Sobre a arte de ser interessante

Como a busca pela felicidade pode ser a resposta para isso

O que era para ser um papo sobre como se dar bem no Tinder, Happn e aplicativos afins, acabou virando, entre mim e meu amigo Luiz Fernando Roxo, do site ZenEconomics, um debate sobre satisfação, expectativas e frustrações sobre os parceiros afetivo-sexuais. Concluímos uma coisa: é a busca pela felicidade que pode torná-lo um partidão e conseguir, nas redes sociais de relacionamentos, uma mulher compatível com seus anseios.

Todos nós desejamos alguém interessante. Claro que essa construção é subjetiva e individual, mas duvido muito de que alguém só deseje uma mulher bonita ou boa de cama como parceira de vida. E não dá para conquistar alguém muito bacana sendo um ser humano limitado, desculpa. Pode ser que uma química sexual segure alguns encontros, mas atualmente as pessoas já sabem que isso não garante boa convivência e manutenção da admiração.

Segundo minhas “fontes”, não há assunto mais interessante para uma mulher que “a busca da felicidade”. Quem valoriza qualidade de vida e equilibra bem seus recursos (dinheiro, tempo, lazer, saúde, afetos, conhecimento) costuma fazer melhores escolhas e ter bons hábitos. Sim, você pode se satisfazer com prazeres primários (comer, dormir, trepar), mas a vida é bem mais do que isso. A promessa de uma parceria gostosa seria, exatamente, trocar e compartilhar possibilidades de bem-estar.

Partindo do princípio de que a existência é um grande acontecimento, composto por muitos eventos, e de que todos buscamos diminuir a insatisfação inerente a essa caminhada, a chave está na maneira como fazemos escolhas: é nosso ponto de tração com a vida, já que ela é repleta de coisas impossíveis de controlar. O sujeito precisa ter recursos para tomar boas decisões, ter bons hábitos, evoluir e ser feliz. É preciso, antes de tudo, ter conhecimento. Sobre você, quem é e o que busca. Sobre o mundo e sua diversidade. Sobre as pessoas e sua imensidão. Como você lida com conflitos, o que busca, quais seus valores, seus afetos, suas intenções? A menor distância entre seu “placar interno” e o externo, o que você “vende” aos outros, fará a diferença no fim. Já fomos traídos demais. Como diz o Luiz, faça o bem, começando por você: faça-o bem. Isso dá sorte.

Cuide de você antes de tudo. Descubra você mesmo (critique, seja questionador) e estude. Procure ter eficiência na gestão do tempo. Na gestão de suas emoções e relacionamentos, nutra amigos, família e amores. Aprenda a provocar-se e mergulhe em suas contradições. E bom humor, meu caro, é fundamental. Dá para desenvolver muitas coisas a partir disso, rir, contar cenas da infância, discutir sobre os desenhos da nova geração, passar para as séries e filmes e por aí vai. Aprenda a conversar e ponha-se à disposição para surpresas. Para ser feliz, equilibre a gestão dos seus recursos. Se está sobrando em um lado, aplique seu tempo em desenvolver o que falta. E por favor, não espere menos de uma possível parceira. O mundo precisa de mais pessoas assim.

Ana Canosa é psicóloga clínica, terapeuta e educadora sexual e acredita que as redes sociais podem ajudar as pessoas a treinar conversação