As 50 melhores músicas dos piores astros do pop

De Carlinhos Brown a Paris Hilton, uma viagem musical que vai deixar cicatrizes

Por motivos diferentes, eles são considerados ruins. Incompetentes. Bregões. Chatos. Sem sangue nas veias. Arrogantes. Sem identidade ou personalidade marcante. Medíocres. Queimados por pisar na bola. Todas essas “qualidades” se aplicam a cantores, cantoras e bandas da música popular mundial para quem muita gente torce o nariz (embora eles tenham seus fãs aguerridos que não levam desaforo para casa, apenas os discos desses artistas…). Nosso desafio foi encontrar pelo menos uma música boa de 50 artistas de reputação, digamos, debatível. Um serviço de utilidade pública, já que na era da internet (em que música de todas as épocas está ao alcance de um clique e um download legalizado em serviços como o iTunes) não é mais preciso adquirir um LP ou CD inteiro como antigamente. Basta ter apenas a faixa que presta. Portanto, aí vão 50 músicas que valem a pena ter de artistas que não valem tanto a pena.

Os toscos – Inépcia em estado avançado

1. The Shaggs – Wheels

A banda mais vezes conclamada como a “pior de todos os tempos”. Três irmãs desajeitadas (depois, uma quarta foi adicionada) cujo pai pagou pelos instrumentos e por uma sessão de gravação. O problema: as pobres não tinham muita noção de tempo, compasso, harmonia, afinação etc. Isso fica claro no LP que lançaram em 1969, Philosophy of the World.

Mas a ruindade era tanta que o disco virou cult. Elas ousaram fazer outras gravações em 1975, que só vieram a público em 1982, quando o culto crescia. Nessa segunda leva estava Wheels, um instrumental curtinho que parece saído de um bailinho da Jovem Guarda. Excepcionalmente, tudo está tocado de forma aceitável e ninguém canta. Um adendo: corre em Hollywood o rumor de que a história das Shaggs pode virar um filme estrelado pelas irmãs adolescentes Dakota (que já fez um filme sobre banda de garotas: The Runaways) e Elle Fanning.

*Do álbum Shaggs’ Own Thing (1982)

2. Os Replicantes – Surfista Calhorda

Para esta banda gaúcha de punk conceitual dos anos 1980, não tocar bem era uma questão de honra. Funcionou nesta sátira aos caras que posam de surfistas em terra seca e quebram a cara na primeira onda.

*Do álbum O Futuro É Vortex (1986)

3. Trio – Da Da Da

Alemães que usavam poucas notas, poucas palavras e seguiam a batida básica da bateria eletrônica de um primitivo miniteclado Casio. Um disco inteiro é árduo de ouvir. Mas a cara de pau amadorística funcionou no sucesso mundial. Da Da Da, até hoje capaz de animar uma pista de dança, nostálgica ou não.

*Do álbum Trio (1981)

4. Wesley Willis – Get On The Bus

Um artista de rua esquizofrênico de Chicago que criava suas músicas jorrando quaisquer palavras – e muitos palavrões – que lhe viessem à cabeça, com arranjos musicais bem “qualquer nota” por trás. A não ser em Get on the Bus, que traz uma banda batizada de Wesley Willis Fiasco: uma mistura de rap e metal em que a verborragia de Willis está mais enxuta. Ele morreu de leucemia em 2003, aos 40 anos.

*Do álbum Spookydisharmoniousconflicthellride (1992)

5. The 5.6.7.8’s – Woo Hoo

Três japonesas com vestidos de oncinha espancando seus instrumentos e berrando. É o resumo do rock alternativo desta banda. Até que um dia elas foram convocadas pelo diretor Quentin Tarantino (um fanático por trash) para tocar em uma cena de Kill Bill. O quase instrumental Woo Hoo ficou redondinho e é divertido para dançar.

