A vida em troca de um barbeiro

David Cronenberg transforma a busca por um corte de cabelo numa discussão sobre colapso financeiro e fim do mundo

Uma sinopse enxuta de Cosmópolis: ricaço enfrenta uma Nova York à beira do caos só para conseguir o corte de cabelo de sua preferência. Só que o caminho que o executivo Packer (Robert Pattinson) terá de fazer até chegar ao seu barbeiro favorito está infestado de manifestantes violentos, que tentam se aproveitar de uma visita do presidente dos Estados Unidos para ser ouvidos.

Além da gritaria dos protestos e do tráfego infernal, Packer ainda vai encontrar outros obstáculos no caminho do seu objetivo. E são nesses percalços que Cosmópolis mostra e discute sexo, dinheiro, mulheres, violência e vodca.

O diretor David Cronenberg é conhecido e elogiado por mostrar violência e sexo em seus filmes de um jeito explícito, estranho e excepcionalmente dissecado. Em Cosmópolis, Cronenberg adiciona uma discussão que era inédita em sua obra: a busca irresponsável por riqueza. É esse terceiro assunto que faz com que a base de filme seja formada por longos diálogos sobre um possível apocalipse provocado pelo fim do capitalismo. Baseado no livro homônimo do americano Don DeLillo, escrito em 2003, o filme de Cronenberg fortalece ainda mais o caráter de “Mãe Dinah” da obra original. Afinal, esse apocalipse se tornou uma possibilidade bem real nos últimos anos.

Matéria publicada na Revista VIP de agosto de 2012.