Roberto Justus: o verdadeiro show man

Ele diz sofrer de sincericídio: nega querer a presidência, mas se contradiz a toda hora. Com vocês, este publicitário, empresário, apresentador...

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(Julia Rodrigues/Reprodução)

O empresário e apresentador Roberto Justus, 61 anos, já fez muita gente chorar por causa de um hábito que ele próprio tem na conta de uma patologia: o sincericídio. “Não gosto de ser assim. É uma doença”, queixa-se. Se uma moça, na intenção de ouvir elogios, perguntar se está gorda, são grandes as chances de Justus responder que ela, de fato, precisa perder alguns quilos.

Por causa da ausência de filtro social, Justus ganhou dos amigos mais íntimos o apelido de “O Mentiroso”, uma referência ao filme de mesmo nome em que um advogado interpretado por Jim Carrey só consegue dizer a verdade. “Não posso ser presidente da República. Político precisa saber mentir”, afirma.

A franqueza é apenas uma das qualidades que Roberto Justus identifica em si mesmo para explicar as razões pelas quais não pretende concorrer à sucessão presidencial. Há muitas outras: “isenção”, “eficiência”, “paixão pelo trabalho”.

No fim de 2016, após ser nomeado pelo presidente Michel Temer para o Conselho de Desenvolvimento Econômico – um colegiado formado por representantes da sociedade civil para assessorar o governo –, Justus assumiu, pela primeira vez, a possibilidade de concorrer à presidência.

As especulações em torno de seu nome haviam ganhado força com a vitória de João Doria à prefeitura de São Paulo e de Donald Trump à Casa Branca. Ambos, como ele, empresários e ex-apresentadores do reality show O Aprendiz, no qual candidatos concorrem a um emprego.

No fim de janeiro, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, Roberto Justus explicou que, após perder noites de sono pensando sobre o assunto, tomou uma decisão: “Não sou candidato à presidência da República”, assegura.

Embora, oficialmente, Justus negue a intenção de subir a rampa do Palácio do Planalto, ele não se furta a falar do tema. Durante duas horas de entrevista, o chairman do Grupo Newcomm (um dos maiores conglomerados de comunicação do país) foi e voltou à questão inúmeras vezes, intercalando suas posições políticas com teorias sobre a queda de Eike Batista, uso de medicamentos para impotência sexual e regras para um bom casamento.

Sobre esse assunto, aliás, ele tem bastante expertise. Em primeiro lugar, por apresentar um reality show com disputas entre casais – o Power Couple, na TV Record, cuja segunda edição estreia em março.

Além disso, Roberto Justus está no quinto casamento. Antes da modelo Ana Paula Siebert, 29 anos, foi marido de Ticiane Pinheiro, Adriane Galisteu, Gisela Prochaska e Sasha Crysman. Só não teve filhos com Galisteu; das outras relações nasceram Ricardo, Fabiana, Luiza e Rafaella. “Gosto mais de casamento do que meus amigos que estão há 40 anos com a mesma mulher. Quem gosta repete”, brinca.

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(Julia Rodrigues/Reprodução)

Ana Paula vai ser a primeira-dama mais bonita da história do Brasil?
Da humanidade. Nem Jackie Kennedy, nem Carla Bruni são mais bonitas do que ela. E, com todo respeito, acho a mulher do presidente Temer bem linda. Mas a Ana Paula… Olha a foto dela [aponta para um porta-retrato em sua mesa de trabalho].

Vai ficar pequeno para Marcela?
Não, porque ela não vai ser primeira-dama, já que não vou ser presidente.

Mas se você escrever “Roberto Justus” no Google, o preenchimento automático oferece a opção “Roberto Justus presidente”. Não dizem que o Google sabe de tudo?
[Risos] Sabe no sentido de que nunca tivemos um cenário tão favorável para um outsider da política se eleger com discurso de gestão. Juntou-se a isso o fato de eu ser empresário e, ao mesmo tempo, um apresentador conhecido. Isso facilitaria muito. Em O Aprendiz, mostrei um estilo ético, de chefe durão.

O Brasil precisa de um chefe durão?
Precisa de uma limpeza das instituições. Eu seria um presidente para fazer uma faxina ética e moral no governo. As funções do Estado ficariam restritas ao campo social – saúde, educação, segurança pública, transporte. Deixaria de fora a área financeira. Precisa ter Banco Central, mas não bancos governamentais em operação. Uma Petrobras poderia ter capital misto ou ser privatizada. Imagina se eu chegasse lá em Brasília e fizesse isso? Se demitisse 100 mil funcionários públicos que ficam lá sem fazer nada, coçando o dia inteiro?