*Do álbum Kill Bill: Vol. 1 (2003)

Brasil brasileiro – Sem razão para ufanismo

6. Carlinhos Brown feat. Sepultura – Ratamahatta

De líder da percussão baiana da Timbalada, Brown quis lançar-se como astro megamulticultural globalizado. Virou alvo fácil. Às vezes, literalmente, como no Rock in Rio de 2001, quando recebeu uma chuva de garrafas plásticas de água. Cuidando mais do ritmo que da pretensão, Carlinhos fez uma decente colaboração com os metaleiros do Sepultura. Tão potente que foi usada por Thiago Silva para entrar no octógono no UFC.

*Do álbum Roots (1996)

7. Os Incríveis – Vendedor de Bananas

Eles caíram em desgraça desde 1970 pela ufanista Eu Te Amo, Meu Brasil, que entrou para a história como “o hino da ditadura militar”. Uma pena, porque isso ofuscou a competência instrumental demonstrada neste samba-rock com sabor caribenho composto pelo então Jorge Ben.

*Do álbum Os Incríveis (1969)

8. Jorge Mautner – Encantador de Serpentes

De todas as crias do Tropicalismo, o poeta/dramaturgo/escritor/agitador cultural Mautner é o mais musicalmente inexplicável, com seu violino impertinente e o fiapo de voz que entra torta em cada verso. Salva-se este dance-trance de araque, graças ao infame refrão “Sobe cobra, a cobra tem que subir”. Dá para alegrar uma festa às 3h da manhã.

*Do álbum Bomba de Estrelas (1981)

9. Supla – Encoleirado (com Roger, do Ultraje a Rigor)

O filho dos senadores Suplicy pode ser gente fina e divertido. Como cantor, é constrangedor. Mas o dueto com Roger é uma malandra brincadeira sobre as agruras de quem quer ir para a balada e é tesourado pela titular.

*Do álbum Supla (1991)

Bandas + Religião – Ímas de seguidores fanáticos

10. Rush – La Villa Strangiato

Não dá para dizer que o Rush é ruim. Só que poucos despertam tanto amor (dos fãs) e ódio (causado pelo nerdismo e pelas músicas longas). La Villa Strangiato interessa porque: 1) é brincalhona, parecendo trilha de desenho do Pernalonga; 2) é exemplo da destreza do trio; 3) é instrumental, sem os guinchos de Geddy Lee.

*Do álbum Hemispheres (1978)

11. Los Hermanos – Anna Julia

Quanto mais os hirsutos Los Hermanos mergulharam em suas misturas cabeça de rock com MPB e embarcavam no marasmo, mais adoradores conseguiam. E tanto a banda como seus seguidores mais aguerridos passaram a odiar o primeiro sucesso, Anna Julia, um bem resolvido pop-rock. Embora a “hirmandade” odeie, o beatle George Harrison adorou – tanto que, pouco antes de morrer, tocou guitarra numa regravação de Anna Julia em inglês feita pelo amigo Jim Capaldi. Em quem acreditar: nos Hermanos ou em um beatle?

*Do álbum Los Hermanos (1999)

12. Grateful Dread – Truckin’

A banda mais hippie de todos os tempos. Shows “intermináveis” cheios de improvisos para um público chapado que seguia a banda de cidade em cidade. Mas o Dead foi contido e objetivo em Truckin’, simpático mix de blues, country e rock.

*Do álbum American Beauty (1970)

Os Sem Sal –  A arte de deixar tudo sem sabor

13. Phil Collins – Tomorrow Never Knows

De ótimo baterista e vocalista correto da banda progressiva Genesis, o pequeno Phil cismou de virar cantor pop na década de 1980. A cada disco, ritmo de menos e babas sem personalidade de mais. Foi um alívio quando ele anunciou sua aposentadoria em março. E pensar que essa carreira solo começou com uma promissora regravação da experimental Tomorrow Never Knows, dos Beatles, que faz jus à capacidade dele como músico.

*Do álbum Face Value (1981)

14. Chicago – Does Anybody Really Know What Time It Is?

A imagem do Chicago para a posteridade: grupo de baladas assépticas (exemplo: Hard to Say I’m Sorry) que infestaram as rádios FM nos anos 1980. Antes dessa fase melosa, o Chicago era bem mais ousado, misturando rock, pop e jazz de forma animada, como nesta música.

