Sexo em tempo de crise financeira? Sim, existe um saldo positivo

Em época de insegurança econômica e política, outras dimensões da vida principiam uma derrocada

Por Ana Canosa

Nossos irmãos portugueses, que só agora estão começando a equilibrar sua economia, depois da devastadora crise que ainda assola o país, já declararam: 52% dos homens entre 42 e 70 anos têm disfunção erétil em algum grau1. Mas não são só eles: em 2013, os urologistas espanhóis já tinham levantado essa bola ao observar uma crescente incidência de problemas sexuais na sua população, principalmente entre aqueles com dificuldade em pagar hipotecas e os que estavam desempregados2.

No Brasil ainda não apareceram dados estatísticos sobre o fenômeno, mas a observação clínica é inegável. Lá no meu sofazinho a galera anda desmotivada, meio deprê, com medo de perder o emprego e desolada porque não vai viajar nas férias de verão, mesmo que esteja trabalhando como condenados. Sim, homens e mulheres estão manifestando baixa de desejo – e, mais especificamente, homens estão broxando, tendo ejaculação prematura e, pior, sofrendo com uma ejaculação retardada adquirida em tempos difíceis, a disfunção que acaba por “embutir” seu orgasmo. Ou seja, além de faltar tesão e excitação, não se goza!

Reprodução/Youtube

Mas não é só no sexo que a coisa anda feia. Tenho assistido a muita discussão financeira entre os casais. De posse de suas prioridades e justificativas individuais, a conversa começa com o questionamento sobre uma bolsa que a mulher comprou por 400 reais e acaba na conta do bar, em que ele gastou 380 reais. A discussão continua: na comemoração dos três anos de casamento, ele reclama que não tem dinheiro e pede pizza. E emenda: ela tem uma dezena de bolsas e devia economizar e fazer mais sexo com ele, que é de graça. Ela então diz que não tem tesão por homem muquirana. Mas a separação vem quando se corta a empregada. Faça tudo, mas evite essa insanidade (a não ser que ela se pareça com a babá dos filhos do Ben Affleck), para o bem do casamento!

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Enfim, o problema é que, em tempos de contenção, somos motivados a olhar só para a falta, o buraco que todos temos e que o governo está ajudando a cavar. A gente fica preso e angustiado, pensando em que ponto ele irá nos engolir. A ansiedade vai corroendo nossa porção zen, aquela que gosta de carinhos, que propaga gentileza, ameniza corações acelerados e ajuda na satisfação emocional e sexual.

O jeito é tentar ajustar o cinto, ter criatividade e se orgulhar dos ganhos de sua vida. Com aquilo que, independentemente de crise, pode transbordar. Abuse do contato pessoal e afetivo. Entre na roda do “efeito batom”: se não é possível comprar bens duráveis, aumente a ida ao motel. Fontes seguras me garantiram que no ramo dos motéis low cost a crise ainda não chegou. Por enquanto, que assim seja.