19.8.09 - 1 Comentários



Pegue cálice daqueles de pinga, com limão e sal ao lado. Encha-o de tequila e tome de uma vez só. Repita o ato várias vezes e acorde com uma dor-de-cabeça infernal na manhã seguinte.
A indústria da tequila está tentando se desvencilhar dessa imagem de bebida para porres homéricos de consequências desastrosas. Tequila não precisa ser assim, dizem. Eu concordo. Tequila é o tema da minha coluna a VIP que chega às bancas na semana que vem.
Só para dar um preview do que trata a coluna: tequila é feita de uma planta chamada agave azul, mas pode ter até 49% de outro aguardente. Geralmente é de cana, ou seja, um tipo de pinga. As tequilas realmente boas são feitas 100% de agave. Por coincidência, depois de escrever o texto, fui convidado a dois eventos que promoveram essa versão sofisticada da bebida.
O primeiro foi o lançamento da marcas Olmeca (da multinacional Pernod Ricard) e de sua versão superpremium, a Tezón (foto ao lado). Sim, Tezón, mas isso não é de forma alguma relacionado à palavra "tesão" - é uma forma reduzida de tezontle, a pedra usada nos antigos moinhos mexicanos. A Tezón é feita num moinho assim, de forma semiartesanal, e isso se reflete no preço (acima dos R$ 150). É uma bebida que pode ser apreciada lentamente, pura, sem limão nem sal.
O outro, no dia seguinte, foi uma almoço com o pessoal da Cuervo, que detém 90% (!) do mercado brasileiro. Embora também quisessem falar das garrafas menos nobres, eles frisaram que o objetivo da corporação é distanciar a imagem da tequila do folclore mexicano e do abuso. E me apresentaram toda a linha de produtos premium (foto no alto) da companhia, que vai do 1800 blanco até o Reserva de la Familia, que custa uns R$ 350 e lembra mais um belo cognac.
Filtrando todo o bullshit corporativo, sobra o seguinte: já há boas opções de tequila, numa faixa de preço um pouco superior, para você beber sossegado e não acordar com um mariachi tocando dentro da sua cabeça.

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30.7.09 - 6 Comentários


Chegou ao meu e-mail uma mensagem de uma loja de vinhos. Ela decidiu promover um abaixo-assinado virtual que, se comovesse o Congresso Nacional e a Presidência da República, transformaria o vinho de bebida em alimento. Claro que o vinho continuaria líquido e inebriante, mas a medida o colocaria em uma categoria fiscal diferente: segundo os organizadores da coisa, o preço das garrafas seria imediatamente reduzido em 20%.
Sempre achei um absurdo o que se paga pelo vinho no Brasil e, como consumidor, quase aderi ao tal movimento da loja (que, cá entre nós, é um concurso que funciona mais como jogada de marketing e vendas -- a chance de uma iniciativa assim ir adiante neste momento é quase nula).
Só que a questão é muito complexa.
Entre os ferozes opositores de uma redução fiscal para o vinho, está gente que não rasga dinheiro nem sai pelada na rua. Uma decisão desse calibre teria um impacto enorme na saúde pública, já que a definição "vinho" abarca brunellos, cabernets chilenos, Chapinha e San Tomé, vinhos finos e tinturas que embebedam trabalhadores nos botecos. Os mais baratos não são bebidos como alimento ou para hamonizar com uma refeição de três pratos -- e preços ainda menores seriam um estímulo ao abuso. Ao mesmo tempo, excluir as marcas populares do benefício fiscal seria puro preconceito.
Sem falar que a redução do imposto para o vinho poderia abrir alguma brecha jurídica para outras bebidas mais fortes, que representam o grosso das estatísticas de alcoolismo, também requisitassem a mudança.
Só que o vinho fino é caro demais por aqui. Compare com França, Inglaterra, Portugal, Argentina, Chile, Estados Unidos...
O que pode ser feito para resolver a situação? O que você pensa sobre isso?

