Cartas na mesa: a nova geração de jogos de tabuleiro

Jogos de tabuleiro vivem um boom de produção e novidades – uma alternativa analógica de passatempo para um mundo em que a tecnologia reina

Já vimos o revival de antigas câmeras fotográficas baratas e LPs de vinil. Agora são os jogos de tabuleiro que deixam de ser anacrônicos e tornam-se cult para um público adulto, numa alternativa ao domínio dos games eletrônicos.

O boom dos tabuleiros não depende de reedições de Banco Imobiliário ou War. Há uma produção grande de novos jogos físicos, que até abrem mão dos dados e da mecânica do “complete o objetivo”. A nova geração preza a experiência do usuário, desde a abertura da caixa até a imersão durante uma partida. Há preocupação com duração, balanceamento, número de jogadores, grau de complexidade e maior controle do elemento sorte – indo na contramão de jogos antigos, nos quais a sorte muitas vezes era fator determinante.

“Em 2016, tivemos 95 jogos de tabuleiro modernos lançados no Brasil – 21 deles são de designers nacionais. E esse número é somente de jogos-base, sem contar expansões que adicionam novos componentes e regras”, comenta Ricardo Gama, da Ludopédia, maior portal sobre o tema na América Latina.

O Ludopédia abriga uma grande comunidade de entusiastas dos tabuleiros com fóruns de discussão. Essa troca de experiências é um dos grandes responsáveis pelo aumento desse mercado e dos ganhos dos principais fabricantes, como a Galápagos, que tem o licenciamento de alguns títulos modernos.

“A Galápagos triplicou seu faturamento nos últimos três anos. Havia demanda que não era atendida. Mas o crescimento deu-se, principalmente, devido à grande oferta de jogos diferentes e inovadores que trouxemos para o Brasil”, explica Yuri Fang, CEO da marca.

Três jogos legais

A Guerra dos Tronos: Board Game

No jogo inspirado no seriado Game of Thrones, você pode assumir o controle de uma das grandes casas de Westeros em busca do domínio do trono de ferro. Nele, batalhas acontecem a todo momento e alianças podem ser feitas. Ter lábia é importante.

Lembra: War.

Por que é diferente: é muito mais complexo que o clássico War. Seus mecanismos dispensam dados e são baseados em uma série de variáveis. É preciso levar tudo isso em conta para vencer um duelo por territórios.


Puerto Rico

Os jogadores são proprietários de plantações em Porto Rico, nos tempos dos descobrimentos. Com até cinco diferentes tipos de culturas (milho, índigo, tabaco, açúcar e café), os jogadores tentam conduzir seus negócios de forma mais eficiente que seus concorrentes.

Lembra: Banco Imobiliário.

Por que é diferente: pelo sistema de classes – o jogador assume uma classe por rodada, cada uma com uma habilidade especial.


Cartas Contra a Humanidade

Tudo se baseia em cartas de perguntas e respostas. Cada jogador começa o jogo com dez cartas de respostas, e a cada início de rodada uma carta-pergunta vai à mesa. Quem escolher a melhor
(e mais disparatada) resposta ganha a rodada e o ponto.

Lembra: Poker Texano.

Por que é diferente: o que define o vencedor é a melhor tirada. O jogo não está à venda no Brasil, mas uma dedicada comunidade criou uma versão em português das cartas para baixar na internet.