O guia (adulto) do verão europeu

Os melhores hot spots para você curtir o calor do Velho Mundo – acompanhado ou não

Num continente onde o inverno ainda é pontual e rigoroso, os meses de calor são vividos com a intensidade – e a libertinagem – de um Carnaval. Mais feliz que brasileiro na neve, o europeu aproveita os dias longuíssimos (não escurece antes das 22h) e as noites mornas entre julho e setembro como se não houvesse amanhã. Assim, as areias (e pedrinhas) ao redor do Mediterrâneo se convertem em terreno fértil para solteiros implacáveis e antídoto contra a monotonia conjugal.

Para que você esteja no lugar certo e na hora certa, selecionamos os destinos mais quentes (e menos óbvios) para curtir o verão à beira-mar no Velho Mundo – de dedinho para cima e aperol spritz em punho; ou tranquilão e bem acompanhado.


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(Divulgação/Reprodução)

Hvar – para badalar

Trocar a noite pelo dia não faz sentido em Hvar, a enfant terrible da Dalmácia. É com os pés na água que se rebate a ressaca, não muito além do meio-dia, no lendário Hula Hula , o beach club mais bombado do Adriático. Para chegar lá, basta caminhar por uma esplanada sombreada a partir do charmoso vilarejo que dá nome à ilha. Os dias também são tórridos no Arquipélago de Pakleni, conectado a Hvar por várias linhas de táxi aquático. Mas a melhor pedida é alugar um barquinho – luxo acessível na Croácia – para circular livremente pelas ilhotas. Os restaurantes mais badalados, Laganini e Bacchus, ficam em Palmizana. Em Jerolim, a regra é jogar as roupas para o alto e nadar livre, leve e solto. Lá perto, em Stipanska, o Carpe Diem Beach é o rival do Hula Hula, na mesma pegada sunga, suor e cerveja. Depois que o sol se põe, lá pelas 22h, a festa continua na marina de Hvar, e nos incontáveis bares espalhados pelos becos da cidade medieval.

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Hula Hula (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: os catamarãs da Jadrolinija partem do Porto de Split, onde há um aeroporto internacional.

Camas quentes: para ficar posicionado de forma estratégica entre o Hula Hula e o centro de Hvar, a boa é o Amfora (diárias a partir de € 156). Na marina de Hvar, os olhares estão voltados para o Adriana (diárias a partir de € 400).

Vis – para ficar tranquilão

Mais afastada do continente, é um parênteses no frenesi da Dalmácia. Tem explicação. A ilha serviu como base militar até 1989. Na sequência, veio a Guerra Civil Iugoslava, o que só permitiu que a ilha se abrisse ao turismo com o fim do conflito, em 2001, sem jamais perder o jeito low profile. Algumas das praias mais belas e virgens da Croácia estão aqui: Srebrna (nem tente pronunciar), Bili Bok (nudista) e Stiniva, cercada de paredões vertiginosos que formam uma baía. Uma de cada lado da ilha, separadas por vinhedos, Vis e Komiza disputam o título de cidade medieval mais charmosa do arquipélago. A primeira é onde atraca o ferry. Já a segunda, é a base de lançamento para a Caverna Azul, cartão-postal de nome autoexplicativo, na ilhota de Biševo (20 minutos de táxi-barco). Nas noites calmas de Vis, o restaurante Villa Kaliopa, em um casarão do século 16, é o melhor lugar para um jantar no tête-à-tête.

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Caverna Azul (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: os ferries da Jadrolinija partem do Porto de Split, onde há um aeroporto internacional. Para ir mais rápido, pegue um catamarã da Krilo.

Camas quentes: a ilha tem poucos hotéis, o que garante tranquilidade até no verão. Charmoso e intimista, o San Giorgio (diárias a partir de € 125) tem mimos para casais. Se optar por pousadas, tem a Dionis (diárias a partir de € 65). Ambos no centro de Vis.


