Brasileiro na guerra: a estreia de Fernando Coimbra fora do país

Com Castelo de Areia, o diretor faz seu primeiro filme americano e busca evitar a fórmula patriótica de Hollywood

Com o prestígio de O Lobo Atrás da Porta (2013), seu primeiro longa- metragem em festivais, o brasileiro Fernando Coimbra iniciou uma carreira internacional. Dirigiu dois episódios da primeira temporada de Narcos e agora lançou seu primeiro filme americano: Castelo de Areia. Com estreia mundial na Netflix programada para 21 de abril, o foco é a Guerra do Iraque a partir de um olhar mais equilibrado que a fórmula patriótica de Hollywood.

“É até arriscado meu primeiro filme lá ser sobre isso, mas entendo bem a visão que o americano tem de quem não é americano. Quis olhar os iraquianos, humanizar os personagens”, disse Coimbra por telefone da Colômbia, onde está dirigindo episódios da terceira temporada de Narcos.

Há tiros, bombardeios e explosões no início. Mas Castelo de Areia muda de foco depois. A falta de água num vilarejo e a recusa da população iraquiana em auxiliar os soldados a consertar um duto fazem com que as relações humanas tomem o lugar da munição.

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(Divulgação/Reprodução)

“A ideia era representar como foi a guerra”, afirmou Coimbra. “Quando os americanos chegaram lá, tinham superioridade bélica. Bombardearam Bagdá por dias. A impressão era que sairiam rapidamente. Mas os conflitos estenderam a permanência. E eles tiveram de lidar com os problemas locais, com as pessoas. A relação entre americanos e iraquianos me atraiu.”

O protagonista é um jovem soldado que nem precisaria estar no conflito, interpretado por Nicholas Hoult, dos filmes X-Men. A perda de inocência dele e a tensão crescente dos outros soldados lembram a estrutura de Platoon, o clássico sobre a Guerra do Vietnã dirigido por Oliver Stone, vencedor do Oscar de 1986.

Não foi por acidente. O roteirista Chris Roessner (que serviu no Iraque) se inspirou depois de assistir ao longa de Stone. “O Chris se alistou no Exército para pagar a universidade, sem esperar ir para uma guerra. Quando viu Platoon, ele se identificou. Foi uma inspiração”, contou Coimbra.

As filmagens foram na Jordânia, nos quatro últimos meses de 2015. Coimbra não teve problemas, mas não pode dizer que ficou tranquilo. “A Jordânia é pacífica, uma Suíça do Oriente Médio, mas as fronteiras são fogo. A gente filmava perto da Síria. Víamos os aviões pass.

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