Claudia Gadelha: lutadora faz uma das lutas do UFC neste sábado

Depois de duas derrotas pelo título mundial, a lutadora se muda para os EUA e toma as rédeas da carreira

A potiguar Claudia Gadelha tem, aos 27 anos, uma carreira vitoriosa no MMA, com 13 vitórias. Suas duas únicas derrotas têm nome e um sobrenome quase impronunciável: Joanna Jedrzejczyk. Foi por causa da última luta contra a polonesa campeã de sua categoria no UFC, em julho, que a peso-palha tomou uma decisão que classifica de “muito difícil”, mas essencial para seu crescimento profissional: deixou a equipe pela qual lutava havia dez anos, a Nova União, em que treinava ao lado de atletas como José Aldo.

A mudança foi total: Claudinha saiu do Rio de Janeiro e foi para os Estados Unidos, e agora faz a preparação para a luta contra a americana Cortney Casey, marcada para 19 de novembro, em São Paulo, na equipe de Greg Jackson (a mesma de Jon Jones, ex-campeão dos meio-pesados), em Albuquerque, Novo México. Em março deste ano, ela já havia fincado um pé em solo americano ao inaugurar a Claudia Gadelha’s MMA & BJJ Academy, na Pensilvânia. Surgiram então rumores de que ela havia trocado a Nova União e brigado com o treinador Dedé Pederneiras para liderar a própria equipe. “Nunca faria isso na vida. Não sou estúpida a ponto de deixar uma academia grande para ir para a minha, que acabou de inaugurar. Era um plano antigo ter meu negócio, e isso virou realidade porque um atleta americano propôs sociedade”, conta ela. “Vi que aquela região nos EUA precisava de uma academia de jiu-jítsu, de artes marciais. Nossas ideias casaram e decidi abrir o meu negócio.”

Claudinha diz que é o profissionalismo que a guia. “Amo meus amigos da Nova União, mas achei que era hora de buscar coisas novas. Fiz um treinamento muito longo e pesado para a última luta contra a Joanna. Eu estava com a cabeça e o corpo destruídos. Sou superior a ela tecnicamente, mas passei do ponto, e ela teve muito mais fôlego na luta. Não estou culpando ninguém por isso. Eu me culpo, porque sabia que estava errada e não fiz nada para mudar”, pondera.

A brasileira conta que escolheu agora a equipe de Greg Jackson também porque ela fica em uma cidade de altitude, o que vai potencializar seus treinos. “Não é para mudar totalmente o meu jogo na luta, mas para adicionar. Cresci na filosofia das artes marciais, de respeito à hierarquia. Porém, acho também que tenho que procurar o que é melhor para mim, como quem muda de emprego para evoluir profissionalmente. Afinal, é isso o que eu sou, uma profissional.”

Embora acredite que o combate com Cortney, em novembro – no UFC, que tem Rogério Minotouro e Ryan Bader na luta principal –, não faça muito sentido, já que a adversária é a 14ª do ranking (enquanto ela é a primeira), Claudinha aceitou subir no octógono porque deseja lutar ainda neste ano. “Eu queria voltar pro caminho da vitória antes de o ano terminar.” Sua situação é um pouco esdrúxula, porque ela não deve conseguir uma terceira luta com a campeã. “Há várias meninas chegando ao topo da categoria. Tenho que torcer para uma delas vencer e eu poder disputar o cinturão novamente – e ser campeã.” Torçamos junto.