Imagem: Virgem e Criança, de Joos Van Cleve

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4.6.09 - 0 Comentários


A revista Wired traz neste mês uma pegadinha para os pândegos de plantão pregarem nos convidados de festinhas, reuniões e eventos afins: um drinque que explode. Trata-se de uma versão do já célebre experimento da bala Mentos com refrigerante (aqui, um vídeo do que acontece quando os dois são misturados).
Aqui, eles dão um jeito de retardar a explosão ao colocar a balinha dentro de uma pedra de gelo. Os outros ingredientes do drinque são irrelevantes e podem ser trocados por qualquer outra coisa. O artigo completo está aqui (em inglês).

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2.6.09 - 1 Comentários


O blog Now That's Nifty, que compila tudo o que é tranqueira estranha da internet, traz uma lista de refrigerantes com sabores bizarros, engraçados ou simplesmente de venda limitada a uma determinado região (o post está em duas partes: 1 e 2). Tem até o guaraná Antarctica. Alguns destaques:
Calpis, bebida japonesa que parece um Yakult com gás.
O tradicional guaraná Jesus, do Maranhão.
Irn-Bru, a bebida nacional da Escócia (uísque? o que é isso?), feita de gengibre.
As edições especiais da Jones Soda, que já vieram nos sabores: peru ao molho, couve-de-bruxelas, cassarola de vagem e antiácido.

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25.3.09 - 0 Comentários


Estive ontem numa degustação dos vinhos produzidos pelo argentino Carlos Pulenta, dono das marcas Vistalba e Tomero (foto). Vinhos ótimos, mas eu gosto de ir a esse tipo de evento mais para observar as pessoas ao meu redor. Para definir tais reuniões, pego emprestado um versinho de Y.M.C.A., do Village People: you can hang out with all the boys, você pode se divertir com todos os rapazes. Só dá homem. Longe de parecer um albergue gay de Nova York, o círculo do vinho reúne respeitáveis pais de família. E pouquíssimas mulheres. Por que o clube do bolinha? Enumero abaixo algumas possíveis razões.

  • É um clube do bolinha, oras. Homens em geral -- e homens casados em particular -- precisam sair com os amigos, sem as mulheres, de vez em quando. Alguns jogam bola às terças. Outros jogam pôquer às quintas. Outros vão beber vinho com os amigos.
  • O meu é maior que o seu. Como no futebol ou no pôquer, rola uma competitividade nas degustações. Não é tão explícito assim, mas os enovarões passam o jantar inteiro medindo o conhecimento e o tamanho da adega dos outros machos à mesa.
  • É brincadeira de menino. Junto com o interesse por vinho, vem a coleção de garrafas. E com ela, o saca-rolhas bacana, o decânter, a adega climatizada, a assinatura da revista especializada, as taças específicas para cada tipo de vinho.
  • É papo de bar. Melhor: é um metapapo de bar, já que o assunto é a própria bebida que move a conversa.

Claro que algumas mulheres aprendem a regra do jogo e jogam melhor que qualquer homem. Mas a maioria das moças que entram nessa não está nem aí para todo o ritual masculino. Elas confiam na própria intuição e falam sem se importar com a próxima cartada do oponente. Por isso eu confio mais na opinião das mulheres quando o assunto é vinho.

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19.3.09 - 0 Comentários

Essa é a grande notícia do dia, mal podemos esperar pelas primeiras garrafas!
Enquanto isso, contentemo-nos com...



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16.3.09 - 0 Comentários


Receita publicada na seção Boa Vida da VIP de março-09

Encha metade de um copo grande com cerveja clara. Sobre uma colher de sopa com o lado convexo para cima, complete com cerveja stout irlandesa (Guinness, por exemplo). A colher vai fazer com que as bebidas não se misturem de cara.

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Receita publicada na seção Boa Vida da VIP de março-09


Num copo grande cheio de cerveja clara (irlandesa, de preferência, como a Harp), pingue 5 ou 6 gotas de corante alimentício verde. Misture muito suavemente com uma colher de cabo longo para uniformizar a cor.

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Amanhã é dia de São Patrício. Seguem as dicas de bares e drinques publicadas na seção Boa Vida deste mês.

