O que Macron e sua mulher 24 anos mais velha têm a nos ensinar

No amor, nada está garantido, nada vem de graça. É a construção, a busca de uma parceria confortável e ao mesmo tempo motivadora que está em jogo.

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(Thierry Chesnot/Getty Images)

Depois do bafafá da “bela, recatada e do lar”, quando o modo de vida de Marcela Temer incendiou todo tipo de opinião e debate – inclusive sobre um suposto machismo depositado no “modelo” da primeira-dama brasileira –, vem a França e esfrega na nossa cara o mais novo presidente de toda a sua história, Emmanuel Macron, casado com Brigitte Trogneux, 24 anos mais velha.

Sim, querido, você leu bem: V-I-N-T-E-E-Q-U-A-T-R-O anos a mais. Ela já é avó e ele ainda nem chegou aos 40. E, com a notícia, todo tipo de especulação: que lá no fundo do armário o cara é gay (oi?); que ela “tem muita sorte”, já que ele é bonitão e bem mais novo (oi?); que há algum tipo de acordo de conveniência, afinal um cara bonito e jovem como ele não poderia curtir uma mulher madura, que isso seria meio antinatural (oi?).

As mulheres, e as brasileiras em especial, sofrem uma pressão para manterem-se “sempre jovens”, para depois serem taxadas de “velhas ridículas” quando colocam uma saia mais curta, usam biquíni na praia ou fazem uma série de plásticas na vã tentativa de se adequarem ao modelo.

É, eu sei que parece meio esquizofrênico isso, mas somos assim. Há um abismo entre a fala sobre sexo e o que na verdade se pratica.

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(Pianofuzz/Reprodução)

Alimenta-se o mito da beleza eterna, mas ai da mulher que se envolve com um cara 20 anos mais novo. Provavelmente (ouve-se em coro) ele está atrás do dinheiro dela (ou dele, verdade, se o caso envolve um homem de mais de 60 anos com uma mulher de 30).

Ou seja, vendemos uma ideia de que a melhor fase da vida é a juventude, na qual reside o belo, o rápido e o inovador. Depois, se alguém se comporta em dissonância entre sua idade física e o que se espera em se tratando de comportamento, somos implacáveis e cruéis.

Em culturas menos ambivalentes e menos apegadas a crenças inflexíveis, a maioria não morre de catapora quando as transformações da vida vão aparecendo ou se o diferente se avizinha.

Sim, certamente que duas décadas de vida entre um casal vão propor desafios: de saúde, estética, ritmo, maturidade. Eu não sei se conseguiria viver com um sujeito cheio de inseguranças, que está mergulhado em sua bolha egocêntrica, que é afobado em tudo, inclusive no sexo.

Mas, verdade seja dita, há pessoas maduras que estendem sua adolescência para toda uma vida e são assim também – o que revela que nem sempre a matemática da diferença de idade se aplica.

Se Macron se encantou com a professora madura, pela função orientadora que poderia oferecer em sua mente efervescente adolescente, sabe Deus. Se sua família “não convencional” (como ele mesmo descreveu) é seu bem maior, ou se foi a atração sexual que os ligou anos atrás que os mantém unidos, só eles podem saber.

No amor, nada está garantido, nada vem de graça. É a construção, a busca de uma parceria confortável e ao mesmo tempo motivadora que está em jogo.

Se ela tem idade para ser “a mãe dele”, como ouvi esses dias, deve ser uma “mãe” do caralho, boa mesmo, do tipo que ajuda um “filho” a ser presidente. E ainda por cima, não sendo sua mãe biológica, com rugas e tudo, pode livremente fazer sexo com ele.

Vive la France!

Ana Canosa é psicóloga clínica, terapeuta e educadora sexual e acredita que as redes sociais podem ajudar as pessoas a treinar conversação

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Comentários

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  1. Mauro Eduardo Sales

    Sabe de nada, essa tal de Ana Canosa! O Macron e madame Trogneux não têm nada a nos ensinar, não! Há tempos que o Sergio Reis já nos diz que “panela velha é que faz comida boa”!

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