Andy Warhol estava errado

Nossa autoestima é mensurada pelo número de seguidores. Mas por que desejamos ser famosos?

Andy Warhol estava errado. Ao contrário do que dizia seu adágio, que o futuro nos reservaria meros 15 minutos de fama, parece que todos hoje, “instagramers”, “youtubers”, “twitters” ou “snapchatters”, temos nosso canal preferencial de comunicação e somos famosos em algum determinado nível. Somos todos celebridades, mas em escalas distintas e de múltiplos níveis. Celebridades para alguém e fãs de alguém, famosos em algum círculo de influência, obcecados por números de seguidores, aderência, unfollows, blocks, interações. Em suma, diferentemente de antes das redes sociais surgirem, quando prestígio era uma qualidade que vinha de baixo para cima e era referendada por um canal legítimo de comunicação, seja o jornal, o rádio, a revista ou a televisão, de maneira hierárquica, hoje esse prestígio é fluido e modular em decorrência da quantidade de nano, micro, quânticas celebridades que surgem todos os dias. Um excesso de canais de comunicação permitiu uma ascendência proporcional ao estrelato para muitos. Hoje, muito mais do que criar celebridades, a mídia tradicional só serve para referendar e dar conteúdo para ser amplificado através das redes dessas pessoas.

Seguimos e desejamos ser seguidos. Nossa autoestima é agora mensurada por um número, nunca o suficiente, sempre desejando o número redondo que nos dará a chance de agradecer nossa audiência, o check azul ao lado de nosso nome que nos ratificará como uma pessoa pública, que nos possibilitará colocar um “real oficial” no nome da conta, apesar de ninguém se importar em cloná-la e se passar por você. Mas por que desejamos tão ardentemente sermos figuras públicas? É o medo da morte, que guia boa parte das ações humanas? Seria a necessidade de sermos amados por todos? Será que procuramos a legitimação dos nossos pares em relação a quão especial somos? Ou será que somos mais felizes em contraponto com os outros, nossas vitórias são mais doces quando colocadas lado a lado com a miséria dos que nos cercam e nos seguem?

Ou pode ser o doce da vida das celebridades, seus sorrisos azeitados e treinados para a selfie que tomou o lugar do autógrafo e que, uma vez projetada nas redes sociais, fala “estou do lado de fulano, portanto fui contaminado por sua aura e brilho”, ao mesmo tempo em que a celebridade que interrompe seu almoço para tirar a foto pensa consigo, com um certo desprezo, “mais um idiota sem nada a fazer para interromper meu almoço, fazer o quê, é meu trabalho”. São tortuosas as razões que nos fazem admirar outras pessoas e dar-lhes o status de celebridade, mas uma coisa é certa: todo santo tem barro em seu pé. Elas, as celebridades, não passam de humanos como eu e você que ganham a vida, grande parte das vezes, sorrindo para fotos e desprezando a nós que lhes emprestamos tal status.

Deveríamos parar de transformar pessoas estúpidas em famosas.

Facundo Guerra, argentino naturalizado paulistano, é empresário da noite e pai da Pina 24 horas por dia