Imagina?
Bom, não sei qual seria a chance de sobrevivência de um presidente que iria acabar com tantas mamatas, botar tanta gente para fora e privatizar pra caramba. Que tem uma mentalidade de mercado, sem ideologia partidária. Minha ideologia é sair em busca da eficiência e da decência. Veja o nosso sistema trabalhista, a CLT, esse documento que tanto nos prejudica. Nos países onde há livre iniciativa entre patrão e empregado e não existe essa indústria de processos trabalhistas contra as empresas há muito menos desemprego. Enfim, esse meu estilo não combina com o mundo da política.

Por que não?
Na política, é preciso entender os mais diversos interesses, fazer alianças. Na campanha, para ter horário na televisão, você precisa prometer coisas para os partidos. Nosso sistema não dá autonomia para o presidente, ele depende do Legislativo. A meu ver, o presidente deve ter autonomia para tocar um projeto como achar melhor, escolher as cabeças mais competentes. Além do mais, a campanha é suja no Brasil. Inventam os maiores absurdos dos candidatos. Passar por tudo isso para eventualmente nem ganhar?

Como assim?
Ninguém disse que a minha eleição estaria certa. Como sou conhecido, respeitado e admirado, eu teria uma oportunidade. Mas nenhuma garantia. E, se ganhasse, chegar lá e não conseguir fazer o que quero? Ser dependente de terceiros para qualquer decisão? Quer saber? Vou ficar de fora disso. Agora, se mudarem as regras, talvez a gente consiga imaginar que um grande líder possa assumir e fazer a diferença.

Que regras deveriam ser mudadas?
Os candidatos deveriam ter horários equivalentes de televisão. Se eu pudesse ser independente, não me amarrar a partido nenhum… O João Doria teve 48 inserções diárias na televisão, estava associado a um grande partido e coligado com mais outros 12. Está aí o secretariado dele! Doria está fazendo um belo trabalho, mas acho que não conseguiu montar o secretariado dos sonhos. Teve que engolir alguns sapos indicados pelos partidos apoiadores da campanha.

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(Julia Rodrigues/Reprodução)

Você esteve recentemente com o presidente Michel Temer. Sobre o que conversaram?
Foi uma reunião com um grupo de publicitários. Era um pouco porque o governo estava com problemas para se comunicar. Não basta ser bom, tem que parecer.

E que conselhos você deu ao presidente?
Aí você terá que perguntar a ele. Mas o Nizan Guanaes disse muito bem, durante a reunião, que a popularidade é uma jaula. Como está impopular, o presidente está livre da jaula e, portanto, pode tomar todas as medidas, amargas que sejam, para fazer o país voltar a crescer, como as reformas da previdência e trabalhista. Michel Temer vai ser conhecido nos livros de história como o presidente da transição. Desde agosto, foram feitas tantas ações importantes para o Brasil que fico surpreso de ver. E agora, com o controle da presidência do Senado e da Câmara, a aprovação de reformas vai ficar mais viável.

Como publicitário, o que você achou do slogan e da marca do governo?
Não achei nada ruim. Agora, se a gente for participar lá, vou avaliar com critérios técnicos. Não gosto de ficar opinando sobre o trabalho dos outros, não acho elegante.

Participar de que maneira?
Estamos estudando a hipótese de entrar em uma concorrência da Secretaria de Comunicação para estar mais próximos do governo como agência. Parece que agora as concorrências são meio diferentes. Nunca entrei em conta de governo porque não pretendo dar contrapartida de nada para ninguém. Como ninguém está pedindo nada, me interessa participar.

A prisão do Eike Batista desperta que tipo de sentimentos em você?
É um mix. Me sinto aliviado por ver meu país punindo os atos que atrapalharam nossa vida. Por outro lado, tenho pena de alguns porque no Brasil, no passado, para operar com órgão público, você tinha que participar do jogo sujo. Ninguém é obrigado a fazer isso, claro. Fico mais chateado com os políticos que exigem esse tipo de coisa do que com o empresário. De todo modo, o empresário deve pagar. É importante dar o exemplo. O Eike Batista é um grande sonhador. Mas pecou: ninguém é grande o suficiente para não tomar um grande tombo. Quando você se acha melhor do que os outros por causa do dinheiro…

Isso aconteceu com o Eike?
Quando estava em oitavo lugar no ranking dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes, ele deu uma declaração infeliz: disse que ia ocupar o primeiro lugar. Isso é um desrespeito ao establishment do mundo dos negócios, cria uma energia muito negativa para você. Não sou bilionário como o Eike, mas construí um bom patrimônio e nunca me achei melhor do que o cara sem dinheiro, nada a ver.