*Do álbum The Chicago Transit Authority (1969)

15. James Blunt – Cuz I Love You

Há cinco anos, este ex-militar britânico infernizou a humanidade com seu choroso megassucesso You’re Beautiful. O resto de seu material é igualmente lamuriento com sua voz aguda. Exceção: esta reinterpretação de uma música do Slade, grupo dos anos 1970. Blunt soa como uma pessoa com vontade de viver.

*Do álbum All the Lost Souls [bônus da versão de luxo] (2008)

Os recatados – Conservadores bem-comportados bregas e enfadonhos

16. Celine Dion You Shook Me All Night Long (dueto com Anastacia)

*Do álbum Divas Las Vegas (2002)

17. Pat Boone – Smoke On The Water

*Do álbum In a Metal Mood (1997)

18. Paul Anka – Smells Like Teen Spirit

 

Três casos bem semelhantes: cantores hipercaretas tentando bancar os antenados com covers de rock pesado. A insípida Celine Dion (célebre pelo berreiro de My Heart Will Go On, do filme Titanic) mandou uma música do AC/DC. Já Pat Boone surgiu nos anos 1950 como resposta bem-comportada ao rebelde Elvis Presley. Um belo dia, após décadas de existência moralista e chata, Pat fez um álbum de covers de rock – como a versão meio chá-chá-chá de Smoke on the Water, do Deep Purple. Paul Anka é outra figura dócil da década de 1950 que depois foi cantar nos cassinos de Las Vegas. Seguindo os passos do colega Boone, bolou um disco com rocks (como Smells Like Teen Spirit, do Nirvana) tocados por uma big band. Nenhuma dessas regravações é brilhante. Mas, diante do currículo dos cantores, são anomalias engraçadas.

*Do álbum Rock Swings (2005)

19. The Osmonds – Crazy Horse

Pouco depois que o menino Michael e o grupo de irmãos Jackson 5 estouraram, surgiu a contrapartida obediente à moral e aos bons costumes: The Osmonds, cheio de irmãos adolescentes sem um fio de cabelo fora do lugar e sucessos adocicados. O que torna surpreendentes a guitarra uivante e os berros de Crazy Horses.

*Do álbum Crazy Horses (1972)

Os esquisitos – Um pessoal com gostos fora da curva

20. Laibach – One After 99

Um quarteto eletrônico da Eslovênia que tinha seu visual inspirado por regimes autoritários do passado, como o nazismo alemão e o stalinismo soviético. O som também era quase sempre marcial, rígido. Espera-se que fosse algum tipo de piada. Assim como a brincadeira de reinterpretar um disco inteiro dos Beatles, Let It Be. Ao menos, a transformação de One After 909 em um nervoso techno industrial foi satisfatória.

*Do álbum Let It Be (1988)

21. W.A.S.P – I Wanna Be Somebody

Eles tentaram chamar a atenção pelo nome (abreviação de We Are Sexual Perverts), pelo visual troglodita e por encenações de tortura no palco. Quanto à música, o metal-pop de I Wanna Be Somebody é o menos perecível de suas obras.

*Do álbum W.A.S.P. (1984)

22. Manowar – Dark Avenger

Quatro metaleiros marmanjos musculosos que se vestem com tangas de pele animal e agem como se fossem clones de Conan, o Bárbaro. A sério! Contudo, há de se reconhecer: eles anteciparam em cerca de seis meses o que Michael Jackson faria em Thriller, ao colocar o ator de terror Vincent Price fazendo uma narração fundamental para a música. Em Dark Avenger, o Manowar convenceu o mito Orson Welles (do clássico do cinema Cidadão Kane) a colocar seu vozeirão em um texto no meio da música.

*Do álbum Battle Hymns (1982)

23. Gary Glitter – Rock & Roll Part 2

Na vida real, Gary Glitter é Paul Francis Gadd, condenado mais de uma vez por crimes de pedofilia nos últimos 14 anos: ficou preso na Inglaterra e no Vietnã, e foi deportado do Camboja. Na música pop, Glitter

curtiu um breve sucesso em 1972/73. E, se a pessoa por trás da música puder ser esquecida ou ignorada, Rock & Roll Part 2, com sua batida tribal e seus coros de “Hey! Hey!”, ainda é capaz de animar uma festinha.