Todas pro santo
Festa irlandesa de São Patrício é um pretexto para beber
cerveja verde -- ou escura, ou clara, ou com uísque...


A cerveja é sagrada para os irlandeses no dia 17 de março. No dia de São Patrício -- Saint Patrick?s Day em inglês ou Lá fhéile Phádraig em gaélico --, a tradição envolve encher a cara com cerveja tingida de verde, a cor nacional da Irlanda. Nos países de língua inglesa, a bebedeira rola na rua, em grandes paradas que fecham cidades do tamanho de Chicago ou Boston. Por aqui, os pubs fazem promoções no dia do santo. Ou você pode homenagear o padroeiro com drinques irlandeses, como os que o Edu Passareli, sócio da cervejaria Melograno, ensina a seguir.

Por que verde?
Por causa dos gramados que cobrem a Irlanda e de uma lenda que envolve São Patrício. O santo, que teria nascido na Grã-Bretanha, foi catequizar os irlandeses no século 5º. Para explicar o mistério da Santíssima Trindade, Patrício teria recorrido a um trevo de três folhas. Graças a essa lenda, o trevo virou um símbolo da Irlanda. Assim como a cor verde da planta, que no dia de São Patrício está nas roupas, na cerveja e em todo lugar. Até nos poodles.

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12.3.09 - 0 Comentários


Na onda do Ano da França no Brasil, o bistrô paulistano Le Chef Rouge vai servir, entre 14 de abril e 17 de maio, um menu especial de harmonização com quatro rótulos diferentes da casa Moët et Chandon. Como é bem curtinho, aí vai o cardápio da chef Renata Braune:

Torta de pêras com queijo azul + 1/2 taça de Moët demi-sec: R$ 38
Crème brûlée com foie gras + 1/2 taça de Moët brut: R$ 48
Brandade de bacalhau em trouxa de massa phyllo + 1 taça de Moët brut rosé: R$ 82
Risoto de coelho e cogumelos (foto) + 1 taça de Moët Grand Vintage: R$ 89
Crepe de maçã com creme de amêndoas + 1/2 taça de Moët demi-sec: R$ 39

Num evento para jornalistas, eu experimentei o menu completo. Rapidamente: a torta de pêra casou direitinho com a champanhe meio-doce, a crème brûlée decepcionou a todos na mesa (estava rala demais, talvez tenha ocorrido algum contratempo na cozinha), o bacalhau estava muito bom, o risoto era fenomenal (o melhor risoto de coelho que eu já comi -- e também o único) e a sobremesa era boa. Se fosse pagar, eu iria de torta pela experiência da harmonização e, para esbanjar, prosseguiria com o risoto.


Le Chef Rouge: rua Bela Cintra, 2238, São Paulo, tel.: (11) 3081-7539.

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Duas hipósteses: a diferença de densidade dos líquidos e armação.

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11.3.09 - 0 Comentários



É porrada pura. Mais informações aqui.

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4.3.09 - 0 Comentários



Recebi um e-mail da importadora Mistral com sugestões de vinhos para presentear no Dia Internacional da Mulher. Entre as garrafas recomendadas, está este Vinha da Tapada. Nunca tomei o vinho, pode ser ótimo. Com um nome assim, porém, é indicado só para quem está com vontade de despachar a namorada ou ser deserdado pela mãe.

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2.3.09 - 0 Comentários

Sabadão, 28 de fevereiro, lá fomos eu e um amigo encarar a Via Dutra com um propósito bem nobre: assistir ao desfile das campeãs do Rio no camarote da Brahma. Devidamente credencidados e uniformizados, entramos num microônibus que percorreu as travessas cheias de cortiços e outras construções decrépitas até estacionar no interior de uma fábrica da qual só sobraram as paredes externas e uma chaminé gigante. Alguns brutamontes guardavam a rampa que levam ao mundo surreal do camarote, onde o chope brota em fontes e as celebridades circulam como se nem ligassem para os paparazzi. Olha eu na foto do alto: lááááá atrás, bem pequeninha, tem a Emanuele Araújo cantando para a platéia de escolhidos. E do lado oposto, os grêmios recreativos escolas de samba se exibiam. Como de samba eu sou analfabeto, me limito a comentar a festa.

