Metade + 7: seria essa a idade ideal da sua mulher?

A mulher ideal deve ter metade da idade do homem, mais sete anos. Será que essa afirmação faz algum sentido?

Por Ana Canosa

Disseram-me que o título de minha coluna é uma espécie de “provérbio” italiano. Encontrei na internet como sendo de origem indiana, mas sem nenhuma referência fidedigna: “A mulher ideal deve ter a metade da idade do homem, mais sete anos”. Então, caso você tenha 30, deveria, segundo a fórmula, buscar nas meninas de 22 anos a sua cara-metade.

Enquanto a motivação para uma relação sexual era a procriação, compreensível que homens mais velhos buscassem meninas bem mais jovens, já que a idade fértil da mulher tem suas limitações, além do processo de gestação que “rouba” aí, no mínimo, nove meses. Atualmente, no entanto, a última coisa que move um encontro amoroso-sexual é fazer um bebê. Sendo assim, a idade cronológica não deveria mais ser um fator importante a considerar, aplicando-se a matemática a homens ou mulheres. Em tese. No Brasil, fazer sexo com pessoas mais jovens ainda dá um certo status.

Muito embora eu ache uma tremenda bobagem esse estigma da juventude, que aprisiona as pessoas a modelos estéticos restritos e que nega o envelhecimento natural, hei de concordar que a idade pode fazer diferença de vez em quando – dependendo, óbvio, de quanta experiência ela revela, ou de quantos sonhos traduz.

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É pouco provável que uma garota de 22 anos seja tão segura sexualmente quanto uma mulher de 40. No entanto, há nela uma alegria quase ingênua que transborda e seduz. Por outro lado, um cotidiano repleto de tarefas e objetivos talvez não dê conta de tanta energia, de uma certa insegurança e muitas inquietações.

Bom, mas você pode me dizer que há garotas de 22 e há garotas de 22… E que conhece mulheres muito maduras para a pouca idade. De certa forma, há pessoas que apreendem as experiências da vida com um jeito que tem mais relação com a personalidade e com a realidade que vivenciam do que com a data de nascimento. Sendo assim, a fórmula para uma parceria interessante seria mais baseada nas características emocionais e no alinhamento de objetivos e interesses em comum. Você bem sabe que uma bela carcaça ajuda, mas não é suficiente.

O que me mete medo, de verdade, é que, de tanto elegermos a juventude como a única e maravilhosa fase da existência, o -7 se torne -14 ou -21. E que desfrutar da maturidade alheia seja mais difícil a cada dia – e que todos acabemos por nos mover a reduzir as marcas dos anos não só no corpo, mas no jeito de vestir, falar, contar, memorizar, recordar ou esperar da vida. O que me parece muito contraditório é que, em se tratando de amor e sexo, subtrair é absolutamente menos interessante do que somar.

Ana Canosa, psicóloga clínica, terapeuta e educadora sexual, acredita que é preciso sentir-se livre para escolher com base nas suas convicções pessoais