Se o número de adaptações de séries dos anos 1980 para o cinema dos anos 2000 é grande o suficiente para formar um subgênero, Anjos da Lei, por enquanto, já pode ser coroada como a melhor de todas as que foram feitas até agora.
Os incompetentes policiais Schmidt e Jenko (Jonah Hill e Channing Tatum, escolhas tão improváveis e tão exatas) são enviados para uma unidade especial da polícia que tira proveito da aparência jovem dos seus recrutas para infiltrá-los em escolas e investigar crimes entre a moçada.
Quando estudavam, Schmidt era o loser da turma, e Jenko, o popular da escola. O primeiro vê a volta para a escola como uma nova razão para ser tratado como um lixo novamente. O segundo espera reviver as glórias de ser um jovem popular, e não um adulto inepto. Nos novos tempos, os papéis acabam se invertendo.
Cabe o slogan “e muita confusão vem por aí”. E vem mesmo, mas não uma confusão qualquer. O lance de Anjos da Lei é tráfico de drogas, violência pesada e piadas idem. Possui vários motivos para ser tratado como um marco da comédia americana, mas um se sobressai: é o primeiro filme de high school a tratar esse ambiente como ele funciona nos dias de hoje. E mais: entre uma piada e outra, há sequências de ação tão benfeitas quanto as do seu Duro de Matar favorito.
O impasse das comédias recentes que mostram losers e atletas disputando gostosas entre uma aula e outra é o peso dos anos 1980 que não sai de cima. Na escola de Anjos da Lei, a figura do valentão é ultrapassada, e a turma popular de hoje é hipster, ecochata, trocou o hambúrguer pela granola e o Aerosmith pelo Foster the People.   (Tiago Lopes)

Matéria publicada na Revista VIP de maio de 2012.

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