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(Divulgação/Reprodução)

Formentera – para badalar

Com apenas 22 quilômetros de ponta a ponta, a menor das Ilhas Baleares fica a 20 quilômetros de Ibiza, mas a anos-luz da estridência dos megaclubs. Sem perder a alma hippie que cultiva desde os anos 60 – graças a Hendrix, Clapton e outros músicos que molharam a cabeleira em suas águas azuis –, Formentera ganhou fama com o filme Lúcia e o Sexo, com Paz Vega (não viu? Imperdível!). Hoje é o metro quadrado mais disputado do verão espanhol. “Formentera é uma ilha, onde se chega de barco, mãe”, diz Gilberto Gil em Ladeira da Preguiça. Durante o dia, iates atracam nos arredores da Praia de Ses Illetes, uma cristalina lagoa cercada de ilhotas, para que os passageiros tracem uma paella no Juan y Andrea. No fim da tarde, todos os caminhos levam ao Tiburón , ao PirataBus ou ao Blue Bar. Nesses três chiringuitos paz e amor vive-se o momento de glória da região: ver o sol desaparecer no mar ao som de DJs. Às quartas-feiras, também no fim da tarde, o agito migra para o mercado El Pilar de la Mola. E, à noite, jantar no mítico Fonda Pepe é o programa dos habitués.

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Formentera (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: do Aeroporto de Ibiza, pegue um dos ferries e catamarãs da Trasmapi  ou da Baleària 

Camas quentes: para dormir: perto do mar e da badalação, vá ao Gecko Beach Club (com diárias a partir de € 800). Para fugir de tudo isso, o Es Marès (diárias a partir de € 290) é o hotel rural mais charmoso da ilha.

Menorca – para ficar tranquilão

Um dos últimos segredos do Mediterrâneo ocidental, Menorca tem praias virgens, campos habitados por vacas e cavalos e ar de tranquilidade. Isso porque foi declarada reserva da biosfera pela Unesco em 1993, antes que seguisse o mesmo caminho do turismo de massa de sua irmã Maiorca. Nos arredores de Ciutadella, a maior cidade da ilha, estão as praias de tirar o fôlego: Turqueta, Macarella e Macarelleta. A forma mais poética de conhecê-las é caminhar pelo Camí de Cavalls (caminho dos cavalos, em menorquino), uma trilha que dá a volta na ilha. Mas alugar um barco para chegar a essas e outras calas (prainhas) será uma experiência épica.

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Macarelleta (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: o aeroporto da capital Mahón recebe voos de Madri, Barcelona e outras cidades europeias.

Camas quentes: o Torralbenc ( diárias a partir de € 490) é uma antiga fazenda convertida em hotel de luxo. O Meliá Cala Galdana ( diárias a partir de € 217) é um dos poucos pé na areia de Menorca.


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(Divulgação/Reprodução)

Porto Montenegro – para badalar

É a joia da coroa do turismo de luxo que vem florescendo no país na última década. Erguida pelo magnata canadense Peter Munk (ao lado de investidores como barão Jacob Rothschild e Bernard Arnault, diretor executivo da Louis Vuitton-Moet Hennessy), ocupa o lugar de uma antiga base naval do século 19 e demandou uma injeção de 287 milhões de euros – equivalente a 6,5% do PIB da nação, que se separou da Sérvia em 2006. Um quarto dos 450 pontos de atracagem comporta barcos de até 250 metros, o que, assim como o combustível tax-free, transformou o lugar em um grande ponto de encontro de bilionários. Com vista para um fiorde espetacular, e a apenas 10 quilômetros de Kotor, esta minicidade tem lojas recheadas de peças de grife, restaurantes (prove o japa cool Mitsu) e bares, como o Crush Wine Station (que vende champanhe tax-free). Quando estão em terra firme, sílfides russas e de outras procedências do leste europeu douram ao sol no Yacht Club, que tem uma piscina de borda infinita de 64 metros de comprimento. À noite, o tapete vermelho é estendido diante do Platinum Club, que não fecha as portas antes das 5h da matina.

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Yatch Club (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: o aeroporto mais próximo é o de Tivat. Mas o de Dubrovnik, na Croácia (a 48 quilômetros), tem mais opções de voos internacionais.