*Do álbum Glitter (1972)

Boy Bands – Entidades que elas adoram na adolescência e nós odiamos sempre

24. Bay City Rollers – Yesterday’s Hero

Cinco rapazes que cantavam baboseiras e dançavam para as adolescentes dos anos 1970. Este roquinho básico (curiosamente composto por George Young, irmão mais velho de Angus Young, guitarrista do AC/DC), é bem melhor que os maiores sucessos desse grupo escocês, que era boy band uns 20 anos antes da criação do termo.

*Do álbum Dedication (1976)

25. Backstreet Boys – Incomplete

Cinco rapazes que cantavam baboseiras e dançavam para as adolescentes dos anos 1990. Passada a febre, retornaram em 2005 com uma imagem mais “adulta”. Perto de tudo que veio antes, este rock-balada (que vai na trilha aberta pelo Aerosmith com Dream On nos anos 1970) é decente. Tem até um vocal que lembra o de um ser humano.

*Do álbum Never Gone (2005)

26. NSYNC – For the Girl Who Has Everything 

Cinco rapazes que cantavam baboseiras e dançavam para as adolescentes na entrada dos anos 2000. Um deles era Justin Timberlake, que depois demonstraria talento pop real. O jeitão relax e meio latino desce melhor que as coisas dançáveis deles.

*Do álbum *NSYNC (1998)

27. Jonas Brothers – SOS

Três irmãos que cantam baboseiras e agitam instrumentos para as adolescentes de hoje. Seus supostos rocks parecem compostos e tocados por algum software. A ágil S.O.S. é passável graças ao tema meio robótico de guitarra.

*Do álbum Jonas Brothers (2007)

Laços de Família – Pais e cônjuges famosos fazem uma diferença…

28. Yoko Ono – Why

Ela foi acusada de separar os Beatles, de anular o talento do marido John Lennon, de explorar a imagem dele desde sua morte. E, principalmente, de não ter talento musical, apelando para experimentações e gritos e dizendo que era vanguarda. A avaliação depende da boa vontade do ouvinte para com Yoko. Why não escapa dos tradicionais berros dela, só que aqui eles estão aplicados à noção de pesadelo num rock com baixo e bateria tensos e uma guitarra brutal tocada por Lennon.

*Do álbum Yoko Ono/Plastic Ono Band (1970)

29. Kelly Osbourne – Shut Up

É incrível, mas Kelly tem menos potência e qualidade vocal que seu pai, o carismático Ozzy Osbourne. Ela aproveitou o pouco que tinha a oferecer com Shut Up, um redondinho roquinho quase gracioso.

*Do álbum Shut Up (2002)

30. Kevin Federline – Crazy (com Britney Spears)

Enquanto esteve casado com Britney Spears, o pretenso rapper apelidado de K-Fed teve a chance de cometer um CD. Que até hoje sustenta a pior avaliação dos usuários do site Metacritic, com nota média de 2,6 (em escala de 10). Apesar de K-Fed, Crazy tem uma centelha de profissionalismo pela presença de Britney.

*Do álbum Playing with Fire (2006)

Fabricados e Imitadores – Originalidade não é com eles

31. Milli Vanilli – Girl You Know It’s True

A maior fraude do pop. A dupla faturou o Grammy de Revelação no começo de 1990 e teve o prêmio cassado sete meses depois. Razão: descobriu-se que os dois rapagões que apareciam nos clipes, shows e capas de disco apenas dublavam o que era gravado por cantores profissionais. A operação toda ruiu. Os dois “dublês” sumiram do mapa, e a tentativa de relançar o Milli Vanilli identificando os verdadeiros cantores fracassou. Independentemente de quem cantou ou deixou de cantar, o maior sucesso da, digamos, dupla se sustenta. Mesmo que apenas como retrato de uma época.

