Os segredos do sucesso

No recém-lançado livro Hit Makers, o autor Derek Thompson busca desvendar os detalhes que fazem com que algo seja bem-sucedido – da Mona Lisa ao Instagram

Raymond Loewy

Esse designer industrial franco-americano deu cara ao século 20. De 1929 até 1980, Loewy desenhou logotipos e embalagens para empresas como Shell e Coca-Cola. Criou a pintura do avião Air Force One. Modernizou o design de vários objetos e criou um visual arredondado para carros e trens. Como ele acertava tanto? Loewy montou uma teoria que chamava de MAYA – sigla em inglês para “Muito Avançado Porém Aceitável”: qualquer design deve ser surpreendente e, ao mesmo tempo, familiar para vencer a resistência do público ao que é muito inovador.


Quatro acordes

Há vários caminhos para compor uma canção, mas a sequência de acordes simbolizada pela cifra I–V–vi–IV.7 (no tom de Dó, as notas são Dó, Sol, Lá Menor e Fá) é certeira. A ordem e o tom podem variar, mas esse quarteto está em muitos clássicos pop. De Let It Be dos Beatles a With or Without You do U2, de No Woman No Cry de Bob Marley a Hello de Adele. “Se o propósito da música é mexer com as pessoas e elas são tocadas
pelo que é familiar, então os criadores devem buscar uma mistura de originalidade e derivação”, afirma David Thompson.


Império Disney

Se a Disney domina o entretenimento de hoje, deve muito a um certo Kay Kamen. Em 1932, os desenhos de Mickey Mouse tinham boa bilheteria, mas Walt Disney mal explorava o merchandising. Kamen, que trabalhava com marketing em Kansas City, foi pedir a Walt a autorização para vender a imagem do ratinho. O primeiro produto de Kamen foi o relógio de pulso do Mickey, que vendeu 2 milhões de unidades em dois anos, em plena Grande Depressão. Disney entendeu a lição e adotou a estratégia de “merchandising total”, que segue em vigor até hoje, mais refinada.


Barack Obama

Em 2008, depois de perder uma primária do Partido Democrata para Hillary Clinton, o ainda pouco conhecido senador Obama discursou para quem o apoiava. E usou a frase “Yes, we can” para pontuar cada trecho. O impacto foi enorme e as três palavras tornaram-se o slogan da campanha que levou Obama à presidência dos Estados Unidos. Fruto da união dele ao jovem redator Jon Favreau, com quem trabalhava desde 2005. “Se você pega uma pequena frase e a repete no discurso, como o refrão de uma música, ela se torna memorável”, diz Favreau.