Camas quentes: o único hotel em Porto Montenegro é o Regent ( diárias a partir de € 255), inspirado nos palacetes venezianos.

Sveti Stefan – para ficar tranquilão

Duas praias em forma de meia-lua se encontram em um istmo que conduz a uma ilhota. Sobre ela está o vilarejo medieval convertido no hotel mais luxuoso de Montenegro, o Aman Sveti Stefan. À esquerda, há uma praia pública tranquila. À direita, a faixa de areia é privada do hotel – pagando 50 euros por um par de espreguiçadeiras com guarda-sol, é possível passar o dia lá. Em direção ao sul, um caminho atravessa um bosque e desemboca em outra praia privada, dominada pela Villa Milocer, anexo do Aman que ocupa a antiga residência de verão da rainha Marija Karadordevic e, posteriormente, de Josip Broz Tito, o homem que unificou a antiga Iugoslávia. Pedras vermelhas, brancas e cinzas dão um brilho insólito à água cristalina. E, como pano de fundo, as montanhas de Montenegro compõem um visual inigualável.

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Aman Sveti Stefan (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: as opções são as mesmas de Porto Montenegro.

Camas quentes: se o orçamento não permitir ficar no Aman Sveti Stefan (diárias a partir de € 849), uma boa saída é o Azimut (diárias a partir de € 166).


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(Divulgação/Reprodução)

Paros – para badalar

Enquanto Mykonos brilha no circuito internacional do oba-oba, Paros é onde gregos bem-nascidos se reúnem no verão. Passe reto pela capital da ilha, Parikia, onde há clubs de qualidade duvidosa, e siga até Naoussa. Barcos coloridos de pescadores ainda atracam no porto cercado de pequenas casas brancas. Mas o modus operandi de outros tempos convive harmoniosamente com um dos lugares mais charmosos do Mar Egeu. Bares e cafés são minúsculos e com personalidade, conectados por uma passarela rente ao mar que desemboca em praças floridas com mesas ao ar livre. A noite termina no Linardo, um inferninho instalado em um casarão ventilado com a brisa do mar. Para rebater a ressaca, o beach club certeiro é o Santa Maria.

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Naoussa (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: a ilha recebe ferries e barcos rápidos de Atenas . Também tem um pequeno aeroporto nacional.

Camas quentes: em Naoussa, e perto da praia, o hotel Christina (diárias a partir de € 47) tem quartos compactos. Com vista para o mar e piscina de borda infinita, o Senia (diárias a partir de € 70) tem suítes e villas com terraço.

Peloponeso – para ficar tranquilão

Figura carimbada nas aulas de história, a Península do Peloponeso, ao sul da Grécia continental, foi onde floresceram as cidades de Esparta, Micenas, Corinto, Olímpia etc. Hoje, a região ainda tem ares de fim de mundo, monastérios solitários, campos de oliveiras e praias desertas. A antítese do frenesi das Ilhas Cíclades é Monemvasia, um castelo medieval erguido sobre um monte rochoso conectado ao continente por um istmo, no sudeste da Lacônia. Apenas 20 pessoas vivem no povoado. As demais vêm no verão para tocar lojas, hotéis e restaurantes abrigados em edifícios mimetizados com a montanha. Para dar um mergulho no mar, basta encontrar um vão na muralha e se jogar – a melhor forma de ver a cidade é boiando. Um roteiro pelo Pelô ainda inclui Nafplio, base para conhecer Micenas e o anfiteatro de Epidauros, e Porto Heli, onde ícones do luxo como Nikki Beach e Aman Resorts fincaram suas bandeiras.

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Monemvasia (Divulgação/Reprodução)

Como chegar: Monemvasia está a 300 quilômetros de Atenas, que devem ser percorridos de carro.

Camas quentes: em Monemvasia, o Malvasia Traditional Hotel (diárias a partir de € 80) tem quartos com paredes de pedras e varandas. Para um upgrade, fique no Moni Emvasis Luxury Suites (diárias a partir de € 209).