Você nunca sonhou em ser o homem mais rico do mundo?
Nunca. Estou há quase 15 anos liderando o mercado. Não consigo fazer mais do que isso. Publicitário não fica bilionário porque o negócio não é tão grande. E dinheiro traz conforto, mas não é parâmetro para se considerar melhor. Virei figura pública no mundo artístico, mas nem por isso me sinto melhor do que quem não é. Não me sinto bem quando chego a um restaurante e me passam na frente. Se fosse presidente, adoraria pegar o meu carro e ir ao cinema com a minha mulher.

Tenho a impressão de que você não é pão duro.
Zero. Mas também não queimo dinheiro. Recentemente, apaixonei-me pelo mar. Comprei, aos 60 anos de idade, um barco que eu poderia ter comprado aos 45.

Um iate de 12 milhões de reais, certo?
Não importa o valor, mas sim que posso comprar e ficar feliz. Com 60 anos, sem dilapidar o patrimônio. Quando não podia ter um carro importado, não ia me endividar para ter.

E quando você pôde?
Ah, faz tempo. Sou empresário desde os 26. Com oito anos de empresa eu já podia comprar coisas. No começo, não. A história era contadinha. Quer dizer, nunca fui pobre, vim de uma família de boas posses. Depois a coisa inverteu.

Seu pai chegou a quebrar?
Quebrou em 1980. Pediu concordata, vendeu a construtora e parou de trabalhar. Acabei ajudando meus pais no fim da vida deles, o que foi lindo, porque eles me ajudaram a vida toda. Foram pais maravilhosos. Minha mãe sempre quis que eu fosse artista.

Por quê?
“Você tem que ser artista, você é muito bonito”, mamãe dizia. Ela achava que eu tinha que ir para Hollywood e para Mônaco.

Por que Mônaco?
Para me casar com a princesa Caroline [risos]. “Ela vai se apaixonar por você assim que o conhecer”, ela dizia. E olha que história louca, nunca contei para ninguém. Embora minha mãe quisesse que eu fosse artista, eu dizia que não iria ser. Era até meio introvertido, não gostava de falar em público. Mas um dia, em 2004, aceitei participar de uma peça de teatro beneficente. Como sou obstinado, aprendi e fiz direitinho. Ela assistiu à estreia e saiu de lá toda orgulhosa. Na mesma noite, me telefonou: “Está vendo como você deve ser artista?”. Na manhã seguinte, ela teve um derrame cerebral e ficou na cama por dois anos. Naquele mesmo ano, fui convidado para fazer O Aprendiz.

E ela nunca viu você artista.
Não. E era o sonho dela. Minha mãe era tão protetora que me ligava no escritório todos os dias para saber se tinha conta nova. Um dia, falei: “Mãe, para! Não quero mais receber ligação”. Hoje, dava metade da minha fortuna para esse telefone tocar e eu ouvir, do outro lado, minha mãe perguntando se tenho conta nova [emociona-se].

Foram dois anos de coma?
Sim, sem atividade cerebral. No fundo, somos um pouco egoístas em manter uma pessoa nessa situação. Colocávamos O Aprendiz para ela ouvir. Mas os médicos acham que mamãe não ouvia. Bom, esse é um assunto triste.

Seu pai trabalhou na construção de Brasília. Você sabe se ele chegou a construir a rampa do Palácio do Planalto?
Acho que não [risos]. E, se fez, não sonhava que o filho subisse um dia nela. Mas garanto uma coisa: se um dia eu subir lá, não vou ficar discutindo com a imprensa sobre quantas pessoas assistiram à minha posse, como fez o Donald Trump. É a egotrip mais absurda do planeta.

Quando é comparado ao Trump, você fica lisonjeado ou ofendido?
Deus me livre. Gosto da comparação no sentido de que ele foi um bom apresentador do Aprendiz. Mas não gosto dos radicalismos, do ego exagerado, com nome nas portas. Eu não teria Justus Tower em lugar nenhum.

Alguém já fez essa proposta para você?
Uma vez, em Miami. A ideia era construir um prédio com o meu nome, para atrair compradores brasileiros. “Tô fora”, eu respondi.

Vocês estiveram juntos na época da estreia de O Aprendiz. Ele foi agradável?
Super, embora tenha o nariz em pé. É muito metido. Tenho o estilo forte, mas nunca fui daquele jeito. Fico incomodado quando dizem que sou esnobe. Pareço, mas não sou.