Por todo o camarote havia mulheres bonitas -- todas de camiseta laranja, o que dificultava a identificação até das celebridades de nível 2 para baixo-- e chopeiras self-service. Apanhei das danadas (das chopeiras, não das famosas) nos dois primeiros copos, mas tudo correu às mil maravilhas do terceiro ao trigésimo-segundo. Mais impressionante que a abundância de bebida era a reposição de copos limpos de vidro, aparentemente feita por duendes. Havia também geladeiras abarrotadas de latinhas de cerveja com e sem álcool, que encalharam lindamente, além de refris diversos e água. Nada de destilados, o que tornou o ambiente praticamente à prova de vexames etílicos.


No campo dos rangos, tinha um bufê que não emocionava e um espaço botequinesco que servia as frituras de hábito. A coisa mais interessante era um carrinho com garrafas térmicas cheias de caldos -- de feijão, de abóbora e de carne. O Vinícius, que aparece na foto servindo as gatinhas, me explicou que essas tigelas coloridas tinham bacon, salsinha, cebola, pimenta, coisas para "customizar o caldinho". Só faltava essa, caldinho customizado! Brincadeira à parte, o caldinho foi providencial para aguentar a maratona sambística.


Já que comecei a pegar no pé dos caras, vou continuar. Não pude deixar de reparar nas "legendas" dos pratos do bufê. Por que "purê de batatas com roasted garlic" e não "mashed potatoes with alho assado"? E ainda tinha um "arroz branco com wild rice". Desculpem a indigência da foto: não é fácil manter o foco na câmera do celular com um prato na mão e a Patrícia Poeta atrás de você, só esperando a conclusão da palhaçada para poder se servir.

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27.2.09 - 0 Comentários


Amanhã é o dia. De abrir aquela garrafa de vinho especial que você está pegando mofo na adega há tanto tempo. Pelo menos é o que querem dois jornalistas americanos que criaram, dez anos atrás, a Noite de Abrir Aquela Garrafa. Cai sempre num sábado de fevereiro e parece que meio que pegou nos Estados Unidos, onde há festas abertas a gente solitária que não tem com quem dividir aquele vinhão (!!). Eu não posso aderir, já que nenhum vinho dura mais de umas duas semanas na minha casa (brincadeira, tenho garrafa guardada há mais de um mês).

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26.2.09 - 0 Comentários

Os talebans da caipirinha dizem que só merece o nome a bebida feita com limão verdinho e cachaça da branquinha, de sabor mais neutro. Os experimentalistas põem manjericão, pimenta-rosa, pitaya, pisco, clara de ovo, vale tudo. Neste Carnaval, eu subverti só um pouquinho a versão mais conservadora da caipira: troquei o limão-galego (ou seria taiti?) por limão-cravo, aquele que tem a polpa avermelhada e é bastante comum, pelo menos aqui em São Paulo, nesta época do ano. Acabo de descobrir na Wikipédia, mas só em inglês, mal aí, que se trata de uma cruza de limão com tangerina. E usei uma cana de bastante personalidade, a Seleta, que é envelhecida em barris de umburana. O limão tem nome de cravo, mas é a madeira da cachaça que deu gosto de cravo na caipirinha que, modestamente, ficou ótima. Olha a receita aí embaixo.


Ingredientes
2 limões-cravos pequenos ou 1 grande
2 colheres (chá) de açúcar
1 dose generosa de chacaça Seleta (ou outra envelhecida em umburana)
Gelo, muito gelo

Corte os limões em quartos e retire todas as membranas esbranquiçadas que causam amargor. Amasse com açúcar num copo grande, adicione a cachaça e complete com gelo. Você pode usar um copo curto e menos gelo, eu optei fazer uma caipira mais refrescante porque estava derretendo no calor de Ubatuba.

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