*Do álbum Girl You Know It’s True (1989)

32. Sigue Sigue Sputnik – Love Missile F1-11

Tudo armação. Um bando de ingleses que se diziam o “futuro do pop” com seu visual espalhafatoso e músicas montadas eletronicamente que pareciam as trilhas dos videogames da época. Love Missile F1-11 é a melhor do pacote, em que os tais “efeitos Atari” se casam com uma levada de rock’n’roll dos anos 1950.

*Do álbum Flaunt It (1986)

33. MC Hammer – U Can’t Touch This

Este teve a esperteza de ser pioneiro do “rap de butique”, dando um verniz mais chique a um gênero que ainda era visto como coisa de gangue. E o sampler que Hammer escolheu neste sucesso não tinha como dar errado: o contrabaixo pulsante de Superfreak, funk de Rick James. Depois, Hammer achou que era um deus do merchan musical e quebrou a cara. Hoje é empresário de MMA.

* Do álbum Please Hammer, Don’t Hurt ’Em (1989)

34. Vanilla Ice – Ice Ice Baby

Se Hammer veio com o “rap chique”, Vanilla Ice se apresentou como pioneiro do “rap de branco”. A escolha de sampler para sua primeira criação também foi matadora: o baixo de Under Pressure, parceria entre Queen e David Bowie, dá vida ao som do desengonçado Vanilla.

*Do álbum To the Extreme (1990)

35. EMF – Unbelievable

Grupo inglês que buscou dar um trato mais comercial ao mix de rock e dance que conterrâneos alternativos já faziam. Apesar de manjadíssima hoje, Unbelievable funciona com seu refrão dissonante. O EMF achou que descobriu a fórmula e batizou a música se-guinte de I Believe. Dessa vez, ninguém mais acreditou neles.

*Do álbum Schubert Dip (1990)

36. Insane Clown Posse – House of Horrors

Dois caras com maquiagem de palhaços assassinos fazendo um pífio hip hop “de terror”. Esta faixa se salva pelo instrumental pesado por trás dos vocais que parecem o Cypress Hill sob efeito de gás hélio.

*Do álbum The Great Milenko (1997)

Rock Genérico – Artistas que tiveram seus 15 minutos e não deixaram muito rastro

37. Peter Frampton – Breaking All The Rules

Mal comparando, para adolescentes bicho-grilo em 1977, Frampton com seus cachos dourados foi um astro da mesma magnitude que o ex-franjudo Justin Bieber hoje. O estouro como ídolo teen de canções fáceis foi meio injusto com a capacidade de Frampton, mas é culpa dele ter se deixado levar. Quando a fama passou rápido, viu-se perdido, sem fama e sem prestígio. Restaurou sua dignidade com a pesadinha Breaking All the Rules.

*Do álbum Breaking All the Rules (1981)

38. Grand Funk Railroad – Bad Time (To Be in Love)

Trio de hard rock estático dos anos 1970, que não primava muito pela sutileza nem pela criatividade. Por isso surpreende que tenha feito um ótimo pop melódico como este.

*Do álbum All the Girls in the World Beware!!! (1974)

39. Boston – More Than A Feeling

Uma entre dezenas de “bandas sem rosto” que fizeram algum sucesso. Tão sem rosto que o disco de estreia foi gravado quase todo apenas pelo guitarrista, antes que houvesse um nome para o grupo – ou melhor, antes que houvesse grupo. O pior: quando outros músicos entraram, o Boston ficou ainda mais anódino.

*Do álbum Boston (1976)

40. Journey – Don’t Stop Believin’

O Journey sofreu com o rótulo pejorativo de “rock de arena”, dirigido a bandas que lotavam locais de médio porte graças a seus rocks suaves, indistinguíveis e perfeitos para as FMs. Já Don’t Stop Believin’ tem uma estrutura interessante que vai crescendo como a história de fé e esperança da letra. E que deu grande impacto à cena final do seriado de mafiosos A Família Soprano.

