Nova Zelândia na neve: novo destino mais procurado para esquiar

O país da Oceania está se firmando como um dos melhores destinos para praticar o esporte nas férias do meio do ano

Panorâmica da estação de esqui de Cardrona (Divulgação/Revista VIP)

Sobrevoar os Alpes no sul da Nova Zelândia a bordo de um turboélice desperta sentimentos contraditórios. Primeiro, o deslumbramento com aquelas montanhas cobertas de neve o ano todo, que se espalham por uma área 17 vezes maior que a cidade de São Paulo.

Em seguida, com as chacoalhadas daquele aviãozinho amarelo, o pavor de imaginar onde pousaríamos caso algo desse errado.

Que resgate nos acharia naquela branquidão toda? Sou salvo desses pensamentos sinistros pelo piloto, o neozelandês Alex Ostapowicz: “Aquele ali é o Monte Aspiring”.

Uma elevação nevada de 3 mil metros de altitude, a maior da região, para a qual ele entorna a aeronave. A visão ajuda a desanuviar a cabeça, até eu me pegar imaginando se ele, aos 23 anos, ainda não estaria com o brevê provisório.

Afastei esses maus pensamentos e me preparei para desfrutar desse país insular no sudoeste do Oceano Pacífico muito conhecido pelos esportes de aventura, mas nem sempre associado ao turismo de inverno e às pistas de esqui.

Um destino de gelo

Ao lado de Queenstown, a uma hora e meia de carro, Lake Wanaka é o destino mais procurado na temporada de inverno, que vai de junho a outubro.

O que leva os visitantes a enfrentar temperaturas de até 10 graus negativos são as 12 estações de esqui do país. Turoa e Whakapapa são as duas únicas localizadas na ilha norte da Nova Zelândia.

Outras, como Roundhill, Porters, Ohau, Mt. Hutt e Mt. Dobson, Remarkables e Coronet Peak, a estação de neve mais antiga do país, inaugurada em 1947, ficam nos arredores de Christchurch, a maior cidade da grande ilha sul da Nova Zelândia.

Perto de Lake Wanaka ficam Treble Cone, Snow Farm e Cardrona, a mais badalada.

Aquecendo o jet lag

Fui conhecer esta última em um dia em que o sol não parecia disposto a dar as caras. Principalmente às 6h30 da manhã, quando pulei da cama sem despertador, um reflexo do puxado fuso horário local – os relógios de Brasília marcam 15 horas a menos.

Encarapitada numa montanha a 40 minutos do centro de Lake Wanaka, Cardrona ocupa 245 hectares, o dobro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

A base fica a 1 860 metros de altitude e os teleféricos, com cabines para oito pessoas, transportam os visitantes 200 metros acima.

Cheguei ao cume de carona num ski-doo, uma espécie de jet ski para a neve, usado pela equipe de resgate. Nevava, fazia 5 graus negativos e mal dava para ver dois metros adiante, mas a motorista acelerava ao máximo e costurava entre os esquiadores como se estivessem congelados. Eu estava, embora não me importasse de prolongar o passeio.

A estação de esqui de Cardrona também é local de diversas competições na neve (Divulgação/Revista VIP)

Os passes para adultos custam a partir de US$ 75 (o dólar local vale uns 40 centavos a menos que o dólar americano) e o aluguel do esqui e da bota, ou da prancha de snowboard, sai por US$ 50.

O complexo dispõe de 15 apartamentos, que acomodam confortavelmente de duas a dez pessoas (diárias a partir de US$ 330). São destinados, claro, a quem é obcecado por esportes de neve.

Para quem não se enquadra na descrição ou procura um pouco mais de luxo, o Whare Kea Lodge é a melhor opção. Divide-se em oito suítes, todas com janelões que descortinam para o gigantesco lago que batiza a região, além de banheiros com piso aquecido.

O Hotel Whare Kea Lodge (Divulgação/Revista VIP)

 

O centro de Lake Wanaka resume-se a 12 quadras e concentra as melhores opções para comer da região, a exemplo do bar de tapas Kika, que serve como aperitivo a costela de cordeiro com raspas de romã e berinjela defumada, e o francês Bistro Gentil, no qual se come uma inesquecível barriga de angus cozida por 60 horas e servida com purê de couve-flor, cacau, ameixa e molho de carne.

