Um carro ou um Segway?

Equipamentos elétricos são uma alternativa eficiente, ecológica e divertida de transporte

O tema da mobilidade é uma questão em debate constante e vem ganhando cada vez mais relevância nos principais centros urbanos pelo mundo. Nessa nova conjuntura, que envolve uma mudança de comportamento da população, o Segway (duas rodas lado a lado) emplacou como gadget de transporte elétrico 16 anos depois do seu lançamento.

Idealizado pelo britânico Jimi Heselden, ele foi criado a partir de sua sensibilidade ao presenciar a enorme dificuldade de locomoção de um homem em cadeira de rodas. No gadget, o cadeirante consegue olhar para outras pessoas sem se sentir inferiorizado. Para ativar os sensores do Segway e avançar, basta inclinar o corpo para frente. Para recuar, a inclinação é para trás. Para seguir para os lados, é necessário o movimento do braço para a direção desejada. O gadget atinge uma velocidade máxima de 20 km/h.

Apesar do motivo propulsor nobre, o Segway não conquistou o público no seu primeiro ano, em 2001, devido principalmente ao preço muito alto, superior a 10 mil reais. Hoje, para se ter uma ideia, você já compra um modelo por 500 reais no Mercado Livre. Isso ajudou a popularizar a invenção de Heselden, que infelizmente não pode presenciar o auge, pois morreu em 2009 ao cair de um penhasco com um patinete motorizado criado por ele próprio.

Não consigo usar gadgets elétricos como transporte de forma constante, mas acompanho as inovações nesse segmento em que a tecnologia faz cada vez mais diferença. São gadgets com foco em alta performance, design e tecnologia. Variações desse transporte chegam ao Brasil desde a última década. Especialmente nos últimos cinco anos, e aqui em São Paulo, onde resido, venho notando uma crescente presença deles, misturados com as tradicionais bicicletas, pelas ruas da cidade. Aqui, destaco dois, além do Segway.

O hoverboard é uma espécie de skate elétrico, com funcionalidade similar ao Segway. A principal diferença entre eles é que, neste caso, não há uma barra central para dar estabilidade e facilitar a condução do equipamento. O equilíbrio é obtido por um conjunto de sensores, que “interpreta” a inclinação do corpo do usuário para definir seus comandos. Ao inclinar para frente, os motores movem a prancha adiante. Se o corpo vai para trás, o movimento é de ré. Os diferentes modelos saem a partir de 700 reais.

Evolução desses modelos, o unicycle (monociclo elétrico) é considerado por alguns o transporte do futuro. Com um sistema giroscópio inteligente, também monitora a indicação corporal do “motorista”, alterando a velocidade de acordo com sua inclinação. Pode ser utilizado em subidas e descidas, chegando a 25 km/h. Ao alcançar essa velocidade, o equipamento aciona uma trava de segurança que o reduz para 16 km/h e emite um aviso sonoro. Um modelo custa em torno de 900 reais e é fácil de transportar quando não está em uso, pois é compacto e relativamente leve.

Independentemente da sua preferência, o que vale é experimentar essas alternativas de “transportes do futuro” e avaliar qual pode ajudar mais na sua rotina e para qual finalidade: trabalho, lazer, hobby, esporte etc. Um ponto interessante a considerar é que, como esses transportes são à base de eletricidade e bateria, não suamos como quando usamos as bicicletas tradicionais. Ou seja, são válidos para chegar “inteiro” ao trabalho sem a necessidade de banho.

Marcelo Tripoli é publicitário, geek e empreendedor serial, além de autor do livro Meaningful Marketing