*Do álbum Escape (1981)

41. Poison – Unskinny Pop

Um dos máximos representantes do “hair metal” – um subestilo em que as bandas estavam mais preocupadas com seus cabelos cheios de laquê e as roupas apertadas de lycra que com o som. Seu ex-vocalista Bret Michaels é hoje uma figura inchada que ganha a vida como participante itinerante de reality shows. Pelo menos, o Poison acertou musicalmente na grudenta Unskinny Bop, que é muito pop e quase nada metal.

*Do álbum Flesh & Blood (1990)

42. Divinyls – I Touch Myself

Nada que o grupo australiano Divinyls deixou registrado em 15 anos de gravações foi tão memorável quanto este sucesso de 1991. Que foi muito ajudado pelo clipe em que a vocalista Christina Amphlett reforça a sensualidade e a autossatisfação sugeridas na letra.

*Do álbum Divinyls (1991)

Exagerados e Mascarados

43. Emerson, Lake e Palmer – Tank

Três músicos de técnica excepcional que, juntos, encarnaram ao máximo os excessos cênicos e o esnobismo do rock progressivo. O nervoso jazz-rock Tank contém mais ideias instigantes que outras empreitadas.

*Do álbum Works, Volume 1 (1977)

44. Yngwie J. Malmsteen – Evil Eye

Um sueco que era um prodígio em rapidez na guitarra. Mas arrogante e malcriado com qualquer um, de colegas de profissão a pobres aeromoças. Em Evil Eye, conseguiu seu resultado mais compacto e objetivo na união de violão clássico com as tentativas de bater o recorde mundial de notas tocadas por segundo na guitarra elétrica.

*Do álbum Rising Force (1984)

45. Terence Trent D’Arby – If You Let Me Stay

Digamos que este cantor não foi muito sutil ao sair dizendo que seu álbum de estreia era o melhor desde Sgt. Pepper, dos Beatles. Tanto narcisismo fez Terence sumir rapidamente. Ficou a simplicidade soul desta música benfeitinha.

*Do álbum Introducing the Hardline According to Terence Trent D’Arby (1988)

46. The Darkness – I Believe in a Thing called Love

Solos de guitarra em cima de uma estátua de tigre em tamanho natural. Amplificadores gigantes no clipe. Vocais soltando a franga. Poses de rock star. Era tanto detalhe estapafúrdio que a banda inglesa foi encarada como piada durante sua breve temporada de sucesso. Mas com um tema de guitarra de rock clássico que vale a música, I Believe in a Thing Called Love tem tudo para ser sensação quando começarem a surgir festas do tipo “Trash 2000’s”.

*Do álbum Permission to Land (2003)

Os Estranhos no Ninho – Música não é o negócio deles

47. Bruce Willis – Crazy Mixed-Up World

Ótimo ator de filmes de ação, Bruce gosta muito de música, e tocar gaita é seu hobby. Por isso, no início de seu estrelato, cedeu à vaidade e gravou dois álbuns. Só que a produção era estéril e a voz dele mostrou-se fraca. Como ponto positivo, ficou esta regravação fiel de um blues feito nos anos 1950 pelo gaitista Little Walter.

*Do álbum The Ultimate Collection (2004)

48. Steven Seagal – Dust My Broom

O ator e lutador que ensinou Anderson Silva a dar chutes no UFC lançou dois álbuns tocando guitarra. Ao refazer o blues clássico Dust My Broom, canta com voz mais segura que no resto de suas gravações.

*Do álbum Mojo Priest (2006)

49. David Hasselhoff – Hooked on a Feeling

Ator conhecido pelos seriados Supermáquina e Baywatch, David investiu numa carreira de cantor pop. Dizem que só alemães gostaram. Mas dá para achar graça nesta bizarrice que une batida dance e um coro de “Uga! Chaka uga uga!”.

*Do álbum Hooked on a Feeling (1997)

50. Paris Hilton – Do Ya Think I’m Sexy

Se a herdeira da cadeia de hotéis Hilton dependesse de talento para ser famosa, seguiria no anonimato. Apenas pelo pitoresco, salva-se este remake da famosa música em que Rod Stewart plagiou Jorge Ben.

*Do álbum Paris (2006)