Costela de cordeiro com calda de romã: tapas do outro lado do mundo (Kiki Wanaka/Instagram)

Para um après-ski fora da curva, visite a destilaria Cardrona, instalada na base da montanha da estação de esqui de mesmo nome. Fundada há dois anos com o intuito de produzir uísque single malt, também fabrica gim, vodca e licores. Ainda em processo de envelhecimento, o uísque só poderá ser degustado a partir de 2025, mas você já pode encomendar o seu barril por US$ 10,5 mil. Quer pretexto melhor para voltar à Nova Zelândia daqui a oito anos?

Paixão nacional

Não é difícil entender por que Queenstown é o destino mais visitado. Espremida entre o Lago Wakatipu e encostas dignas de O Senhor dos Anéis (não por acaso filmado na Nova Zelândia), a cidade é um gigante parque de diversões a céu aberto.

Nela ficam as famosas plataformas de bungee jumping do país, a mais insana delas com queda de 134 metros e 8,5 segundos de duração; o indescritível campo de golfe Over the Top, equilibrado num penhasco a 1 450 metros de altura e ao qual se chega de helicóptero; além de raftings e os mais variados passeios aéreos.

Tem até vinícolas por ali, mais exatamente em Central Otago, a 40 minutos de carro. A região é conhecida por produzir pinot noirs excelentes – os famosos sauvignon blancs, que colocaram o país no mapa dos produtores de vinhos, brotam sobretudo em Marlborough, no extremo norte da ilha.

8,5 segundos para cair 134m: o maior jump do mundo está em Queenstown (Pinterest/Reprodução)

As duas estações de esqui de Queenstown pertencem a uma única companhia – o tíquete permite explorar ambas no mesmo dia. Visitei Remarkables, a mais charmosa, numa manhã de céu aberto.

A base fica a quase 2 mil metros de altura e reserva 30% das pistas para esquiadores experientes, 40% para intermediários e o restante para iniciantes.

Estação de esqui de Remarkables, há menos de uma hora de Queenstown (The Remarkables/Instagram)

 

Com suítes de 76 metros quadrados enfileiradas à beira do Wakatipu, o Matakauri Lodge é a escolha ideal para ser tratado como um monarca.

Não menos nobre, o The Spire tem dez suítes com 60 metros quadrados, lareira e banheira, e a vantagem de ficar no centro de Queenstown.

Dali explore o bairro a pé, que tem os melhores restaurantes da cidade, como o Ivy & Lola’s, de cuja cozinha sai o salmão em crosta de pistache com bolinhos de abobrinha, couve-flor em conserva, homus de beterraba e edamame.

Outro imperdível é o Botswana Butchery, com sua costela de porco, batata fundida, molho de maçã e mostarda caseira. Depois de tanto frio, aquece até a alma.

Por que incluir a capital do país, Wellington, no roteiro

A bela Wellington, capital da Nova Zelândia (Divulgação/Revista VIP)

Você se convence de que a Nova Zelândia tem apenas 4,5 milhões de habitantes ao circular em qualquer dia útil pelo centro da capital do país e avistar, a cada rua, duas ou três pessoas — se muito.

Trânsito? Só o das gaivotas que se concentram na enseada da cidade, apontada como a melhor do mundo para se viver por um estudo conduzido pelo Deutsche Bank.

A região central é a mais turística da capital da Nova Zelândia, possível de ser explorada a pé. Endereços imperdíveis para beber são a cervejaria local Garage Project, que oferece uma degustação de seus chopes e dispõe de um bar, e o pub da Tuatara, artesanal que foi comprada pelo grupo da Heineken em janeiro deste ano.

Para comer, o Shepherd, novo restaurante do chef Shepherd Elliott, é escala imperiosa. Suas receitas variam de acordo com a disponibilidade dos ingredientes no mercado, como o frango picante assado acompanhado de cuscuz, tomates em conserva, queijo feta cremoso e creme de iogurte azedo.

Para provar os pescados da região, vá ao Ortega, cujo cardápio lista boas criações, como caldo de frutos do mar feito com tamboril, polvo, marisco e creme de açafrão.