ferozes opositores de uma redução fiscal para o vinho, está gente que não rasga dinheiro nem sai pelada na rua. Uma decisão desse calibre teria um impacto enorme na saúde pública, já que a definição "vinho" abarca brunellos, cabernets chilenos, Chapinha e San Tomé, vinhos finos e tinturas que embebedam trabalhadores nos botecos. Os mais baratos não são bebidos como alimento ou para hamonizar com uma refeição de três pratos -- e preços ainda menores seriam um estímulo ao abuso. Ao mesmo tempo, excluir as marcas populares do benefício fiscal seria puro preconceito.
Sem falar que a redução do imposto para o vinho poderia abrir alguma brecha jurídica para outras bebidas mais fortes, que representam o grosso das estatísticas de alcoolismo, também requisitassem a mudança.
Só que o vinho fino é caro demais por aqui. Compare com França, Inglaterra, Portugal, Argentina, Chile, Estados Unidos...
O que pode ser feito para resolver a situação? O que você pensa sobre isso?
Imagem: Virgem e Criança, de Joos Van Cleve
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6 Comentários:
Adoro Vinho humm, se for de boa safra melhor ainda agora se for "de mesa" faço um quentão que vai muito bem...
De: @alrafinha
(TWITTER)
30 de Julho de 2009 14:05
@alrafinha - quentão?????????? não seria vinho quente?
30 de Julho de 2009 14:19
existe quentão de vinho...
http://diadefolga.com/quentao-de-vinho/
30 de Julho de 2009 14:33
"Bebo por que é líquido, se fosse sólido comê-lo-ia"
30 de Julho de 2009 15:25
Marcão, pra mim, o problema está nos impostos de importação. Encarece muito. Como a produção nacional não é um substituto à altura, ficamos refém da situação, e se consome menos vinho. Por exemplo, vejamos o caso dos automóveis: o carro nacional é mais barato e dá conta do recado; o carro importado vira luxo; no entanto, os carros de luxo nacionais não são tãããão mais baratos do que os importados - e, para conseguirem sobreviver, tiveram que melhorar o nível. Acabou virando um ciclo do bem.
No mundo dos vinhos, o disparate de qualidade e preço é muito grande, e algo parecido não vai acontecer. A carga tributária, somando a de importação com a classificação de bebida alcoólica, é alta demais. Faz sentido a briga dos caras, mas elegeram a bandeira errada - deve ser mantida a classificação de bebida, mas reduzida a de importação... causa menos frisson na mídia, mas tem mais chances de passar...
Abraço,
Garrido