Rejeição é difcil em qualquer idade. Depois de décadas de casamento ou até mesmo um fora casual na balada, ao levar um “não”, você sempre enumera todos os seus defeitos antes de partir para outra, e isso, sinceramente, é uma merda. Neste mês, chegam aos cinemas Amor a Toda Prova e Pronto para Recomeçar, dois filmes que mostram homens lidando com a rejeição de maneiras diferentes. Mas sem muito drama, já que o sofrimento é interpretado por dois grandes da comédia: Steve Carell e Will Ferrell.

Em Amor a Toda Prova, Cal (Steve Carell) vai a mais um jantar rotineiro com a sua esposa (Julianne Moore). Ele pede creme brûlée, ela, o divórcio. Cal toma uma atitude sensata: procura o bar mais próximo. Lá encontra Jacob (Ryan Gosling), um tipo de cara que bem poderia ser leitor da VIP. Ele faz da pegação de mulher um esporte dos mais simples, como caminhar no parque. Jacob decide fazer de Cal um homem menos bundão. Enquanto isso, o filho de Cal, Robbie, de 13 anos, também enfrenta sua primeira grande rejeição: toma coragem e diz para a sua babá que a ama. Jessica é muito velha para ele, tem 17 anos, mas sua idade não a impediu de se apaixonar pelo seu patrão, Cal.

Amor a Toda Prova tem muita trama concentrada em poucos personagens. Mas amarra tudo tão bem que fica mais próximo das comédias do genial Billy Wilder do que dos filmes recentes do gênero. No final, se resume a isso: homens de gerações distintas entendendo e superando a rejeição do único jeito possível, tentando até conseguirem o que querem. Mesmo porque, o que eles querem são mulheres como Emma Stone (a atriz mais linda em atividade em Hollywood), Marisa Tomei (há mais de duas décadas com sua gostosura intacta) e Julianne Moore (que inescrupulosos chamam de grande Milf).

Muito álcool para cicatrizar
Se Steve Carell bebe pouco e age muito em Amor a Toda Prova, em Pronto para Recomeçar, Will Ferrell bebe muito e mal se mexe. E seu pé na bunda é monumental: logo depois de ser demitido de um emprego que estava havia 16 anos, o personagem dele, Nick, chega em casa e encontra todas as suas coisas jogadas no jardim. As fechaduras foram trocadas e sua conta no banco, conjunta, bloqueada. Ele decide morar no gramado, até ter uma ideia melhor ou ser expulso pela polícia, o que vier primeiro.

A ideia chega antes: vender as únicas coisas que possui. Nem tanto pelo dinheiro, mas para recomeçar de alguma maneira. Se livrando de tudo o que tinha enquanto estava casado, Nick começa a se distanciar da vida que levava do lado da sua mulher.

Pronto para Recomeçar pende mais para a dor do que a graça do pé na bunda. Se fosse um ator qualquer, seria um dramalhão para senhoras. Só Will Ferrell consegue fazer um alcoólatra sem parecer um coitado. São poucos, mas muito bons os momentos de comédia. E ele ainda contracena com Rebecca Hall, que interpreta uma vizinha grávida e, como sempre, está muito gata.

Mais Rejeições superadas com humor
Onze Homens e um SegredoJulia Roberts dá um pé na bunda de George Clooney e ele decide roubar, de um jeito espetacular, o cassino de seu algoz, só para mostrar para a ex quem é o melhor.

Ressaca de AmorJason Segel é trocado por um astro do rock. Até aí, tudo bem. Mas ser trocado pelo astro do rock mais babaca das galáxias é foda. Melhor ir para o Havaí e quem sabe ter a sorte de encontrar Mila Kunis como recepcionista do hotel.

Alta FidelidadeLevar um pé na bunda é uma boa desculpa para fazer um top 5 de pés na bunda e um top 5 do que mais der na telha. Baseado no excelente livro de Nick Hornby, o filme é quase um guia para a vida masculina.

Outras estreias

A falsa comédia romântica
Tem muita mulher de rosa enfeitando o pôster de Missão Madrinha de Casamento. O título nacional também não ajuda. Mas não se deixe enganar: essa é a melhor comédia desde a já clássica O Âncora. Produzido por Judd Apatow (O Virgem de 40 Anos) e dirigido pelo criador da ótima série Freaks and Geeks, Paul Feig, o filme foi um dos mais elogiados do verão americano. Tudo porque as pessoas esperavam mais uma comédia romântica para mulherzinha e se depararam com as piadas mais sujas e bem escritas da temporada, interpretadas pelas melhores e mais bonitas comediantes do ramo.

O mano a mano que faltava
O ano de 2011 não tem sido muito bom para filmes de super-heróis, com uma leva de produções até corretas, mas longe de memoráveis. A nova adaptação de Conan, o Bárbaro também não reinventa a roda, mas pelo menos tem sequências de ação com muito sangue e sem nenhum laser. Como um guerreiro que quer se vingar do assassino do seu pai e, de quebra, evitar que o mundo em que vive seja dominado por magia negra, Conan enfrenta gente e outros bichos. As batalhas são no mano a mano mesmo, e as mulheres exibem peitos fartos com muita naturalidade. É o trash mais bacana da temporada.

Mashup no cinema
Cowboys & Aliens é exatamente o que o seu título sugere: uma mistura dos gêneros western e sci-fi. Dirigido por Jon Favreau, responsável pela ótima franquia Homem De Ferro, o filme mostra como moradores do velho oeste americano se juntam para enfrentar aliens que estão em busca de uma riqueza que abunda na Terra. Destaque para a atuação de Harrison Ford e para os embates de homens em cavalos contra aliens em naves sofisticadas.