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(Julia Rodrigues/Reprodução)

Das críticas que fazem a você, qual a mais irritante?
Eu me irritava com essas coisas que inventam da vaidade, do cabelo. Hoje, não vejo mais. E nem sou tão vaidoso assim. Sou meio mauricinho, minha mulher é meio patricinha, a gente gosta do estilo um do outro. Se ela fosse riponga, sandalinha no pé, não ia gostar. Mas não vou deixar de andar com uma amiga que anda com roupa mais esfarrapadinha.

É a essência da expressão “não quero para casar”?
Exatamente. Meus amigos podem ser como quiserem. Mas certos padrões devem ser respeitados. Você não pode ir de bermuda e chinelo a um casamento. Uma mulher não pode chegar a uma empresa com roupa vulgar. Adequação é fundamental. O resto é livre. Sou liberal. Sou amigo de homossexual, bissexual, quero mais é que se divirtam. Nunca bebi álcool, mas meus filhos bebem. Pouco, mas bebem.

Mas você nunca bebe, nunquinha?
Tenho paladar infantil. Se me der um chocolate com licor, não vou comer. Nunca fumei cigarro. Experimentei na juventude, porque era sinal de status. Tossia que nem um idiota.

E drogas proibidas, nem pensar?
Não. Sempre fui muito alegre. Não preciso de substâncias para ficar animado. Minha mulher falou esses dias: “Vou trocar por um mais velho, porque não está dando” [risos]. Meu pique é natural, sou um otimista.

Você disse que é um homem obstinado.
Sim. E movido a desafios.

A presidência não seria um desafio e tanto?
O pouco que pensei em aceitar esse desafio foi o meu lado de “temos que fazer alguma coisa”. Estou sempre procurando o novo. Também por isso casei muitas vezes. E não sou um cara de ficar traindo. Se a relação cai no morno, prefiro começar uma nova história. Não sei mentir. Sofro de sincericídio. Isso é ruim, você fica antipático.

É o filtro social.
Eu brinco com o João Doria. Ele elogia todo mundo, olha onde ele está. Não consigo ser assim. Se não gostar, vou falar em rede nacional, quando eu for presidente. [Corrige-se] Se eu fosse, um dia.

Sua mulher se relaciona bem com suas ex?
Muito. A Ana Paula é extremamente madura. Se não fosse, não estaria com ela. Não fico casado com uma estampa. Mulher assim tem aos montes para me divertir, se quisesse. Para dividir a casa, tem que ter muito conteúdo. Não é pouco, porque eu tenho bastante. E minha mulher é genial. Ela não me deixa montar em cima – a não ser na hora agradável para isso [risos].

Por que os amores findam?
O excesso de intimidade mata, exceto entre quatro paredes. É preciso ter certa cerimônia com seu parceiro. As pessoas engordam, o tratamento não é o mesmo. Com cinco casamentos, tenho experiência do que devo ou não fazer.

O que é excesso de intimidade?
Se a pessoa puder, deve ter dois banheiros. Isso dá uns cinco ou seis anos a mais na relação. Se eu estou fazendo a barba, não quero o espelho embaçado porque ela está tomando banho. Além disso, os odores são individuais.

Você é um homem ciumento?
Zero. Também não dou motivos para elas terem ciúmes, a não ser por falar tudo o que penso. Se vejo uma mulher bonita e sinto desejo, posso falar: “Nossa, que bumbum lindo”.

Mas você vai só até o bumbum, certo? Não fala o que gostaria de fazer com ele…
Posso falar que perderia uma boa meia hora ali.

Isso aí não é excesso de intimidade?
Falo isso para os meus amigos, as mulheres falam entre elas sobre tamanho, por que não falar para o parceiro? Isso mostra autoconfiança. O ciúme é insegurança. Há homens que ficam inseguros quando as mulheres ganham dinheiro, trabalham. Se bem que eu não gosto de mulher excessivamente masculinizada.

Como assim?
Isso não é uma frase machista. Por mais brilhante que seja a mulher, o homem precisa sentir que pode dar colo. Não gosto da mulher que quer ser o macho da família. O homem gosta de sentir que é protetor, até porque a natureza nos deu mais força física. Se a mulher não quer isso, então vá viver sozinha! E o homem precisa ter o lado feminino também, a sensibilidade para entendê-la.

Você está com 61 anos. Já usou Viagra?
Uma vez, por farra, e me deu uma dor de cabeça danada, fiquei todo vermelho. Mas não tenho necessidade. Sou muito saudável. Segundo meus médicos, tenho corpo de um homem de 45 anos. Mas, se precisar para ter uma ereção no futuro, vou usar.

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